Domingo, 22 de Julho de 2007
Lousada 1 - Boavista 2

Como começou

 

Como terminou

 

Substituições: Linz por Kifuta, aos 56min; Grzelak por Edgar e Gajic por Essame, aos 65min; Rissut por Gilberto, aos 68min; Laionel por Hugo Monteiro e Fleurival por Fary, aos 72min

 

O Boavista conseguiu a sua primeira vitória nesta pré-época, ao derrotar o Lousada (equipa que milita na 2.ª Divisão Nacional), fora de casa, por duas bolas a uma. Foi um encontro com duas partes bem distintas.

Na primeira, os "axadrezados", apesar de o adversário ser mais fraco que o Vizela, denotaram uma evolução ao nível dos processos de jogo relativamente ao encontro anterior. Maior dinâmica a meio-campo, onde Gajic mostrou, uma vez mais, ser dotado de uma boa visão de jogo "acompanhada" por um excelente pé esquerdo, Diakité um "esteio" em termos defensivos (fortíssimo no jogo aéreo e rápido a entregar a bola aos companheiros de sector ou ao lateral-esquerdo Marquinho) e Fleurival, possante, com constante abnegação na luta pela posse de bola e combinando muito bem com a ala direita. A ala direita foi, aliás, o principal corredor pelo qual o BFC carrilou o jogo ofensivo na primeira parte (também devido ao facto de Marquinho, um dextro, ter jogado a lateral-esquerdo). Rissut, em estreia pelo Boavista, e Laionel mostraram velocidade e grande capacidade técnica no drible, o que lhes permitiu criar desequilíbrios, contando, também, com a colaboração de Fleurival. Aliás, a maioria dos lances de perigo no primeiro tempo foi construída a partir de incursões de Rissut pelo flanco direito, com a contribuição da velocidade de Laionel (que criou imensos problemas ao lateral-direito lousadense, que "castigou" Laionel com duas faltas duríssimas), triangulações envolvendo Fleurival e aproveitando, também, os passes de Gajic. A jogada do primeiro golo é um exemplo disso mesmo: Rissut abre para Laionel, este coloca em Fleurival, que vê a diagonal de Rissut, o qual recebe o esférico e remata, de fora da área, sem hipóteses para o guarda-redes da formação anfitriã. Um belo golo do lateral-direito ex-Fluminense. O segundo golo também "nasceu" no lado direito. Laionel foi, uma vez mais, travado em falta e Gajic, com um cruzamento perfeito, marca o livre para o "coração" da grande área, onde aparece Fleurival a desviar de cabeça para o interior das redes lousadenses. Destaque, também, quando o resultado ainda registava um nulo, para um passe de Rissut para Linz, que, frente-a-frente ao guarda-redes, rematou com pouca convicção e desperdiçou, assim, a possibilidade de inaugurar o marcador. No entanto, o lance no qual a bola entrou, pela primeira vez, na baliza do Lousada surgiu a partir de um cruzamento de Grzelak, lançado por Gajic, na esquerda: Linz, à "boca" da baliza, emendou um cabeceamento de Laionel. Todavia, o árbitro da partida anulou o tentou "Axadrezado", numa decisão que deixou algumas dúvidas. 

Em jeito de conclusão, nota muito positiva para o Boavista no primeiro tempo, embora, na fase inicial da partida, a defensiva boavisteira tenha apanhado dois "sustos", ambos na sequência de lances de bola parada, nos quais o Lousada aproveitou duas falhas de marcação: no primeiro, valeu a elasticidade de Carlos; no segundo, o facto de o jogador lousadense não ter conseguido o desvio em cima da linha de golo. A rever, portanto, por parte da equipa técnica, a forma como a equipa se dispõe nos livres e cantos adversários.

A segunda parte, todavia, foi bastante diferente, apesar de o BFC ter começado com a mesma equipa. A etapa complementar principiou, praticamente, com o golo do Lousada. Marquinho foi batido na esquerda, permitindo ao adversário uma situação muito favorável de cruzamento. O centro surgiu e, sozinho, Oséias não fez mais que empurrar o esférico para dentro da baliza boavisteira. O 1-2 acabou por retirar algum discernimento à equipa do Boavista, que, talvez fruto do cansaço nesta fase precoce da época, não conseguiu voltar a impor o seu futebol. Assim, na segunda parte, pouco futebol se viu, com demasiada bola pelo ar e muita luta. Ainda assim, o Boavista podia ter ampliado o marcador por duas vezes. Na primeira, Gajic, com um excelente passe a rasgar, desmarcou Linz, que, no entanto, não foi suficientemente lesto e, em posição muito favorável para marcar, se deixou antecipar pelo central lousadense. Na segunda, já na fase final do encontro, Kifuta, lançado por Fary, ganha em velocidade a um dos centrais do Lousada e remata perigoso para defesa difícil do guardião do Lousada. Pelo meio, mais um golo anulado ao Boavista, desta feita a Kifuta. Desta vez, a decisão do árbitro não deixou dúvidas. 

