Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007
Braga 0 - Boavista 0: ESPÍRITO DE SACRÍFICIO GARANTIU BOM RESULTADO NUM CAMPO DIFÍCIL
Braga - Paulo Santos; João Pereira, Anilton Júnior, Rodriguez e Carlos Fernandes; Roberto Brum, Frechaut e Vandinho (Jaílson, aos 60min); Jorginho, Linz (João Tomás, aos 78min) e Wender

Treinador: Manuel Machado

Boavista - Peter Jehle; Gilberto, Ricardo Silva, Marcelão e Mário Silva; Fleurival (Diakité, aos 61min); Rissutt e Jorge Ribeiro; Zé Kalanga, Fary (Bangoura, aos 64min) e Mateus (Pedro Moreira, aos 73min)  

Treinador: Jaime Pacheco

O Boavista conquistou, ontem, um precioso ponto na difícil deslocação ao Braga (onde nem Sporting nem Benfica passaram "incólomes" esta temporada), num encontro no qual, em termos globais, a iniciativa do jogo pertenceu à formação da casa, mas apenas nos dez minutos finais a turma minhota (que vinha de uma série de 2 vitórias consecutivas para o campeonato e 4 jogos sem perder) conseguiu pressionar verdadeiramente o Boavista e criar ocasiões flagrantes de golo.

Com o 4-3-3 habitual, mantendo a adaptação de Rissutt a médio-interior direito (utilizada, com sucesso, frente à Naval) e apenas uma alteração face à jornada anterior (Mateus em vez de Grzelak no lado esquerdo do ataque - perdia-se em capacidade de retenção da bola o que se ganhava em eficácia no contra-ataque), Jaime Pacheco viu o Boavista a entrar "mandão", com muita personalidade, nos 15/20 minutos iniciais do encontro, perante a surpresa dos cerca de 10 mil adeptos bracarenses (apenas se faziam ouvir os cerca de 300 boavisteiros). Zé Kalanga e Mateus faziam verdadeiramente o que queriam dos dois laterais (que, muitas vezes, juntamente com o central Rodriguez, tiveram que recorrer a faltas duras para travar os dois extremos angolanos, sem que, no entanto, o árbitro decidisse penalizar essa reincidência com a justa exibição de cartões amarelos) e Fary assumia-se com um pivot ofensivo capaz de abrir espaços e distribuir a bola com qualidade para os companheiros do sector mais adiantado. Em consquência disso, o Boavista circulava a bola no meio-campo adversário e a equipa do Braga limitava-se a correr atrás do esférico e a tentar fechar os espaços, de modo a impedir que os "axadrezados" chegassem ao golo. Faltou, no entanto, maior eficácia na altura do último passe e do cruzmento. Nesse aspecto, Jorge Ribeiro não esteve, ao contrário do que tem acontecido nos últimos jogos, feliz na marcação dos livres a castigar as sistemáticas faltas dos defensores bracarense, pelo que apenas uma vez, na sequência de um canto na direita, o Boavista criou perigo numa bola parada: Marcelão recebe a bola junto ao segundo poste e cabeceia para o "coração" da área, onde encontra Fary, que, também de cabeça, não consegue a emenda nas melhores condições. Outro lance digno de registo foi um remate, de fora da área, de Fleurival (uma boa exibição, muito mais eficaz a jogar nas funções de médio mais recuado, do que, até ao jogo com a Naval, nas funções de médio-interior, ao mostrar grande disciplina táctica nas compensações e a explorar os espaços que, por vezes, apareciam para lançar o ataque), que passou ligeiramente por cima da barra.

Depois, a partir dos 20 minutos, o Braga finalmente conseguiu assumir as despesas do jogo (como lhe competia a jogar em casa), mas mais por demérito do Boavista: se o meio-campo até conseguia fechar os espaços e impedir que o tridente Brum-Frechaut-Vandinho conseguisse construir jogo, Mário Silva, no flanco esquerdo, apresentava-se verdadeiramente desastrado, ao deixar-se bater demasiadas vezes pelos opositores Jorginho e João Pereira (bem melhor a atacar do que a defender). Este facto levou a mudanças importantes no cariz do encontro e na disposição das duas equipas. Pacheco necessitou de recuar Mateus quando a equipa não tinha a bola em sua posse, de modo a fechar o flanco esquerdo (reflectindo Mário Silva para terrenos mais interiores, quase como se fosse um terceiro central, para não ficar exposto aos duelos individuais, nos quais, invariavelmente, saía a perder), ficando sempre um dos três médios encarregue de, juntamente com Fary, iniciar a primeira zona de pressão, à saída do meio-campo do Braga. Esta necessidade de recuar Mateus tirou ao Boavista, naturalmente, capacidade nos desdobramentos ofensivos quando recuperava a bola - Mateus tinha de percorrer todo o flanco esquerdo de modo a "recompor" o tridente ofensivo do Boavista, o que fazia com que Fary, Jorge Ribeiro e Rissutt tivessem de reter, durante alguns segundos, o esférico, para darem tempo ao número 18 do BFC de integrar o ataque e, assim, permitir aos "axadrezados" ter "gente" para alvejar a baliza de Paulo Santos. No entanto, apenas num remate de Carlos Fernandes o Braga conseguiu criar relativo perigo durante a primeira parte. O empate ao intervalo, portanto, aceitava-se, embora, face à produção boavisteira nos 15/20 minutos iniciais, não seria de escandalizar a vantagem mínima do BFC.

