Terça-feira, 21 de Junho de 2005
Um goleador no Bessa, finalmente?

 Confirmou-se a meio da tarde de hoje o já aguardado ingresso de William Souza (é o nome que é atribuído ao brasileiro pela Comunicação Social; no entanto, quer William Souza, quer William Júnior são dois nomes correctos, uma vez que Souza e Júnior são dois apelidos do atleta) no Boavista. O avançado de 22 anos, com créditos já firmados no futebol "canarinho", afirma que vai procurar marcar muitos golos, "coisa que sempre fiz durante a minha carreira" (citando as palavras do próprio). É exactamente isto que os boavisteiros desejam, algo que não tem sido muito frequentemente no Estádio do Bessa Século XXI no que a pontas-de-lança "axadrezados" diz respeito. De facto, desde 1998/1999, época em que Ayew ainda brilhava de xadrez ao peito, que o Boavista não tem um grande ponta-de-lança, capaz de apontar um número de golos bastante razoável e de resolver jogos. Depois de, em 1996/1997, Jimmy Floyd Hasselbaink e Nuno Gomes terem constituído uma dupla temível e de, nas duas temporadas seguintes, Ayew Kwarme, não desiludindo as expectativas que trazia de Setúbal, se cotar como um dos melhores pontas-de-lança da então 1.ª Divisão Nacional (só Jardel e Nuno Gomes se superiorizaram, em termos de tentos marcados, ao ganês), o BFC nunca mais encontrou uma verdadeira referência no ataque. Em 1999/2000, Gilmar e Augustine foram contratados para fazer face à transferência de Ayew para o Sporting, mas a verdade é que ambos decepcionaram e acabaram por ser dispensados antes de essa temporada terminar. Foram o até altura desconhecido Whellinton e, na fase final da época, o suplente Demétrios (que veio para o Bessa em Janeiro de 2000), que, vindo do "banco", entrava para marcar, os únicos avançados que deram algumas alegrias à nação boavisteira. No ano do título (2000/2001), foi adquirido Elpídio Silva, vindo do Braga, mas este apenas conseguiu brilhar a espaços ao longo da maior parte da época, conquistando a titularidade na recta final e decisiva da temporada, o que lhe valeu, ainda assim, apontar 11 golos (o que, no entanto, para um avançado-centro, não é muito). Whellinton, titular na maior fatia da fantástica carreira do BFC, ainda marcou alguns tentos e Demétrios "eclipsou-se" (acabou dispensado). De realçar que, no Boavista Campeão, quer Silva, quer Whellinton se destacaram muito mais pela realização da "pressão alta" nas imediações da grande área adversária e pelos espaços que conseguiram abrir ao invés dos golos apontados. Sem dúvida que elementos como Sanchez, Litos, Petit, Martelinho e Duda foram muito mais importantes nesse fabuloso ano. Chegava o Verão de 2001 e o Boavista, após transferir Whellinton para os espanhóis do Córdoba, anunciava Márcio Santos como reforço, jogador com grande prestígio no Brasil (fora, aliás, indicado por Mário Jardel, seu ex-colega nos turcos do Galatasaray). No entanto, Márcio marcou somente 5 golos. Quanto a Silva, embora se tenha destacado na 1.ª Fase da Liga dos Campeões, em que marcou 4 golos, os 8 tentos apontados no Campeonato constituem um número demasiado pequeno. Chegava-se a 2002/2003; Márcio Santos era cedido à União de Leiria e o BFC adquiria Luiz Cláudio, avançado conhecido pela sua eficácia no jogo aéreo (a sua altura de 1,91m permitia reforçar essa ideia), gastando uma soma recorde na história do clube. Mas a verdade é que o brasileiro, apesar dos decisivos tentos em Paris e em casa com o Málaga, também, de alguma forma, desiludiu. Silva, por sua vez, melhorava ligeiramente a sua "performance" a nível interno, apontando 10 golos. Jaime Pacheco reconhecia, pela primeira vez, que o "pistoleiro" não era bem um ponta-de-lança, colocando-o, frequentemente, descaído para o flanco esquerdo. E Silva até protagonizava exibições de grande qualidade. Na época seguinte, Silva era vendido ao Sporting, Luiz Cláudio mantinha-se e Fary, melhor da Superliga em 2003, era contratado. A vinda do senegalês criava grandes expectativas, que, talvez fruto do esquema táctico demasiado defensivo de Sanchez, decepcionou durante o grosso da temporada. No entanto, na fase em que, já com Jaime Pacheco de novo a treinador, apesar de nunca ter sido titular com o lordelense, Fary finalmente mostrava a sua notável capacidade de finalização e o seu sentido de oportunidade, o ponta-de-lança africano, no lance em que ele próprio dava uma vitória ao BFC em Barcelos, fracturava a tíbia e o perónio da perna direita. Luiz Cláudio apontou 1 golo ao longo de toda essa época, o que diz bem da prestação do brasileiro. Na temporada que recentemente terminou, o chileno Flores foi contratado, mas, sendo uma jogador dotado de uma baixa estatura (1,75m), não se adaptou ao estilo de jogo directo de Pacheco e marcou apenas um golo (no descalabro "axadrezado" em Alvalade). Em Janeiro, Hugo Almeida veio emprestado pelo FC Porto até ao final da temporada, com elevadas expectativas por parte dos boavisteiros. Porém, acabou por apontar 3 golos (poder-se-á dizer que o internacional "A" português foi também vítima do futebol directo de Pacheco, em que a bola, vinda da defesa, era direccionada para a cabeça de Hugo Almeida, com este virado de costas para a baliza e relativamente longe desta para almejar o golo). Fary entrou em 2 jogos (segunda parte em Setúbal para a Superliga e minutos finais contra o Leiria, no Bessa Século XXI). Cafú, que acabou por ser a aposta mais regular para a frente do ataque, lutou muito, é certo, mas mostrou que não está talhado para a ser a referência do ataque "axadrezado", muito por culpa do seu débil jogo aéreo. Marcou 3 golos.

Agora, com Carlos Brito "ao leme", espera-se que William Souza seja, finalmente, o "artilheiro" que tem faltado ao Boavista. Não só se pedem tentos, como também se solicita ao brasileiro que consiga abrir espaços nas defensivas adversárias (de modo a possibilitar a penetração na grande área de jogadores como Zé Manel, por exemplo) e, também, de jogar sem bola em fases adiantadas do terreno, isto é, de fazer a "pressão alta", marca indelével do Boavista Campeão. Se as previsões de confirmarem, o Boavista praticará um futebol mais bonito e mais ofensivo em 2005/2006 (fazendo jus àquilo que tem caracterizado as equipas de Carlos Brito), o que poderá favorecer os pontas-de-lança da formação boavisteira. BOA SORTE, WILLIAM!!!



publicado por pjmcs às 20:28
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1 comentário:
De Anónimo a 21 de Junho de 2005 às 21:54
é bem... venha ele \o/Silent_Heart
(http://www.b)
(mailto:miguelrules@sapo.pt)


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