Quinta-feira, 9 de Setembro de 2004
Portugal 4 - Estónia 0

Num Estádio Municipal de Leiria - Dr. Magalhães Pessoa praticamente cheio, Portugal fez o primeiro jogo em casa após o Euro 2004, brindando o muito público com 4 golos sem resposta. Todavia, ao contrário do que o resultado parece demonstrar, a partida foi tudo menos fácil e os tentos só surgiram no último quarto-de-hora. A nossa selecção apresentou-se no relvado no tradicional 4-3-3, com apenas uma alteração face ao encontro com a Letónia: saiu Nuno Valente, entrou Rui Jorge. Na primeira parte, Portugal procurou apostar na circulação de bola, estilo de jogo que lhe permitiu ser vice-campeão europeu. Contudo, esta táctica não funcionou muito por culpa da Estónia (tinha os 11 jogadores recolhidos no seu meio-campo defensivo), mas também devido à actuação menos conseguida de alguns futebolistas lusos: Deco apenas apostava no passe (não fez nenhuma daquelas arrancadas que lhe são conhecidas), Rui Jorge estava "perdido" no terreno, Maniche falhou alguns passes, a Paulo Ferreira faltava confiança para chegar perto da linha final e cruzar e Simão não tinha a velocidade suficiente para ultrapassar os seus adversários em finta. Além disso, Ronaldo aparecia com mais frequência no meio que no flanco direito. Em suma, no primeiro tempo, a selecção das quinas apenas trocava a bola, de forma lenta, não conseguindo criar espaços no sector defensivo da Estónia. Aliás, durante a primeira parte, a grande oportunidade de golo pertenceu à Estónia: canto apontado na direita, Ricardo realizou uma saída precipitada, permitindo o cabeceamento a Piroja, valendo a cabeça de Costinha a aliviar o esférico sobre a linha de golo. Chegou o intervalo e Scolari fez o que se impunha: retirou um médio de características defensivas (Maniche) e fez entrar um ponta-de-lança (Postiga), para acompanhar Pauleta, que, até então, estava sozinho no meio dos centrais estónios. Assim, Portugal entrou melhor na segunda parte, pressionando mais a defensiva estónia, abrindo o jogo nas alas, de molde a cruzar para os dois avançados. Costinha avançava no terreno, Deco recuava ligeiramente, e era notório que dois jogadores eram suficientes para assegurar a superioridade no meio-campo. Ronaldo criava dificuldades aos dois (!) laterais-esquerdos da formação báltica e, praticamente no reatar do encontro, um cruzamento de Paulo Ferreira, que Pauleta deixou passar, termina no pé esquerdo de Simão, que rematou para a baliza adversária, com o guarda-redes Mart Poom a salvar sobre a linha de golo. Não tardou a resposta dos de leste: Oper cabeceou, sem oposição, para o poste direito da baliza lusa, Terehov reamtou para a defensa de Ricardo, acabando por o futebolista da Estónia, com a baliza escancarada a rematar incrivelmente por cima. Scolari voltou a mexer na equipa, substituindo Rui Jorge por Miguel. Paulo Ferreira descolou-se para o lado esquerdo da defensa, Miguel ocupou o lado oposto, e a verdade é que esta alteração forneceu mais dinâmica ao lado direito do ataque. Aos 60min, Pauleta, com um remate em arco criou perigo à baliza de Poom. Portugal estava cada vez mais próximo do golo e, aos 67min, Deco obrigou Mart Poom a efectuar uma excelente defesa. Scolari aproveitou o balanceamento ofensivo da equipa portuguesa para "refrescar" o lado-esquerdo do ataque, tirando o desinspirado Simão, colocando o rapidíssimo Luís Boa Morte. Apesar de o esquerdino do Fulham não ter entrando bem no jogo, denotando muito nervosismo, Portugal inaugurou finalmente o marcador, aos 76min: Deco centra para a grande área e Cristiano Ronaldo, com um belo golpe de cabeça, antecipa-se aos centrais estónios e ao guarda-redes Poom, fazendo o 1-0. Era a explosão de alegria nas bancadas do Municipal de Leiria e pensava-se que o mais difícil estava feito. E era verdade. A Estónia ainda tentou reagir, mas não mais incomodou Ricardo. Portugal mantinha a mesma toada ofensiva e, aos 85min, após um lançamento longo de Boa Morte ao qual Pauleta não conseguiu responder, Cristiano Ronaldo, na direita, após ter feito praticamente o que quis do lateral-esquerdo báltico, cruzou para a área, encontrando o pé esquerdo de Hélder Postiga, que fez o 2-0. A Estónia ficou completamente desorientada e, três minutos depois, Miguel, junto ao vértice da grande área, cruzou na direita para a cabeça de Pauleta, que apontou o terceiro tento da partida. A selecção portuguesa estava completamente endiabrada, enquanto que a desorganização na super-defensiva Estónia era bem visível. Quase no "cair do pano", mais uma vez Cristiano Ronaldo a trabalhar bem na direita, centrando junto à linha final e Hélder Postiga, outra vez ligeiramente descaído para a esquerda, cabeceou com sucesso para a baliza de Mart Poom. O encontro terminava com uma goleada que apenas se começou a construir nos últimos 15 minutos, quando alguns adeptos já abandonavam o estádio. A selecção portuguesa foi, na segunda parte, a antítese do que foi na primeira, jogando mais desinibida, com dois extremos abertos nas alas e dois pontas-de-lança. Fica uma lição para Luiz Felipe Scolari: contra equipas tão defensivas como a Estónia, que apresentam um meio-campo apenas talhado para cortar as linhas de passe ao ataque adversário, dois médios de características defensivas são desnecessários e, se jogar com apenas um ponta-de-lança, este corre o risco de ficar sozinho no meio dos centrais adversários. Portugal deu mais um passo rumo à qualificação, com uma goleada em casa com a Estónia, depois de ter vencido por 2-0 no terreno de uma das equipas que esteve no Euro 2004, a Letónia. Eis a análise individual a cada um dos jogadores da selecção portuguesa:


 


Ricardo - não teve muito trabalho. No entanto, na primeira parte, a sua saída num canto foi precipitada, permitindo um cabeceamento perigosíssimo a Piroja, o qual foi salvo in extremis por Costinha. Na segunda parte, aos 49min, fez uma boa defesa ao primeiro remate de Terehov, que, a seguir, rematou incrivelmente por cima.


