Domingo, 13 de Agosto de 2006
Notícias do Bessa vai de férias!

O Notícias do Bessa vai de férias, mas regressará no início do próximo mês, com o rescaldo da primeira jornada da BwinLiga, em que o Boavista se desloca a Alvalade. Aproveitamos para desejar que a instabilidade que, nos últimos dias, se tem vivido no nosso clube, fruto da indefinição acerca da equipa técnica, termine o mais brevemente possível e que o desfecho seja, pelo menos, airoso para o BFC.

Este blog também faz votos, obviamente, de um bom resultado frente ao Sporting, esperando que, de modo a que tal desidrato seja conseguido, os dois próximos (e últimos) jogos de preparação nesta pré-temporada sejam profícuos para o plantel e para a equipa técnica do Boavista (frente à Académica, em Coimbra, com início às 20 horas de quarta-feira, e em Palermo, de hoje a uma semana, também pelas 20 horas).

O Notícias do Bessa deseja, igualmente, umas óptimas férias de Verão a toda a família boavisteira!



publicado por pjmcs às 22:06
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Sábado, 12 de Agosto de 2006
Fulham 1 - Boavista 1

Fulham - Niemi (Crossley, ao intervalo); Rosenior (Volz, aos 55min), Pearce (Carlos Bocanegra, ao intervalo), Christanval (Zat Knight, ao intervalo) e Queudrue (Gabriel Zakuani, aos 75min); Bullard (Timlin, aos 66min), Papa Bouba Diop (Ahmad Elrich, aos 61min), Michael Brown (Claus Jensen, aos 61min) e Luís Boa Morte (Niclas Jensen, aos 75min); Heidar Helguson (Brian McBride, ao intervalo) e Collins John (Bjorn Runstrom, ao intervalo)

Boavista - William (Peter Jehle, aos 61min); Hélder Rosário, Ricardo Silva, Leo Tambussi (Cissé, aos 61min) e Mário Silva (Marquinho, aos 61min); Tiago (Essame, aos 75min), Ricardo Sousa (Lucas, aos 61min) e Kazmierczak (Fary, aos 75min); Zé Manel (Hugo Monteiro, ao intervalo), Roland Linz e Rafal Grzelak (Fernando Dinis, aos 87min)

O Boavista foi empatar a Craven Cottage, estádio de umas das boas equipas da Premier League, conseguindo, assim, mais um excelente resultado em terras britânicas (depois da vitória em Coventry, há duas semanas). Os "axadrezados" redimem-se, desta forma, da derrota e da má exibição da última quarta-feira, sendo que o facto de se tratar do último jogo de preparação do Fulham antes do início do campeonato acentua o mérito da equipa do BFC. Como foi referido no pre-match, aqui no Notícias do Bessa, a presença de alguns jogadores conceituados internacionalmente no plantel do Fulham e os bons resultados que a formação inglesa tem averbado nesta pré-temporada permitiam concluir que se tratava de um teste extremamente exigente para a "Pantera", no qual acabou por ser bem sucedida.

Destaque para a utilização, até aos 61 minutos, de Hélder Rosário como lateral-direito e a presença simultânea de dois pontas-de-lança (Fary e Roland Linz) no quarto-de-hora final do encontro.

O Fulham começou melhor o jogo e inaugurou o marcador aos 14 minutos, por intermédio de Helguson, que, de cabeça, deu a melhor sequência a um livre (que originou um cruzamento para a área) apontado por Rosenior. A partir desse momento, porém, o Boavista assumiu o controlo do jogo, apesar de o Fulham, em algumas ocasiões, ter ameaçado a baliza à guarda de William. Kazmierczak deu o primeiro "aviso" e Linz, na sequência de um canto, cabeceou muito perto do alvo (aliás, o Boavista convertia a maior parte dos seus ataques em cruzamentos para a grande área, que davam muito trabalho aos defensores do Fulham). Logo a abrir a segunda parte, Ricardo Sousa rematou à barra. 

O empate acabaria por seguir aos 79 minutos. Um erro da defesa do Fulham colocou a bola em Roland Linz, que rematou para uma boa defesa , mas incompleta, de Crossley. Fary efectuou a recarga vitoriosa, marcando apenas quatro minutos depois de ter entrado em campo.

Perante mais um opositor categorizado, o Boavista, depois da exibição de grande qualidade, há uma semana, na recepção ao Celta, volta, com mais uma igualdade a um golo, a deixar muito boas indicações, permitindo inferir que o desaire frente ao Trofense terá sido um mero "acidente de percurso".

 

A próxima partida do Boavista nesta pré-época terá lugar na quarta-feira, com a deslocação ao Estádio Municipal Cidade de Coimbra, para defrontar a Académica do prof. Manuel Machado. O jogo tem início marcado para as 20 horas e marcará o reencontro do defesa-central Litos, capitão do BFC no ano do título, com o seu antigo clube.



publicado por pjmcs às 16:59
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Fulham X Boavista - Hoje, às 15 horas

O Boavista tem, dentro de poucas horas, um dos mais importantes testes nesta pré-temporada, a apenas duas semanas do primeiro jogo oficial (frente ao Sporting), ao visitar os ingleses do Fulham. A equipa do norte de Londres, 12.ª classificada na última Premier League, tem a preparação mais adiantada, visto que o campeonato do primeiro escalão do futebol inglês se inicia no próximo fim-de-semana, altura em que o Fulham se desloca a Old Trafford, para defrontar o Manchester United. Trata-se, pois, de um ensaio de elevado grau de dificuldade para o Boavista, frente a uma equipa que conta com jogadores como Luís Boa Morte, o médio internacional senegalês Papa Bouba Diop (autor do primeiro golo no Mundial 2002, na Coreia do Sul e no Japão) e o defesa-central francês Christanval (antigo futebolista do Barcelona e do Mónaco). De recordar também que o Fulham, nesta pré-temporada, conseguiu empatar a zero com o Real Madrid (em encontro disputado na Áustria) e, há uma semana, no seu jogo de apresentação, derrotou o Borussia Moenchengladbach por 1-0.

Equipas prováveis:

Fulham - Niemi; Rosenior, Christanval, Pearce e Queudrue; Bullard, Papa Bouba Diop, Michael Brown e Luís Boa Morte; Heidar Helguson e Collins John

Boavista - Peter Jehle; Marquinho, Ricardo Silva, Hélder Rosário e Mário Silva; Tiago, Ricardo Sousa e Kazmierczak; Zé Manel, Roland Linz e Rafal Grzelak



publicado por pjmcs às 12:32
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006
Trofense 2 - Boavista 1

Equipa na primeira parte:

Equipa na segunda parte (até aos 70 minutos):

Equipa na segunda parte (após os 70 minutos):

O Boavista foi ontem derrotado pelo Trofense por um justo 2-1. Numa partida de qualidade paupérrima, por vezes entediante (sobretudo durante a segunda parte), os "axadrezados" foram a completa antítese daquilo que haviam mostrado frente ao Celta. No decorrer dos 90 minutos (mesmo tendo actuado com duas equipas diferentes, uma em cada parte do encontro), faltaram ideias, espontaneidade, velocidade e agressividade, pelo que o Trofense, evidenciando muito mais mobilidade e garra, aproveitou para, durante o primeiro tempo, dominar o jogo, criar as melhores oportunidades e chegar, depois do tento inaugural que até foi do Boavista (um auto-golo na sequência de um livre bem apontado por Grzelak, com o esférico a ser endossado para o "coração" da grande área), a uma vantagem merecida. No segundo tempo, o Trofense baixou, claramente, de ritmo, limitando-se a gerir o resultado e a ocupar os espaços, e, mesmo assim, o BFC não foi capaz de mandar no jogo, circular a bola com rapidez e progressão e construir lances de perigo. Em suma, foi um Boavista apático, sem chama nem criatividade, com a agravante de, nos primeiros 45 minutos, os dois centrais, Cissé e Tambussi, principalmente (e surpreendentemente) o primeiro, terem cometido alguns erros imperdoáveis e que permitiram ao Trofense marcar dois golos. No primeiro, que começou com um lançamento longo da defesa da casa, Tambussi foi batido em velocidade, não conseguindo interceptar o esférico, e Cissé, mais atrás, fez aquilo que era mais que evidente que não deveria fazer: decidiu, com um adversário (o irrequieto Reguila) a aproximar-se perigosamente, efectuar um atraso, de cabeça, para William. Ora, como o atraso acabou por sair demasiado curto e deficiente, Reguila recuperou a bola e não deu quaisquer hipóteses ao guarda-redes camaronês do BFC. No segundo tento trofense, na sequência de um canto, é incompreensível como o avançado contrário (outra vez Reguila) pôde cabecear completamente livre de marcação, dando, também, a sensação de que William não foi bem batido. Cantos, aliás, foram um problema para a defensiva do Boavista durante a primeira parte.

