Domingo, 24 de Julho de 2005
Paços de Ferreira 1 - Boavista 2

O Boavista venceu ontem no Estádio da Mata Real, frente a um Paços de Ferreira que fazia a sua festa de apresentação aos sócios. E a verdade é que os "axadrezados" deixaram muito boas indicações, principalmente na segunda parte, etapa em que se notou aquilo que Carlos Brito gosta: rápida circulação de bola, extremos bem abertos nas alas, grande mobilidade na frente de ataque, futebol fluído. O BFC entrou melhor no jogo, procurando pressionar o último reduto pacense, mas falhava no último passe, sobretudo nos cruzamentos. Além disso, o corredor esquerdo, onde "moravam" Carlos Fernandes e um lento e apático Guga, não funcionava, pelo que a transição defesa-ataque só era realizada pelo flanco direito. No entanto, nesta ala, Manuel José, em noite pouco inspirada, não conseguia dar a profundidade necessária, tendo grandes dificuldades para ultrapassar o lateral-esquerdo do Paços de Ferreira. Valia o importante auxílio de Nélson. Além disso, o ex-Setúbal, apesar de estar bem no capítulo do passe, em duas boas oportunidades que teve para centrar para William Souza, efectou cruzamentos demasiado largos. Neste cenário, até porque, no meio-campo defensivo do Boavista, apenas Lucas conseguia recuperar jogo e transportá-lo para o ataque, enquanto Tiago tentava somente destruir e não construía, o Paços de Ferreira aproveitou para, durante cerca de 20min, assumir o controlo do jogo. Porém, não criava grande perigo, uma vez que os "castores" esbarravam quase sempre nos dois centrais "axadrezados", Cissé e Cadú, que denotaram grande segurança e se mostraram exímios quer no desarme, quer no jogo aéreo. Aliás, Cissé, que disputou o encontro na sua totalidade, também merece grande destaque no que concerne aos passes longos, que conseguiu executar com grande rigor e precisão com ambos os pés. O jovem defesa-central/médio-defensivo franco-malaio está a ser uma das grandes revelações do BFC nesta pré-época. No sector mais ofensivo, William Souza procurava ganhar espaços, apresentando grande mobilidade (descaía sempre para o flanco para o qual a bola era endossada) e lutando imenso. Além disso, mostrou aliar à suas boas movimentações uma excelente capacidade no jogo aéreo e qualidade técnica sempre que tinha a bola nos pés. João Pinto, a despeito de denotar alguma lentidão (algo perfeitamente natural nesta fase da pré-temporada), revelava boa visão de jogo e qualidade no passe curto, mas também em aberturas mais longas. Parece que o "artista" vai, finalmente, assumir-se como o verdadeiro "playmaker" do BFC. Lucas, como já foi referido, realizava uma exibição positiva, endossando, boas condições, a bola para JVP, após efectuar a recuperação do esférico. Mas o que falhava no Boavista eram os extremos, que não conseguiam abrir nas alas, o que não permitia estender a equipa por todo o relvado e não abria linhas de passe. Todavia, com o decorrer dos minutos, a equipa começou a desinibir-se, libertando-se do domínio pacense. Apesar da falha atrás referida nas alas, os adeptos que tiveram a oportunidade de se deslocarem até à Mata Real puderam constatar que o futebol praticado é uma completa antítese do da última época: agora as trocas de bola são uma constante, havendo algumas triangulações e jogadas ao primeiro toque. Aliás, foi numa jogada de envolvimento ofensivo que o BFC criou a primeira situação de perigo: João Pinto, com uma excelente abertura, solicitou Guga na esquerda; o jogador brasileiro passou para centro, onde surgiu Lucas, nas imediações da grande área, que desferiu um forte remate que saiu ao lado. Poucos minutos depois, o golo acabou mesmo por surgir: novamente JVP a abrir para Guga, que tentou fintar mas acabou por perder a bola, aparecendo, porém, William Souza, que, com um remate junto ao solo e colocado, apontou um belo tento. E, se alguém merecia marcar, era, com toda a certeza, William Souza, que realizou uma actuação de grande nível, tentando lutar, sozinho por vezes, com toda a defensiva pacense. Contudo, quase de seguida, no "cair do pano" da primeira parte, o Paços de Ferreira chegou ao empate: Nélson "pagou" o facto de ser um futebolista baixo, fazendo, de cabeça, uma intercepção deficiente a um lançamento longo, sobrando o esférico para Rui Dolores, que cruzou para o interior da grande área, onde Didi aproveitou o espaço concedido por Carlos Fernandes para encostar para o interior da baliza. O intervalo chegou com uma igualdade que se adequava aos acontecimentos da partida.