 


Paulo Ferreira - mostrou muito receio em avançar pelo seu corredor na primeira parte. Na segunda metade, foi do seu pé direito que saiu o cruzamento que culminou na grande oportunidade de golo de Simão. Quanto passou para o lado-esquerdo, esteve melhor que o anterior ocupante desse posto (Rui Jorge). No entanto, precisa de ganhar confiança, estando ainda longe do nível evidenciado no FC Porto, nas duas últimas épocas.


 


Ricardo Carvalho - teve, como é costume, uma actuação positiva. Todavia, houve ocasiões em que tentou sair com a bola controlada, acabando por errar no passe.


 


Jorge Andrade - também teve uma boa actuação. Nunca complicou, ao contrário do que aconteceu algumas vezes com o seu companheiro de sector.


 


Rui Jorge - apesar de, em termos defensivos, não ter tido grandes dificuldades, esteve precipitado a atacar, não conseguindo tirar cruzamentos acertados para grande área. Denotou a falta de ritmo própria de quem não é titular no seu clube. Foi bem substituído.


 


Costinha - se, na primeira parte, esteve algo "perdido" no relvado, não sabendo onde posicionar-se, face à falta de espaço no meio-campo, na segunda metade, a saída de Maniche permitiu-lhe subir no terreno, encarregando-se de recuperar a bola quando esta se encontrava no meio-campo. Nota positiva para o facto de ter ganho praticamente todos os lances de cabeça em que interveio. Destaque também para o cabeceamento salvador, sobre a linha de golo, que impediu o tento estónio.


 


Maniche - esteve alguns furos abaixo da exibição que realizou na Letónia. Ainda não está no pico de forma que evidenciou no europeu, que lhe permitia ajudar quer na defesa, quer no ataque. Mesmo assim, tentou pautar o jogo ofensivo português, tentando amiúde a viragem de jogo de um flanco para o outro. No entanto, falhou alguns desses passes. Saiu ao intervalo, uma vez que não eram necessários dois médios-defensivos.


 


Deco - à semelhança de Maniche, ainda não está na melhor forma. Não fez nenhumas daquelas arrancadas que lhe valem o título de "mágico". No entanto, procurou organizar o jogo ofensivo recorrendo ao passe. Na primeira parte, face à deslocação de Ronaldo para o meio, tentou abrir o jogo na direita. A sua actuação melhorou na segunda parte, período da partida em que desferiu um remate com muito perigo para a baliza estónia. Acabou por ser determinante no desfecho, uma vez que foi ele quem cruzou para o primeiro golo luso.


 


Crisitano Ronaldo - teve uma exibição que melhorou substancialmente na segunda metade do encontro. Na primeira parte, teve de deslocar-se para o meio-campo numa tentativa de auxiliar Pauleta, acabando por passar ao lado do jogo nesse primeiro tempo. Na segunda parte, devido à entrada de Postiga, pôde finalmente abrir no lado direito, onde deu ao espectáculo. A entrada de Miguel constituiu mais uma preciosa ajuda a Ronaldo. Apontou o primeiro golo, num bonito golpe de cabeça a responder ao centro de Deco, trabalhou bem na direita, iludindo o lateral-esquerdo Klavan, cruzando para o segundo golo, conseguiu chegar perto da linha e colocar a bola na área para o quarto golo. Por tudo isto, merece o título de melhor em campo.


 


Pauleta - na primeira parte esteve praticamente sozinho no meio dos centrais estónios. Por isso, a entrada de Postiga contribuiu para que melhorasse a sua actuação, acabando mesmo por marcar, de cabeça, o terceiro golo. No entanto, denota ainda alguma lentidão, permitindo frequentemente a antecipação aos defesas adversários.


 


Simão - não esteve bem. Praticamente não passou pelo lateral-direito estónio, faltando-lhe a velocidade para realizar a finta. Teve, no seu pé esquerdo, uma grande oportunidade para inaugurar o marcador.


 


Hélder Postiga - além de ter revelado um notável sentido de oportunidade ao aparecer no sítio certo, na altura exacta, para marcar dois golos, ajudou a criar espaços na grande área da selecção báltica, devido às suas boas movimentações. Constituiu um precioso auxílio a Pauleta.


 


Miguel - entrou muito bem na partida. Como não tinha grandes preocupações defensivas, funcionou como médio-direito, jogando nas costas de Ronaldo, jogador com o qual combina muito bem. Cruzou para o terceiro golo e mostrou que ainda é o mesmo futebolista que se exibiu num nível bastante elevado no último europeu.


 


Boa Morte - entrou para refrescar a ala-esquerda. Scolari lançou-o em campo para, com a sua rapidez, penetrar pelo flanco esquerdo do ataque. No entanto, só por uma vez o conseguiu fazer e, por sinal, iniciando uma jogada que acabaria por culminar no segundo tento. Denotou imenso nervosismo, o que levou a que se precipitasse muitas vezes.



publicado por pjmcs às 10:51
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