Domingo, 31 de Julho de 2005
Boavista 4 - Valladolid 0: EQUIPA DÁ ESPECTÁCULO NA PRIMEIRA PARTE; WILLIAM SOUZA "BISA" E "CONQUIST

Imagens dos três primeiros golos:

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Boavista - Carlos (William Andem, ao intervalo); Nélson (Hugo Monteiro, aos 69min), Cadú (Ricardo Silva, ao intervalo), Cissé (Hélder Rosário, ao intervalo) e Carlos Fernandes (Igor, aos 60min); Tiago (Essame, aos 64min) e André Barreto (Lucas, ao intervalo); Manuel José (Paulo Jorge, ao intervalo), João Pinto (Guga, ao intervalo) e Diogo Valente (Cafú, ao intervalo; Paulo Gomes, aos 78min); William Souza (Fary, aos 37min) 

Treinador: Carlos Brito

Após a apresentação, um a um, dos 25 jogadores que, para já, compõem o plantel boavisteiro, não tendo havido qualquer surpresa, o Boavista cilindrou o Valladolid com uns claros 4-0. Na estreia a orientar a equipa "axadrezada" em jogos no Estádio do Bessa Século XXI, Carlos Brito colocou em campo aquele que, salvo alguma lesão ou saída de algum futebolista, muito provavelmente será o "onze" que alinhará de início frente ao Vit. Setúbal. E a verdade é que, apesar de só apresentar três "caras novas" relativamente à época passada, o futebol praticado pelos "axadrezados", principalmente no primeiro tempo, foi muito diferente. Perante um adversário que procurou apostar no contra-ataque e que tentou fechar os espaços no seu meio-campo defensivo, apresentando, inclusivé, uma dureza e uma agressividade excessivas (que, no final da primeira parte, chegou a atingir a violência), o Boavista, com um futebol apoiado que se baseava numa rápida circulação de bola e com progressão no terreno (graças à grande mobilidade dos elementos do seu sector ofensivo), ganhou, desde cedo, o domínio da partida e conseguiu abrir espaços no último reduto contrário. O Valladolid, por sua vez, apenas respondia com alguns contra-ataques. No BFC, André Barreto assumia-se como o organizador de jogo, conseguindo fazer algumas aberturas de grande qualidade, João Pinto jogava mais adiantado no terreno, com acção livre, procurando fazer combinações com William Souza ou com Diogo Valente e tentando recorrer, em algumas ocasiões, ao seu poder de finta para "romper". Diogo Valente deambulava, à semelhança do que acontecera em Paços de Ferreira, entre a esquerda e o centro, não se limitando a ir sempre para perto da linha lateral cruzar. Tentava, também, fazer passes para colegas bem colocados em zonas mais interiores do terreno. Manuel José, apesar de, uma vez mais, não ter conseguido fazer grandes "rasgos" pelo seu flanco, dava solidez à ala direita, permitindo a Nélson apoiar o ataque, e participava em algumas triangulações. Aliás, as triangulações foram um aspecto dominante no futebol "axadrezado" no primeiro tempo. Quanto a William Souza, o avançado brasileiro lutava imenso, nunca desistindo de tentar recuperar a bola em zonas mais adiantadas no terreno, e mostrava inteligência nas movimentações que fazia. Foi neste cenário que surgiu o lance de maior "frissom", até àquele momento, no jogo: João Pinto, após fintar um defensor adversário, endossou a bola, com um passe curto, a William Souza, que, no interior da grande área, a perdeu, dando a sensação aos adeptos que se deslocaram ao Estádio do Bessa Século XXI de que fora derrubado em falta. Paulo Paraty nada assinalou, apesar dos protestos do público. No entanto, o Boavista acabou por chegar ao golo pouco depois, aos 18 minutos: André Barreto,  no "miolo" do terreno, executa um lançamento perfeito a desmarcar William Souza, que, sozinho frente ao guarda-redes do Valladolid, aguarda que a bola bata duas vezes no relvado para, de seguida, efectuar um remate cheio de convicção para o interior da baliza. Um golo à ponta-de-lança. A equipa do BFC galvanizava-se, enquanto que o Valladolid se desorientava. Todavia, foi a formação espanhola que criou, logo a seguir, algum perigo, na sequência de um canto no qual Carlos efectuou uma má saída, permitindo a um jogador do Valladolid cabecear à vontade, num remate que saiu por cima. No entanto, o BFC voltou rapidamente a lograr o domínio do jogo, com um futebol sempre jogado de pé para pé (mesmo em sectores mais recuados; raramente os dois centrais recorriam ao "pontapé para a frente", nota dominante na temporada transacta), e Diogo Valente, na marcação de um livre na direita, nas imediações da grande área, efectua um remate extremamente colocado, que o guarda-redes do Valladolid conseguiu desviar para canto. Pouco depois, João Pinto, com a parte exterior do pé direito, desmarca William Souza, que, descaído para direita, efectua um remate forte que saiu ao lado. Aos 28min, o Boavista chega, com naturalidade, ao segundo golo: a jogada começa, uma vez mais, em André Barreto, que faz um excelente passe a rasgar para Diogo Valente, o jovem esquerdino, junto à linha final, já em desequilíbrio, centra para o interior da grande área, onde William Souza, com um toque com o pé direito, remata outra vez forte para o fundo das redes. O ponta-de-lança brasileiro convenceu e ouviu o seu nome ser entoado, durante