Apenas nos últimos 15 minutos da primeira parte o Boavista conseguiu mostrar algum futebol, carrilando o seu jogo pelos flancos: o direito, onde "morava" Lucas (já que Zé Manel, denotando alguma lentidão, se "refugiou" diversas vezes em zonas mais centrais, junto ao ponta-de-lança Linz), e o esquerdo, em que Grzelak, embora menos exuberante do que com o Celta, protagonizou uma das poucas actuações positivas da equipa, apoiado, não obstante em escassas ocasiões, por um Mário Silva que teve mais trabalho em termos defensivos do que no último sábado. Ao "cair do pano" da primeira parte, Marquinho cruzou para a grande área, solicitando Linz, que, em boa posição, acabou por cabecear de forma deficiente. Foi essa a única oportunidade flagrante de golo (tirando o lance que deu o 0-1) do Boavista em toda a primeira parte.

Na etapa complementar, esperava-se uma "Pantera" mais afoita, uma vez que a entrada do criativo Ricardo Sousa fazia antever um Boavista com mais ideias, maior qualidade de passe e criatividade. Puro engano. O esquerdino emprestado pelo Hannover 96 até protagonizou o melhor momento da segunda parte (um remate forte, de meia-distância, que passou muito perto do alvo), mas rapidamente entrou na abulia em que "mergulhou" o encontro, mostrando-se, também ele, demasiado lento e pouco capaz de rasgos individuais ou de passes espectaculares que animassem o jogo.

O Boavista deixou, portanto, uma imagem completamente diferente daquela que deu no último sábado, realizando uma péssima exibição perante um Trofense que, apesar de muito lutador e competitivo, não é, obviamente, um opositor suficientemente forte para jogar numa BwinLiga. Esperemos, por isso, que a mediocre actuação de ontem se tenha devido apenas ao cansaço físico associado ao forte calor que se fez sentir, à sucessão de encontros que este Boavista tem realizado e às intensas cargas de trabalho que o prof. Jesualdo Ferreira tem imposto nos treinos.

Análise individual:

William - acabou por ser vítima dos erros dos dois centrais, mas a verdade é que não parece estar isento de culpas no lance do segundo golo. Todavia, compensou essa falha com um par de boas defesas que evitaram males maiores.

Marquinho - apesar de continuar a revelar dificuldades ao nível do posicionamento e da rotação, o lateral brasileiro exibiu-se, ontem à tarde, a um nível ligeiramente superior ao que mostrou frente ao Celta. Efectuou alguns desarmes importantes e tentou auxiliar Lucas nas tarefas ofensivas, conseguindo tirar alguns cruzamentos (embora executados relativamente longe da linha de fundo). Porém, falhou alguns passes e, tal como aconteceu com a generalidade da equipa, faltaram-lhe ideias para dar maior criatividade ao futebol boavisteiro, pelo que recorreu, em algumas ocasiões, a lançamentos longos (a maioria dos quais inconsequentes).

Cissé - realizou, ontem à tarde, aquela que terá sido, muito provavelmente, a sua pior actuação desde que é jogador do Boavista. Durante esta pré-temporada (tal como aconteceu na época passada, sempre que foi chamado à equipa), Cissé tem-se revelado um central muito seguro, que joga sempre limpo e sem comprometer. Frente ao Trofense, o franco-maliano mostrou exactamente o contrário, deixando-se antecipar em diversas ocasiões e sendo batido (tal como Tambussi) várias vezes em velocidade.

Leo Tambussi - embora não tenha estado tão "desastrado" como o seu companheiro no centro da defesa, visto que conseguiu alguns desarmes e esteve bastante melhor no capítulo do alívio e do passe, o central argentino também não realizou uma exibição positiva, muito por culpa da falta de velocidade para travar os rápidos contra-ataques do Trofense.

Mário Silva - foi, talvez, o menos mau do sector defensivo na primeira parte, uma vez que conseguiu manter quase sempre rigor posicional e sobriedade a ocupar o lado esquerdo da defesa. Tentou integrar, em algumas ocasiões, a acção ofensiva da equipa (tendo, inclusive, participado na melhor jogada do Boavista em todo o encontro: a única jogada de envolvimento ofensivo que os "axadrezados" conseguiram construir), mas não foi tão ofensivo e afoito como é costume, face ao desacerto dos dois centrais e ao muito trabalho que o extremo-direito do Trofense lhe deu. 

Tiago - foi dos melhores elementos da equipa (talvez por jogar em casa). Cumpriu aquilo que se pede a um jogador que actua como vértice mais recuado do meio-campo: ocupar bem os espaços pelo corredor central e, quando tem a bola nos pés, soltá-la rapidamente (aspecto em que melhorou relativamente aos últimos jogos) e sem a perder para o adversário. Tentou iniciar alguns ataques, mas a pouca mobilidadade e versatilidade da equipa acabou por lhe fechar as linhas de passe.

Lucas - fez um jogo de sacrífico, pois teve de se desdobrar entre a posição de médio-interior direito (participando, por isso, na luta pela posse de bola a meio-campo) e o flanco direito do ataque, já que Zé Manel flectiu demasiadas vezes para o meio. Apesar de algumas perdas de bola e de dois remates de primeira completamente disparados, a exibição não pode, mesmo assim, ser considerada negativa, porque lutou imenso e procurou, não sendo um extremo de raiz, dar alguma profundidade ao flanco direito.

Kazmierczak - esteve a um nível muito inferior daquele que foi patenteado frente ao Celta. Mostrando-se claramente perdido em campo (não sabia se deveria ser um médio-interior esquerdo com preocupações defensivas e na recuperação de bola ou se se deveria assumir com unidade mais ofensiva do meio-campo, uma vez que o elemento que, inicialmente, teria essa função - Lucas - se deslocava amiúde para as faixas), o que lhe retirou lucidez e tempo para efectuar passes longos para a ala esquerda (um dos capítulos do jogo em que é mais forte). Além disso, fruto da sua indefinição em termos posicionais, não foi aquele jogador poderoso nas segundas bolas de que o Boavista precisa.

Zé Manel - mais uma exibição fraca do experiente extremo. Continua a mostrar demasiada lentidão, o que o impede de ultrapassar adversários pelas faixas e, assim, criar desequilíbrios. Tentou colmatar essa lacuna com a deslocação para posições mais interiores, mas, nessas funções, não conseguiu dar o apoio necessário a Roland Linz.

Rafal Grzelak - um dos poucos que se manteve igual a si próprio. Apesar de não ter efectuado aquelas recuperações de bola, no último reduto adversário, que fizeram vibrar o público do Estádio do Bessa Século XXI no jogo de apresentação, foi o único que, durante a primeira parte, tentou emprestar alguma criatividade à equipa, procurando fazer uso da sua facilidade no drible para criar alguns espaços. Além disso, mostrou que tem um bom pé esquerdo, útil nos lances de bola parada que resultem em cruzamentos para a grande área, como aquele que culminou no único golo "axadrezado".

Roland Linz - esteve algo apagado, é certo, e, com um mau gesto técnico, desperdiçou, de cabeça, a principal ocasião do Boavista para fazer o 2-2, mas a verdade é que não podia exigir mais a Roland Linz. Pouco solicitado por uma equipa que não conseguia delinear acções ofensivas coerentes, o ponta-de-lança austríaco lutou muito e procurou movimentar-se para os espaços vazios (de modo a poder receber a bola em boas condições para finalizar), no entanto, a inoperância "axadrezada" acabou por fazer com que Linz raramente tivesse sido servido convenientemente.

Peter Jehle - entrou para jogar os segundos 45 minutos e, ao contrário do que aconteceu com William, o ataque do Trofense pouco trabalho lhe deu. No entanto, sempre que foi chamado a intervir (em alguns remates), cumpriu, blocando sempre a bola com segurança.

Bessa - parece ser um lateral mais seguro que Marquinho a fechar o lado direito da defesa, conseguindo estancar todas as iniciativas do Trofense pela faixa direita. Todavia, teve como "pecha" o facto de raramente se ter "aventurado" a subir pelo seu flanco, pelo que não ajudou a dar profundidade ofensiva à ala direita.

Ricardo Silva - ganhou mais alguns "pontos" na luta por um lugar no centro da defesa, já que, nos antípodas de Tambussi e de Cissé, ganhou a maioria dos lances em que participou. Voltou a mostrar autoridade e eficácia no jogo aéreo e no desarme, pelo que, cada vez mais, se aproxima do nível exibicional da segunda volta da época transacta.

