Segunda-feira, 5 de Julho de 2004
Futebol defensivo dos gregos triunfa num Euro 2004 de muito bom futebol
Ontem foi um dia de tristeza para todos os portugueses. Na grande final do Euro 2004, o futebol super-defensivo da Grécia derrotou o futebol-espectáculo português. Num Estádio da Luz com um ambiente absolutamente fantástico, Portugal estou a dominar o jogo. A Grécia, quando inicialmente se previa que jogasse num 4-3-3, praticamente só se preocupou em defender e em conceder poucos espaços no seu meio-campo defensivo. Com 9 (!) homens atrás da linha do meio-campo (no "pressing" final luso até era a totalidade da equipa), os helénicos conseguiam sempre ter 2 jogadores a marcar as principais figuras do ataque português. Assim, Basinas e Katsouranis não largavam Deco, Seitaridis e Zagorakis marcavam o extremo-esquerdo (que variava entre Figo e Ronaldo), enquanto que Fyssas e Giannakopoulos faziam o mesmo relativamente ao extremo-direito. Dellas e Kapsis chegavam e sobravam para o desinspirado Pauleta. Apesar desta "teia" a que a nossa selecção estava "amarrada", Portugal ainda conseguia atacar com Maniche (mais outra grande exibição), que sabe transportar jogo desde zonas mais recuadas até ao ataque (rematou muito perto da baliza aos 23min, na sequência de um canto apontado por Deco), e Miguel, que avançava muito bem no terreno, dando muito trabalho ao inseguro Fyssas, disferindo um perigoso remate cruzado que Nikopolidis defendeu para canto, aos 13min. No entanto, a matreira Grécia também causou um grande "calafrio" na primeira parte, quando, aos 15min, Vryzas tocou curto para Charisteas, valendo a saída arrojada de Ricardo com os pés. O intervalo chegava com a sensação de que Portugal deveria ter sido mais pressionante e mais rápido na circulação de bola. No ataque, apenas Figo e Ronaldo, algumas vezes, se conseguiam libertar da forte marcação helénica. Todavia, não obstante a exibição portuguesa no primeiro tempo não ter sido brilhante (a Grécia não jogava nem deixava jogar...), Portugal até merecia estar em vantagem. Destaque também para uma grande contrariedade para a equipa lusa: aos 42min, Miguel saía com fortes dores no peito (após uma disputa de bola com Giannakopoulos), sendo rendido por Paulo Ferreira. Na segunda parte, Portugal até entrava mais pressionante e a defesa grega parecia dar os primeiros sinais de fraqueza, mas, aí, foi o árbitro Markus Merk (alemão como o seleccionador grego: é estranho, principalmente quando se trata de uma nomeação...) quem se encarregou de dificultar a vida à "Selecção da Quinas", não assinalando, aos 50min, uma falta claríssima de Zagorakis sobre Deco, que resultaria num livre perigosíssimo. Poucos minutos depois, de forma sorrateira, Seitaridis, numa das suas raríssimas incursões no ataque, ganhou o único canto da partida para a Grécia. Na sequência do mesmo, Charisteas aproveita o facto de Costinha se ter encolhido para cabecear para dentro da baliza de Ricardo. A Grécia chegava injustamente à vantagem. Scolari reagiu de imediato, trocando Costinha por Rui Costa. Deste modo, Deco recuava ligeiramente e Rui Costa assumia a condução do jogo ofensivo. E a verdade é que esta alteração trouxe clarividência e mais organização à equipa portuguesa. Aos 59min, Ronaldo rematou e Nikopolidis largou, mas Pauleta não conseguiu fazer a recarga. Aos 72min, Rui Costa tentou a sorte de longe. Portugal pressionava conquistando sucessivos cantos. Scolari tirou Pauleta e colocou Nuno Gomes. A selecção do nosso orgulho tinha, no minuto seguinte, a mais flagrante oportunidade para chegar ao empate: Rui Costa, com um dos seus passes magníficos, desmarcou Ronaldo na esquerda, que, perante Nikopolidis, rematou por cima. Rehhagel sentia que a vantagem era precária e reforçou ainda mais a defesa, substituindo Giannakopoulos e Vryzas por Venetidis e Papadopoulos. O encontro apenas se disputa no último terço do meio-campo grego e Ricardo Carvalho, aos 78min, com o seu pior pé, o esquerdo, rematou para a defesa de Nikopolidis, que voltou a largar o esférico, não surgindo, porém, ninguém para a recarga. Neste cenário de intenso domínio português, aconteceu o insólito: aos 86min, um adepto, com as cores do Barcelona, entrou no relvado e atirou com uma bandeira do clube catalão a Figo. A partida reatou 4 minutos a seguir e Portugal teve mais outra grande oportunidade: Figo (mostrou a sua grande classe neste Euro 2004), num grande trabalho na direita, rematou muito perto da baliza grega. O árbitro decidiu dar uns ridículos 5 minutos de compensação (que nem foram cumpridos na totalidade...) que não serviram de nada à selecção portuguesa, uma vez que, pura e simplesmente, o árbitro Markus Merk decidiu marcar duas faltas que só ele viu a Nuno Gomes, não deixando que Portugal realizasse o "pressing" final. E assim termina aquele que foi, provavelmente, o melhor europeu de sempre, com grandes espectáculos de futebol, estádios cheios e muito "Fair-Play". Todavia, não obstante selecções como a Itália e a Alemanha terem sido afastadas na primeira fase, foi uma selecção excessivamente defensiva que arrecadou o tão desejado troféu, ao invés de equipas que praticaram futebol ofensivo, rápido e de grande qualidade, como Portugal ou a República Checa. O resultado da final tem um grande sabor a injustiça não só pela superioridade que Portugal patenteou mas também pela arbitragem tendenciosa de Markus Merk, que foi complacente para com as perdas de tempo dos gregos nas reposições de bola e mostrou uma excerbada dualidade de critérios. Contudo, este Euro 2004 marcou a melhor carreira de sempre da selecção portuguesa, que, pela primeira vez, é vice-campeã europeia. Foi isso, urge agradecer a Luiz Felipe Scolari e a toda a sua equipa técnica bem como aos 23 brilhantes jogadores que estiveram a representar as cores do nosso país neste torneio. PARABÉNS PORTUGAL!!!


publicado por pjmcs às 10:35
link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De unnkown a 27 de Janeiro de 2008 às 19:27
"Charisteas aproveita o facto de Costinha se ter encolhido para cabecear para dentro da baliza de Ricardo"

O Costinha foi empurrado, veja bem a repetiçao com a camera por detras da baliza e ja agora a reacçao do mesmo para os restantes colegas de equipa.


comentar artigo

Próximos Jogos

Sp. CovilhãxBoavista

(25/01; 16:00) - 15.ª Jornada

artigos recentes

Boavista FC 2 - 0 Estoril

Santa Clara 3 - Boavista ...

Boavista FC 2 - 0 U. Leir...

SC Freamunde 2 - 0 Boavis...

Boavista FC 1 – 2 SC Beir...

BOAVISTA FC 0 - 2 GUIMARÃ...

Feirense 2 - 0 Boavista F...

Boavista FC 1 - 0 Oliveir...

BOAVISTA FC 1 - 0 LOUSADA

Boavista FC 1 - 1 D. Aves

Imagens Recebidas
Galeria de Imagens
arquivos

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Abril 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

ligações
pesquisar