alguns instantes, pela claque do BFC, os Panteras Negras. Quem não soube reagir da melhor forma à superioridade boavisteira foram os jogadores do Valladolid, que, cada vez mais desorientados, transformaram a dureza e a agressividade iniciais em violência, que Paulo Paraty, pouco autoritário para com os futebolistas espanhóis, não soube controlar. Aliás, o número 18 do Valladolid, Carmona, após uma falta dura, junto à linha lateral, sobre João Pinto, agrediu o "artista" com um pontapé na face. O árbitro da partida deveria ter expulso Carmona. Outro dos jogadores mais "marcados" por faltas foi André Barreto, talvez por ter causado algum desconforto aos jogadores do Valladolid pelos pormenores de grande qualidade técnica que, por vezes, mostrou e que desconsertaram, por completo, os centrocampistas da formação espanhola. Aos 42min, já depois de Fary ter entrado para o lugar de William Souza e imediatamente a seguir à confusão que os futebolistas do Valladolid criaram, Manuel José, na marcação de um livre perto da esquina esquerda (para quem atacava) da grande área, cruza para o interior da mesma, solicitando Fary. Um defesa do Valladolid consegue, de cabeça, fazer a intercepção, sobrando, porém, a segunda bola para João Pinto, que, após a dominar com o pé esquerdo, a coloca no outro pé e remata para o interior da baliza da equipa espanhola. O intervalo chegava pouco depois com um 3-0 que reflectia o excelente futebol praticado pelo Boavista, que "desmontou" a organização defensiva espanhola. E, por certo, se o "onze" da primeira parte se mantivesse, o resultado ter-se-ia avulumado muito mais. Para a segunda parte, Carlos Brito deixava somente os dois laterais e Tiago, além de Fary, que jogou alguns minutos na primeira etapa. Cafú passava a ser o "dono" do flanco esquerdo do ataque, Guga jogava na posição de João Pinto, Paulo Jorge era o extremo-direito, Lucas passava a ser o distribuidor de jogo. No sector defensivo, William Andem era o guarda-redes e Hélder Rosário e Ricardo Silva (de regresso ao Bessa) formavam a dupla de centrais. O segundo tempo abria praticamente com o quarto tento "axadrezado": Paulo Jorge recupera a bola, perde-a mas ganha o ressalto e endossa o esférico a Nélson, que avança, junto à linha lateral, pelo flanco direito, e realiza um bom cruzamento para a grande área, na tentativa de solicitar Fary; Mateo, defesa-central do Valladolid, intercepta, mas acaba por introduzir a bola na sua própria baliza (o defesa espanhol fez a intercepção com o pé direito, porém, acaba por fazer com que o esférico bata no seu pé esquerdo, culminando num auto-golo). A partir desse momento, e apesar de o Valladolid ter ficado reduzido a 10 unidades, o Boavista não conseguiu explanar o seu futebol, fruto, provavelmente, da ausência de um criativo no meio-campo, uma vez que Guga, embora seja dotado de capacidade técnica, não tem a visão de jogo necessária para jogar na posição de número 10, além de, nesta pré-época, se apresentar algo lento. Além disso, Paulo Jorge, nos antípodas do que fizera em Paços de Ferreira, apresentava-se algo inibido (talvez por ser a sua estreia perante a massa associativa do BFC), tendo algum receio em arriscar fazer incursões pela ala direita (não fez uso da sua rapidez e poder de finta para se aproximar da linha final e tirar cruzamentos). Cafú, no flanco esquerdo, atrapalhava-se com a bola (acabou por ser substituído por Paulo Gomes) e Fary não apresentava a mesma mobilidade e capacidade de luta de William Souza. Também não ajudava o facto de o Valladolid praticamente ter abdicado de contra-atacar, colocando 5 jogadores na zona intermediária, mantendo o quarteto defensivo. Entretanto, Carlos Brito aproveitava para dar minutos de competição a Essame (que procurou ajudar Lucas na distribuição de jogo, tendo conseguido execucar alguns bons passes) aos jovens Igor, Hugo Monteiro (que jogou a extremo-direito, passando Paulo Jorge para lateral) e Paulo Gomes (passando o BFC a jogar em 4-4-2, com Guga a descair para a esquerda). O Valladolid ainda criou relativo perigo, com um remate do número 10, Sousa, que William Andem, com uma excelente defesa, conseguiu desviar pela linha final. No entanto, foi o Boavista que, já na fase final, voltou a criar perigo, por intermédio de Paulo Gomes em duas ocasiões. Na primeira, o jovem ponta-de-lança brasileiro, lançado por Hugo Monteiro, efectuou um bom remate que o guarda-redes do Valladolid deteve com dificuldade. Na sequência do canto que o seu remate originou, Paulo Gomes, respondendo a um cruzamento de Hugo Monteiro, cabeceou por cima. A partida terminava pouco depois (tendo Lucas acabado por sair lesionado), com a clara sensação de que Carlos Brito está a fazer um excelente trabalho, colocando a equipa a praticar um futebol muito mais apoiado e harmonioso, com uma forte aposta na construção de jogadas de envolvimento ofensivo desde o primeiro terço do campo. André Barreto, João Pinto e Diogo Valente, dispondo de maior liberdade em campo, agradecem. Quanto a William Souza, parece que o Boavista tem, após algumas épocas, um finalizador de qualidade.