Hélder Rosário - tal como Ricardo Silva, deixou apontamentos positivos que lhe permitem ambicionar um lugar no "onze". Formou uma boa dupla com Ricardo Silva, complementando o bom jogo aéreo deste com a sua velocidade, que lhe possibilita fazer as compensações nas "costas" do seu companheiro no eixo defensivo.

Fernando Dinis - entrou bem no jogo, tentando animar o ataque com constantes subidas pela sua faixa. Nota-se que é um lateral rápido e evoluído tecnicamente, o que lhe garante grande capacidade ofensiva. A defender, esteve mais seguro do que é costume, mas também é certo que o Trofense, na segunda parte, se apresentou uma equipa muito mais retraída.

Essame - sendo o vértice mais recuado do meio-campo quando a equipa não tinha a posse de bola e tendo a missão de descair para a esquerda sempre que o BFC recuperava o esférico (de modo a que o Boavista pudesse desdobrar-se num 4-2-3-1, com Ricardo Sousa mais "solto" para tentar organizar jogo), Essame voltou a realizar uma exibição muito positiva, mostrando atributos que lhe permitirão ser um sério concorrente de Tiago por um lugar no "onze": rapidez na antecipação, na recuperação da bola e na distribuição desta e disciplina táctica para fazer a transição defensiva, ocupando os espaços concedidos pelos colegas que se incorporam na acção ofensiva.

Paulo Sousa - jogou cerca de 25 minutos e pouco mostrou. Participou na luta a meio-campo pela posse de bola, mas acabou por revelar sempre pouca arte e engenho quando tinha o esférico nos pés, não permitindo à equipa uma transição eficaz para o ataque.

Ricardo Sousa - um remate forte, a uma distância consideravel da baliza, que passou perto do alvo parecia ser o tónico ideal para uma boa exibição do criativo do BFC. Mas não. Ricardo Sousa tentou assumir o comando do jogo do Boavista, no entanto, não conseguiu fazer mais do que algumas aberturas para o flanco direito, a solicitar Hugo Monteiro. Tentou, em algumas ocasiões, abrir, em iniciativas individuais, zonas de penetração, mas a sua pouca velocidade tornou-o uma "presa" fácil para o sector defensivo do Trofense.

Hugo Monteiro - tentou animar o jogo, recorrendo à sua rapidez e poder de finta, mas acabou por se agarrar demasiado à bola, jogando pouco com a equipa. Optou algumas vezes pelo remate quando deveria cruzar; deve soltar mais a bola para se poder assumir como uma peça-chave da equipa no flanco direito do ataque. Nos 20 minutos finais, o recuo para jogar perto da linha do meio-campo acabou por lhe retirar espaço para criar desequilíbrios.

Marcos António - é um jogador extremamente raçudo e veloz, o que lhe permitiu criar alguns desequilíbrios no último reduto trofense. Contudo, a pouca mobilidade do resto da equipa acabou por fazer com que não tivesse linhas de passe, pelo que as suas iniciativas acabaram por ser quase sempre inconsequentes.

Fary - jogou como unidade mais adiantada da equipa no segundo tempo, recuando e descaindo para a direita, de modo a permitir a entrada de Marcos António. No entanto, não conseguiu trazer nada de novo à equipa, uma vez que perdeu sempre no choque e nos duelos físicos com os defesas adversários.

Nuno Pinto - entrou para jogar os últimos 20 minutos no flanco esquerdo do meio-campo. Teve um bom pé esquerdo e visão de jogo, tentando fazer algumas aberturas para o ataque, mas, tal como Fary, peca por não ter a evergadura física suficiente para ganhar e proteger a bola dos defesas e médios adversários.

O Notícias do Bessa esteve presente em mais um jogo de preparação do nosso Boavista. Eis algumas imagens do encontro:

Marcos António tenta penetrar, em velocidade, no último reduto trofense

Fernando Dinis

Hélder Rosário (no "aquecimento" para a segunda parte)



publicado por pjmcs às 11:26
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006
Galeria de Imagens

O Notícias do Bessa abriu, hoje de manhã, mais um espaço: uma galeria onde serão colocadas todas as imagens curiosas/interessantes acerca do BFC enviadas pelos nossos leitores. As primeiras fotografias são da autoria de Pedro Couto (o DeNiro do fórum dos Panteras Negras - forum.panterasnegras.pt), a quem agradecemos a colaboração.



publicado por pjmcs às 11:09
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Terça-feira, 8 de Agosto de 2006
Trofense X Boavista - Amanhã, às 18 horas

O Boavista cumpre, amanhã à tarde, mais um jogo de preparação para a nova temporada, deslocando-se à Trofa, mais concretamente ao Estádio do Clube Desportivo Trofense, para defrontar o emblema local, num jogo que tem início marcado para as 18 horas. Recorde-se que, ainda no último sábado, o Trofense, recém-promovido à Liga de Honra, recebeu outra equipa da BwinLiga, o Desportivo das Aves, tendo empatado a uma bola. 



publicado por pjmcs às 13:24
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Domingo, 6 de Agosto de 2006
Boavista 1 - Celta 1

Equipa na primeira parte:

Equipa na segunda parte (até aos 70 min):

Equipa na segunda parte (após 70 min):

Substituições: Leo Tambussi por Hélder Rosário (ao intervalo), Tiago por Essame (ao intervalo), Lucas por Hugo Monteiro (ao intervalo), Rafal Grzelak por Zé Manel (ao intervalo), Peter Jehle por William (aos 61 minutos), Ricardo Silva por Cissé (aos 64 min), Marquinho por Bessa (aos 67 min), Mário Silva por Fernando Dinis (aos 67 min), Kazmierczak por Paulo Sousa (aos 70 min), Ricardo Sousa por Marcos António (aos 70 min) e Roland Linz por Fary (aos 70 min)

O Boavista empatou, ontem ao final da tarde, a uma bola, frente ao Celta de Vigo, no encontro que marcou a apresentação do novo plantel "axadrezado" aos associados. Apesar de ainda haver algumas "arestas" por "limar" (nomeadamente ao nível da comunicação e entrosamento entre alguns jogadores - houve perdas de bola, na primeira parte, devido a falhas de comunicação), o Boavista exibiu num nível bastante bom diante de uma equipa que é uma das mais fortes no futebol espanhol. O 1-1 acaba por ser um resultado algo penalizador para o Boavista, dado o maior número de oportunidades flagrantes de golo, o maior domínio no cômputo global da partida e o maior tempo de posse de bola. Aliás, o tento do Celta, que inagurou o marcador no "cair do pano" da primeira metade do desafio, surgiu, contra a corrente do jogo, na sequência de uma falha que envolveu quase todo o sector defensivo: Marquinho deixou antecipar-se pelo extremo-esquerdo do Celta, Ricardo Silva deixou-se fintar, não efectuando o corte e Tambussi não interceptou o passe para Canobbio, que, assim, completamente isolado, não deu quaisquer hipóteses a Jehle. O golo de Roland Linz, aos 60 min, desmarcado por um excelente passe de Hugo Monteiro, efectuado a partir da ala direita, acabou por repor alguma justiça no resultado.

