Terça-feira, 31 de Julho de 2007
Boavista 0 - FC Porto 3

Como começou:

Como terminou:

Substituições: Essame por Fleurival, aos 36min; Gajic por Bosancic e Bruno Pinheiro por Marcelão, ao intervalo;  Grzelak por Hugo Monteiro, aos 68min; Laionel por Edgar, aos 71min; Rissut por Fary, aos 80min

 

O Boavista perdeu frente ao rival FC Porto por três golos sem resposta, no primeiro encontro do BFC 2007/2008 no Estádio do Bessa Século XXI. Apesar de a actuação "axadrezada" ter sido, globalmente, fraca (deixando a ideia clara de que ainda há muito trabalho pela frente para Jaime Pacheco e restante equipa técnica), a verdade é que os números da derrota foram manifestamente exagerados: o FC Porto foi, essencialmente, uma equipa eficaz, usando o futebol directo para construir os três tentos perante uma defensiva boavisteira que precisa, como tem sido notório, de grande "afinação". Além disso, nos 20/25 minutos iniciais da segunda parte (altura em que o BFC surgiu mais desenvolto em termos ofensivos e mais simples nos seus processos), um remate espectacular, de fora da área, de Diakité à barra e uma grande penalidade clara que o árbitro não assinalou (naquela que foi, aliás, uma das jogadas melhor construídas em todo o encontro - Bosancic desmarcou, com grande qualidade, Mário Silva, que cruzou com "conta, peso e medida" para o "coração" da área, onde Linz foi agarrado por João Paulo) poderiam ter invertido o rumo dos acontecimentos.

Mas o que é que falhou mais para o resultado ser tão desnivelado? O que falhou no Boavista? Faltou, sobretudo, profundidade em termos ofensivos: o Boavista foi, sensivelmente até ao último quarto-de-hora (altura em que o maior tempo de preparação do FC Porto veio ao de cima, o que explica, por exemplo, o lance do terceiro golo), a equipa com mais tempo de posse de bola e a maior parte do tempo de jogo disputou-se no meio-campo do FC Porto. No entanto, os dois extremos do BFC pouco abriram nas alas (Grzelak e Laionel jogaram quase sempre em diagonais para zonas interiores; Laionel subiu de produção na segunda metade do encontro, jogando mais "encostado" à linha, naquele que foi o melhor período do Boavista - mas acabou por ser substituído), o que fez com que os muitos cruzamentos efectuados pelos "axadrezados" fossem sempre demasiado longe da linha de fundo, criando, assim, pouco perigo para a baliza portista. Além disso, esse facto fez com que Rissut, na primeira parte, muitas vezes tivesse que fazer todo o corredor direito, o que concedeu muito espaço a Mariano González (que cruzou à-vontade para que Hélder Postiga, num erro de marcação de Bruno Pinheiro, cabeceasse sozinho para o primeiro golo do encontro).

Outro dos problemas do Boavista prendeu-se com o facto de o ponta-de-lança ter surgido sempre demasiado desapoiado na frente. Linz não é, claramente, um avançado capaz de jogar muitas vezes de costas para a baliza e abrir espaços para as diagonais dos extremos (algo em que Pacheco gosta de apostar), mas é, sim, um finalizador, que requer, portanto, extremos bem abertos nas faixas, capazes de cruzar da linha de fundo, e um criativo no apoio directo. Ora, quer Gajic, na primeira parte, quer Bosancic, na segunda, jogaram demasiado recuados e descaídos para a esquerda, actuando como médios-interiores esquerdos em vez de verdadeiros organizadores de jogo, o que lhes retirou capacidade para pautar o jogo ofensivo "axadrezado". O Boavista jogou quase sempre, e erradamente, com as diagonais dos extremos e os médios-interiores a descaírem para as alas, quando, face às características do seu ponta-de-lança, deveria ter jogado com os extremos bem abertos e os médios-interiores a efectuar movimentos mais verticais de modo a surgirem no apoio ao ponta-de-lança e no aproveitamento das segundas bolas. Foi por tudo isto que o Boavista não conseguiu "rentabilizar" o maior tempo de posse de bola e não foi tão eficaz como o FC Porto. E, depois, claro, os erros defensivos ditaram que os escassos ataques do FC Porto resultassem em três golos. Já foi referida a falha que deu origem ao primeiro; no segundo, Tarik surgiu livre de marcação a aproveitar a segunda bola para marcar (desatenção de Ricardo Silva); no terceiro, novamente Tarik, Bosancic perdeu a bola em posição comprometedora e Tarik, naturalmente mais rápido que o central Marcelão, não teve dificuldades para marcar, perante um Boavista que, nessa altura, já só contava com três defesas.

Apesar da pesada derrota e dos números bastante negativos da pré-época boavisteira, o plantel do Boavista para esta nova temporada parece contar com alguns bons valores (embora seja notória a falta de um ponta-de-lança capaz de se assumir como alternativa a Linz). Todavia, a equipa precisa de crescer em termos tácticos e na sua dinâmica ofensiva e, obviamente, melhorar a sua organização defensiva - poderá ser que Marcelão, que, com apenas dois treinos, teve uma actuação relativamente positiva, ajude a resolver esses problemas defensivos...

