Quarta-feira, 5 de Outubro de 2005
Rio Ave 1 - Boavista 1: Desilusão ao "cair do pano". . .
 

Rio Ave  – Mora; Zé Gomes, Danielson, Idalécio e Milhazes; Marquinhos, Mozer (Delson, aos 69min), Niquinha e Cleiton (Agostinho, aos 79min); Chidi e Gaúcho

Treinador: António Sousa

Boavista - William Andem; Rui Duarte, Hélder Rosário, Cadú e Areias; Manuel José e Tiago (Lucas, ao intervalo); Zé Manel (Cissé, aos 74min), João Pinto e Diogo Valente; Fary (William Souza, aos 80min)

Treinador: Carlos Brito

            O Boavista acabou por falhar, após os 90min regulamentares (no primeiro minutos das "compensações" dadas pelo árbitro), a obtenção da sua primeira vitória fora de casa nesta Liga betandwin.com, ao sofrer, de forma algo escusada, o golo do empate vila-condense. A igualdade no final é, provavelmente, o resultado que melhor se adequa ao cômputo global do encontro, mas o Boavista mostrou, nos 20 minutos iniciais da segunda parte (após um primeiro tempo em que foi uma equipa demasiado retraída, fazendo uma pressão demasiado "baixa" no terreno), ao impor o seu futebol, circulando a bola com rapidez e progressão e conseguindo abrir nas alas, que tinha mais e melhores argumentos que o Rio Ave (que, não obstante ser uma formação muito voluntariosa dentro de campo, apresenta um nível exibicional que se encontra algo distante do que foi patenteado nos últimos dois anos). Aliás, depois do 0-1, os "axadrezados" poderiam, em três contra-ataques em que aproveitaram a lentidão da defensiva da casa, ter ampliado a vantagem no marcador. No entanto, o habitual recuo exagerado do sector defensivo (e, por arrastamento, da linha média) na fase final do encontro "convidou" o Rio Ave a pressionar e ganhar o domínio territorial da partida. Ao invés de procurar controlar e gerir a posse de bola (tem jogadores para isso), procurando, quiçá, explorar o balanceamento ofensivo do adversário (que apostava num estilo de jogo directo, no desespero pelo empate) para "encerrar" a partida, o Boavista denotou insegurança e alguma instabilidade (começou a aliviar bolas à toa, entregando-a novamente ao Rio Ave, que tinha, assim, várias possibilidades sucessivas para construir ataques), perfeitamente inexplicável para uma equipa que se preparava para vencer pela segunda vez consecutiva, "instalando-se" nos lugares cimeiros da tabela classificativa.

            Passando à descrição e à análise do jogo pela ordem cronológica dos acontecimentos, o Rio Ave apresentava um 4-4-2, com Cleiton e Marquinhos nas faixas, sendo o último mais um médio-direito do que um extremo puro (abrindo, no entanto, espaços para o lateral-direito Zé Gomes, com grande pendor ofensivo, subir pela sua ala), num esquema que, todavia, se podia desdobrar num 4-3-3, com Marquinhos mais interior, Cleiton mais perto da linha final (no flanco canhoto) e Chidi a descair para a direita (o ponta-de-lança mais fixo era Gaúcho). Quanto ao Boavista, embora o habitual 4-2-3-1 fosse o sistema previsível (convicção essa que sairia reforçada quando foi divulgado o “onze” inicial "axadrezado"), a "Pantera" jogou quase 25min na primeira parte numa espécie de 3-5-2, com Areias como central (na marcação a Chidi), Diogo Valente não como extremo mas como lateral/médio esquerdo, Rui Duarte com as mesmas funções do lado oposto (esteve mais ofensivo do que nos encontros com a Naval e a Académica e mais seguro a defender), Zé Manel e João Pinto no apoio a Fary. A verdade é que este arranjo táctico de recurso, face à melhor entrada do Rio Ave no encontro e à pressão exercida pela equipa vila-condense, retirou capacidade à equipa na gestão da posse de bola (que é essencial esta época, dada a nova filosofia de jogo do Boavista), profundidade ofensiva nas faixas (Diogo Valente estava demasiado "preocupado" com as movimentações, no ataque, de Zé Gomes e Marquinhos e Zé Manel ocupava uma posição mais interior do que é costume, "fugindo" pela sua ala apenas em algumas ocasiões) e, acima de tudo, fez com que os "axadrezados" não colocassem, quando não tinham o esférico em seu poder, homens nas imediações da grande área adversária, não jogando no campo todo (ou seja, como acima foi referido, não era realizado um "pressing" alto sobre o adversário). O Boavista acabou por regressar ao 4-2-3-1, mas o facto de Zé Manel, no par de ocasiões em que, aproveitando o fraco sentido posicional de Milhazes, ganhou espaço junto à linha final no flanco direito, ter efectuado dois cruzamentos deficientes, a incapacidade de Tiago em auxiliar Manuel José a fazer a ligação do meio-campo com o sector ofensivo (sobretudo com João Pinto), transportando e distribuindo jogo, um Diogo Valente pouco "explosivo" e os passes falhados por Fary (muito esforçado, como é seu timbre) quando vinha buscar jogo a zonas mais recuadas no terreno levaram a uma primeira parte muito "cinzenta" do BFC.