Para a primeira parte, Jesualdo Ferreira armou a equipa no habitual 4-3-3, mas com algumas "nuances", algumas das quais constituíram alguma surpresa: um meio-campo essencialmente voltado para a luta pela recuperação da bola, com os dois médios-interiores (Lucas e Kazmierczak) a terem a missão de fazerem uma rápida mas segura transposição do jogo para o ataque, e Ricardo Sousa a jogar como extremo-direito, flectindo para o meio-campo, de modo a colocar a bola em boas condições para o seu pé esquerdo, sendo as suas diagonais compensadas pelos movimentos de Lucas. No entanto, esta experiência efectuada pelo técnico do BFC acabou por não ter grande sucesso, já que Ricardo Sousa não mostrou ter a velocidade suficiente para receber a bola no flanco direito e ultrapassar os seus adversários, a fim de criar desequilíbrios. Por isso, até porque Marquinho raramente subia pela sua ala, os ataques do Boavista, durante o primeiro tempo, foram quase sempre conduzidos pelo flanco esquerdo, onde Mário Silva, mostrando segurança a defender, se mostrava bastante colaborativo nas acções ofensivas (como ele tanto gosta) e Grzelak, indiscutivelmente um dos melhores em campo, lutava imenso (o que lhe valeu algumas recuperações de bola no último reduto contrário) e conseguia sair de espaços muito apertados, quer recorrendo ao drible e à velocidade, quer com tabelinhas com Kazmierczak (com quem evidenciou um entendimento quase perfeito) ou com Mário Silva (embora, com este último, tenha havido algumas - naturais - falhas de comunicação). Não obstante esta pouca variação na faixa pela qual o BFC atacava, a verdade é que a actuação do Boavista agradava aos adeptos presentes no estádio. Com um meio-campo muito consistente e pressionante (com os seus três elementos a revezarem-se no "pressing"), capaz de fazer uma transição rápida para o ataque, um Grzelak endiabrado e um ponta-de-lança, Roland Linz, que nunca teve receio de ir ao choque, ganhou muitas bolas de cabeça e procurou sempre espaços para receber a bola em condições de alvejar a baliza adversária (além de tentar, por vezes, tabelar com Ricardo Sousa), os "axadrezados" dominavam completamente o encontro e, apenas a espaços, o Celta, principalmente recorrendo à velocidade e qualidade técnica de jogadores como Canobbio e Guayre, conseguia contra-atacar, mas sem criar grande perigo a Peter Jehle. As melhores ocasiões pertenciam, por conseguinte, ao BFC, tendo todas em comum o facto de Roland Linz ter conseguido a desmarcação. Na prieira, Kazmierczak, ganhando de cabeça uma segunda bola (aliás, o grande poderio de Kaz no jogo aéreo constitui um aspecto muito importante para o meio-campo do BFC), colocou o esférico em Linz, que, depois de dominar com o peito, acabou por rematar por cima. Na segunda grande oportunidade, outra vez Kazmierczak: o polaco recuperou uma bola aparentemente perdida na ala esquerda e "picou" o esférico para o endossar a Linz; a bola acabou por ser desviada pela cabeça de um defesa viguense, mas Linz, na insistência, por pouco não conseguiu aproveitar o desentendimento entre o guarda-redes Esteban e os dois centrais para inaugurar o marcador. Foi, no entanto, o Celta que, num contra-ataque bem desenhado mas em que Marquinho, Ricardo Silva e Tambussi pecaram por não terem, logo que tiveram oportunidade, efectuado o desarme e o alívio, fez o 0-1. O intervalo chegava, pois, com a vantagem forasteira no marcador, mas com a sensação de que o Boavista tinha sido largamente superior.

À entrada para a etapa complementar do encontro, o prof. Jesualdo optou por manter o 4-3-3, introduzindo, porém, variantes tácticas diferentes. Hugo Monteiro entrou para jogar no flanco direito do ataque, saindo Lucas, o que fez com que Ricardo Sousa passasse para médio-interior direito. Essame rendeu Tiago, jogando como vértice mais recuado do meio-campo, Zé Manel ssubstituiu Grzelak, perdendo o flanco esquerdo velocidade e acutilância, mas passou a contar com um elemento capaz de fazer diagonais de apoio ao ponta-de-lança (embora essas diagonais, face à falta de rapidez de Zé Manel tenham sido inconsequentes), e Hélder Rosário entrou para o lugar de Tambussi. As alterações operadas pelo treinador do BFC, embora, como já foi tido, tenham tirado garra e "explosividade" ao flanco esquerdo, tiveram o condão de emprestar maior criatividade ao meio-campo. O 4-3-3 (com o médio-interior direito - Ricardo Sousa - agora mais subido no terreno) desdobrava-se, quando o Boavista atacava, num 4-2-3-1 (subindo Ricardo Sousa para jogar nas "costas" do ponta-de-lança e juntando-se Essame a Kazmierczak). Assim, Ricardo Sousa passou a render muito mais, dispondo de mais tempo e espaço para gizar algumas aberturas de grande qualidade, e a troca de Tiago por Essame trouxe maior segurança no passe e simplicidade de processos, o que contribuiu para uma circulação de bola mais rápida e fluida. Além disso, Kazmierczak subiu de produção, destacando-se pelos passes longos, a 40/50 metros, feitos com grande precisão para o flanco esquerdo (solicitando Zé Manel), e Hugo Monteiro trouxe outra dinâmica à faixa direita do ataque (além de ter sido um importante auxílio a Marquinho e, depois, a Bessa, impedindo, desta forma, que o Celta continuasse a explorar esse flanco para conduzir os seus contra-ataques). Portanto, apesar da maior susceptibilidade da equipa a eventuais ataques rápidos do Celta, a qualidade do futebol praticado pelo Boavista aumentou. Aos 49 minutos, Ricardo Sousa, num livre em zona frontal mas ligeiramente descaído para a esquerda, levou a bola a "beijar" a barra. Pouco depois, o mesmo Ricardo Sousa, num passe espectacular, isolou Zé Manel na grande área, mas este, com pouco ângulo para rematar, não conseguiu mais do que ganhar um canto. Aos 60 minutos, aconteceu o melhor momento da tarde: Hugo Monteiro, na direita, vê a desmarcação de Linz e endossa-lhe o esférico num excelente passe (que contornou o lateral-esquerdo do Celta). O ponta-de-lança austríaco, mostrando grande frieza perante o guardião dos galegos, remata com direcção ao lado contrário daquele em que se encontrava o guarda-redes, estreando-se a marcar no Estádio do Bessa Século XXI. Nos minutos seguintes, o BFC fez quatro alterações (o que permitiu a Jesualdo Ferreira testar a terceira dupla de centrais do jogo, Cissé-Hélder Rosário, depois de Tambussi-Ricardo Silva e Hélder Rosário-Ricardo Silva), consumando, desse modo, a mudança completa do sector defensivo. Fernando Dinis, no flanco esquerdo, mantinha a mesma capacidade ofensiva de Mário Silva, mas mostrou-se menos seguro a defender (daí que o Celta tenha passado a atacar pelo seu flanco direito), enquanto que Bessa, relativamente a Marquinho, mostrou melhor posicionamento no lado direito na defesa e trouxe, embora ligeiramente, uma maior capacidade ofensiva. O Boavista continuou, apesar das substituições, a dominar o jogo até aos 70 minutos, altura em que o novo técnico da "Pantera" decidiu experimentar um novo sistema táctico. Saíram Ricardo Sousa, Kazmierczak e Roland Linz e entraram Paulo Sousa, Fary e Marcos António, o que colocou o Boavista a jogar num 4-4-2 "clássico", com dois médios de cobertura (Essame e Paulo Sousa), dois extremos (Hugo Monteiro e Zé Manel) e dois avançados (Fary, mais fixo, e Marcos António, mais "solto" no apoio ao senegalês). No entanto, esta experiência, pelo menos até aos 5 minutos finais, acabou por não ser muito bem sucedida, face a diversos factores: a equipa perdia criatividade a meio-campo (Essame e Paulo Sousa não têm a mesma visão de jogo de Ricardo Sousa e Kaz) e unidades neste sector (dois médios acabou por ser pouca gente para estancar a circulação de bola do Celta), Paulo Sousa entrou mal, perdendo bolas em posição comprometedora e errando demasiado no capítulo dos passes mais curtos, nas faixas, se Hugo Monteiro abria o jogo pelo flanco direito (assumindo-se, inclusive, como a principal unidade criativa da equipa na última vintena de minutos do encontro), o mesmo não se pode dizer de Zé Manel (que, mostrando pouca velocidade nos duelos individuais, se refugiou muitas vezes em zonas mais interiores, além de praticamente não ter auxiliado Fernando Dinis nas tarefas defensivas), e, no ataque, Fary foi pouco participativo (é certo que não lhe foi enderaçada muitas vezes a bola) e Marcos António, não obstante ter denotado muita vontade e raça, foi pouco clarividente sempre que teve o esférico nos pés. Assim, o Celta pôde, finalmente, "crescer" em campo e trocar a bola no meio-campo defensivo do Boavista, aproveitando a inexperiência de Fernando Dinis e o pouco apoio dado por Zé Manel para explorar o seu flanco direito. No entanto, o Celta não conseguiu criar perigo, embora dominasse a partida, muito por culpa de mais uma boa exibição de Essame, que mostrou, novamente, disciplina táctica e capacidade de efectuar, com eficácia, as compensações e de fechar as linhas de passe ao meio-campo adversário. Além disso, conseguiu sair algumas vezes a jogar, sendo, juntamente com Hugo Monteiro, o elemento da equipa que conseguia "reanimar" o encontro. Contudo, nos minutos finais da partida, o Boavista, agora adaptado ao novo esquema táctico, voltou a assumir o controlo. Aproveitou o inconformado Hugo Monteiro para "romper" pelo seu flanco e efectuar alguns cruzamentos, um dos quais bem direccionado para a cabeça e Marcos António, que, no entanto, não realizou o gesto técnico que se impunha e acabou por rematar por cima.