Análise individual:

Jehle - Acabou por ser uma noite ingrata para o guarda-redes do Liechtenstein, que sofreu três golos sem grandes culpas e numa noite na qual, em boa verdade, não teve grande trabalho.

Rissut - Foi bastante ofensivo e empreendor pelo flanco direito, permitindo que essa faixa "existisse" em termos atacante na primeira parte, já que, nessa etapa do desafio, Laionel esteve "perdido" em campo. No entanto, foi precisamente isso que o "traiu": as constantes incursões pela direita, onde, frequentemente, teve que improvisar e tentar criar soluções, recorrendo ao drible, para tentar dar profundidade ofensiva, acabaram por conceder muitos espaços a Mariano González no primeiro tempo, o que resultou, por exemplo, no primeiro golo do encontro. Na segunda parte, fruto da colocação de Laionel junto à linha lateral e da entrada de Fleurival (mais eficiente no apoio ao ataque do que Essame), foi menos solicitado em termos ofensivos, o que lhe permitiu ter uma actuação mais segura defensivamente. Contudo, foi batido por Lino no lance que acabou por originar o segundo golo portista. Precisa, assim, de tentar controlar o seu "ímpeto" em termos ofensivos, de modo a conceder menos espaços pelo seu flanco. Ainda assim, mostrou, uma vez mais, apontamentos interessantes ao nível técnico.

Ricardo Silva - A sua exibição acabou por ficar "manchada" pela desatenção que permitiu a Tarik aproveitar a segunda bola no lance do 0-2, mas a verdade é que esteve globalmente bem. Embora ainda continue a mostrar alguma lentidão, compensou imenso com a serenidade com que se impôs no jogo aéreo e conseguiu um ou outro corte importante.

Bruno Pinheiro - Também viu a sua actuação ser prejudicada por um erro que acabou por dar origem a um golo do FC Porto: no lance do primeiro golo, deixou que Hélder Postiga aparecesse sozinho de marcação para emendar o cruzamento de Mariano González. Ainda assim, perante um adversário mais cotado, Bruno Pinheiro não teve receio em abordar os lances e, por isso, teve, para um jogador com apenas 20 anos, alguns apontamentos positivos.

Mário Silva - Foi o melhor do sector defensivo, ao não conceder grandes espaços aos seus opositores. De facto, "limpou" quase sempre com eficácia a sua zona de acção e, ao contrário que aconteceu, por exemplo, em Freamunde, deu um importante auxílio ao ataque. É o "dono" natural do lado esquerdo da defesa.

Essame - Acabou por sair lesionado na primeira metade do desafio após um choque com Castro. Nos 36 minutos em que esteve em campo, até nem esteve mal, ao mostrar vontade de ganhar jogo a meio-campo e de auxiliar a iniciativa ofensiva da equipa. Aliás, foi do seu pé direito que surgiu a primeira oportunidade digna de registo do Boavista. No entanto, raramente apostou em subir no terreno, "preferindo" descair para a direita, o que retirou capacidade para o Boavista fazer a bola progredir no terreno.

Diakité - Foi um dos melhores do Boavista. Jogou, uma vez mais, como "vértice" mais recuado do meio-campo, destancando-se, sobretudo, com a bola nos pés, ao fazer aquilo que se pede a um "trinco": soltar o esférico rapidamente. E, de facto, mostrou velocidade de execução ao receber a bola e passá-la quase imediatamente para os companheiros das alas. Em suma, parece assumir-se, cada vez mais, como um dos indiscutíveis no meio-campo do BFC.

Milan Gajic - Foi a sua exibição menos positiva ao serviço do Boavista. Demasiado recuado e descaído para a esquerda, teve pouco espaço para pegar na bola, ler o jogo e organizar, com passes e aberturas, o jogo ofensivo "axadrezado". Mostrou que tem de ser mais rápido a executar (a influência do futebol sérvio, mais lento que o português, foi visível), o que lhe permitirá jogar em espaços mais recuados. Ainda assim, numa e noutra ocasião, revelou alguns bons atributos em termos técnicos, ao fazer uso do seu poder de finta e bom controlo de bola. Mas precisa, claramente, de acelerar o seu jogo e de, já agora, jogar em terrenos mais interiores e, simultaneamente, adiantados.

Laionel - A primeira meia-hora de jogo foi para esquecer, uma vez que esteve "perdido" em campo: apareceu excessivas vezes em terrenos interiores, ao invés de procurar dar profundidade ao flanco direito. Melhorou de produção no quarto-de-hora final da primeira parte e no segundo tempo, mas, mesmo assim, exagerou, por vezes, nas iniciativas individuais. No entanto, a qualidade técnica está lá (foi algumas vezes travado em falta, de forma dura, por Marek Cech)... só precisa de ganhar maior consistência em termos tácticos.

