Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005
Boavista 2 - Sporting 2: GRANDE PERSONALIDADE E FUTEBOL-ESPECTÁCULO DOS "AXADREZADOS" MERECIAM MAIS.

Boavista – William Andem; Rui Duarte (William Souza, aos 32min), Hélder Rosário, Cadú e Areias; Tiago e Lucas; Manuel José (Diogo Valente, aos 73min), João Pinto e Guga (Zé Manel, ao intervalo); Fary


Treinador: Carlos Brito


Sporting  – Ricardo; Rogério, Miguel Garcia, Beto e André Marques (Tello, aos 54min); Custódio, Sá Pinto (João Alves, aos 69min), João Moutinho e Nani; Douala (Pinilla, aos 81min) e Liedson


Treinador: Paulo Bento


ANÁLISE GLOBAL


            Sem qualquer exagero, o Boavista terá feito, ontem à noite, provavelmente, a melhor exibição dos últimos anos. Mostrou garra, chegou a deslumbrar com algumas triangulações de grande qualidade, teve sempre um volume ofensivo bastante acentuado pelas faixas (principalmente pela direita, embora, na segunda parte, com a entrada de Zé Manel, as iniciativas de ataque do BFC tenham começado a passar mais pelo flanco esquerdo). O grande problema residiu em alguma ingenuidade defensiva no primeiro tempo, que ditou dois golos completamente contra a corrente do jogo. No entanto, o Boavista reagiu e, com uma etapa complementar excelente (sobretudo nos 20-25 minutos iniciais, em que, pode afirmar-se, foi como que um "rolo compressor"), recuperou dos dois tentos de desvantagem e, inclusive, justificou algo que um ponto ganho ou, melhor dizendo, que os dois pontos perdidos. Apesar de este empate com o Sporting, atendendo ao facto de se tratar de um crónico candidato ao título, não ser, propriamente, um resultado negativo, a verdade é que ficou a clara ideia de que os "axadrezados" mereciam mais. Muito mais. Carlos Brito teve (muita) ambição, arriscou imediatamente na primeira parte (soube responder aos dois golos "verde-e-brancos", lançando William Souza para o lugar de Rui Duarte, passando o BFC a actuar em 4-2-4, desdobrável em 3-2-3-2 nas iniciativas ofensivas, com as subidas de Manuel José) e quando a partida já estava empatada as duas bolas (com a substituição Manuel José por Diogo Valente, o Boavista passou a jogar num arrojado 3-4-3), mostrando que só a vitória lhe interessava.


TÁCTICAS E "ONZES"


            Contrariamente ao que o Notícias do Bessa revelara no seu "pré-match", no sábado, Carlos Brito acabou por introduzir alterações algo surpreendentes na equipa. Carlos rendeu William Andem na baliza, Guga foi o extremo-esquerdo (quando Diogo Valente e Zé Manel se afiguravam como hipóteses mais prováveis). Mas o 4-2-3-1 mantinha-se, com os princípios de jogo baseados na circulação de bola, aproveitando, também, as alas. Lucas era, na mesma, o distribuidor de jogo (por falar em Lucas, o meio-campo do BFC não apostou em marcações individuais: Tiago ocupava zonas mais centrais, descaindo ligeiramente para a direita, enquanto que Lucas jogava mais perto da linha lateral, na esquerda) e JVP podia jogar solto. Quanto ao Sporting, Paulo Bento apostou num 4-3-3 permutável num 4-4-2, dependendo das movimentações de Nani. Todavia, com o desenrolar do encontro, face à pressão "axadrezada", este jogador sportinguista acabou por ser mais médio do que extremo. Douala, por sua vez, surgia no apoio a Liedson, numa frente de ataque móvel que visava "confundir" a defensiva boavisteira.


INÍCIO DA PARTIDA, O BOAVISTA ENTRA MELHOR... ASSUMINDO O DOMÍNIO DO ENCONTRO


            Mal o encontro teve o seu início, o Boavista assumiu uma postura ofensiva, ambiciosa, encarando o Sporting como qualquer outro dos adversários que, esta época, já passaram pelo Estádio do Bessa Século XXI (que, ontem, registou uma "casa" muito boa). João Pinto era como que o "joker" da equipa do BFC, contribuindo, com jogadas ao primeiro toque e passes mais longos, para abrir o jogo nas faixas. Manuel José procurava fazer diagonais curtas, deixando espaço para as subidas de Rui Duarte. Na esquerda, Guga flectia para o centro, jogando, juntamente com JVP, nas "costas" de um lutador Fary. Tal posicionamento do brasileiro tinha vantagens e desvantagens: por um lado, trazia maior segurança à circulação de bola e permitia algumas combinações que abriam espaços na defensiva sportinguista; por outro lado, obrigava Lucas a um trabalho adicional e Areias ficava mais exposto às tentativa de Nani, Douala ou mesmo Liedson em romperem por aquele flanco, além de retirar profundidade ofensiva à ala canhota. Já no Sporting, apenas Liedson (sempre irrequieto, sendo um jogador claramente incómodo) e Nani (criou algumas dificuldades aos dois laterais) tentavam inverter o domínio boavisteiro. Sá Pinto, apesar de muito aguerrido, mostrava pouca arte e criatividade quando tinha a bola nos pés, João Moutinho não conseguiu fazer face à superioridade "axadrezada" no meio-campo, Custódio sentia imensas dificuldades para travar João Pinto. Talvez por isso, o Sporting, na fase inicial do encontro, foi uma equipa faltosa (JVP foi o jogador mais "visado").


