Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
Paços de Ferreira 1 - Boavista 1: Bons 15 minutos finais compensaram primeira parte mal jogada

Paços de Ferreira - Peçanha; Mangualde, Rovérsio, Luiz Carlos e Chico Silva; Paulo Gomes; Dedé (Ricardinho, aos 82min) e Fernando Pilar; Edson (Mário Carioca, aos 86min), Furtado (Edson Di, aos 89min) e Cristiano

Treinador - José Mota

Boavista - Carlos; Gilberto, Ricardo Silva, Marcelão e Rissutt; Diakité; Olufemi (Grzelak, aos 75min) e Fleurival; Laionel (Hugo Monteiro, aos 79min), Bangoura e Mateus (Ivan Santos, aos 69min)

Treinador - Jaime Pacheco

O Boavista continua sem vencer na presente edição da Liga, mas, desta feita, num terreno onde apenas o Belenenses conseguiu triunfar na temporada passada, pode dizer-se que obteve um resultado bastante aceitável. No entanto, ficou a ideia de que, tivesse Pacheco lançado Ivan Santos e Grzelak (que entraram muito bem e conseguiram criar bastantes desequilíbrios) mais cedo, eles que ajudaram a uma mudança radical no futebol praticado pelo Boavista, os "axadrezados" poderiam ter saído da Mata Real com os três pontos.

Como se previa, ambos os treinadores colocaram as suas equipas a jogar em 4-3-3. Jaime Pacheco surpreendeu ao apostar no recém-chegado Mateus no "onze", ocupando uma das faixas (e trocando constantemente de flanco com o outro extremo, Laionel), e num meio-campo musculado, com Diakité mais recuado, Fleurival na esquerda e Olufemi na direita. Perante a ausência de Mário Silva, Rissut foi a adaptação escolhida para o lado esquerdo da defesa.

Entrou melhor o Paços de Ferreira, aproveitando o mau posicionamento de Rissut para, através da velocidade de Edson, tentar chegar com perigo à área do BFC. Aliás, os "castores" poderiam ter aberto o marcador bem cedo, na sequência de um canto que trouxe muita atrapalhação à defensiva do Boavista, com Bangoura, em tarefa defensiva, a cortar sobre a linha de golo. No entanto, rapidamente o encontro caiu numa toada de futebol demasiado directo, com o Paços de Ferreira a apostar, quase única e exclusivamente, nos lançamentos longos desde a defesa para Edson e Cristiano, os dois extremos. E o Boavista respondia... da mesma forma, dada a incapacidade do meio-campo para construir jogo e fazer a ligação com o ataque em boas condições. Olufemi, dos três médios aquele que tinha maiores responsabilidades na organização de jogo, até mostrava um ou outro bom pormenor em termos técnicos (ao nível da finta), mas acabava por ser inconsequente nas suas acções, uma vez que arriscava muito pouco no passe (optava quase sempre por passar para o lado e de forma curta), e Fleurival limitava-se a endereçar o esférico a Olufemi ou ao companheiro mais próximo no flanco esquerdo. Por isso, a solução para fazer chegar a bola ao ataque passava por lançamentos longos por parte de Marcelão, Ricardo Silva ou Gilberto. Ainda assim, a espaços, o irreverente Mateus (rápido e sem receio em enfrentar o defesa do seu flanco) e Bangoura (que recorria ao seu poder físico para segurar a bola e tentar criar espaços) criavam algumas dificuldades à defensiva pacense, ao contrário do que acontecia com Laionel (procurou quase sempre a finta, mas, com pouca objectividade e capacidade para jogar com a equipa, era "presa" fácil para o sector mais recuado da turma da casa). Não obstante o mau futebol praticado sobre o relvado do Estádio da Mata Real, o Boavista dispôs de duas boas oportunidades para inaugurar o marcador, ambas na sequência de cantos: na primeira, Olufemi aproveita a segunda bola e remata, de pé esquerdo, ligeiramente ao lado; na segunda, novamente o Boavista a ganhar a segunda bola, o esférico é endossado para a direita, onde Ricardo Silva, abnegado e possante, cruza para a cabeça de Bangoura, desviando Peçanha para canto. Ora, foi na sequência desse canto que os "axadrezados", infantilmente, sofreram o primeiro tento da partida. Incompreensível, ainda para mais tendo o Paços de Ferreira jogadores rápidos no ataque, como é que Jaime Pacheco apenas deixa Gilberto recuado no terreno para prevenir o contra-ataque adversário. O Paços de Ferreira ganhou o ressalto na segunda grande área e rapidamente se conseguiu desdobrar no ataque, surgindo Cristiano completamente isolado para bater Carlos. Um erro de palmatória do Boavista e do seu treinador a permitir que, sem ter feito muito por isso, a formação visitada se colocasse em vantagem.