A produção ofensiva do Boavista subiu um pouco nos minutos finais da partida, graças às incursões de Edgar (uma vez mais, foi-se soltado à medida que o tempo avançava) pela esquerda, abrindo espaço às subidas de Marquinho. No entanto, tais iniciativas foram insuficientes para criar situações de perigo.

Em suma, o Boavista deixou, neste jogo, uma imagem mais positiva relativamente ao encontro em Vizela, apesar da segunda parte pobre em termos exibicionais (que é compreensível dado o pouco tempo de preparação da equipa). Diakité, Fleurival (embora um "trinco" de origem, tem tido um registo positivo como médio-interior direito) e Gajic parecem assumir-se como unidades importantes no meio-campo. Laionel, por sua vez, revela-se, cada vez mais, uma das boas surpresas deste novo Boavista e Rissut, por seu lado, mostrou que tem condições para conquistar a titularidade do lado direito da defesa do Boavista.

Análise individual:

Carlos - Ainda não se encontra na sua melhor forma em termos físicos, mas, ontem à tarde, exibiu-se num nível superior em comparação com o encontro em Vizela. Deu um "ar da sua graça" quando foi chamado a intervir, na primeira parte, a desviar, com a mão esquerda, um cabeceamento bastante perigoso. Sem culpas no lance do golo lousadense.

Rissut - Fez a sua estreia ao serviço do Boavista e foi um dos melhores em campo. Sem grande trabalho a defender, fez, com Laionel, uma dupla bastante interessante no flanco direito do ataque do Boavista. Mostrou qualidade técnica, bom controlo de bola e inteligência em termos tácticos, ao explorar, com diagonais, os espaços vazios no último reduto do Lousada. Marcou um grande golo, num remate forte e colocado de fora da área, após, desmarcado por Fleurival, ter fintado um dos defesas do Lousada. É um reforço que promete.

Ricardo Silva - Esteve mal no passe, ao exagerar nos passes longos para o ataque, mas tal facto não é suficiente para deixar de considerar a sua actuação positiva. Em boa verdade, não teve muito trabalho, mas mostrou, como é seu tímbre, segurança e capacidade de liderança no sector defensivo.

Bruno Pinheiro - Bem melhor do que no jogo em Vizela. É certo que a sua compleição física algo frágil (parece não ter, ainda, a massa muscular suficiente para ganhar no choque com os avançados adversários numa primeira liga), mas, por outro lado, mostrou que é um central promissor: esteve imperial no jogo aéreo e revelou qualidade em termos técnicos na forma como soltava a bola, para companheiros no meio-campo, no passe. A rever.

Marquinho - Teve a missão ingrata de actuar no flanco contrário ao seu melhor pé, o que lhe criou dificuldades na tentativa de explorar, da melhor maneira, os espaços criados por Grzelak, primeiro, e Edgar, depois. Em termos defensivos, voltou a exibir as dificuldades do costume no posicionamento, deixando, por isso, antecipar-se em algumas situações. Além disso, foi mal batido no lance que acabou por resultar no jogo do Lousada.

Diakité - Parece impor-se como uma das unidades fulcrais da equipa. Novamente a actuar com as funções de "vértice" mais recuado do meio-campo, fez, tal como em Vizela, aquilo que se lhe pedia: ganhou todos os lances pelo ar e, junto ao relvado, "varreu" toda a sua zona de acção e com a bola nos pés, soltou-a sempre com rapidez para os companheiros de sector ou para o lateral-esquerdo Marquinho.

Fleurival - Jogou outra vez como médio-interior direito e a verdade é que se deu bem nessa posição, ao combinar muito bem com a dupla que fez "estragos" pela ala direita. Possante e muit aguerrido, nunca virou a cara à luta, recuperando imensas bolas, valendo-se da sua compleição física. Tem como óbice para jogar nessa posição o facto de não ser um jogador muito criativo, mas compensa isso com a sua garra e capacidade para participar em triangulações com Rissut e Laionel. O golo foi como que o corulário da sua (boa) actuação.