A partida terminou pouco depois, com uma igualdade que não reflecte a superioridade do Boavista durante a maior parte do encontro, diante de uma equipa forte e competitiva. Competitiva foi, precisamente, um dos adjectivos que caracterizou a formação "axadrezada", que parece ser, esta época, uma equipa mais pressionante e capaz nos duelos físicos, além de mostrar consistência a meio-campo e capacidade de trocar a bola com segurança. Apesar de nem sempre a entreajuda e o entrosamento terem sido perfeitos (o que é natural num plantel que sofreu muitas alterações, reforçando-se com jogadores de várias nacionalidades... e ainda faltam ainda três semanas para começar a Liga...), este Boavista deixa boas expectativas nos sócios que ontem se deslocaram ao Estádio do Bessa Século XXI e que brindaram com um aplauso a exibição da equipa. Além disso, os reforços mais sonantes (Linz, Grzelak, Kazmierczak e Ricardo Sousa) mostraram, de facto, que podem acrescentar muita qualidade. Hugo Monteiro e Essame, por sua vez, eles que foram pouco utilizados na época passada, parecem ser peças importantes no Boavista de Jesualdo.

Ficam, porém, duas "dores de cabeça" para o professor Jesualdo Ferreira resolver. Por um lado, Ricardo Sousa mostrou que não pode encaixar no 4-3-3 jogando a extremo-direito, mas, quando passa para o meio-campo, revela-se como uma mais-valia, emprestando criatividade a esse sector e assumindo-se como "playmaker" e um importante apoio para o ponta-de-lança Roland Linz. Por outro lado, se Sousa for titular, um dos dois médios-interiores de contenção que ontem inciaram o jogo terá de sair (Lucas, que até esteve em bom nível, é o mais provável "sacrificado", já que Kazmierczak parece ser imprescindível; outra solução seria passar Kaz para médio mais recuado e manter Lucas a médio-interior direito, mas Essame e Tiago, que, nesse cenário, não seriam titulares, estão a mostrar ser, nesta pré-época, dois concorrentes fortes para o vértice mais recuado do meio-campo), o que poderá trazer a desvantagem de retirar alguma consistência e capacidade de "pressing" ao meio-campo. Outra questão que Jesualdo terá de solucionar prende-se com a dupla de centrais. Se Cissé tem, jogo após jogo, mostrado que tem grandes hipóteses de "agarrar" o lugar, já o posto ao lado do franco-maliano suscita grandes dúvidas ao nosso treinador. Ricardo Silva foi, na segunda volta da época passada, o "patrão" da defesa, rubricando exibições de grande nível, e, ontem, apesar de não ficar isento de culpas no golo, evidenciou autoridade e segurança no centro da defesa, mas Tambussi, pelo seu rigor posicional e capacidade de sair a jogar, parece ser um reforço a ter em conta. Já Hélder Rosário, não obstante ter a lacuna de não ser muito forte no jogo aéreo, parece ter a confiança do professor e, juntamente com Cissé e Mário Silva, tem sido o elemento mais regular do sector defensivo.

De qualquer forma, este Boavista parece estar no bom caminho.

Análise individual:

Peter Jehle - ao contrário de jogos anteriores, o internacional do Liechtenstein mostrou segurança, quer a blocar a bola quando os jogadores do Celta rematavam, quer nos poucos cruzamentos que a turma visitante efectuou. Apesar de não ter tido muito trabalho, Jelhe cumpriu sempre que foi chamado a intervir. Sem quaisquer culpas no golo sofrido.

Marquinho - tarde muito infeliz para o lateral brasileiro oriundo do Criciúma. Foi pelo seu lado que o Celta construiu a jogada que culminou no golo e conduziu a esmagadora maioria dos contra-ataques durante a primeira parte. Pode "queixar-se" de o extremo do seu lado no primeiro tempo (Ricardo Sousa) nunca ter recuado para o auxiliar a fechar o flanco, mas a verdade é que revelou quase sempre mau posicionamento e dificuldades na rotação, além de raramente ter subido pelo seu flanco. O que de positivo se pode extrair da sua actuação resume-se a alguns (esporádicos) desarmes e à segurança que parece ter no jogo aéreo.

Ricardo Silva - não fosse o lance do golo do Celta e a sua actuação teria sido irrepreensível, ao nível do que fez na época passada. Intransponível no jogo aéreo e quase sempre eficaz no desarme, Ricardo Silva mostrou a autoridade e a capacidade de liderança que lhe são reconhecidas e, em algumas ocasiões, sobretudo na segunda parte, procurou levar a equipa para a frente, saindo a jogar. Apesar do erro cometido, ganhou "terreno" na luta pela titularidade.

Leo Tambussi - partilhou com Marquinho e Ricardo Silva as responsabilidades no lance do golo sofrido, mas, tal como este último, também ganhou "pontos" na "corrida" por um lugar no centro da defesa. Jogando sempre de forma limpa, Tambussi revelou, à semelhança do que acontecera em Nelas, um excelente posicionamento e eficácia no desarme. Mostrou, também, alguma qualidade técnica, que lhe permitiu resolver situações difíceis, tendo pouco espaço, em fracções de segundo.

Mário Silva - "capitão" da equipa até ao momento em que foi substituído, Mário Silva teve uma actuação impecável, mostrando segurança a fechar o seu flanco (bem auxiliado por Grzelak) e capacidade para apoiar o ataque em várias situações. Ensaiou o remate num par de situações e parece cumprir, nos seus movimentos, a disciplina táctica que Jesualdo valoriza: flecte para dentro da grande área sempre que são feitos cruzamentos do flanco oposto e, quando, nas suas frequentes subidas, entrega a bola a Grzelak, que abre na esquerda, faz a diagonal para zonas interiores, de modo a abrir linhas de passe ao extremo da sua ala.

Tiago - indiscutivelmente, é um jogador vocacionado para jogar imediatamente à frente dos dois centrais, mostrando grande rigor táctico nas compensações e no momento de subir no terreno para efectuar o "pressing". Conseguiu, igualmente, duas antecipações importantes em lances ofensivos, permitindo ao Boavista uma segunda "vaga" atacante. Pela negativa, ficam as suas hesitações quanto lhe cabe distribuir o esférico no momento em que o BFC inicia a construção das suas jogadas ofensivas, o que retira velocidade e fluidez à circulação de bola.

Lucas - foi, como é seu tímbre, incansável na "batalha" no sector intermediário com vista à conquista da posse de bola. Quando recuperava o esférico, mostrava boa leitura de jogo e grande lucidez, conseguindo lançar, em boas condições, o ataque, com passes bem medidos. Em termos tácticos, esteve bem ao compensar as movimentações de Ricardo Sousa, ajudando a fechar o flanco direito.

Kazmierczak - uma exibição em crescendo. Começou o encontro de forma algo confusa, não mostrando recursos técnicos para sair de espaços muito apertados, mas cedo estabilizou a sua actuação, acabando por se assumir como uma peça-chave do meio-campo, sector que se ressentiu a partir do momento em que foi substituído. É fortíssimo no jogo aéreo (aliás, foi de cabeça, numa segunda bola, que assistiu Linz numa das melhores oportunidades de golo da partida) e nos duelos corpo-a-corpo, o que lhe valeu algumas recuperações de bola importantes. É, tal como Lucas, incansável na luta pela posse de bola e, na segunda parte, abrilhantou a sua exibição com uma série de aberturas precisas para o flanco esquerdo, a que Zé Manel, porém, não conseguiu dar a devida conclusão. Kaz (diminutivo que aparece na sua camisola) será, com toda a certeza, um dos esteios do meio-campo "axadrezado".

Ricardo Sousa - durante cerca de meia-hora, esteve bastante infeliz, ao actuar junto à linha lateral direita. Nessas funções, não mostrou a velocidade e acutilância de um verdadeiro extremo, pelo que acabou sempre por permitir o desarme aos adversários. Melhorou ligeiramente nos minutos finais da primeira parte, em que lhe foi concedida maior liberdade para flectir para o meio e tentar combinar com Roland Linz. No entanto, o ponto de viragem na sua exibição foi mesmo o intervalo, uma vez que, a partir do início da segunda metade do encontro, pôde jogar em zonas mais interiores, passando a assumir um papel importante na construção dos lances ofensivos da equipa (efectuou alguns passes de grande qualidade). E, nas bolas paradas, continua a demonstrar uma precisão notável: esteve muitíssimo perto de marcar quando, aos 49 minutos, enviou a bola à trave.

Rafal Grzelak - mostrou, uma vez mais, que será, muito provavelmente, um reforço de grande omportância para o BFC. Parece ser um extremo completo, já que mostra bons apontamentos em todos os aspectos do jogo. Muito aguerrido e pressionante, recuperou algumas bolas ao lateral-direito do Celta (o que fez com que ouvisse, frequentemente, palmas por parte dos sócios do Boavista), conseguiu sair de situações muito difíceis, através do drible ou de tabelinhas bem sucedidas com Kaz e Mário Silva, e esteve irrepreensível no capítulo táctico, ao auxiliar Mário Silva a fechar o flanco esquerdo e ao efectuar alguns desarmes. Foi um dos melhores em campo e parece ter a titularidade praticamente assegurada.