            Entretanto, surgiam as primeiras oportunidades de golo. O Boavista materializava o seu domínio, perto dos 20 minutos: João Pinto combina com Fary, conseguindo, junto à linha final, sem deixar cair a bola, centrar; o avançado senegalês, com um bom gesto técnico, remata de pé direito, obrigando Ricardo a uma defesa por instinto. Praticamente a seguir, Rui Duarte, desmarcado por Manuel José, cruza com “conta, peso e medida” para o coração da grande área, onde apareceu novamente Fary, a cabecear ligeiramente ao lado. Foram dois lances que fizeram alguns adeptos do Boavista gritar golo.


DOIS ATAQUES “VERDE-E-BRANCOS”… 0-2 E ALGUNS MINUTOS DE DESORIENTAÇÃO


            Na resposta ao caudal ofensivo “axadrezado”, o Sporting inaugura o marcador, num lance em que o último reduto do BFC denotou alguma ingenuidade e passividade. Nani recupera a bola centro do terreno e Tiago, ao invés de se manter na sua posição, como médio mais recuado, tenta adiantar-se e fazer o desarme, mas acaba por escorregar. O número 18 sportinguista continua, sem grande oposição, com o esférico na sua posse, uma vez que a compensação a Tiago é mal feita por Guga e Rui Duarte, e efectua o remate, de fora da grande área, com a bola a bater na perna direita de Hélder Rosário e a “trair” Carlos. Minutos depois, sem ter tempo para esboçar uma reacção, o Boavista sofre o segundo tento, na sequência de um canto que não existiu. O remate de Douala embate nas redes laterais da baliza de Carlos, sem este, no entanto, ter tocado na bola. André Marques marca o canto ao segundo poste, em direcção a Beto. Este parece fazer falta sobre Cadú (apoia-se de forma irregular no central boavisteiro). No entanto, mesmo tendo em conta a infracção do defesa “leonino”, Cadú e Carlos não ficam isentos de culpas no lance, pois ambos permitiram que Liedson se isolasse perto da linha de golo para ampliar a vantagem do Sporting. O facto de, uma vez mais, não estar ninguém a “cobrir” no segundo poste também contribuiu para as facilidades de que os jogadores do Sporting sentiram nesse lance. E assim, de repente, o Boavista via-se a perder por dois tentos de diferença, sem o opositor ter feito muito para justificar, sequer, estar na liderança do marcador. Os cerca de 10 minutos subsequentes foram os únicos em que a turma lisboeta logrou controlar as operações do encontro, sem, no entanto, o seu futebol apresentar grande profundidade. O Boavista desorientava-se tacticamente, deixando de ocupar, de forma equilibrada, os espaços, permitindo, por isso, ao Sporting trocar a bola em zonas do terreno, diria, “confortáveis” para os “verde-e-brancos”.


CARLOS BRITO FAZ A PRIMEIRA ALTERAÇÃO, A EQUIPA VOLTA A ANIMAR-SE


            Foi pouco depois da meia-hora de jogo que Carlos Brito, após ter estado a reflectir, no “banco”, durante alguns instantes, decidiu enviar à equipa a mensagem de que continuava a acreditar, arriscando para inverter o rumo dos acontecimentos. Saía o lateral-direito, Rui Duarte, sendo rendido por um ponta-de-lança, William Souza. Em termos tácticos, o BFC passava para 4-2-4, com Manuel José como falso lateral-direito, dispondo de liberdade para subir, e João Pinto a revezar-se entre o posto de extremo-direito e a função de “playmaker”. Esta substituição teve o condão de fazer “acordar” a equipa do Boavista. Os “axadrezados” voltavam a assumir o comando da partida, o domínio da posse de bola. Aos 35min, Manuel José cruza, na execução de um livre na direita do ataque, para Cadú, que cabeceia ligeiramente ao lado. O intervalo chegava, com um claro sabor a injustiça. O 0-2 “mentia” acerca daquilo que tinha sido o desenrolar da partida no primeiro tempo. Quase a fechar, Manuel José, com um cruzamento largo, acaba por surpreender Ricardo, fazendo o esférico embater na barra.


CARLOS BRITO LANÇA ZÉ MANEL AO INTERVALO E BOAVISTA ENTRA A MARCAR


            Ao intervalo, Carlos Brito decide operar a segunda alteração na equipa, trocando Guga por Zé Manel. Esta mudança resultava numa maior acutilância da ala esquerda e, consequentemente, numa maior capacidade do Boavista nas variações de flanco sem perda de objectividade, almejando a baliza adversária.


            E, logo a abrir a etapa complementar, o BFC reduziu para 1-2. Zé Manel, na primeira vez que toca no esférico, cruza para João Pinto, que, num excelente golpe de cabeça (num gesto muito característico do internacional português), antecipando-se a Miguel Garcia, remata sem hipóteses para Ricardo. O público afecto ao Boavista, naturalmente, entusiasmava-se e os “axadrezados” pressionavam cada vez mais. O empate parecia uma questão de minutos, tal era o volume ofensivo do BFC. Manuel José era, cada vez mais, um extremo-direito (Hélder Rosário fechava o lado direito da defesa), ultrapassando, com aparente facilidade, André Marques, primeiro, e Tello, após os 54min (além de ser mais um transportador de jogo, complementando o trabalho que Tiago, Lucas e o próprio JVP faziam), Zé Manel criava dificuldades a Rogério, Lucas e Tiago jogavam mais adiantados, na distribuição/organização de jogo (e, se a qualidade no passe longo/curto evidenciada por Lucas não é uma novidade, o auxílio dado por Tiago, denotando melhor visão de jogo do que em encontros anteriores, acabou por constituir uma agradável surpresa), e João Pinto conseguia abrir espaços com a sua qualidade no controlo de bola e com as combinações que fazia com os companheiros. Quanto ao Sporting, a formação de Lisboa praticamente não explorava o contra-ataque, permitindo ao Boavista jogar com apenas 3 defesas, face ao posicionamento de Manuel José.


