Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
Boavista 0 - Marítimo 2: MAU COMEÇO CASEIRO...

Boavista - Carlos; Gilberto, Ricardo Silva, Bruno Pinheiro e Mário Silva (Edgar, aos 23min); Olufemi; Milos Bosancic (Bangoura, ao intervalo) e Fleurival; Laionel, Fary (Ivan Santos, aos 65min) e Rafal Grzelak

 

Marítimo - Marcos; Ricardo Esteves, Ediglê, Antoine van der Linden e Evaldo; Olberdam; Marcinho, Bruno e Fábio Felício (Luís Olim, aos 86min); Kanu (Márcio Mossoró, aos 73min) e Makukula

 

O Boavista estreou-se da pior forma em jogos oficiais perante os seus adeptos esta época, com uma derrota por dois golos sem resposta, num encontro no qual entrou praticamente a perder e, à passagem dos 20 minutos, já tinha uma desvantagem de dois tentos para o adversário. Dois erros defensivos verdadeiramente incríveis, os maiores entrosamento e mecanização de jogo do Marítimo, as duas grandes penalidades a favor do Boavista que o sr. João Ferreira não assinalou (na segunda, aliás, penalizou Edgar com a exibição do segundo cartão amarelo) e uma substituição disparatada de Jaime Pacheco ao intervalo são os factores que explicam a "débacle" dos "axadrezados" no seu próprio estádio.

 

Para o desafio de ontem, Pacheco voltou a apostar no 4-3-3, com Olufemi à frente dos dois centrais, Fleurival como médio-interior esquerdo (surgindo, por vezes, no apoio a Olufemi em algumas situações ofensivas do Marítimo) e Bosancic como médio-interior direito, mas com liberdade para subir no terreno e com a responsabilidade de organizar o jogo da equipa.

 

No entanto, começou muito mal o jogo para o Boavista, com um dos seus jogadores mais experientes (Mário Silva) a ter grandes responsabilidades no golo madrugador do Marítimo: incrível como o "capitão" do BFC se deixa bater em velocidade por Marcinho, permitindo que este penetre na grande área junto à linha de fundo, ou seja, ficando em situação privilegiadíssima para cruzar. Kanu, sozinho, respondeu da melhor maneira ao centro do seu colega, cabeceando sem hipóteses para Carlos. Ainda os "axadrezados" esboçavam uma reacção à desvantagem precoce na partida, já o Marítimo ampliava o marcador, de uma forma ainda mais increditável: na sequência de um lançamento do Boavista perto da linha de fundo, no meio-campo dos insulares, Mário Silva erra a devolução para Grzelak e Kanu, incrivelmente, percorre quase meio-terreno, pelo flanco direito, com a bola controlada, perante a oposição demasiado passivo de Grzelak, que desperdiçou a várias ocasiões que teve para fazer o desarme, permitindo, assim, a Kanu penetrar, com grande facilidade, na grande área, batendo um Carlos que demorou a sair da baliza. O central Bruno Pinheiro, por jogar mais descaído para a esquerda, também teve responsabilidades, na medida em que não soube fazer a dobra ao lateral do seu lado.

Pouco depois, Jaime Pacheco decidiu efectuar a primeira alteração, retirando o desastrado Mário Silva e fazendo entrar Edgar, numa tentativa de dar maior dinâmica ofensiva ao lado esquerdo do ataque, com o ex-Málaga a jogar como extremo-esquerdo e Grzelak a recuar para o lado esquerdo da defesa. E a verdade é que, a partir daí, o Boavista arrancou, até ao final da primeira parte, para o seu melhor período no encontro, conseguindo criar oportunidades de golo, pressionar o Marítimo e dominar por completo as operações da partida. Bosancic subia, minuto a minuto, de produção, assumindo-se como o playmaker da equipa, os dois extremos, principalmente Edgar, conseguiam dar largura ao jogo ofensivo dos "axadrezados" e Fleurival recuperava muitas bolas a meio-campo, nunca virando a cara à luta. Só alguma incompetência de Fary, uma errada decisão do árbitro (ao não assinalar uma grande penalidade sobre Fary) e, porque não dizê-lo, algum azar impediram o Boavista de, pelo menos, reduzir a desvantagem antes do intervalo. No entanto, convém dizer, pela negativa, que, no flanco direito, Gilberto, que até esteve bem a defender (fora na parte final da partida, em que denotou estar De referir, também, o facto de alguns jogadores do Marítimo, sobretudo Marcinho e Kanu, simularem, constantemente, lesões, ou seja, abusando do anti-jogo. Tudo com a complacência do árbitro João Ferreira.