Roland Linz - é um dos futebolistas sobre os quais recaem mais esperanças da massa associativa boavisteira e, nem de perto nem de longe, desiludiu, sendo justo atribuir-lhe o "prémio" de MVP no jogo de ontem. É um ponta-de-lança poderoso, forte no choque e no jogo aéreo, e lutou imenso, nunca dando por perdida nenhuma bola (à semelhança de Grzelak). Mostrou-se inteligente na procura de espaços para se desmarcar (foi por isso que as melhores ocasiões do Boavista o tiveram como finalizador) e muito razoável tecnicamente, uma vez que tentou, em algumas ocasiões, tabelar com Ricardo Sousa. O golo foi apenas a "cereja no topo do bolo" que "coroou" uma exibição em que Linz mostrou muita classe e que poderá ser o ponta-de-lança de que o Boavista há anos necessita.

Hélder Rosário - os avançados do Celta não lhe colocaram muitos problemas, pelo que teve uma tarde relativamente tranquila, mas cumpriu sempre que solicitado. Além disso, quando passou a jogar descaído para a direita (a partir do momento em que Cissé rendeu Ricardo Silva), esteve muito bem nas dobras a Bessa.

Essame - apesar de ter feito parte do plantel na época passada, a verdade é que, face à sua escassa utilizado por Carlos Brito, Essame poderá ser um importante "reforço" neste novo Boavista, mostrando, nesta pré-temporada, por que razão Jesualdo Ferreira solicitou à direcção que accionasse a sua cláusula de opção. Tal como aconteceu na Póvoa de Varzim, Essame, ontem, foi colocado na posição em que rende mais: "vértice" mais recuado do meio-campo. Irrepreensível tacticamente (quer nas "dobras" aos laterais, principalmente a Fernando Dinis, quer na ocupação dos espaços pelo corredor central) e no desarme (feito sempre com eficácia e sem falta), Essame foi um importante ponto de equilíbrio de um meio-campo mais balanceado para as acções ofensivas durante a segunda parte. Além disso (aspecto em que foi superior se for feita uma comparação com Tiago), mostrou segurança no passe e simplicidade na distribuição de jogo. É, igualmente, um jogador pleno de garra, tendo lutado imenso. Quando o Boavista passou a jogar em 4-4-2, tentou compensar a infelicidade do seu companheiro do meio-campo (Paulo Sousa), procurando sair a jogar em algumas ocasiões.

Hugo Monteiro - parece determinado em "agarrar" um lugar na equipa e, ontem, volto a não enjeitar a oportunidade de mostrar serviço. Deu grande acutilância e velocidade ao flanco direito do ataque, conseguindo, graças ao seu poder de finta, abrir zonas de penetração e arrancar algumas faltas. Além disso, foi do seu pé direito que surgiu o passe para o golo de Linz. Nos 20 minutos finais, foi um dos poucos jogadores com ideias na equipa, assumindo-se como principal unidade criativa e mostrando-se sempre inconformado. Além disso, procurou sempre ajudou o lateral do seu flanco nas tarefas defensivas, o que lhe valeu algumas recuperações de bola. Iniciou a última jogada digna de registo no jogo, ao cruzar para cabeça de Marcos António, que, contudo, desperdiçou o centro preciso do número 23 do Boavista.

Zé Manel - depois de uma exibição bastante razoável diante do Varzim, Zé Manel regressou ao patamar exibicional (fraco) do jogo em Nelas. De facto, o flanco esquerdo perdeu agressividade e rapidez com a troca Grzelak - Zé Manel, sendo que o número 7 "axadrezado" flectiu demasiadas vezes para zonas interiores, retirando profundidade ofensiva à equipa pela ala canhota. Tentou, nas suas diagonais, abrir espaços, mas a falta de velocidade fê-lo perder sempre a bola. Podia ter feito mais quando um passe de Ricardo Sousa o isolou na grande área. Além disso, raramente auxiliou o lateral do seu lado, daí que o Celta tenha aproveitado para atacar pela sua faixa.

William - jogou cerca de meia-hora e, tal como Jehle, teve muito pouco trabalho mas cumpriu sempre que solicitado.

Cissé - ontem à tarde, jogou menos tempo do que tem sido habitual nesta pré-época, mas, como é seu hábito, mostrou segurança e inteligência em todos os seus movimentos. Os atacantes do Celta foram sempre "presa" fácil, pelo que o encontro de ontem não foi um teste muito exigente para Cissé. De qualquer forma, mostrou precisão no passe e, algo que é um característica sua, jogou sempre simples.

Bessa - ganhou mais alguns "pontos" a Marquinho na luta pela titularidade no lado direito da defesa. Apesar de ter falhado um ou dois passes, mostrou sempre maior rapidez e confiança que o seu "concorrente", o que garantiu maior eficácia defensiva e uma menor inibição em subir pelo seu flanco.

Fernando Dinis - parece ser um lateral destemido tecnicamente evoluído, uma vez que se aventurou várias vezes no ataque, tirou alguns cruzamentos de qualidade e ultrapassou, recorrendo ao drible, alguns adversários. No entanto, fruto, talvez, da sua relativa inexperiência, abre alguns espaços pelo seu flanco, que o Celta não se coibiu de explorar. Também não deixa de ser verdade que não teve o auxílio necessário por parte de Zé Manel.

Paulo Sousa - francamente mal. É certo que jogou numa situação algo ingrata (num esquema táctico que contava apenas com dois médios) e numa posição mais recuada em relação àquela em que rende mais, mas deixou-se antecipar pelos seus adversários demasiadas vezes, o que poderia ter comprometido, não fosse a capacidade de Essame de efectuar as compensações. Além disso, falhou muitos passes e mostrou poucas ideias para fazer a transição para o ataque.

Marcos António - rápido e movimentado, mostrou muita vontade e lutou imenso, causando alguns problemas à defesa do Celta. No entanto, quando ganhava a bola ou esta lhe era endossada por um companheiro de equipa, não teve a clarividência necessária para lhe dar o melhor destino, atrapalhando-se em diversas ocasiões.

Fary - esteve pouco em jogo, porém, o menor caudal ofensivo da equipa nos 20 minutos em que esteve em campo acabou por o penalizar.

O Notícias do Bessa, como não poderia deixar de acontecer, esteve presente no Estádio do Bessa Século XXI para acompanhar a festa de apresentação do Boavista 2006/2007. Seguem-se algumas fotos:

 

Homenagem à secção de Boxe do BFC, campeã nacional, pela quarta vez consecutiva, em todas as categorias.



publicado por pjmcs às 12:04
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Sábado, 5 de Agosto de 2006
O adversário de hoje

É um opositor com grande prestígio no futebol espanhol e europeu aquele que irá, hoje ao final da tarde, "apadrinhar" a apresentação da equipa sénior do Boavista aos sócios.

Fundado no dia 23 de Agosto de 1923, a partir da fusão de dois clubes viguenses então existentes, o Real Vigo Sporting (vice-campeão espanhol em 1908) e o Fortuna, o Real Club Celta de Vigo é um dos principais "embaixadores" da cidade de Vigo, uma das maiores e mais importantes cidades da Galiza. É, aliás, bem conhecida a intensa rivalidade entre o Celta e o Deportivio La Coruña, os dois maiores emblemas galegos, de tal maneira que os adeptos do Celta são apelidados de "portugueses" e os do Deportivo de "turcos". Trata-se de uma rivalidade história entre dois clubes que têm muitos pontos comuns na sua história. Ambos lutavam, até aos anos 1990, ora por escapar à despromoção à Segunda Divisão do país vizinho, ora por subir ao principal escalão do futebol espanhol. Eram dois clubes caracterizados por um "sobe-e-desce" constante. Na última década do século XX, porém, quer o Celta, quer, principalmente, o Deportivo começaram a ter ambições maiores, aproximando-se e, por vezes, superando as principais equipas espanholas, como o Real Madrid, o Barcelona, o Atlético de Madrid, o Valência e o Athletic de Bilbau. Apesar de os rivais da Corunha terem experimentado um crescimento mais acentuado, com feitos como o título espanhol (em 1999/2000) e as meias-finais da Liga dos Campeões (em 2003/2004), também o Celta se tornou, nos últimos 10/15 anos, um clube reconhecido internacionalmente. O ano de 1994, em que o Celta foi finalista vencido da Copa do Rei, é considerado pelos seus adeptos, um ponto de viragem. A partir dessa altura, o Celta passou a marcar presença assídua nas provas europeias (Taça UEFA). Equipas como a Juventus e o Benfica foram goleadas pelo Celta na Taça UEFA (a primeira por 4-0 e a segunda por 7-0) e outros clubes como o Estugarda e o Estrela Vermelha também passaram por autênticos "pesadelos" quando visitaram o Estádio Municipal de Balaídos. Em 2000/2001 (ano em que o Boavista foi campeão), o Celta atingiu os quartos-de-final da Taça UEFA. Foram, por isso, verdadeiramente dourados os anos que marcaram a transição entre os séculos XX e XXI para o Celta de Vigo. O clube viguense construiu uma equipa muito forte, onde brilhavam nomes como os dos russos Mostovoi e Karpin (dois criativos que traziam "magia" ao futebol do Celta), do espano-brasileiro Catanha (um ponta-de-lança muito oportuno), do argentino Gustavo Lopéz (com um excelente pé esquerdo) e do avançado espanhol Juan Sanchez. O ponto alto da história do emblema dos Balaídos coincidiu com o 4.º lugar na Liga Espanhola em 2002/2003, o que valeu, pela primeira vez, o apuramento para a 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O Celta, sem grandes dificuldades, garantiu, no Verão seguinte, o acesso à fase de grupos da "Champions League" e acabou por realizar uma carreira, nesta competição, bastante positiva, ao conseguir qualificar-se para a 2.ª fase, deixando pelo caminho o Ajax e o Club Brugge (ficou em segundo lugar num grupo que também contava com o AC Milan, campeão europeu em título). No entanto, não obstante a boa campanha "fora de portas", a temporada de 2003/2004 acabou por se revelar a perfeita antítese face ao ano anterior. Uma época desastrosa, em que a equipa teve três treinadores, "atirou" o Celta para a Segunda Divisão.