Segue-se a análise individual à prestação dos jogadores do Boavista:

Carlos - apesar de ter tido uma tarde relativamente tranquila, há um reparo a fazer: esteve inseguro nas saídas nos cantos, problema que já vem da época passada. Com toda a certeza, Lúcio Pereira (treinador-adjunto encarregue do treino específico dos guarda-redes) dará especial atenção às saídas nos cantos nos próximos treinos, aspecto que Carlos precisa de trabalhar. Pela positiva, destaque para o facto de ter melhorado na reposição de bola com o seu pé esquerdo (que é o seu melhor pé).

Nélson - muito ofensivo como é seu tímbre, pôde gozar de grande liberdade para atacar face à presença, na primeira parte, de Manuel José no seu flanco, o qual deu maior consistência à ala direita. Aliás, Nélson efectuou algumas combinações interessantes com o ex-setubalense. Só fica o reparo para o capítulo dos cruzamentos: Nélson raramente conseguiu solicitar em boas condições quer William Souza, quer Fary. Numa das poucas ocasiões em que conseguiu centrar com qualidade o BFC chegou ao quarto golo (auto-golo do Valladolid). A defender, cumpriu, sendo auxiliado por Cadú, Tiago e, por vezes, Manuel José.

Cadú - teve uma actuação tranquila, superiorizando-se sempre no jogo aéreo. Nos 45 minutos em que esteve em campo, foi eficaz nas dobras efectuadas a Nélson, quando este se encontrava no ataque, tendo sido auxiliado por Tiago.

Cissé - à semelhança do seu companheiro de sector, esteve muito seguro e imperial no jogo aéreo. Foi decisivo nos minutos iniciais ao fazer ao desarmar um atacante do Valladolid que seguia em boa posição para almejar a baliza de Carlos, após uma perda de bola algo infantil de André Barreto. Jogou quase sempre simples. Aliás, o seu único erro resultou de uma tentativa de sair a jogar quando não tinha muito espaço para o fazer. Todavia, essa única falha não "manchou" minimamente mais uma exibição de grande qualidade daquela que esta uma das revelações da pré-temporada "axadrezada".

Carlos Fernandes - o Valladolid canalizou os seus contra-ataques essencialmente pelo flanco esquerdo do seu ataque, razão pela qual o número 13 do BFC não teve grandes problemas a defender. A atacar, apesar de não ter dificuldades nos passes curtos para André Barreto e Diogo Valente, revelou, uma vez mais, insegurança nos passes mais longos e alguma inibição para subir pelo seu flanco.

Tiago - esteve em melhor plano relativamente ao encontro em Paços de Ferreira. Para essa melhoria terá ajudado o facto de o Valladolid ter apresentado muito pouco caudal ofensivo, mas a verdade é que Tiago deu grande equilíbrio ao meio-campo, conseguindo recuperar a bola e entregá-la em boas condições para os jogadores que se encontravam mais perto dele: João Pinto, André Barreto, Nélson e Manuel José. Também ajudou a fechar o lado direito sempre que foi necessário. Uma actuação segura, em suma.