O JÁ ESPERADO GOLO DO EMPATE EM NADA ALTERA A POSTURA “AXADREZADA”


            Foi com naturalidade, face à pressão cada vez mais intensa do Boavista, que o golo do empate surgiu. Zé Manel, com um grande trabalho na esquerda, passando, em simultâneo (com alguma sorte, é certo), por Rogério e Nani, efectua um remate em jeito, obrigando Ricardo a estirar-se para defender. A bola, no entanto, sobra para William Souza, que, de cabeça, atira para a baliza deserta. Era a “explosão” de alegria no Estádio do Bessa Século XXI. Aos 57min, a “Pantera” recuperava dos dois tentos de diferença, repondo alguma (não totalmente) justiça no marcador.


            Quando se esperava que o BFC, já com um resultado mais agradável, abrandasse em termos ofensivos, jogando um pouco mais na expectativa, e que o Sporting reagisse, tentando equilibrar a “batalha” do sector intermédio, a toada do encontro continuou cada vez mais… na mesma. O Boavista mantinha a pressão extremamente alta, obrigando os “leões” a apostarem num estilo de jogo directo, procurando bombear bolas na tentativa de que alguma distracção defensiva dos “axadrezados” pudesse ser aproveitada por Liedson. Aos 61min, canto para o Boavista e William Souza cabeceia para defesa apertada de Ricardo sobre a linha. O BFC continuava a carrilar o seu futebol por ambos os flancos, Fary lutava imenso e João Pinto espalhava a sua arte pelo relvado. Só a segurança evidenciada por Ricardo aos cruzamentos evitou que o Sporting vivesse momentos de verdadeira aflição.


PAULO BENTO TENTA DAR NOVA DINÂMICA AO MEIO-CAMPO, CARLOS BRITO RESPONDE


            Aos 69min, o novo treinador sportinguista realizou a segunda alteração: João Alves rendia um desinspirado Sá Pinto. Com esta substituição, Paulo Bento tentava incutir mais garra e ambição ao seu meio-campo. Mas, se é verdade que o Sporting melhorou, tal subida de rendimento foi muito, mas muito ligeira. João Alves mostrou vontade, é certo, porém, o domínio do “miolo”, e, por conseguinte, da partida, permanecia “axadrezado”.


            Aliás, Carlos Brito respondeu praticamente de seguida, novamente mostrando insatisfação com a igualdade no encontro (algo que foi bem patente quando, cerca dos 65min, o treinador do BFC, pontapeou a bola, após esta sair pela linha lateral, denotando visível irritação pelo facto de os cruzamentos efectuados pelos jogadores “axadrezados” das alas não apresentarem a direcção e a precisão desejadas, de modo a que William Souza ou Fary pudessem almejar a baliza), trocou Manuel José (aparentemente “tocado”), um dos melhores em campo, por Diogo Valente. Como foi referido na ANÁLISE GLOBAL, o 3-4-3 era o sistema explanado no relvado, com o treinador do Boavista a solicitar a Zé Manel e a Diogo Valente, principalmente ao primeiro (uma vez que Areias, na esquerda, desdobrava-se entre lateral e central, marcando Liedson), que fechassem os respectivos flancos. O número 7 do BFC, agora na direita, procurava, agora, apostar em remates de fora da grande área, tentando surpreender Ricardo. E, na fase final do encontro, o ex-pacense esteve muitíssimo perto do 3-2. Outros dois lances merecem destaque, em ambos com Diogo Valente como principal interveniente. No primeiro, JVP desmarca o jovem esquerdino, que, na grande área, acaba por escolher a pior opção: decidiu ir à linha para cruzar, quando deveria ter feito a diagonal para tentar o remate diante de Ricardo. Na segunda, o número 11 do Boavista, novamente com espaço na esquerda, tendo a possibilidade de isolar Fary, perde demasiado tempo, culminando a jogada num passe com o seu pior pé (o direito), que Beto consegue interceptar. Em algumas ocasiões, já com o encontro próximo do seu final, William Souza e Fary, nos últimos esforços, procuraram, em velocidade, surpreender os centrais sportinguistas, mas Ricardo levou sempre a melhor. Quanto ao Sporting, já com Pinilla em campo (que entrou para o lugar de Douala, numa substituição que acentuou a intenção de a turma “verde-e-branca” basear o seu futebol em lançamentos longos), apenas na sequência de livres apontados por Tello, que resultavam em cruzamentos para a grande área, conseguia transportar o jogo para o último reduto “axadrezado”, sem, contudo, grande perigo. Até ao final do encontro, apesar do “forcing” final do Boavista, fortemente apoiado pelo seu público, a partida terminou sem mais lances de grande destaque.