Na temporada seguinte, todavia, com algumas reformulações no plantel e a contratação de um novo treinador (o popular técnico galego Fernando Vázquez), o Celta, embora tendo uma época recheada de dificuldades (próprias de um campeonato tão competitivo e duro como a Segunda Divisão Espanhola), conseguiu garantir o 3.º lugar e, assim, voltar a um dos melhores campeonatos do mundo. Em 2005/2006, o ano do regresso ao principal escalão, em que, naturalmente, se esperava que a equipa do Celta, ainda em construção com vista a obter os êxitos do passado recente, lutasse, apenas, por não descer, os viguenses realizam uma temporada notável, ficando em 6.º lugar, que permite disputar a edição deste ano da Taça UEFA. Gustavo Lopéz, Everton Giovanella (jogador bem conhecido dos portugueses) e Juan Sanchez (que, em 1999/2000, se transferiu para o Valência, mas anos volvidos, está de regresso à Galiza) são alguns dos jogadores que, pese embora já não terem a "frescura" a disponibilidade física de outras épocas, foram importantes nos "anos de ouro" do Celta e fazem do actual plantel, uma equipa que conta com outros nomes que merecem destaque, como o do internacional urugaio Canobbio (um canhoto que pode fazer todas as posições da frente de ataque), do lateral-esquerdo Diego Placente (titular na equipa do Bayer Leverkusen que foi vice-campeã europeia em 2001/2002 e na selecção argentina que disputou o Mundial 2002, na Coreia do Sul e no Japão, do central chileno Pablo Contreras (antigo futebolista do Sporting), do possante avançado brasileiro Fernando Baiano e do extremo espanhol Jose Antonio Guayre (contratado, durante o último defeso ao Villarreal).

O encontro de apresentação do Boavista aos associados constitui, portanto, um teste bastante difícil e importante para o novo "Xadrez" do prof. Jesualdo Ferreira, uma vez que se trata de um adversário bastante forte.



publicado por pjmcs às 11:45
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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2006
Boavista X Celta de Vigo - A apresentação aos sócios

 

É já no sábado que tem lugar a estreia da equipa do Boavista para a época 2006/2007. Frente a um adversário de renome internacional, sexto classificado da última Liga Espanhola (e que, por isso, vai disputar a Taça UEFA), o novo BFC terá um teste bastante exigente. O Notícias do Bessa aproveita para pedir uma boa presença de boavisteiros no Estádio do Bessa Século XXI para receber o novo plantel "axadrezado", orientado pelo professor Jesualdo Ferreira.



publicado por pjmcs às 15:53
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006
Varzim 0 - Boavista 1

Equipa na primeira parte:

Equipa na segunda parte:

Substituições: Bessa por Ricardo Silva (ao intervalo), Paulo Sousa por Essame (ao intervalo), Marcos António por Fary (ao intervalo), Cissé por Leo Tambussi (aos 74 minutos)

Um golo de Ricardo Sousa, logo aos 10 minutos, através da marcação perfeita de um livre nas imediações da área do Varzim, em posição frontal, foi suficiente para garantir a 4.ª vitória, em cinco encontros disputados, do Boavista nesta pré-época.
 
Perante um adversário extremamente competitivo em cada disputa de bola, o particular de hoje à tarde permitiu a Jesualdo Ferreira verificar como é que a equipa é capaz de resolver, rapidamente, situações de jogo em espaços reduzidos. Sem elementos como Kazu, Grzelak, Roland Linz e Mário Silva (que, provavelmente, ficaram a treinar no relvado secundário do Estádio do Bessa Século XXI), o Boavista, mesmo não fazendo uma exibição entusiasmante nem tendo criado muitas oportunidades de golo, acabou por deixar alguns apontamentos positivos, principalmente no último quarto-de-hora da primeira parte. Nesse período do encontro, os “axadrezados” conseguiram momentos de circulação de bola em progressão, perto da área contrária, bastante interessantes. Além disso, o que foi um constante durante todo o encontro, mesmo quando o Varzim tinha maior tempo de posse de bola, o Boavista mostrou excelente organização e disciplina táctica no processo defensivo, nomeadamente na ocupação dos espaços a meio-campo e no bloqueio do corredor central, por parte dos dois centrais (primeiro Cissé e Hélder Rosário, depois, durante a maior parte do segundo tempo, Cissé e Ricardo Silva e, na fase final da partida, Tambussi e Ricardo Silva). Aliás, o único aspecto negativo da exibição dos “axadrezados” na vertente defensiva prendeu-se com as segundas bolas, na primeira parte, na sequência de cantos e livres a favor do Varzim, o que poderia ter resultado em problemas para Khadim, não fosse a péssima pontaria dos avançados da formação anfitriã.
 
Na etapa complementar do encontro, não obstante a subida acentuada de rendimento dos dois extremos (Zé Manel e Hugo Monteiro) e a entrada de Essame para a posição mais recuada do meio-campo (o que trouxe, em comparação com o que Paulo Sousa produziu, maior capacidade e rigor nas compensações defensivas), a qualidade do encontro baixou bastante, muito provavelmente devido ao facto de Ricardo Sousa, após o intervalo, e o próprio Lucas se terem mostrado menos empreendedores. No entanto, na fase final da partida, o Boavista deu sinais de querer animar, de alguma forma, o jogo, tendo chegado, inclusive, a introduzir o esférico na baliza varzinista (por intermédio de Essame, numa boa entrada a responder a um passe de Zé Manel), mas o golo foi anulado por fora-de-jogo.
 
Em jeito de conclusão, fazendo um paralelismo com o último encontro que o Notícias do Bessa acompanhou in loco (em Nelas), o Boavista apresentou-se muito mais organizado no 4-3-3 (que, em algumas situações ofensivas, se desdobrava num 3-2-4-1, com Fernando Dinis a subir pela esquerda e Zé Manel a flectir para zonas interiores; o lateral-direito – primeiro Bessa e depois Hélder Rosário – “encostava” ao defesa-central do seu lado e o “vértice” mais recuado do meio-campo compensava a subida de Fernando Dinis) eleito pelo professor Jesualdo e mostrou maior entrosamento, o que permitiu algumas jogadas de envolvimento. Falta ainda, todavia, uma maior objectividade e capacidade para “romper” no último terço do terreno. Zé Manel e Hugo Monteiro conseguiram, sobretudo a partir da meia-hora de encontro, abrir zonas de penetração pelas faixas, mas os cruzamentos e os remates que efectuaram acabaram por não causar grandes situações de perigo para a baliza poveira. De qualquer forma, a evolução da equipa, quando ainda faltam mais de três semanas para o primeiro encontro oficial (em Alvalade), é, inegavelmente, assinalável.
 
Segue-se a análise individual aos quinze futebolistas do BFC que pisaram o relvado de um Estádio do Varzim Sport Club que registou uma afluência muito razoável de boavisteiros:
 
Khadim – apesar da grande vontade evidenciada pelos jogadores do Varzim, a verdade é que a equipa da casa não deu grande trabalho a Khadim. Blocou, sempre, com enorme segurança, os remates que alvejavam a baliza do Boavista. Nos cantos (o seu principal problema), hesitou, algumas vezes, entre sair e permanecer entre os postes e, nas ocasiões em que optava por sair ao cruzamento, nem sempre socou a bola de forma eficiente. No entanto, estes pormenores acabaram por não resultar em ocasiões de golo, visto que, na maior parte das situações, o quarteto defensivo aliviava eficazmente o esférico ou os jogadores do Varzim não conseguiam rematar nas melhores condições.
 