Se o primeiro tempo já havia deixado algumas boas indicações, a etapa complementar traz grandes esperanças aos boavisteiros. Da equipa da primeira metade ficaram, somente, Nélson, Cissé e Carlos Fernandes. Carlos Brito apostava num tridente de apoio ao ponta-de-lança Fary extremamente móvel (em que Paulo Jorge mudava frequentemente de flanco, Cafú ora era o segundo ponta-de-lança, ora era extremo e Diogo Valente deambulava entre a esquerda e as "costas" do avançado senegalês) e um meio-campo mais dinâmico, com André Barreto e Essame, e com muito mais facilidade para sair a jogar (algo que foi visível sobretudo em André Barreto). E a verdade é que o Boavista assumiu imediatamente o domínio das operações da partida, remetendo o Paços de Ferreira para o seu meio-campo. Os "axadrezados" alargavam o seu jogo para as alas, onde Paulo Jorge se destacava, conciliando a sua irreverência e poder de finta com capacidade de efectuar bons cruzamentos com ambos os pés, e Diogo Valente ou Cafú conseguiam flanquear o jogo na ala oposta à de Paulo Jorge. Com esta superioridade "axadrezada" nas alas, a exbição de Nélson melhorou, aproveitando o facto de o extremo-esquerdo pacense estar demasiado remetido para o seu meio-campo defensivo para atacar mais. No meio-campo, Essame, após, inicialmente, denotar algumas dificuldades, perdendo algumas vezes a bola, o que o obrigava a recorrer à falta, mas conseguiu ganhar, aos poucos, confiança, e André Barreto, mostrando a qualidade técnica que o caracteriza, combinou na perfeição com Diogo Valente e foi o distribuidor e o transportados de jogo "axadrezado". O único aspecto que falhava era o centro do ataque, onde Fary ainda revelou estar muito "preso", não conseguindo ganhar espaços nem impor-se no jogo aéreo (nos antípodas do que sucedeu com William Souza). Todavia, o Boavista voltou à liderança no marcador, num golo espectacular: Diogo Valente, com a bola no ar, vira o jogo para a direita, com um passe em que fez o esférico embater uma vez no relvado, Paulo Jorge recebe e executa um remate potente que leva a bola a entrar na "gaveta" do lado contrário da baliza de Pedro. Foi o coroar de uma grande exibição do promissor extremo. O Paços de Ferreira apenas conseguia responder recorrendo a um futebol mais directo, mas Cissé mostrava-se verdadeiramente intransponível. O Boavista, por sua vez, debaixo das constantes indicações e reparos feitos por Carlos Brito, continua a trocar a bola de pé para pé, procurando flanquear o jogo e confundir a defensiva pacense com as mundanças de posição do tridente apoio ao ponta-de-lança. André Barreto e Nélson eram auxílios precisosos e Essame revelou alguns pormenores interesses, embora ainda denote alguma insegurança. Destaque para um bom trabalho de Diogo Valente, lançado por André Barreto, na direita, fintando o lateral-esquerdo "canarinho" e colocando a bola no pé esquerdo, que efectuou o cruzamento para a cabeça de Cafú, que rematou ao lado. O Paços de Ferreira só conseguia "assustar" em lances de bola parada que suscitavam cruzamentos para a grande área, mas as oportunidades de real perigo não surgiam. O jogo acabava sem mais destaques de maior e, como conclusão, pode afirmar-se que este Boavista está no bom caminho, praticando um futebol muito mais atraente que na temporada passada. Carlos Brito parece apostar num estilo/modelo de jogo muito mais adequado ao plantel que tem à sua disposição. A festa pacense terminou com um espectáculo de fogo-de-artifício para comemorar, possivelmente, o regresso à Superliga. Destaque também para o facto de terem marcado presença alguns boavisteiros na Mata Real.