Roland Linz - Não teve o apoio devido e raramente foi servido em boas condições, o que o impediu de mostrar grande coisa neste jogo. Todavia, mostrou pouca mobilidade, o que também não contribuiu para que o Boavista ganhasse profundidade em termos ofensivos.

Grzelak - Esteve melhor a defender, no apoio a Mário Silva, do que a atacar. Tal como o seu colega de sector Edgar, ainda não está na plenitude das suas capacidades em termos físicos, o que faz com que não consiga criar espaços e zonas de penetração recorrendo ao seu poder de finta, acabando por se "refugiar" em zonas mais interiores do terreno.

Fleurival - Tal como Diakité, foi um dos melhores elementos da equipa. Actuando como médio-interior direito, a sua entrada deu maior capacidade empreendedora ao meio-campo, uma vez que subiu mais que Essame e arriscou mais no passe, tentando lançar o ataque. Além disso, mostrou consistência em termos defensivos. Voltou, assim, a ganhar "pontos" na luta por um lugar no "onze".

Marcelão - Para quem tinha sido apresentado na véspera (ao final da tarde) e só tinha efectuado um treino com a equipa, pode dizer-se que os 45 minutos em que esteve em campo foram animadores. Apesar de ter perdido em velocidade para Tarik no lance do segundo golo do FC Porto, Marcelão deixou alguns apontamentos positivos, como a serenidade com que encarou cada lance, a eficácia na disputa da bola no jogo aéreo e a rapidez com que, sem "inventar", despachava a bola em zona perigosa. Parece ter tudo para "agarrar" um lugar na equipa.

Bosancic - Jogou a segunda parte inteira e, tal como Marcelão, tem pouco tempo de trabalho com a equipa (chegou na última terça-feira e fez a sua estreia em Freamunde). À semelhança do que aconteceu com Gajic, jogou demasiado recuado e descaído para a esquerda e mostrou, igualmente, alguma lentidão no seu ritmo de jogo (o que, por exemplo, levou a uma perda de bola que acabou por resultar no terceiro golo). Ainda assim, efectuou gizou alguns passes e aberturas que evidenciaram que tem, claramente, qualidade e capacidade para se assumir como "playmaker" da equipa. É um jogador a ver com mais atenção e tempo de jogo.

Hugo Monteiro - Entrou com vontade criar desequilíbrios, mas continua a pecar pelo excesso de individualismo, que o leva a não soltar a bola na altura em que é mais oportuno. Por isso, acabou por ser inconsequente nas suas acções.

Edgar - Jogou os 20 minutos finais, altura em que o Boavista se começou a ressentir em termos físicos e a perder o domínio do encontro para o FC Porto. Ainda assim, tentou criar desequilíbrios com uma ou outra incursão pelo flanco direito. Mas ainda lhe falta velocidade...

Fary - Apenas 13 minutos em campo, numa fase em que a equipa do Boavista denotava o menor tempo de preparação relativamente à do FC Porto, não lhe permitiram mostrar serviço.

 

O próximo jogo de apresentação do Boavista vai realizar-se novamente no Estádio do Bessa Século XXI, amanhã (quarta-feira, dia 1 de Agosto, em que o Boavista comemora os 104 anos de existência), pelas 20 horas, diante do Nelas (equipa que milita na 2.ª Divisão Nacional).



publicado por pjmcs às 14:31
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2 comentários:
De odd a 31 de Julho de 2007 às 21:08
Excelente análise, mais uma vez Parabéns.


De AniMa a 22 de Setembro de 2007 às 12:46
Desde ja queria dar os parabens pela analise feita ao jogo!!
em segundo lugar queria pedir desculpa por "desenterrar" isto , mas andava a ler as prestacoes de jogo do bruno pinheiro, que andou comigo na escola, para comentar com um amigo meu aqui em casa...
mas vamos ao que interessa.

peço desculpa por descordar consigo em alguns pontos,e apesar de me ser impossivel ver o jogo todo, tive que sair aos 70minutos, posso dizer que esta errado em alguns pontos.

1º a posse de bola no futebol de hoje conta muito e verdade, mas nao marca golos.(estou-me a lembrar de um porto-artemedia em que tivemos 78% e o jogo ficou 2-2)

2º o boavista nao foi assim tao forte como refere, teve sim lances de perigo, mas se contabilizar os lances de perigo do porto, nem se da pelos do boavista.

3º penalti que o arbitro nao assinalou? peço desculpa pois nao me lembro desse lance e depois de ver o resumo do jogo(a minutos) o lance nao aparece... aparece sim um lance do ricardo silva no marek cech. mas isso agora nao importa.

era so mesmo pra dizer isto, nao de forma alguma para o contrariar ou causar qualquer afrontamento, digo isto como apreciador de futebol e nao de "clubismos".

espero felicidades a si
e claro ao "nosso" bruno pinheiro :)

saudaçoes


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