Bessa – esteve intransponível a defender, auxiliando, também, Hélder Rosário em situações mais complicadas. Não foi tão ofensivo e afoito como é seu timbre (daí que, por vezes, Hugo Monteiro estivesse algo desacompanhado – apenas tinha o apoio de Lucas – e sem linhas de passe), mas esse facto não é suficiente para que os 45 minutos em que esteve em campo deixem de ser considerados positivos.
 
Hélder Rosário – cumpriu. É a palavra que melhor define a exibição de Hélder Rosário. Jogou como defesa-central na primeira parte e como defesa-direito na segunda e, em ambas as posições, evidenciou sempre rigor posicional e mostrou-se mais forte que os seus adversários nos duelos de um-para-um. A única “pecha” na sua actuação foi, tal como aconteceu com Bessa, não ter incorporado as iniciativas ofensivas com subidas pelo seu flanco.
 
Cissé – um verdadeiro “relógio suíço”. Kalifa Cissé assume-se, cada vez mais, como um dos esteios deste Boavista versão 2005/2006. Não falhou quaisquer passes e intercepções e esteve, como sempre, irrepreensível no jogo aéreo. Flectindo para a esquerda quando tinha a bola em sua posse procurou encontrar linhas de passe que permitissem lançar, com qualidade, as iniciativas atacantes do Xadrez.
 
Fernando Dinis – uma exibição muito positiva do lateral-esquerdo oriundo do Olivais e Moscavide. Relativamente ao encontro de Nelas, Fernando Dinis esteve muito melhor ao nível posicional, ocupando bem o seu espaço na estrutura defensiva da equipa do Boavista. Apesar de alguns cruzamentos efectuados pelo Varzim terem sido a partir do seu flanco, a verdade é que foram sempre executados longe da linha final. No aspecto ofensivo, mostrou-se sempre mais arrojado que Bessa e Hélder Rosário, conseguindo abrir espaços com as suas subidas pelo flanco esquerdo, graças ao seu bom controlo de bola.
 
Paulo Sousa – começou mal a partida, denotando demasiadas hesitações e falhando alguns passes. Contudo, com o avançar do encontro, acabou por subir de rendimento, destacando-se, sobretudo, nas boas viariações de flanco que conseguiu efectuar. Aliás, a construção do jogo ofensivo do BFC iniciava-se, durante a primeira parte, na maior parte das ocasiões, no seu pé direito. Pela negativa, de referir que ainda tem que melhorar no aspecto táctico para poder actuar como “vértice” mais recuado do meio-campo. Com efeito, raramente “tapou” os caminhos para baliza de Khadim nas segundas bolas.
 
Lucas – ainda não está na sua melhor forma, mas, tendo actuado durante a totalidade do encontro, deixou alguns apontamentos positivos. Neste novo Boavista, Lucas joga mais adiantado no terreno (com menores responsabilidades defensivas e maior liberdade para se incorporar nas acções ofensivas) e descaído para a direita, tendo sido um importante apoio (principalmente na primeira metade do desafio) para Hugo Monteiro e fechando o flanco direito sempre que o Varzim recuperava a bola e partia para o contra-ataque. Participou em algumas das jogadas de envolvimento efectuadas na primeira parte. Baixou de rendimento na segunda parte (o que se reflectiu numa menor capacidade da equipa em conduzir o jogo para o ataque) e, como principal aspecto negativo, há a referir o facto de ainda ser apresentar algo lento.
 
Ricardo Sousa – apontou, num livre perfeito em que enviou a bola para o canto superior direito da baliza varzinista (sem quaisquer hipóteses para o guarda-redes), o único tento do encontro, mostrando que continua a ser um jogador com índices elevadíssimos de eficácia nas bolas paradas. Com Jesualdo como treinador, Ricardo Sousa está, de facto, um jogador diferente, participando mais no jogo e lutando pela recuperação de bola. Aliás, a meio da primeira parte, efectuou um corte muito importante ao extremo-direito do Varzim, impedindo que este pudesse cruzar com perigo. Na segunda parte, porém, acabou por se “apagar”, “desaparecendo” do jogo, fruto, talvez, de uma alguma fadiga.
 
Hugo Monteiro – esteve algo confuso nas suas acções durante a primeira parte, deixando, quando tinha a bola em sua posse, rodear-se por vários jogadores do Varzim junto da linha lateral. No entanto, principalmente após o intervalo, começou a exibir-se ao seu nível habitual, conseguindo, recorrendo à sua velocidade e poder de finta, boas diagonais que culminavam em remates direccionados à baliza adversária. Foi, aliás, o principal rematador durante o segundo tempo. Só não conseguiu criar mais problemas ao Varzim, porque foi muito “castigado” por faltas (algumas das quais não sancionadas pelo árbitro da partida). Um candidato sério a um lugar na equipa titular.
 
Zé Manel – começou bastante mal a partida, fazendo lembrar o jogo de Nelas: muita lentidão e incapacidade para ganhar os duelos individuais no seu flanco. Todavia, com o decorrer da partida, acabou por subir de produção, aproximando-se do Zé Manel de há duas temporadas com algumas iniciativas pela faixa esquerda, tirando cruzamentos para a grande área. No segundo tempo, foi um jogador, essencialmente, preocupado em fazer diagonais de apoio ao ponta-de-lança Fary, tendo, inclusive, saído do seu pé direito o passe para Essame, que marcou um golo que, contudo, foi anulado.
 
Marcos António – jogando entre os centrais do Varzim (apesar de, em algumas ocasiões, descair para a esquerda de modo a permitir a penetração de colegas vindos de trás, como Ricardo Sousa e Zé Manel), Marcos António lutou muito, mas acabou por não mostrar a clarividência necessária a um ponta-de-lança. É certo que, por vezes, o caudal ofensivo do Boavista foi demasiado escasso para o municiar, mas não deixa de ser verdade que foi “presa” fácil para os dois defesas-centrais da turma da casa.
 
Ricardo Silva – depois de ter, em certa medida, revelado uma insegurança invulgar no jogo em Nelas, Ricardo Silva evidenciou a capacidade de liderança e a autoridade que o caracterizam no centro da defesa. Não teve muito trabalho, mas, sempre que foi chamado a intervir, fê-lo com classe, mostrando-se intransponível no jogo aéreo e certeiro no passe.
 
Essame – a par de Hugo Monteiro, o melhor em campo na segunda metade do encontro. Pela sua segunda vez desde que representa o Boavista, foi colocado a jogar como médio mais recuado e, tal como na primeira ocasião em actuou com essas funções (em Alvalade), mostrou qualidade. Recuperou imensas bolas no corredor central, distribuiu jogo, recorrendo a passes curtos, com simplicidade e sem hesitações, e esteve perfeito tacticamente, ao fazer as compensações defensivas (sobretudo a Fernando Dinis) com grande eficácia. Saiu a jogar em algumas ocasiões e também nesse aspecto revelou segurança. Mostrou que, possivelmente, a posição em que rende mais é no “vértice” recuado do meio-campo.
 
Fary – o reduzido caudal ofensivo da equipa na segunda metade do encontro acabou por fazer com que Fary tivesse uma tarde muito apagada. Apesar disso, fica como aspecto positivo o facto de não ter errado passes, conseguindo, a meio da segunda parte, uma boa abertura para a ala esquerda, a solicitar Fernando Dinis. No entanto, esse foi o único momento de destaque do senegalês nos 45 minutos que disputou.
 
Leo Tambussi – esteve pouco tempo em campo e raramente teve oportunidade para mostrar serviço, já que, tendo jogado descaído para a esquerda, o Varzim, na fase final da partida, atacou, sobretudo, pelo flanco direito do Boavista. Porém, deu para observar que está menos pesado e, consequência disso, menos “preso” de movimentos. Além disso, continua a evidenciar grande acerto em termos posicionais e nos poucos desarmes que teve para fazer.
 
 
O próximo compromisso do Boavista é já no sábado, no Estádio do Bessa Século XXI, frente ao Celta de Vigo, no jogo de apresentação dos “axadrezados” aos associados do BFC. O encontro tem início marcado para as 18 horas, no entanto, antes de este começar, haverá, provavelmente, uma curta cerimónia de apresentação, um a um, dos jogadores que representação o nosso clube em 2006/2007. O Notícias do Bessa aproveita para apelar a uma boa presença de boavisteiros no primeiro encontro em casa de um novo Boavista voltado para o regresso aos grandes palcos europeus.


publicado por pjmcs às 22:54
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