Análise individual à formação "axadrezada":


Carlos - sem culpas no lance do golo, teve uma noite tranquila, só "importunada" por um livre bem executado por Rui Dolores. No entanto, Carlos respondeu da melhor maneira, desviando para canto com uma "palmada" com a mão direita.


Nélson - realizou uma actuação ao seu nível, constituíndo um auxílio importantíssimo ao ataque nas frequentes ocasiões em que subiu pelo seu flanco. A defender não concedeu grandes espaços ao extremo "axadrezado", embora, no lance do golo, o cruzamento de Rui Dolores tenha surgido na sequência de um alívio defeituoso de cabeça do lateral cabo-verdiano. Melhorou na segunda parte, face à maior capacidade da equipa nos flancos.


Cadú - actuação segura, como é seu hábito, onde foi sempre superior nos lances que disputou de cabeça e não teve dificuldades no desarme. Tentou aventurar-se no sector ofensivo nas bolas paradas, mas a bola nunca esteve ao seu dispor.


Cissé - esteve imperial. Fortíssimo no jogo aéreo à semelhança de Cadú, foi sempre o último obstáculo ao ataque pacense. Esteve intransponível, mesmo quando, na segunda parte, Hélder Rosário cometeu algumas falhas. Mostrou grande precisão nos lançamentos longos com ambos os pés. Uma boa surpresa.


Carlos Fernandes - o pior elemento do sector defensivo. Foi pelo seu lado que o Paços de Ferreira encontra alguns espaços no ataque. Aliás, no lance do golo, o "grosso" das responsabilidades pode ser-lhe imputada. Revelou, novamente, erros de posicionamento. Como aspecto positivo, podem ser referidas as constantes subidas pelo flanco esquerdo na segunda parte, ajudando a "prender" o extremo-direito pacense ao seu meio-campo defensivo.


Lucas - nos 45 minutos que jogou esteve bem, nunca comprometendo no capítulo do passe. Ao contrário do que se passava na época passava, pôde jogar, finalmente, exclusivamente no "miolo" do terreno. Foi a partir do seu pé direito que começaram a ser construídas algumas incitivas ofensivas no primeiro tempo. Foi, como é costume, um recuperador de bolas, permitindo cortar algumas linhas de passe ao ataque pacense.


Tiago - não esteve bem. Tentou, como sempre, destruir o jogo ofensivo adversário, mas a verdade é que perdeu alguns duelos no meio-campo. Além disso, nunca contribuiu para construir jogo.


Manuel José - de certa forma, desiludiu. Talvez a posição de extremo-direito não seja, pelo menos para já, o lugar adequado para o ex-Setúbal jogar. Apesar de revelar a abnegação e o espírito de sacrifício que lhe são característicos, nunca conseguiu "romper" pelo flanco direito, mostrando bastante receio em tentar o drible. Além disso, não esteve feliz nos cruzamentos. No entanto, participou na circulação de bola, revelando qualidade no passe curto, além de, quando desceu no seu flanco, ter dado um importante auxílio a Nélson.


João Pinto - parece ter recuperado a alegria de jogar. Embora se tenha mostrado algo lento, procurou ser o "playmaker" do BFC. Apesar de não ter recorrido ao seu (grande) poder de finta, mostrou segurança no passe e denotou boa visão de jogo. E a verdade é que, na primeira parte, quase todos os lances ofensivos passaram pelos seu pés. Fez algumas aberturas de qualidade.


Guga - tal como o companheiro da ala contrária, nunca conseguiu dar profundidade ao jogo "axadrezado" pelo seu flanco. Lento e pesado, a sua capacidade técnica não foi suficiente para ultrapassar o defesa-direito adversário, além de quase nunca ter descido pela ala esquerda para auxiliar Carlos Fernandes. Precisa de ser mais rápido e acutilante. O destaque positivo vai para o facto de, em algumas ocasiões, ter mudado de flanco para apoiar Manuel José e Nélson quando a bola se encontra naquele sector.