COMENTÁRIO FINAL


            Antes de mais, a partida de ontem foi, sem dúvida alguma, um grande espectáculo de futebol, um dos melhores em Portugal, antevo-me a dizê-lo, nos últimos anos. O Boavista revelou garra, ambição, mística, até. A forma como a equipa, perante um adversário categorizado, impôs o seu futebol, recheado por momentos de grande qualidade em termos técnicos, deixou, certamente, todos os boavisteiros orgulhosos. O único “senão” foi a intranquilidade defensiva denotada nos dois ataques que culminaram nos tentos sportinguistas, sobretudo no segundo golo, em que, não obstante a falta de Beto (foi, pelo menos, a sensação que foi dada no estádio) sobre tudo, o sector mais recuado do BFC voltou a falhar nas marcações e no posicionamento, guarda-redes incluído. Todavia, Carlos, na segunda parte, nas (raras) ocasiões em que foi colocado à prova, com cruzamentos para sua grande área, respondeu com segurança. João Pinto (que fez questão de, após o final do encontro, “convocar” os seus colegas para agradecerem aos adeptos do BFC que se deslocaram, ontem, ao Bessa), Manuel José (um futebolista que dá gosto ver actuar), Lucas (com novas funções esta temporada, o que se reflecte num melhor rendimento, principalmente quando tem a bola nos pés). Zé Manel (entrou muito bem, voltando a ser aquele jogador rápido e rompedor) e Fary (pelo muito que batalhou) merecem elogios em especial. Areias sentiu algumas dificuldades na primeira parte (sobretudo quando Nani ou Liedson descaiam para a sua ala), mas melhorou no segundo tempo, auxiliando Zé Manel e, depois, Diogo Valente em algumas situações, Cadú esteve forte no jogo aéreo e foi prático quando não podia complicar, Hélder Rosário, embora falhando, por vezes, no tempo de salto para a disputa do esférico pelo ar, esteve imperial nas dobras na etapa complementar (o que permitiu a Manuel José ser um lateral extremamente ofensivo) e Tiago, não obstante algumas precipitações ao fazer o “tackle” quando se impunha que temporizasse, mostrou, como já foi dito, maior qualidade e segurança no passe. Em suma, o Boavista foi uma equipa realmente forte, brindando os seus adeptos com futebol-espectáculo e de ataque. Se as falhas defensivas forem corrigidas, esta equipa pode, com esta qualidade de jogo, dar grandes alegrias a todos os boavisteiros. Mérito, também, para Carlos Brito, que fez regressar o bom futebol ao Bessa, após algumas épocas de “ausência”. VIVA O BOAVISTA!!!



publicado por pjmcs às 23:30
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Sábado, 29 de Outubro de 2005
Boavista X Sporting: Antevisão

Estadio_de_Bessa.jpg 


O Estádio do Bessa Século XXI deverá registar, amanhã à noite, a sua melhor assistência até agora nesta época, no primeiro clássico que o BFC 2005/2006 vai disputar. Frente-a-frente estão duas equipas que apostam em princípios de jogo similares, o futebol apoiado, com, por vezes, algumas triangulações.


Para duelo frente ao Sporting, Carlos Brito manterá o "seu" 4-2-3-1, havendo apenas uma dúvida: quem ocupará o flanco esquerdo do ataque? Diogo Valente tem sido a opção mais utilizada, mas a verdade é que o internacional sub-21 tem desiludido nas últimas partidas, pelo que Paulo Jorge, autor de dois golos  frente ao Oeiras, e Zé Manel, regressado após lesão (disputou, inclusive, cerca de 5 minutos no jogo da pretérita 4.ª feira) "espreitam" o lugar. Este último parece levar ligeira vatangem, face à sua maior experiência e capacidade de ser incisivo nas diagonais. De resto, William Andem será o guarda-redes, Rui Duarte, Hélder Rosário, Cadú e Areias formarão o quarteto defensivo, Tiago (deverá fazer a marcação a João Moutinho) e Lucas, este como distribuidor de jogo, alinharão no meio-campo, Manuel José será um extremo-direito com a responsabilidade de combinar com JVP e de abrir espaços para as subidas de Rui Duarte, João Pinto jogará no apoio a Fary.


Quanto ao Sporting, Paulo Bento deverá apostar em Miguel Garcia para fazer dupla com Beto no centro da defesa, Rogério, após paragem por lesão, deverá regressar ao lado direito do sector mais recuado, enquanto o jovem André Marques jogará no flanco oposto. Mais à frente, no meio-campo, Custódio será o médio mais recuado (prevê-se um duelo muito interessante com João Pinto), Sá Pinto e João Moutinho completarão o tridente do "miolo" verde-e-branco. No ataque, Douala na esquerda e Nani na direita serão os municiadores mais directos de Liedson. A equipa lisboeta deverá apresentar-se num 4-3-3 desdobrável em 4-4-2, podendo Nani recuar para o meio-campo e Douala jogar mais no centro.


Para vencer, o Boavista terá de ser uma equipa sólida defensivamente, sem abusar de marcações individuais (algo que aconteceu no encontro da época passada e teve resultados... catastróficos) e, no sector ofensivo, circular a bola com qualidade e conseguir abrir, ao contrário do que sucedeu em Braga, zonas de penetração pelos flancos. E, claro, esperemos que os boavisteiros que amanhã se desloquem ao Bessa apoiem os "axadrezados" em todas as fases da partida, mesmo naquelas em que o ascendente seja sportinguista. FORÇA BOAVISTA!!!



publicado por pjmcs às 22:35
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2005
Próximo Jogo

boavista_sporting.JPG


Cartaz elaborado de novo por Nuno Porto. O Notícias do Bessa, obviamente, volta a agradecer.


É já depois de amanhã que o Estádio do Bessa Século XXI recebe o primeiro "clássico" do Boavista nesta temporada. Após a primeira derrota na Liga, em Braga, e de uma vitória "normal" em Oeiras, para a Taça, os "axadrezados" vão procurar, neste teste importantíssimo, presentar os seus adeptos com um triunfo frente a um Sporting que vai tentar regressar aos bons resultados no campeonato, agora com Paulo Bento "ao leme".



publicado por pjmcs às 16:02
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2005
Amanha há Taça!

