Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2005
Rio Ave 2 - Boavista 2: EMPATE É UM MAL MENOR PARA UM BOAVISTA CLARAMENTE SUPERIOR NO SEGUNDO TEMPO

Rio Ave - Mora; Zé Gomes, Franco, Idalécio e Miguelito; Mozer, Niquinha, Delson e Junas (Gama, aos 86min); Gaúcho (Saulo, aos 92min) e Evandro


Treinador: Carlos Brito


Boavista – Carlos; Nélson, Hélder Rosário, Cadú (André Barreto, aos 80min) e Milhazes (João Pinto, aos 34min); Tiago e Lucas (Flores, aos 72min); Zé Manel, Toñito e Diogo Valente; Hugo Almeida


Treinador: Jaime Pacheco


O Boavista empatou, apoiado por um número bastante razoável de boavisteiros, ontem num dos estádios mais complicados da Superliga. Poderia ter sido melhor este desfecho (que não é, de forma alguma, comprometedor), não fossem as falhas defensivas, que, por momentos, apontavam para o mesmo filme da derrota 3-0 em Braga. Todavia, a equipa mostrou, um vez mais, garra, crer e solidez psicológica para minimizar os estragos dos primeiros 10 minutos da partida. Jaime Pacheco repetiu, pela primeira ocasião nesta temporada, um "onze" inicial em duas jornadas consecutivas. Uma equipa relativamente ofensiva para defrontar um Rio Ave fragilizado pela goleada de Alvalade. Todavia, os minutos iniciais do encontro foram claramente anormais. O Boavista, no primeiro ataque vila-condense no jogo, sofreu o 1-0, na sequência de um pontapé de canto em que a falha de marcação de Milhazes a Evandro e a ausência de um jogador "axadrezado" ao segundo poste (situação recorrente nesta época e que tem valido alguns "desgostos") ditaram mais um tento consentido após lances de bola parada. Porém, se o primeiro golo é minimamente aceitável, o segundo é inadmissível: Cadú aplica, quiçá, demasiada força ao passe para o seu colega do eixo da defesa, contudo, o quinhão das responsabilidades vai para Hélder Rosário, que, com muito tempo para a aliviar a bola, denota um excesso de confiança e acaba por falhar o passe, isolando Evandro, que não enjeita a oportunidade para bisar. As "fífias" defensivas estendem-se a Carlos, que, nas proximidades da sua baliza, decide tentar fintar, perdendo a bola para Gaúcho, que, no entanto, não aproveitou a oferta. O público afecto ao BFC revoltava-se, com toda a razão, na tentativa de "espicaçar" a equipa. E a verdade é que o Rio Ave pouco mais fez ao longo da partida além de procurar fechar as linhas de passe ao meio-campo ofensivo do Boavista. Toñito tentava pregar no jogo, revelando abnegação, mas não conseguia encontrar linhas de passe para o ataque. Zé Manel estava demasiadamente remetido para o centro. Diogo Valente era dos poucos, para além de Toñito, que tentava animar o ataque. Nélson era o único elemento do sector defensivo que passava incólume às falhas, tentando, como sempre, apoiar o ataque. Milhazes revelava dificuldades de posicionamento. Quanto ao meio-campo, Tiago e Lucas, principalmente o último, mostravam o esforço habitual, com o ex-Académica a fechar o lado esquerdo. Como consequência da falta de espaços, o Boavista usava e abusava de lançamentos longos, sem grandes resultados práticos. Todavia, destaque para Toñito, que, após passe de Hugo Almeida, rematou, de pé esquerdo, fazendo a bola passar muito perto do poste direito (relativamente ao guarda-redes) da baliza de Mora. E, aos 34min, Jaime Pacheco decidiu fazer alterações e arriscar: saía o inseguro Milhazes (que também não acrescentou nada em termos ofensivos) para dar lugar a João Pinto (terminava, assim, a “novela” em torno do futuro de JVP). Lucas passava para lateral-esquerdo e o número 12 jogava mais recuado no terreno do que é costume, numa tentativa de estabilizar e organizar o jogo ofensivo “axadrezado”. Esse objectivo acabou por ser conseguido na segunda parte, apesar