No início da segunda parte, a toada manteve-se: o Braga mais dominador em termos territoriais e com maior tempo de posse de bola, mas com poucas soluções para criar perigo. Os sectores do Braga apresentavam-se mais subidos no terreno, o que permitiu ao rápido tridente ofensivo do Boavista, lançado por Rissutt, Fleurival e, por vezes, Gilberto (perante um Wender em bom momento de forma, acabou por estar, tal como frente à Naval, bastante bem o jovem lateral/médio, cortando imensas bolas e conseguindo sair algumas vezes a jogar para o ataque, em mais uma actuação de grande abnegação) - não tanto Jorge Ribeiro, que, numa noite algo desinspirada (apesar de bem tacticamente no fechar os espaços a meio-campo), arriscou pouco no passe - criar alguns "calafrios": não fosse a más opções no último passse e poderia muito bem o BFC ter chegado ao golo.

As substituições operadas pelos dois treinadores, no entanto, acabaram por ser muito mais favoráveis ao Braga que ao Boavista. João Tomás mostrou-se muito mais perigoso nas desmarcações que Linz e, no BFC, Diakité, embora impecável no jogo aéreo, não tinha a mesma dinâmica de Fleurival (que, perante a "enxurrada", claramente exagerada, de cartões amarelos a jogadores do Boavista, acabou por ser substituído), Bangoura deu muito menos trabalho à defesa bracarense que Fary e a saída de Mateus (não estando em causa a exibição de Pedro Moreira, que até entrou bem no desafio) acabou por permitir à defensiva do Braga subir no terreno (o Boavista passou a ter apenas dois homens no ataque) e, também, mais espaços no já fragilizado flanco esquerdo do BFC. A opção mais correcta teria passado por substituir o esgotado Zé Kalanga por um dos dois extremos que o Boavista tinha no "banco" (Grzelak ou Hugo Monteiro), mantendo o BFC um homem no apoio directo a Mário Silva e, simultaneamente, três unidades de pendor ofensivo. Era desncessário o reforço do meio-campo, uma vez que os 3 elementos deste sector conseguiam bloquear com sucesso a construção de jogo bracarense.

Tudo isto acabou por resultar naquilo que todos viram nos dez minutos finais do desafio: os dois centrais do Braga (mais com o "coração" do que com a "cabeça") a aproveitar os espaços para enviarem lançamentos longos para os dois alas, com estes a conseguirem servir João Tomás, que, por duas vezes, esteve muito perto do golo: na primeira (e mais flagrante) das ocasiões, uma defesa verdadeiramente "impossível" de Peter Jehle (mais uma exibição muito segura, à semelhança do que acontecera com a Naval) impediu o golo. Neste período de maior afliação, é de destacar o trabalho dos dois centrais, muito fortes no desarme e no jogo aéreo.

Apesar do "pressing" e do sufoco finais, o Boavista deixou, tal como contra a Naval, uma imagem bastante positiva. Maior consistência e coesão do que em jogos anteriores e, desta vez a espaços (e não durante o jogo todo, com contra a Naval, dada a circunstância de estar a jogar fora perante um opositor bastante complicado), momentos de bom futebol protagonizados pelo tridente ofensivo do Boavista. Estes 4 pontos a fechar 2007 deixam o BFC um pouco mais (embora ainda numa situação complicada, obviamente) seguro na tabela classificativa e boas perspectivas para o que será o futuro no que falta jogar desta época.

Duas notas finais. Uma é para o árbitro, com uma gritante dualidade de critérios (um exagero ridículo na exibição de cartões amarelos e na marcação de faltas contra o Boavista, em contraste com a complacência para com os jogadores do Braga - Jailson deveria ter sido expulso por ter agredido Peter Jehle, rasteirando-o quando o jogo estava interrompido; Rodriguez e Carlos Fernandes, incrivelmente, acabaram por não ver qualquer cartão; Mateus, quando seguia isolado para a baliza de Paulo Santos no início da segunda parte, sofre uma carga faltosa de Anilton, o que significaria a sua expulsão e um livre muito perigoso a favorecer o BFC, mas nem sequer a falta foi assinalada; e o mesmo Mateus, também na fase inicial da segunda parte, é agarrado por Rodriguez dentro da grande área, ficando uma grande penalidade por marcar). A outra vai para o comportamento verdadeiramente selvagem de alguns adeptos do Braga, que, numa passagem na saída do estádio através da pedreira no topo sul, arremessaram pedras contra os adeptos do Boavista que se encontravam no seu sector, no lado sul da Bancada Nascente. Verdadeiramente lamentável e vergonhoso.

O Notícias do Bessa aproveita para desejar, em particular à família boavisteira, um FELIZ NATAL.



publicado por pjmcs às 17:35
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