Domingo, 16 de Setembro de 2007
Boavista 0 - Leixões 0: INOPERÂNCIA A MEIO-CAMPO IMPEDE O BOAVISTA DE CUMPRIR A OBRIGAÇÃO DE GANHAR

Boavista - Carlos; Rissutt, Ricardo Silva, Marcelão e Jorge Ribeiro; Fleurival (Ivan Santos, aos 57min), Diakité e Gajic (Moisés, aos 75min); Zé Kalanga (Edgar, aos 62min), Bangoura e Mateus

 
Treinador - Jaime Pacheco

 

Leixões - Beto; Marco Cadete, Nuno Diogo, Elvis e Ezequias; Bruno China, Jorge Duarte (Hugo Morais, aos 70min) e Paulo Machado (Rúben, aos 88min); Filipe Oliveira (Tales, aos 60min), Roberto e Nwoko

 

Treinador - Carlos Brito

 

O Boavista voltou a desiludir em casa, ao não conseguir bater um acessível Leixões, continuando, assim, sem conhecer o sabor da vitória nesta Liga. O Boavista até entrou bem no jogo, mostrando vontade de assumir o domínio do encontro e de jogar no meio-campo adversário. Os "axadrezados" atacavam, sobretudo pelo flanco direito (curiosamente, na zona em que o relvado se apresentava muito mal tratado), com Rissutt a subir muito e bem e Zé Kalanga, pese embora algum indivualismo em algumas ocasiões, a conseguir dar grande profundidade ofensiva ao jogo por essa faixa. Na esquerda, destacava-se Gajic (que foi o criativo escolhido por Pacheco, começando o jogo descaído para a esquerda), que mostrava bons pormenores em termos técnicos, com destaque para uma excelente abertura, feita em trivela, a desmarcar Zé Kalanga, que, quando tinha tudo para passar para o "coração" da grande área, onde surgia Bangoura isolado, decidiu ser egoísta e rematar ao lado. Foi, sem dúvida, a melhor oportunidade de golo da primeira parte.

No entanto, após esses 20 minutos iniciais em que o Boavista, por vezes, chegou a entusiasmar o público que lhe é afecto (e que compareceu em bom número), o BFC passou a jogar verdadeiramente aos repelões, com muita bola pelo ar e dificuldades na transição para o ataque (apenas Rissutt, ao combinar com Zé Kalanga, o conseguia, a espaços, fazer). Isto tudo era o reflexo da desorganização gritante que o Boavista via a meio-campo, com Diakité completamente perdido em termos posicionais (não se percebia se jogava à frente dos dois centrais ou, mais adiantado, como médio-interior esquerdo), Fleurival muito lutador mas muito pouco certeiro no passe e Gajic, também ele algo perdido em termos tácticos, a não conseguir agarrar convenientemente no jogo, a perder-se em individualismos e a não conseguir destribuir com qualidade o jogo para o ataque. Aproveitou o Leixões, apesar das suas evidentes fragilidades (é certo que ainda não perdeu para o campeonato, mas, pelo que mostrou ontem, terá muitas vezes dificuldades em ganhar e, assim, em lutar por algo mais que a manutenção), para subir e crescer no terreno, criando duas oportunidades de golo. Primeiro num cabeceamento de Roberto, na sequência de um livre (inexistente, por sinal) de Ezequias na esquerda, a seguir num remate ao lado de Jorge Duarte, a aproveitar uma falha de marcação de Rissutt. Ou seja, o Boavista apenas "existia", em termos ofensivos, na direita, enquanto que na esquerda, não obstante uma ou outra boa incursão de Jorge Ribeiro (que anulou facilimente Filipe Oliveira), Mateus se mostrava demasiado confuso e trapalhão. Chegava, desta forma, o intervalo, com um Boavista cuja produção havia caído a pique e com a clara necessidade de que Pacheco fizesse algo para reequilibrar a equipa a meio-campo, de modo a voltar a ter mais posse de bola e o domínio do encontro. Todavia, o treinador do BFC não efectuou qualquer substituição ao intervalo.