            Todavia, nem tudo foi negativo no tempo inicial da partida, uma vez que o meio-campo soube fechar as linhas de passe e os espaços ao sector intermediário (fulcral na concepção do jogo ofensivo) adversário, evitando, portanto, que o Rio Ave construísse de forma organizada e apoiada o seu futebol. Porém, o Rio Ave conseguiu criar duas oportunidades de golo (as únicas na primeira parte), graças a duas desatenções defensivas do BFC: na primeira, Hélder Rosário, mal colocado, falha, na sequência de um lançamento longo, a intercepção de cabeça, permitindo a Marquinhos isolar-se diante de William Andem (rematando ligeiramente ao lado do poste esquerdo da baliza do camaronês); na segunda, nem Diogo Valente nem Areias mostram convicção suficiente para "roubarem" a bola a Marquinhos, que consegue penetrar na grande área e cruzar para Chidi, que, mesmo tendo a marcação de Hélder Rosário, faz a rotação sem grande oposição e remata para defesa incompleta de William Andem (valeu ao Boavista a recarga sem perigo de Milhazes). O primeiro tempo chegava sem mais motivos de destaque, com um "nulo" que retratava bem o que se tinha passado no relvado.

            Ao intervalo, Carlos Brito certamente que terá "espicaçado" os seus jogadores, uma vez que muito dificilmente terá gostado da actuação boavisteira na etapa inicial da partida. O treinador do BFC também aproveitou para fazer uma substituição: saiu Tiago, entrou Lucas. E a verdade é que o Boavista se apresentou na segunda parte completamente transfigurado (para melhor). Se é certo que a saída de Tiago poderá ter resultado numa ligeira diminuição da consistência no meio-campo, em termos defensivos (afinal, o BFC deixava de jogar com um "trinco" puro), a entrada do ex-futebolista da Académica em campo trouxe uma nova dinâmica, com maior capacidade para transportar jogo e sair a jogar, ao sector intermediário. Manuel José podia, agora, jogar mais próximo de JVP, partilhando com um companheiro, ao contrário do que acontecera nos primeiros 45 minutos, as responsabilidades na ligação do jogo "axadrezado" com o sector ofensivo.

            O Boavista conseguia, nesta fase, trocar a bola no meio-campo adversário, jogando no campo todo (Zé Manel tinha melhorado imenso, regressando ao seu nível, abaixo do qual estivera no primeiro tempo). Cerca dos 52min da partida, Diogo Valente, após combinação com João Pinto, efectua, de fora da grande área, o primeiro remate entre os postes dos "axadrezados". O Rio Ave, por sua vez, perdera por completo o controlo do encontro, não conseguindo gizar os seus ataques nem ameaçar, sequer, em contra-ataque. Zé Manel e Rui Duarte abriam, com grande "à vontade", espaços pela direita, João Pinto tinha mais vezes a bola nos pés, junto à grande área adversária (algo que raramente acontecera nos 45min iniciais), Fary podia, finalmente, aparecer no "coração" da área. Neste cenário, foi com naturalidade que o BFC chegou ao golo, aos 60min, numa jogada de envolvimento muito bem concebida: Rui Duarte descobre Manuel José, este deixa para Diogo Valente, que faz uma abertura para o flanco direito a solicitar Zé Manel; o número 7 cruza ao segundo poste e Manuel José, livre de marcação (os dois centrais vila-condenses estavam mais preocupados com a presença de Fary perto do primeiro poste), "mergulha" e cabeceia, fazendo a bola embater uma vez no relvado antes de entrar na baliza de Mora. A vantagem no marcador intranquilizava o Rio Ave, que jogava agora de forma mais precipitada, e permitia ao Boavista dispor de mais espaços e linhas de passe no ataque, embora tivesse menos tempo para pensar e executar no seu meio-campo defensivo, devido ao facto de a formação da casa jogar com as linhas mais adiantadas.