006.jpg


O Boavista estreia-se amanhã na edição 2005/2006 da Taça de Portugal, defrontando a AD Oeiras. O encontro terá lugar no campo do 1.º de Dezembro, em S. Pedro de Sintra, pelas 16 horas.


Prevê-se bastantes alterações na equipa do BFC (com alguns dos jogadores menos utilizados a poderem ser titulares), começando pelo guarda-redes (William Andem ficou de fora dos convocados). Não obstante o claro favoritismo na eliminatória, o Boavista não pode facilitar, mesmo tratando-se de um adversário que milita na 3.ª Divisão, de modo a evitar surpresas...



publicado por pjmcs às 22:21
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005
Braga X Boavista - Antevisão

bragabfc.jpg


Equipas prováveis:


Braga - Paulo Santos; Abel, Nunes, Nem e Jorge Luiz; Andrès Madrid, Jaime Jr. e Vandinho; Luís Filipe, João Tomás e Davide


Treinador: Prof. Jesualdo Ferreira


Boavista - William Andem; Rui Duarte, Hélder Rosário, Cadú e Areias; Lucas e Tiago; Manuel José, João Pinto e Paulo Jorge; Fary


Treinador: Carlos Brito


O Boavista tem, amanhã, o primeiro grande teste desta época, ao deslocar-se ao terreno do actual líder da Liga, o Braga. Num duelo táctico que se prevê muito interessante, ambos os técnicos deverão manter-se fiéis aos seus esquemas predilectos.


Assim sendo, os "axadrezados", em princípio, apresentarão o habitual 4-2-3-1, se bem que Tiago (ou Cissé, caso o 66 não esteja em boas condições físicas no apronto matinal de amanhã; Tiago é uma das dúvidas boavisteiras para o embate no Minho) possa jogar mais recuado, face ao enquandramento próprio deste encontro, bem como devido à marcação individual ao provável organizador de jogo bracarense, Jaime. Além da questão da disponibilidade física de Tiago, outra das incertezas no "onze" do BFC reside na faixa esquerda do ataque: Diogo Valente tem sido titular, mas a fraca actuação do canhoto diante do Gil Vicente pode abrir uma "vaga" na equipa para Paulo Jorge ou Guga, ambos jogadores lançados por Carlos Brito durante o último jogo e que entraram bem na partida (particularmente o primeiro). De resto, não se prevêm mais novidades no Boavista.


Quanto ao Braga, Jesualdo Ferreira apostará, como sempre, num 4-3-3 com um "vértice" mais recuado no meio-campo, Madrid. Davide procurará suprir a ausência de Rossato no flanco esquerdo, enquanto que Jaime Jr. assumirá o papel de "playmaker" (regressando à posição em que, no Rio Ave (sob as ordens de... Carlos Brito), o brasileiro despertou o interesse dos bracarenses; na época passada, Jaime foi sobretudo um extremo-direito) face à lesão de Hugo Leal. Outra alteração poderá ocorrer no centro do ataque, pois João Tomás regressou aos convocados, embora Maxi Bevacaqua possa manter a titularidade.


Perante um adversário que tem na sua organização das linhas defensiva e média e a grande eficácia no aproveitamento das oportunidades de golo criadas os "condimentos" que lhe permitiram fazer duas temporadas muito positivas e ocupar a liderança, ao fim da 7.ª jornada, deste campeonato, o Boavista não pode vacilar no seu sector defensivo (as falhas de marcação que foram gritantes em encontros anteriores não se podem repetir) e tem de manter, em todas as fases da partida, mesmo naquelas em que o Braga apresente maior ascendente, a sua consistência no meio-campo. Além disso, o BFC não pode ter receio de tentar impor o seu futebol, não deve apresentar-se retraído em campo (deve procurar fazer fora de casa aquilo que apenas tem conseguido realizar em casa) e, outro aspecto muito importante, tem de ser uma equipa forte e rápidas nas transições defesa-ataque (para evitar que o Braga consiga fechar os espaços e, até, ser uma formação que realize uma pressão alta) e ataque-defesa (de modo a não se deixar surpreender pelos contra-ataques dos minhotos, na medida em que o Braga é uma equipa muito inteligente e "matreira"). Recorde-se que, no encontro da época passada, os "axadrezados" sofreram uma derrota muito pesada (3-0), numa partida em que as "infantilidades" defensivas foram uma das principais (quiçá a principal) causas do resultado altamente penalizador com que o BFC foi "castigado" na última deslocação à "Cidade dos Arcebispos". E, claro, em termos ofensivos, o Boavista deve procurar evidenciar a mesma qualidade na circulação de bola que mostrou, por exemplo, na primeira parte da recepção ao Gil Vicente. Se lograr tal intento poderá muito bem almejar os três pontos... FORÇA BOAVISTA!!!



 



publicado por pjmcs às 23:00
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Boavista 2 - Gil Vicente 0: VITÓRIA JUSTA NUM JOGO DE CONTRASTES: PRIMEIRA PARTE EXCELENTE, SEGUNDA SOFRÍVEL

Boavista – William Andem; Rui Duarte (Guga, aos 69min), Hélder Rosário, Cadú e Areias; Tiago e Lucas; Manuel José, João Pinto e Diogo Valente (Paulo Jorge, aos 53min); Fary (William Souza, aos 78min)


Treinador: Carlos Brito


Gil Vicente  – Jorge Baptista; Paulo Arantes, Gregory, Rovérsio e João Pedro (Gouveia, ao intervalo); Braima (Carlos Carneiro, ao intervalo), Bruno Tiago e Luís Coentão; Rodolfo Lima, Leandro Netto (Carlitos, aos 80min) e Williams


Treinador: Ulisses Morais


O Boavista regressou às vitórias na Liga, com um triunfo caseiro sobre a sempre complicada equipa do Gil Vicente, que não perdia no Bessa desde 2001. Curiosamente, o resultado foi o mesmo dessa tarde de Maio em que os "axadrezados" deram mais um passo decisivo para o histórico título que haveriam de conquistar.