André Barreto - se, na época passada, já evidenciou enorme qualidade técnica, agora, com Carlos Brito a orientá-lo, parece um jogador muito mais maduro. Apesar de não ter entrando bem no jogo, falhando um passe em posição compremetedora e tentado ficado a olhar, ao invés de tentar recuperar a bola, assumiu a "batuta" do jogo ofensivo "axadrezado", sendo o transportador, distribuidor e organizador na primeira parte. Mostrou grande visão de jogo e qualidade de passe (quer curto, quer longo), o que ficou patente nos dois primeiros golos, que resultaram de jogadas que começaram no seu pé esquerdo. Além disso, voltou a exibir toda a sua técnica em pormenores absolutamente deliciosos, que levaram ao desespero de alguns jogadores do Valladolid. Tem todas as condições para ser uma das figuras do Boavista 2005/2006.

Manuel José - apesar de, uma vez mais, não ter arriscado a finta, não conseguindo dar grande profundidade ao flanco direito, conseguiu dar solidez à sua ala, permitindo a Nélson gozar de liberdade para atacar. Participou, também, em algumas triangulações, além de ter revelado segurança no passe curto para zonas mais interiores do terreno e a solicitar Nélson, mais junto da linha. Além disso, mostrou grande capacidade de luta e abnegação.

João Pinto - pôde, finalmente, explanar todo o seu talento, jogando numa posição mais adiantada e com acção livre para jogar ora como segundo ponta-de-lança ora descaindo para um dos flancos. Tentou algumas "tabelinhas" com William Souza e com Diogo Valente (aliás, trocou algumas vezes de posição com o esquerdino). Procurou, também, agora que tem mais liberdade para explorar o seu poder de finta, romper e criar espaços no sector mais recuado da formação espanhola. Fez dois passes curtos de grande qualidade para William Souza, sendo que, no primeiro lance, o ponta-de-lança brasileiro sofreu uma falta que Paulo Paraty não sancionou (que daria direito à marcação de uma grande penalidade) e, no segundo, o ex-Santos rematou ao lado. O golo marcado, na sequência do aproveitamento de uma segunda bola, foi o prémio merecido para uma exibição em que JVP justificou o epíteto de "artista". Foi muito castigado por faltas e agredido, na face, por Carmona, médio do Valladolid.

Diogo Valente - não sendo obrigado a jogar "encostado" à linha lateral, Diogo Valente mostrou a irreverência que lhe é característica, conseguindo criar espaços no lado direito da defesa do Valladolid e efectuando algumas triangulações com João Pinto e André Barreto. Desmarcou-se muito bem no lance do segundo golo, lançado por André Barreto, centrando para William Souza. Não se limitou a tirar cruzamentos; fez, também alguns passes para o centro, solicitando colegas em melhor posição. Tentou o golo num livre descaído para a direita com um remate que obrigou o guarda-redes do Valladolid a estirar-se para desviar para canto.

William Souza - o melhor em campo. Além dos dois golos que marcou (qual é o ponta-de-lança que não gostaria de, logo na primeira ocasião em que joga pela sua equipa no seu estádio, facturar por duas vezes, em apenas 38 minutos de jogo?), nunca virou a cara à luta (não desistiu de nenhuma bola). Conseguiu recuperar algumas bolas, no sector ofensivo, que pareciam perdidas, além de ter mostrado qualidade técnica e inteligência quando tinha a bola nos pés. Combinou muito bem com João Pinto, efectuando algumas "tabelinhas". Sofreu uma falta na grande área que o árbitro não assinalou e esteve perto de marcar outro golo quando lançado por João Pinto com um passe com a parte exterior do pé direito. Apesar de ter perdido a maior parte dos lances "aéreos", tem a virtude de apresentar facilidade e convicção no remate. É mesmo ponta-de-lança.

Fary - não foi uma referência no centro de ataque como William Souza, lutando movimentado-se menos na procura de espaços. No entanto, participou, nos minutos que esteve em campo na primeira parte, em algumas jogadas de envolvimento ofensivo nas imediações da grande área. Saiu prejudicado, também, pelo facto de a equipa, na segunda parte, ter apresentado um caudal ofensivo muito menor.

William Andem - teve uma tarde tranquila só importunada por um remate do número 10 do Valladolid, ao qual o guarda-redes camaronês respondeu com uma grande defesa. Esteve melhor a sair nos cantos que o seu "concorrente" Carlos. Ainda deu tempo para animar a assistência com um pormenor técnico.