William Souza - convenceu. Fez aquilo que se pede a um ponta-de-lança. Movimentou-se muito bem, procurando sempre espaços para receber a bola em boas condições. Mostrou ser forte no jogo aéreo e revelou, também, qualidade técnica sempre que tinha a bola nos pés. Desviou de cabeça, e quando estava de costas para a baliza, com um gesto técnico bem executado uma bola que não fora endossada em boas condições, obrigando, mesmo assim, o guarda-redes Peçanha a estirar-se para segurar o esférico. Quando teve a bola à sua disposição e espaço, desferiu um excelente remate, com colocação, de fora da área, que culminou num belo golo.


William Andem - actuação tranquila. O Paços de Ferreira nunca o conseguiu incomodar, muito por culpa da grande exibição de Cissé.


Hélder Rosário - apesar de não ter tido grandes problemas, cometeu alguns erros que poderiam ter sido comprometedores não fosse a excelente actuação do seu companheiro no centro da defesa. De resto, esteve bem a dobrar o ofensivo Nélson.


Essame - tendo denotado alguma insegurança incial, perdendo algumas bolas, o que o levou a recorrer à falta, foi-se desinibindo à medida que os minutos decorriam, o que lhe permitiu sair, em algumas ocasiões, a jogar e revelar alguns pormenores interessantes. Precisa de ganhar estabilidade e confiança.


André Barreto - uma exibição onde mostrou toda a sua qualidade. Trouxe dinâmica ao meio-campo, assumindo-se como o transportador e distribuidor de jogo, evidenciando, à semelhança de JVP, uma boa leitura de jogo e inteligência. Combinou na perfeição com Diogo Valente, protagonizando algumas trocas de bola interessantes. Além disso, foi um jogador mais rápido que na maioria dos encontros da época passada, conseguindo recuperar algumas bolas, que imediatamente transportou para o ataque.


Cafú - muiro irrequieto, como sempre. Andou pelos dois flancos e também chegou a jogar como segundo ponta-de-lança. É por demais evidente que rende muito mais a extremo ou a segundo ponta-de-lança do que quando é colocado como referência no centro do ataque. Contribuiu para dar profundidade ofensiva à equipa e para abrir espaços no sector defensivo adversário. Podia ter feito o 1-3 quando Diogo Valente tirou um cruzamento perfeito na direita.


Diogo Valente - grande mobilidade do promissor esquerdino. Mostrou uma maior maturidade, deambulando entre a esquerda e o posto de "playmaker". Além da rapidez e capacidade de tirar bons cruzamentos que o caracterizam, também denotou uma grande segurança e qualidade no passe e boa visão de jogo (foi do seu pé esquerdo que surgiu o passe para o "golão" de Paulo Jorge). As suas constantes mudanças de posição criaram instabilidade no sector defensivo pacense.


Paulo Jorge - foi, talvez, o melhor em campo. O fantástico golo que apontou foi a "cereja" no topo do "bolo" que foi a sua actuação. Trouxe, tal como Cafú e Diogo Valente, irreverência à equipa, que pôde, finalmente, estender o seu jogo para as alas. Flanqueando o jogo, criou grandes dificuldades aos laterais pacense, ganhando os duelos graças ao seu grande poder de finta e drible (foi o jogador mais "castigado" por faltas no segundo tempo, devido a essa mesma capacidade). Emprestou alguma magia ao futebol "axadrezado". Além disso, revelou grande facilidade em tirar cruzamentos precisos com ambos os pés. Terminou a partida como defesa-direito, perdendo, como é natural, brilhantismo nas novas funções, mas cumpriu. É um sério candidado à titularidade.


Fary - a despeito de se ter esforçado muito, denotou muito menos mobilidade e capacidade no jogo aéreo que o seu colega de sector (William Souza). Precisa, claramente, de ganhar ritmo competitivo para jogar menos "preso".


Igor - não esteve muito tempo em campo, mas notou-se a vontade de mostrar serviço. Face à incapacidade de o Paços de Ferreira explorar, com grande perigo, o seu flanco direito, tentou aventurar-se no ataque, conseguindo fazer algumas "tabelinhas" com André Barreto. Requer mais observação por parte dos adeptos boavisteiros.


Hugo Monteiro - entrou para o flanco direito do ataque, mas não tempo nem oportunidades para brilhar, numa fase em que as duas equipas já aguardavam pelo final do encontro.



publicado por pjmcs às 14:43
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