ANÁLISE


Como o título desta crónica indica, o encontro de segunda-feira à noite, num Estádio do Bessa Século XXI, atendendo ao dia e hora da partida, razoavelmente composto de público, marcou um contraste algo acentuado entre as duas metades do jogo. A primeira parte foi simplesmente excelente, com a equipa a fazer uma circulação de bola fluída, rápida, sem grandes dificuldades nas variações de flanco e triangulações (tendo como principais protagonistas João Pinto e Manuel José). O 1-0 ao intervalo pecava por escasso. Já a etapa complementar foi diferente. A entrada de Carlos Carneiro (não tanto de Gouveia) veio trazer imensas dificuldades, principalmente a Areias, que "viu" Leandro Netto, primeiro, descair para o seu flanco e, depois, Carlitos, obrigando Lucas, já que Diogo Valente estava demasiado apático, a trabalho defensivo suplementar. Mas, após cerca de 25 minutos sofríveis na segunda parte, com um (surpreendente) ascendente gilista, o Boavista, sobretudo com a entrada de Guga e o recuo de Manuel José para lateral-direito, "acordou" na fase final e conseguiu voltar a pressionar a formação barcelense, acabando por chegar ao 2-0.


UMA PRIMEIRA PARTE DE GRANDE QUALIDADE


Começando pela análise em termos tácticos, Carlos Brito apresentou o habitual 4-2-3-1, com liberdade para João Pinto (uma constante nos jogos em casa), e duas novidades: Manuel José actuava pela primeira vez no flanco direito do ataque ao serviço do BFC, em partidas oficiais, e Lucas fazia dupla com Tiago no meio-campo (jogando o ex-academista mais descaído para a esquerda), tendo-lhe sido concedido o papel de distribuidor de jogo. E a verdade é que, na primeira parte, Lucas executou esse papel com grande qualidade. Quanto ao Gil Vicente, Ulisses Morais apostava num 4-3-3 baseado num meio-campo de combate (com Braima a fazer a marcação individual a João Pinto) e três surpresas: Carlos Carneiro, Marcos António e Carlitos, figuras de "proa" deste Gil Vicente, não foram titulares (talvez como forma de castigo pela derrota por 2-0 na jornada anterior, em Coimbra).


Início encontro e, após um "susto", logo aos 3 minutos, causado por (mais uma...) desatenção defensiva na sequência de um canto, o Boavista assumiu de imediato o domínio da partida. Após Manuel José, aos 5 minutos, se ter isolado na direita, aproveitando um livre rapidamente apontado por Diogo Valente, e não ter conseguido cruzar em boas condições, os "axadrezados" adiantaram-se no marcador, três minutos depois. Rui Duarte, solicitado por um lançamento lateral cobrado por Manuel José, cruza de pé esquerdo para o interior da grande área. João Pinto, em boa posição, prepara-se para cabecear, mas é impedido de o fazer por Braima, que o agarrou. Grande penalidade clara, que Fary converte com sucesso. Apesar de ter advinhado o lado para o qual o "castigo máximo" foi apontado, Jorge Baptista, guarda-redes do Gil Vicente, foi impotente para travar o remate colocado do avançado senegalês. O Boavista inaugurava o marcador cedo, o que lhe fornecia todas as condições para uma exibição tranquila e segura. Assim foi no primeiro tempo. Os gilistas praticamente deixaram de existir em termos ofensivos. O Boavista era superior, jogava um futebol apoiado, com alguns momentos deliciosos, em pleno meio-campo adversário. Os dois laterais apresentavam-se extremamente ofensivos, o que permitia, no caso de Rui Duarte, que Manuel José pudesse fazer diagonais para perto da grande área, combinando com João Pinto (quer Manuel José, quer JVP estiveram, uma vez mais, em grande nível) e, relativamente a Areias, compensar a noite "não" de Diogo Valente. João Pinto e Fary eram os primeiros homens a fazer o "pressing" quando a equipa não tinha a bola em seu poder (uma pressão mais alta do que, por exemplo, no encontro anterior, em Vila do Conde), embora Manuel José pudesse revezar um dos dois nessa função (foram, aliás, uma constante as trocas entre os quatro jogadores do sector defensivo). Falta ainda referir uma peça fundamental na estrutura "axadrezada": Lucas. Ao contrário do que acontecia na época passada (em que jogava demasiado descaído para a direita), o 22 do BFC pôde, finalmente, jogar com funções idênticas às que desempenhava na Académica e que lhe valeram o interesse da SAD boavisteira: apresentava-se mais no "miolo", sendo encarregue de organizar e distribuir jogo, ao invés de apenas destruir. E a verdade é que Lucas mostrou classe, qualidade e precisão no passe, quer curto, quer longo. Gizou algumas aberturas e foi o elemento que mais contribuiu para as variações de flanco, permitindo transportar o jogo para zonas menos povoadas, nas quais o Boavista tinha mais jogadores. O Gil Vicente, talvez fruto de alguma deorientação pelo domínio avassalador dos "axadrezados", era uma formação demasiado dura, faltosa e acabou por ver um dos seus homens, Rodolfo Lima, ser expulso logo aos 16 minutos. Aos 12 minutos, após João Pinto ganhar posição no flanco esquerdo, junto à linha final, o avançado cedido pelo Benfica, sem qualquer preocupação em disputar o esférico, decide pontapear o 12 do BFC. O cartão amarelo exibido pelo árbitro, o sr. Elmano Santos, pareceu constituir um castigo demasiado "leve". Pouco depois, o mesmo Rodolfo Lima fez nova falta, novamente dura: Areias subia pela esquerda, conseguia romper, mas foi travado por um "tackle" pergioso do avançado gilista. O segundo amarelo impunha-se e o juiz da partida não hesitou e mostrou-o. A superioridade "axadrezada" acentuava-se. Aos 25 minutos, Manuel José faz a "tabelinha" com João Pinto, penetra na grande área e remata forte ao lado; minutos depois, o mesmo Manuel José, na sequência de um livre na esquerda, ainda relativamente longe da grande área, quando se esperava que ele tirasse um cruzamento, tenta mesmo o golo e quase surpreende Jorge Baptista, que teve de desviar para canto. Aos 35 minutos, o Boavista teve uma das ocasiões mais flagrantes do encontro: Rui Duarte, na direita, faz uma abertura para o flanco canhoto, Jorge Baptista hesita entre sair e não sair, aproveitando Manuel José para receber a bola e endossá-la a Diogo Valente; este cruza para Fary, que cabeceia, no "coração" da grande área. Quando os adeptos já se preparavam para festejar, Rovérsio consegue interceptar o esférico, pouco antes da linha de golo. Até ao intervalo a toada da partida manteve-se.