Ricardo Silva - apesar de mostrar alguma lentidão (normal para quem só começou a treinar na segunda-feira), esteve seguro, mostrando superioridade no jogo aéreo e nenhum receio em efectuar os "tackles". Também esteve bem no capítulo do passe, embora não tenha arriscado distribuir jogo para sectores mais adiantados no terreno.

Hélder Rosário - jogando mais descaído para a esquerda (Ricardo Silva descaiu para a direita), o facto de o Valladolid pouco ter contra-atacado pelo seu flanco direito (as poucas incursões ofensivas da formação espanhola eram realizadas pelo lado canhoto) concedeu-lhe uma exibição em que praticamente não foi colocado à prova.

Lucas - agora que pode jogar mais no "miolo" (como fazia na Académica), tentou distribuir jogo para o ataque (embora com menos imaginação que André Barreto), solicitando algumas vezes o rápido Cafú. No entanto, o facto de o Valladolid, na segunda parte, se remeter quase unicamente para o seu meio-campo defensivo, abriu-lhe poucas linhas de passe. A defender, esteve esforçado, como é seu hábito, apesar de não ter tido muito trabalho neste âmbito. Acabou por sair lesionado quando a partida já estava no seu epílogo.

Paulo Jorge - para quem o viu jogar na partida de Paços de Ferreira, a exibição do lateral/extremo-direito foi algo decepcionante. Mostrou um claro nervosismo por estar a actuar, pela primeira vez, no Estádio do Bessa Século XXI. Teve receio em arriscar a finta e as incursões pelo seu flanco, dando pouca profundidade ofensiva à ala direita. Acabou a jogar a lateral e, também nesta posição, arriscou pouco, colocando a bola em Ricardo Silva ao invés de lançar Hugo Monteiro, mais adiantado no flanco direito, quando tinha espaço para o fazer. No entanto, destacou-se pela positiva no lance do quarto tento, ao não desistir de lutar pela posse da bola, mesmo quando a perdeu, acabando por ganhar o ressalto e endossar o esférico a Nélson.

Guga - apresenta-se nesta pré-época "axadrezada" denotando alguma lentidão. Não tem a visão de jogo nem a segurança de passe necessárias para actuar como "número 10". No entanto, conseguiu abrir algumas vezes o jogo para Paulo Jorge e Nélson, no flanco direito, com passes com a parte exterior do seu pé direito. Não fez uso do seu poder de finta para animar e dar criatividade ao jogo ofensivo "axadrezado". Precisa de ganhar ritmo competitivo e rapidez.

Cafú - a despeito de se apresentar muito irrequieto e de tentar fazer uso da sua velocidade, a verdade é que o cabo-verdiano não esteve num final de tarde feliz, pois atrapalhou-se em demasia com a bola. Foi lançado algumas vezes por Lucas, mas conseguiu criar perigo pelo seu flanco. Carlos Brito, apercebendo-se do facto de Cafú não estar em dia "sim", substituiu-o.

Igor - não foi possível avalizar a sua capacidade a defender, uma vez que o Valladolid praticamente não fez uso do seu flanco direito do ataque. No entanto, foi perceptível que o jovem lateral-esquerdo quis mostrar serviço a Carlos Brito, denotando menor inibição a atacar que Carlos Fernandes (subiu mais vezes pela sua ala). Requer maior observação para que a equipa técnica possa tomar uma decisão definitiva sobre a permanência ou não no plantel.

Essame - entrou melhor do que no encontro em Paços de Ferreira, tentando fazer alguns passes para o ataque. E a verdade é que trouxe uma ligeira animação ao jogo ofensivo "axadrezado". Parece ser uma boa opção para o meio-campo.

Hugo Monteiro - entrou para jogar a extremo-direito. Movimentou-se bem, procurando receber a bola, que, todavia, raramente lhe chegou em boas condições. Nas poucas ocasiões em que teve a bola nos seus pés, denotou qualidade técnica.

Paulo Gomes - foi o futebolista que jogou menos tempo, mas tentou justificar a inclusão no plantel principal. Não teve muitas oportunidades para brilhar nos cerca de 20 minutos que esteve em campo, período suficiente, porém, para criar perigo em duas ocasiões quase consecutivas.

O próximo jogo será frente ao FC Marco, no jogo de apresentação da equipa duriense aos seus associados, no Estádio Municipal Avelino Ferreira Torres,  no Marco de Canaveses. Esta partida terá lugar na próxima quarta-feira, às 18 horas.

 



publicado por pjmcs às 16:28
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1 comentário:
De Anónimo a 31 de Julho de 2005 às 23:36
Boa descrição... :D

parabens Silent_Heart
</a>
(mailto:silent_heart@netcabo.pt)


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