Milan Gajic - Tal como aconteceu em Vizela, mostrou, em várias ocasiões, que é um futebolista refinado e capaz de organizar o jogo ofensivo da equipa. Pediu muitas vezes a bola e, com o esférico nos seus pés, gizou algumas aberturas e passes a rasgar de grande qualidade, além de o cruzamento para o segundo golo ter sido preciso. Além disso, consegue, tal como Grzelak e Laionel, criar desequilíbrios no um-para-um. Ganhou, mais uma vez, terreno na luta pelo lugar de "playmaker" da equipa.

Laionel - Repetiu os excelentes apontamentos evidenciados no encontro anterior. Combinou muito bem com Rissut e Fleurival e deu grande profundidade ao flanco direito da equipa. Irrequieto e muito rápido, apenas foi travado pelo flanco esquerdo do Lousada em falta. De facto, foi muito castigado por entradas duras.

Roland Linz - Esteve bastante desinspirado. Desta vez, não pode "queixar-se" da falta de oportunidades. Mostrou quase sempre pouca convicção na abordagem aos lances, o que explica que tenha desperdiçado algumas ocasiões de golo.

Grzelak - Mais uma actuação em bom nível, como é seu costume. Ainda precisa de algumas "afinações" no capítulo do cruzamento, mas conseguiu criar desequilíbrios graças à sua capacidade para manter o esférico na sua posse em espaços reduzidos. Com diagonais, abriu espaço para as subidas de Marquinho e combinou bem com Gajic.

Kifuta - Esteve num plano mais positivo que Linz, uma vez que mostrou maior capacidade de lutar pela recuperação do esférico (efectou um "pressing" mais eficaz e intenso, o que valeu mais recuperações de bola no último reduto contrário) e mais velocidade. Apesar dos seus 19 anos, é forte fisicamente, o que lhe permite enfrentar sem receios o choque com os centrais adversários. É, também ele, um jogador a rever.

Edgar - Começou algo discreto, mas foi subindo de produção com o decorrer do encontro. Tal como Carlos, ainda está algo pesado, mas parece caminhar "a passos largos" para sua melhor forma. Com algumas incursões pela esquerda, foi abrindo espaços para as subidas de Marquinho, que, no entanto, não tiveram a melhor conclusão por parte do lateral brasileiro.

Essame - Jogou, outra vez, mais adiantado no terreno que na época passada, com a responsabilidade de distribuir jogo para o sector ofensivo. É certo que entrou na fase do encontro que a bola era pior "tratada", mas, ainda assim, deixou alguns apontamentos positivos, ao desmarcar, com boas aberturas, os companheiros das alas.

Gilberto - Entrou para jogar com defesa-direito e pode dizer-se que cumpriu. Não foi tão ofensivo como Rissut, mas, nos 35 minutos em que esteve em campo, deu a ideia de que pode ser uma solução de recurso para o lado direito da defesa.

Hugo Monteiro - Não teve muito tempo nem oportunidades para mostrar serviço. No entanto, sempre que solicitado, mostrou um pouco mais de objectividade e sentido de jogo colectivo que no encontro em Vizela. Todavia, é, dos 4 extremos do plantel, aquele que está mais longe da titularidade.

Fary - Também esteve pouco tempo em campo. Jogou nas "costas" de Kifuta e destacou-se numa abertura que fez para o seu companheiro da frente de ataque e que, por pouco, Kifuta não conseguiu concretizar em golo.

 

O "onze" inicial: "Rafa" Grzelak, Milan Gajic, Carlos, Linz, Marquinho, Diakité, Fleurival, Bruno Pinheiro, Laionel, Rissut e Ricardo Silva

 

Carlos em exercícios de "aquecimento"... titular do Boavista ano e meio depois

5-contra-5: um exercício habitual poucos minutos antes do início de cada jogo

 

Linz recria-se com a bola... com Rissut a observar

Rissut numa estreia feliz em partidas ao serviço do Boavista

Gilberto, Hugo Monteiro, Edgar e Kifuta preparam-se para entrar no jogo

 

Kifuta e a marcação do central adversário... em mais uma estreia no Boavista

 

O próximo compromisso de carácter particular do Boavista tem lugar em Freamunde, frente à equipa local (recém-promovida à Liga Vitalis), na próxima quarta-feira às 20 horas.



publicado por pjmcs às 12:22
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1 comentário:
De Julio Gonçalo a 24 de Julho de 2007 às 21:12
Aproveitem e contratem um jovem central! o Felipe Santana do Figuirense(Brasil) era uma boa escolha...


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