INÍCIO DA SEGUNDA PARTE E... TRANSFIGURAÇÃO PARA PIOR


À entrada para segunda metade, Ulisses Morais lançava em campo Gouveia e Carlos Carneiro, na tentativa de reequilibrar a equipa e ter mais um homem no ataque, compensando a expulsão de Rodolfo Lima, de modo a que os dois laterais do BFC não pudessem subir pelo seu flanco com tanta frequência e os dois centrais não jogassem com o mesmo "à vontade" da primeira parte. O Boavista, por sua vez, nada alterava. No entanto, os primeiros minutos da etapa complementar deixaram antever que a qualidade da actuação "axadrezada" seria menor em relação ao primeiro tempo e as dificuldades defensivas seriam maiores. Não tinham passado cinco minutos do reinício da partida e o Gil Vicente causava alguns "arrepios" no Estádio do Bessa Século XXI: Luís Coentrão conseguia ganhar espaço pela direita, centrava e Leandro Netto, livre de marcação, rematava, de primeira, para defesa por instinto de William Andem. Apesar de ter sido a única ocasião verdadeiramente flagrante do Gil Vicente na segunda metade, tal não significa que o segundo tempo do Boavista possa ser considerado, na sua maior parte, satisfatório. Fruto do alargamento da frente de ataque gilista, os dois laterais subiam muito menos, sobretudo Areias, Lucas tinha muito maiores preocupações defensivas, fechando o flanco esquerdo (tinha, pois, muito menos espaço e disponibilidade para organizar/distribuir jogo), Tiago revelava a lentidão habitual no passe. Por isso, a transição defesa-ataque do Boavista perdia eficácia e rapidez, o que permitia ao Gil Vicente adiantar as suas linhas e pressionar mais. No ataque, JVP, Manuel José e Fary tudo faziam para inverter o sentido do encontro, porém, a outra "peça" falhava: Diogo Valente denotava excessiva apatia e errava demasiados passes. A substituição do esquerdino por Paulo Jorge foi, por isso, ajustava. E a entrada do ex-Maia em campo contribuiu para uma melhoria da equipa do Boavista, embora muito ligeira, pois o extremo trouxe maior animação e acutilância ao flanco esquerdo, conseguindo romper, em algumas ocasiões. No entanto, o futebol "axadrezado" continuava a denotar uma incompreensível insegurança e precipitação.


UMA SUBSTITUIÇÃO ARROJADA QUE FEZ A EQUIPA "ACORDAR"


Numa altura em que só alguns pormenores de JVP e Manuel José e abnegação de Fary permitiam à equipa "libertar-se", Carlos Brito decide operar uma alteração à partida estranha para quem está em vantagem: sai Rui Duarte, entra Guga. Esta troca acarretou o recuo de Manuel José para o lado direito da defesa, jogando Guga mais à frente. E a verdade é que esta substituição, não obstante uma dose adicional de risco devida ao pior sentido posicional e ao menor rigor nas marcações de Manuel José (em comparação com Rui Duarte), possibilitou ao Boavista voltar a fazer a transição para o ataque em boas condições, canalizando-a pelo flanco direito. Manuel José transportava o jogo para o meio-campo contrário, valendo-se da força e da energia que conservava. Como consequência disso, o Boavista voltava a aproximar-se da grande área gilista. Pouco depois, Carlos Brito esgotava as alterações: um Fary exausto era rendido por William Souza. E o avançado brasileiro, nos antípodas do que havia feito noutros encontros, em que, igualmente, entrou para o lugar do 9 do BFC, apresentou-se com uma disposição diferente em campo. Mais batalhador, mais móvel, William Souza conseguiu abrir espaços e acabou por ser recompensado por isso. O Boavista, nesta fase, pressionava, voltava a trazer o entusiasmo aos adeptos do Boavista e, aos 83min, Paulo Jorge rompe pela esquerda, penetra na grande área e faz o passe a William Souza, que, diante de Jorge Baptista, não conseguiu, por pouco, desviar. Guga recuperou a bola, descobriu Manuel José, que efectou um cruzamento perfeito para Fary, todavia, Gregory, mais forte no jogo aéreo, fez a intercepção. Mas o BFC conseguiu mesmo chegar ao 2-0. Na sequência de um livre na esquerda, junto à linha final, Manuel José centra ao segundo poste e William Souza é agarrado por Rovérsio. Mais uma grande penalidade bem assinalada. Foi o próprio William quem marcou o "penalty" e o brasileiro (rematando, curiosamente, para o mesmo lado para o qual Fary converteu o "castigo máximo" da primeira parte) estreia-se a "facturar" nesta Liga. Estava resolvido o encontro e esperemos, já agora, que este tento seja o mote para mais por parte de William Souza. Com uma maior tranquilidade, fornecida pelo segundo golo, que era a garantia dos três pontos, o Boavista explanava o seu futebol com grande categoria, recuperando o que havia feito no primeiro tempo. "Tabelinhas" e triangulações entre jogadores como Guga, João Pinto, Paulo Jorge e Manuel José foram uma constante nos quatro minutos de "compensações" e contribuíram para a deorientação total da equipa de Barcelos. E se o segundo golo tivesse surgido mais cedo... talvez o resultado fosse mais ampliado e a segunda parte "axadrezada" mais tranquila.