de o “artista” não conferir rapidez ao jogo do BFC. O intervalo chegava pouco depois. E eis que o segundo tempo marca uma viragem no encontro (não querendo com isto dizer que o Rio Ave, para além dos dois golos, tenha feito algo de relevante na primeira parte). O Boavista entra com grande fulgor, flanqueando o jogo (de modo a escapar ao povoamento do meio-campo vila-condense), com Zé Manel a abrir, finalmente, na direita, fortemente apoiado por Nelson, João Pinto a pautar o jogo “axadrezado” e Toñito próximo de Hugo Almeida. Aliás, foi o espanhol que, respondendo a um cruzamento perfeito de Nelson, aproveitando os espaços que os centrais do Rio Ave, mais preocupados com Hugo Almeida, concederam, faz, com um bom golpe de cabeça, o 2-1. Era o prémio justo para a garra evidenciada pelo número 10 do Bessa. A partida ganhava muito mais interesse, com o Rio Ave cada vez mais remetido ao seu meio-campo defensivo. O Boavista apertava o cerco, com destaque para um bom remate de Nelson, que passou ligeiramente ao lado da baliza de Mora. Com a expulsão, por acumulação de cartões amarelos, de Evandro, Pacheco lança Flores, para o lugar do “amarelado” Lucas, na tentativa de aproveitar as bolas ganhas por Hugo Almeida no jogo aéreo. Todavia, o árbitro da partida, Pedro Proença (que, instantes antes do reatamento da partida, decidiu vir aquecer para junto dos adeptos do Boavista, dirigindo olhares algo provocatórios) conquistava protagonismo, face à dualidade de critérios evidenciada, no que concerne às faltas assinaladas para os dois conjuntos, recorrendo, de forma abusiva, à exibição de cartões amarelos. Foi neste contexto que Hugo Almeida é expulso: o árbitro assinala uma falta bastante discutível, alegadamente cometida pelo esquerdino (que vê o cartão amarelo), e o avançado emprestado ao Boavista, no entender de Pedro Proença, utiliza linguagem ofensiva, que seria merecedora de expulsão (duvido que acontecesse o mesmo se o jogador em questão representasse outros clubes). No entanto, o Boavista não esmorecia e, aos 79min, Diogo Valente desmarca-se, efectua o passe para Zé Manel, que sofre falta. Na sequência da marcação do livre, o ex-Paços de Ferreira remata à figura de Mora. Na busca desesperada da igualdade, Pacheco troca Cadú (então a defesa-esquerdo) por André Barreto, procurando fornecer mais profundidade ao flanco esquerdo. O médio, adaptado a lateral-esquerdo, entra bem na partida e contribui para o “asfixiar” do Rio Ave. E, aos 88min, após uma insistência resultante de um pontapé de canto ganho por Diogo Valente, o Boavista chega, finalmente, ao empate: Zé Manel marca o canto, a bola sobra para Tiago, que, de pé esquerdo, efectua um cruzamento que parecia excessivamente largo; contudo, Zé Manel recupera a bola, cabeceando e acabando por surpreender Mora. Era o delírio no sector reservado aos boavisteiros. Porém, a vitória já não seria possível, visto que o facto de o Rio Ave continuar, surpreendentemente, a perder tempo, aliado ao “espectáculo” da exibição de cartões e marcação de faltas pelo árbitro não permitiram que o BFC, em quatro minutos, fizesse o 2-3 (justo, diga-se). O empate acaba por não ser muito penalizador, num jogo em que a defensiva boavisteira voltou a cometer erros de palmatória. Nos antípodas, de realçar a atitude ambiciosa evidenciada pela equipa na segunda parte, com destaque para Toñito, Diogo Valente, Zé Manel, Nélson e João Pinto. No entanto, fica um reparo: na minha opinião, João Pinto deverá jogar mais adiantado no terreno (nas “costas” do ponta-de-lança), uma vez que, no meio-campo, revela alguma insegurança no passe (talvez Toñito a organizar jogo fosse uma melhor solução).



publicado por pjmcs às 21:22
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