Não obstante o Boavista não ter conseguido materializar em golos o ascendente sobre o Marítimo após o 0-2, ficava a sensação de que, mantendo a mesma toada na segunda parte, poderia chegar rapidamente ao 1-2 e, daí até ao final do encontro, pressionar o Marítimo na tentativa de, no mínimo, conseguir o empate. No entanto, Jaime Pacheco efectuou uma substituição que, não será, de modo algum, exagero dizê-lo, "matou" o jogo. Isto porque decidiu retirar o organizador de jogo Bosancic, fazendo entrar Bangoura. Se o guineese, nas poucas ocasiões em que teve oportunidade de mostrar serviço, até exibiu bons pormenores (mostrando que será o candidato natural ao posto de ponta-de-lança (muito mais objectivo e lesto que Fary), a verdade é que abdicar do playmaker da equipa (cuja produção melhorava com o passar dos minutos) teve vários efeitos negativos: por um lado, o Boavista perdeu capacidade para produzir um caudal ofensivo coerente, perdendo o elemento mais lúcido e com maior visão de jogo, daí que a bola deixasse de fluir em boas condições para as alas e para os dois avançados; por outro lado, os "axadrezados" passaram a jogar num 4-2-4 que, naturalmente, trouxe grandes desequilíbrios ao meio-campo - Olufemi (que, no primeiro tempo, embora mostrando pouca dose de risco no passe e alguma lentidão na execução, não estava a ter uma actuação propriamente negativa) teve de subir no terreno, de modo a jogar ao lado de Fleurival, o que trouxe maiores dificuldades ao nigeriano (claramente desprovido das características necessárias para ser um distribuidor de jogo) e, pior do que isso, permitindo ao Marítimo dispor de muitos mais espaços entre linhas (face ao "desaparecimento" de um médio mais defensivo entre a defesa e a linha de meio-campo). Assim, o futebol do Boavista passou a ser desligado, aos repelões e, com naturalidade, ainda para mais com homens com grande qualidade técnica e capacidade de retenção do esférico como Fábio Felício, Bruno e Marcinho, o Marítimo passou a circular, a seu bel-prazer, a bola no meio-campo defensivo do Boavista, podendo, inclusive, na fase final do encontro, ter chegado ao 0-3, não fosse uma boa intervenção de Carlos. Além disso, na fase final, os níveis físicos do Boavista, dado o facto de ter estado sempre atrás do prejuízo, o que acarreta um maior desgaste, caíram a pique, com, por exemplo, Gilberto a ter algumas dificuldades para manter a segunda evidenciada na primeira parte. Ainda assim, o Boavista poderia ter chegado ao golo em duas ocasiões: na primeira, na sequência de um canto apontado por Edgar, Bangoura, com um remate acrobático, rematou às malhas laterais da baliza de Marcos; na segunda, Laionel disparou cruzado e, não fosse um ligeiro desvio do guarda-redes Marcos, o BFC teria chegado ao 1-2. Contudo, foi muito escassa e fraca a produção boavisteira na segunda parte. É, todavia, importante destacar que, embora não servindo de desculpa para os erros cometidos (principalmente na defesa) pela equipa do Boavista e os equívocos tácticos do seu treinador, ficou mais uma grande penalidade (a segunda no encontro) por assinalar a favor do BFC: a 5 minutos dos 90, Edgar é claramente derrubado no interior da área por Ricardo Esteves, num lance que significaria o segundo cartão amarelo para o defensor insular. Com o provável 1-2 no marcador e o Marítimo com menos uma unidade, poderia muito bem o Boavista ter chegado ao empate. Só que o sr. João Ferreira prejudicou duplamente o Boavista: não só não assinalou o penalty, como também expulsou, pela exibição do segundo cartão amarelo a penalizar a suposta simulação, Edgar, privando o Boavista nos minutos finais e no próximo do jogo de um dos seus elementos mais dinâmicos no sector ofensivo.

Em suma, no final de um encontro que significou a perda de 3 pontos em casa perante um candidato a um lugar europeu, ficam várias reflexões a fazer. A defesa cometeu duas falhas absolutamente inacreditáveis e o treinador Jaime Pacheco, com um erro de principiante, desequilibrou, por completo, a manobra da equipa do BFC na segunda parte, não compreendo que atacar mais não implica, necessariamente, jogar com mais elementos de características ofensivas, mas, sim, procurar subir todas as linhas da equipa, de modo a pressionar mais alto e a ter maior volume de jogo no meio-campo adversário. Mesmo assim, perante um quadro tão desanimador, o futebol praticado entre o momento do segundo golo e o intervalo teve momentos bastante positivos, mostrando que o Boavista tem soluções de qualidade em termos ofensivos e no meio-campo (com um Bosancic muitos furos acima daquilo que fez na pré-época e Fleurival, uma vez mais o melhor do BFC, a jogar sempre numa rotação muito elevada). Resta esperar que Jaime Pacheco, contando no futuro com mais elementos que poderão ser importantes, como Diakité (que "ganha" a Olufemi em experiência, rapidez e segurança no passe), Marcelão (já que Bruno Pinheiro, embora muito esforçado, teve sempre imensas dificuldades, dada a sua frágil compleição física, para marcar o possante Makukula, tendo que ser diversas vezes auxiliado por Ricardo Silva), um Bangoura mais integrado na equipa (de modo a poder ser lançado de início) e os recentes reforços Moisés e Mateus (um avançado móvel, que poderá trazer um tipo diferente de solução para o sector ofensivo, já que, jogando na esquerda do ataque, é um jogador que efectua muitas diagonais, valendo-se das suas rapidez e capacidade de aparecer no espaço vazio para surgir como segundo ponta-de-lança), consiga rentabilizar os bons valores de que dispõe no plantel. No entanto, para terminar, convém referir que, desde a época passada, principalmente no Estádio do Bessa Século XXI, parece ser extremamente difícil a qualquer árbitro assinalar uma grande penalidade, por mais nítida que seja, a favor do BFC. Perguntamo-nos nós sobre o que será preciso os jogadores opositores fazerem mais para ser marcado um castigo máximo a favorecer o Boavista. Um problema que se arrasta da temporada passada e que, obviamente, preocupa... e muito...



publicado por pjmcs às 11:52
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2 comentários:
De Julio a 28 de Agosto de 2007 às 19:45
Costumo apreciar os comentarios deste site, mas intitular este de MAU COMEÇO!!! Por favor, Foi um PÉSSIMO COMEÇO! Só podemos esperar melhor se sairem os 3 estarolas! Pacheco,Joao Freitas(q foi pro banco em vez do casaca?) e o ex-vocalista/enterra clube/advogado J.Loureiro!


De pacense a 31 de Agosto de 2007 às 01:15
tragam muitos adeptos à mata real. bilhete é cinco euros. por um futebol portugues com estadios cheios...

parabens pelo blog


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