NOTAS FINAIS


Se já foram elogiadas as prestações de João Pinto ("espalhou" todo o seu talento pelo relvado do Bessa), Manuel José (seja médio, extremo ou defesa, a sua abnegação é sempre a mesma e o ex-Setúbal é, sem dúvida alguma, um elemento fundamental no "Xadrez"), Fary (é um avanaçado que, além de ser oportuno, vem frequentemente atrás buscar jogo, lutando imenso) e de Lucas, na etapa inicial da partida, além de o futebol praticado pela equipa ter sido avaliado ao longo de toda esta crónica, resta elogiar a boa prestação (finalmente!) dos dois centrais, que, apesar de uma ou outra falha de marcação, mantiveram sempre a consistência do "eixo" da defesa e souberam resolver, com menor ou maior dificuldade, todos os problemas que tiveram de solucionar. Para finalizar, em suma, parece que os 16 dias de "pausa" em termos de partidas de cariz oficial foram benéficos para o Boavista, na medida em que permitiram melhorar a qualidade da circulação de bola e a estabilidade do processo defensivo, não obstante a pouca eficiência da transposição do jogo para o ataque durante a maior "fatia" da segunda parte ser um aspecto a rever para os próximos encontros da Liga (deslocação a Braga e recepção ao Sporting são duas partidas que se seguem no campeonato, constituído testes de grau de dificuldade elevadíssimo). VIVA O BOAVISTA!!!


 



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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005
Próximo Jogo

bragabfc.JPG


Cartaz novamente elaborado por Nuno Porto. O Notícias do Bessa volta, evidentemente, a agradecer esta colaboração.


Após uma importante vitória em casa sobre uma equipa normalmente bastante incómoda, o Gil Vicente, o Boavista vai a Braga defrontar o actual líder da Liga. A deslocação à cidade dos Arcebispos constituirá o maior teste, até ao momento, do BFC de Carlos Brito. Prevêm-se imensas dificuldades, mas os "axadrezados", se jogarem com personalidade e conseguirem ter a posse de bola, procurando abrir espaços e impor o seu futebol, podem almejar a vitória, que seria um tónico importantíssimo... 



publicado por pjmcs às 22:29
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005
Infesta 1 - Boavista 5
Não obstante ter sido o Infesta a inaugurar o marcador, o Boavista acabou por golear, ontem de manhã, no estádio do clube matosinhense, por 5-1. William Souza, com dois golos, Paulo Jorge, Fary e Diogo Valente foram os marcadores de "serviço".


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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005
Boavista desloca-se a Oeiras na IV Eliminatória da Taça de Portugal

oeirasXboavista.jpg Ainda não é desta que o Estádio do Bessa Século XXI volta a receber um encontro da Taça de Portugal. No entanto, o Boavista, não obstante a condição de visitante, é claramente favorito no seu jogo de estreia na edição da presente época da segunda competição mais importante do calendário nacional, uma vez que defronta a Associação Desportiva de Oeiras, que milita na 3.ª Divisão.


A formação da Grande Lisboa foi uma das surpresas da III Eliminatória da Taça, ao derrotar o Espinho, fora, por 2-1. Em termos de campeonato, o Oeiras tem, ao fim de quatro jornadas na Série F da III Divisão, 6 pontos, resultantes de uma vitória (na ronda inaugural, em casa, por 3-0, frente ao Monte Trigo) e dois empates (com o Castrense e o Estrela de Vendas Novas, ambas as partidas fora de casa, a zero e a uma bola, respectivamente, e, na última jornada, em casa, com o Amora, novamente com 1-1 como desfecho do encontro).



publicado por pjmcs às 21:01
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Domingo, 9 de Outubro de 2005
Próximo Jogo

bfcXgil.JPG


Cartaz elaborado por Nuno Porto, a quem o Notícias do Bessa novamente agradece.


O Boavista recebe, de amanhã a uma semana, o Gil Vicente, adversário que os "axadrezados" não conseguem derrotar no Bessa desde a época em que conquistaram o título nacional. Frente a uma formação que, esta temporada, surpreendeu o Benfica em pleno Estádio da Luz, o BFC terá de ser mais consistente defensivamente do que nos últimos jogos e rápida e segura na circulação de bola no meio-campo da equipa barcelense.



publicado por pjmcs às 19:42
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