            Rio Ave apresentava, sem dúvida, um maior pendor ofensivo, mas o 0-2 parecia mais provável que o 1-1. Três contra-ataques perigosíssimos poderiam ter resolvido o encontro. No primeiro, Zé Manel, na direita, faz uma viragem de flanco com grande precisão, isolando Fary no lado oposto; o senegalês, no entanto, com tempo e espaço, ao invés de dominar a bola, arrisca o remate de primeira com o pé canhoto e o esférico acaba por sair por cima. No segundo, uma ocasião ainda mais flagrante: João Pinto, mostrando toda a sua inteligência e visão de jogo, faz uma abertura simplesmente fantástica e primorosa para Fary, na direita; o ponta-de-lança, quando segue com a bola dominada rumo à baliza do Rio Ave, acaba por dar um toque a mais e, por isso, não consegue efectuar o remate antes de Mora se sair aos seus pés para agarrar o esférico. No terceiro, novamente a situação de um jogador isolado na direita, desta feita Manuel José, que, contudo, também com a bola dominada, tem uma ligeira hesitação, suficiente para permitir o corte de Idalécio. Em suma, o BFC aproveitava muito bem a lentidão da defesa do Rio Ave, mas, na hora decisiva, era pouco eficaz. E os boavisteiros presentes em razoável número no Estádio do Rio Ave FC temiam que se repetisse a "história" da deslocação ao terreno da Naval…

            Aos 72min, acontece o primeiro grande revés para o Boavista no encontro. Zé Manel ultrapassa Milhazes e, quando se prepara para penetrar na grande área, sofre uma falta duríssima, por trás, do seu ex-colega de equipa (que só o conseguiu derrubar à segunda tentativa). Os adeptos do BFC pediam a expulsão do esquerdino e talvez a exibição do cartão vermelho fosse a atitude mais correcta por parte do juiz da partida (que mostrou somente o cartão amarelo a Milhazes). O livre, apontado por Manuel José, pouco perigo trouxe. O pior, porém, residia na lesão de Zé Manel, que teve, por conseguinte, de ser substituído. Entrou Cissé. Ao invés de, como se previa, Manuel José passar a ocupar o posto de extremo-direito, de modo a que os "axadrezados" continuassem com um homem capaz de continuar a pressionar e a criar dificuldades a Milhazes e, também, que pudesse auxiliar Rui Duarte a fechar aquele flanco, o Boavista mudou para um 4-4-2, com Cissé e Lucas mais recuados, Diogo Valente e Manuel José como interiores e João Pinto no apoio a Fary e, após os 80min, a William Souza (que rendeu o número 9). Aliás, a troca do senegalês pelo avançado brasileiro veio retirar mobilidade ao sector ofensivo, de tal forma que o BFC perdeu capacidade de realizar uma pressão alta pelo centro e de conduzir, com perigo, os seus contra-ataques. Além disso, Diogo Valente denotava algumas dificuldades nas suas novas funções e o BFC perdeu qualidade e segurança na circulação do esférico, perdendo mais vezes a bola. Aproveitou o Rio Ave para ocupar terrenos mais avançados, graças ao recuo exagerado das linhas defensiva e média do Boavista. Cissé, à semelhança do que sucedera frente à Naval, era praticamente, face às dificuldades uma vez mais sentidas pelos dois centrais, um terceiro central e Lucas passou a dispor de menos liberdade para sair a jogar. Entretanto, na tentativa de pressionar um Rui Duarte demasiado sozinho na direita, António Sousa trocava Cleiton por um Agostinho mais aberto na esquerda. Aos 87min, Gaúcho, perante a passividade de Cadú, remata, com espaço, de pé esquerdo, valendo o excelente estiramento de William Andem. E, no primeiro dos cinco minutos de "descontos" concedidos pelo árbitro, o Rio Ave chegou mesmo ao empate, para desespero dos adeptos do "Xadrez": Delson marca, de forma curta, um livre a castigar falta de William Souza, passando a Agostinho, que cruza ao segundo poste; fica a dúvida se Gaúcho, novamente sem marcação, efectua algum desvio, mas a verdade é que, com ou sem desvio, William Andem não fica isento de culpas no tento sofrido, mais um na sequência de um cruzamento (problema que transita da época passada). O Rio Ave ainda tentou a "reviravolta", o que seria uma tremenda injustiça e, igualmente, um castigo para a fraca consistência defensiva do Boavista. O empate, o terceiro em… três jogos fora, foi mesmo o resultado final, que acaba por saber a muito pouco, tendo em conta que o Boavista tinha todas as condições para, depois de alcançar a vantagem no marcador, gerir as operações do encontro e conferir tranquilidade ao seu futebol, principalmente no sector defensivo.

            O campeonato vai ser interrompido no próximo fim-de-semana, por causa dos jogos das selecções nacionais, e fica o desejo de que Carlos Brito utilize este interregno competitivo para trabalhar o processo defensivo da equipa, que, em algumas situações durante os encontros, mormente nas partidas fora de casa, revela dificuldades quando não tem a bola em seu poder. Além disso, urge que o BFC seja uma formação menos receosa na totalidade dos jogos em estádios adversários, ao invés de se retrair. No entanto, fica, como grande aspecto positivo do balanço das primeiras seis jornadas da Liga, o facto de a equipa conseguir apresentar, nos antípodas do que ocorria em anos anteriores, muito maior qualidade na circulação de bola, tendo mais profundidade ofensiva nos flancos. Mas é notório que ainda há muito trabalho pela frente…

                          Img102.jpg


publicado por pjmcs às 20:39
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