Ainda assim, o Boavista, um pouco à semelhança do primeiro tempo, voltou a entrar mais pressionante e capaz de fazer recuar as linhas do Leixões. Logo a abrir a etapa complementar do desafio, Diakité, num cabeceamento de cima para baixo, na sequência de um canto de Fleurival, esteve pertíssimo do golo. Ora, foi precisamente numa fase em que o Boavista conseguia empurrar, de certa forma, o Leixões para o seu secotr mais recuado, contando, para isso, com uma maior acutilância ofensiva no flanco esquerdo (Jorge Ribeiro subia mais e Mateus melhorava a sua produção) que Pacheco, à semelhança do que aconteceu no jogo com o Marítimo, tentou arriscar mas fê-lo da pior forma, ao retirar o principal recuperador de bolas a meio-campo, Fleurival. É certo que o médio de Guadalupe não estava a actuar a um nível satisfatório, mas, ao retirar o principal responsável pelo pressing a meio-campo, ficou com um meio-campo com um médio claramente mais posicional (Diakité) e dos criativos, mais frágeis fisicamente e menos vocacionados para a recuperação do esférico, Ivan Santos e Gajic. Se Ivan até entrou bem, já a permanência do sérvio foi um erro, já que o ex-Napredak continuou a perder bolas e a exagerar no individualismo. Substituir um crativo pelo outro seria uma substituição muito mais eficaz. Outra alteração, pouco depois, que também não trouxe nada de positivo à equipa foi a saída de Zé Kalanga (que, apesar de, tal como Gajic, exagerar por vezes no individualismo, conseguia criar desequilíbrios no flanco direito) para a entrada de um Edgar ainda algo pesado e, portanto, incapaz de produzir acções profícuas pelas alas. Desta forma, o Boavista, que novamente tinha entrado melhor, acabou por peder "músculo" a meio-campo e capacidade de dar profundidade ao jogo pelas faixas, o que permitiu ao Leixões crescer em campo. Jorge Ribeiro, na marcação de um livre, ainda fez os adeptos do Boavista festejar (o livre que o esquerdino apontou deu, na Bancada Nascente, a sensação clara de golo), mas os "axadrezados" acabaram por perder o domínio do encontro, o que fez com que apenas em contra-ataques algo atabalhoados o Boavista conseguisse transportar o jogo para o meio-campo leixonense. Pertenceu, até, ao Leixões a última oportunidade clara de golo do encontro, num lance em que Roberto, aparentemente lançado em posição irregular, consegue passar por Carlos, mas, perante a oposição de Ricardo Silva e Rissutt, acabou por perder o esférico.

Jaime Pacheco ainda tentou, à entrada dos 10 minutos finais, emendar o erro cometido com a saída de Fleurival, ao lançar Moisés (fazendo sair Gajic) para o meio-campo. No entanto, é óbvio que o central emprestado pelo Cruzeiro não é, claramente, um jogador vocacionado para o pressing, pelo que a alteração poucos efeitos surtiu.

Em suma, o Boavista acabou por perder mais dois pontos num encontro em que tinha a obrigação de fazer muito melhor, ainda para mais depois de uma entrada forte no jogo. Com três pontos ao fim de quatro jornadas e com apenas um golo marcado, fica a ideia de que Jaime Pacheco tem soluções no plantel mais que suficientes para conseguir um pecúlio superior. É certo que os reforços foram chegando a "conta-gotas" e que o entrosamento da equipa, por via disso, ainda está longe do ideal, mas, nestas quatro jornadas, foram cometidos alguns erros absolutamente inadmissíveis, perante adversários claramente ao alcance da formação "axadrezada". Saiba o Boavista, principalmente a sua equipa técnica, corrigir esses erros já a partir do próximo jogo ou a margem de manobra ficará cada vez mais curta...



publicado por pjmcs às 20:06
link do post | comentar | favorito
|

3 comentários:
De Kapitao a 16 de Setembro de 2007 às 21:00
Parabéns pelo espaço que mantém. Faz ver à página oficial do clube que de profissional não tem nada. Basta comparar com as outras equipas.

Mais uma vez jogamos num modelo de bola na frente à espera de recuperar a segunda bola. Sincera mente estou farto deste tipo de jogo. O nosso avançado às vezes parecia mais defesa central que outra coisa... é um tipo de jogo completamente desactualizado, não são feitas movimentações estudadas são tabelas básicas onde os nossos juniores até fazem melhor! O Boavista com portugueses fazia melhor figura, não sei porquê ter tantos emigrantes.
Fica a nota de nas bancadas estarem adeptos do leixões misturados com os do Boavista onde como é habitual criaram alguns desacatos.... afinal temos um estádio tão grande para estarmos misturados? Os cativos estavam às moscas.... será que essa estratégia de ter os cativos é a melhor para o clube.... no banco do adversário pensava que estavam em casa! Vender os bilhetes de época para todos e dando assim a possibilidade de ter "cativos" (só o calor que passamos vale a pena). Aos jovens até aos 18 anos (cota jovem) deveria-se dar a oportunidade de assistir de borla se ficassem com a claque!
Força Boavista


De Julio a 16 de Setembro de 2007 às 21:15
Tal como tinha dito, ninguem acerta no onze de Pacheco... Porque será? Por mim tem de ir embora e já!


De seivane a 18 de Setembro de 2007 às 01:07
Como sempre um excelente trabalho. Faz o que deveria ser feito pelo site oficial, e melhor do que a imprensa desportiva.


comentar artigo

Próximos Jogos

Sp. CovilhãxBoavista

(25/01; 16:00) - 15.ª Jornada

artigos recentes

Boavista FC 2 - 0 Estoril

Santa Clara 3 - Boavista ...

Boavista FC 2 - 0 U. Leir...

SC Freamunde 2 - 0 Boavis...

Boavista FC 1 – 2 SC Beir...

BOAVISTA FC 0 - 2 GUIMARÃ...

Feirense 2 - 0 Boavista F...

Boavista FC 1 - 0 Oliveir...

BOAVISTA FC 1 - 0 LOUSADA

Boavista FC 1 - 1 D. Aves

Imagens Recebidas
Galeria de Imagens
arquivos

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Abril 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

ligações

pesquisar