Na segunda parte, apesar de não terem sido feitas substituições ao intervalo, o Boavista surgiu um pouco melhor. Fruto da necessidade de pegar no jogo, Pacheco decidiu adiantar Olufemi no terreno, dando-lhe maior pendor ofensivo. E a alteração resultou, visto que Fleurival, agora a jogar ao lado de Diakité no meio-campo, passou a jogar mais "à-vontade", dadas as menores responsabilidades na distribuição de jogo, e Olufemi conseguiu, aqui e ali, abrir um ou outro espaço. No entanto, a inoperância de Laionel, completamente ineficaz nas suas acções, aliada à fraca capacidade ofensiva de Gilberto, fez com que o Boavista apenas utilizasse o flanco esquerdo (onde estava Mateus e Rissut) na sua inciativa ofensiva, o que retirava largura ao jogo atacante do Boavista. Assim, apenas dois lance digno de registo: um com Bangoura a trabalhar muito bem sobre o central Rovérsio e a rematar em jeito, fazendo a bola passar próximo do poste esquerdo da baliza de Peçanha, e outro com Olufemi a sofrer uma carga na grande área adversária que, para quem estava na bancada, suscitou algumas dúvidas. Mais uma grande penalidade por marcar a favor do Boavista? Poderá muito bem ter sido... Quanto ao Paços de Ferreira, o futebol era reduzido ao extremo da simplicidade, a jogada era sempre a mesma: bola nos centrais e pontapé para frente a solicitar Edson ou Cristiano.

No entanto, o Boavista apenas conseguiu um ascendente significativo sobre o adversário após as entradas de Ivan Santos e Grzelak. É verdade que, para entrar Ivan, Pacheco decidiu retirar um dos melhores, Mateus (alteração que motivou muitos assobios no Topo Norte do estádio, onde se encontrava a falange de apoio ao BFC - adeptos do Boavista que compareceram em bom número em Paços de Ferreira, diga-se - e que apenas se justifica pelo pouco tempo que o internacional angolano tem com a sua nova equipa), mas, depois destas duas substituições, o Boavista, jogando agora num 4-2-3-1 (com Grzelak e Laionel - depois Hugo Monteiro - nas alas e Ivan Santos no apoio a Bangoura, mas combinando várias vezes com Grzelak), passou a ser uma equipa mais pressionante em zonas mais adiantadas no terreno e, sobretudo, capaz de jogar um futebol com maior ligação entre sectores. De facto, Ivan Santos trouxe uma outra dimensão ao futebol do Boavista, arriscando a finta perante os adversários, procurando explorar a linha de fundo e combinando muito bem com Grzelak. Assim, foi com naturalidade que o Boavista chegou ao golo do empate, num lance, todavia, "manchado" pelo fora-de-jogo em que se encontrava Bangoura. O 1-1 teve o "condão" de espevitar os ânimos nas bancadas e o próprio árbitro que, a partir daí, inexplicavelmente, decidiu assinalar uma série de livres a favorecer o Paços de Ferreira (a maioria dos quais inexistentes), o que impediu, de certa forma, o Boavista de manter a mesma toada e tentar chegar ao 1-2. No entanto, mesmo a fechar o encontro, os "axadrezados" estiveram a um pequeno passo da vitória, em mais uma excelente combinação de Grzelak e Ivan Santos pela esquerda: o polaco aproveitou o espaço aberto nessa faixa e cruzou rasteio para a zona do primeiro poste, onde Ivan Santos, por muito pouco, não conseguiu desviar a bola para a baliza de Peçanha. Seria um prémio justíssimo para a excelente entrada que Ivan Santos protagonizou no encontro.

No final deste jogo, fica a imagem de um Boavista com duas "faces": esforçado mas praticando futebol demasiado directo na primeira parte, pressionante e capaz de trocar a bola com qualidade nos minutos finais da partida. O BFC parece ter um plantel com soluções de qualidade (embora com o óbice de ter sido construído a "conta-gotas"), cabendo, por isso, a Jaime Pacheco colocar esta equipa a praticar bom futebol. E, para isso, é quase indispensável colocar criativos no meio-campo a jogar, algo que não aconteceu até à entrada de Ivan Santos... Urge, também, corrigir os erros defensivos da equipa: depois de ter sofrido o segundo golo, frente ao Marítimo, na sequência de um lançamento lateral a seu favor no meio-campo adversário, desta vez o golo adversário surgiu depois de um canto a favorecer o Boavista.



publicado por pjmcs às 14:58
link do post | comentar | favorito
|

Próximos Jogos

Sp. CovilhãxBoavista

(25/01; 16:00) - 15.ª Jornada

artigos recentes

Boavista FC 2 - 0 Estoril

Santa Clara 3 - Boavista ...

Boavista FC 2 - 0 U. Leir...

SC Freamunde 2 - 0 Boavis...

Boavista FC 1 – 2 SC Beir...

BOAVISTA FC 0 - 2 GUIMARÃ...

Feirense 2 - 0 Boavista F...

Boavista FC 1 - 0 Oliveir...

BOAVISTA FC 1 - 0 LOUSADA

Boavista FC 1 - 1 D. Aves

Imagens Recebidas
Galeria de Imagens
arquivos

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Abril 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Janeiro 2004

ligações

pesquisar