Sábado, 23 de Dezembro de 2006
Braga 2 - Boavista 2: GRANDE RECUPERAÇÃO... MAS A VITÓRIA PODERIA TER SIDO UMA REALIDADE

Braga Paulo Santos; Luís Filipe, Paulo Jorge, Nem e Carlos Fernandes (Frechaut, aos 37min); Vandinho e Ricardo Chaves (Marcel, aos 83min); Bruno Gama, João Pinto e Wender (Césinha, aos 64min); Zé Carlos

Treinador: Rogério Gonçalves

Boavista Khadim; Lucas, Ricardo Silva (Léo Tambussi, aos 67min), Hélder Rosário e Fernando Diniz; Essame, Kazmierczak e Paulo Sousa; Zé Manel (Hugo Monteiro, aos 83min), Roland Linz (Marquinho, aos 79min) e Rafal Grzelak 

Treinador: Jaime Pacheco

O Boavista fechou o ano de 2006 com um empate no dificílimo Estádio Municipal de Braga (onde FC Porto e Benfica foram derrotados esta época), num encontro em que, dando sequência à boa exibição frente ao Beira-Mar, os "axadrezados", apesar da igualdade no marcador, mostraram qualidade no seu futebol ofensivo e, como afirmou Jaime Pacheco na conferência de imprensa após o jogo, saúde mental, visto que conseguiu recuperar de uma (injusta) vantagem de dois golos. No entanto, o Boavista deve, uma vez mais (tal como aconteceu, por exemplo, em Paços de Ferreira e no Estádio do Dragão), quase única e exclusivamente a si próprio, o facto de não ter conseguido sair de Braga com os três pontos. Os dois golos do Braga nasceram de dois erros: no primeiro, Khadim, depois de, alguns minutos antes, se ter evidenciado pela positiva ao travar o (inexistente) penalty de Wender, efectuou uma péssima saída ao cruzamento de João Pinto; no segundo, Frechaut teve todo o tempo e espaço para, mesmo sem grande velocidade, penetrar pelo lado direito da defesa do Boavista, puxar a bola para o pé direito e cruzar, num centro que, todavia, não traria grande perigo não fosse o infeliz desvio de Hélder Rosário. Além disso, numa fase do jogo (com o resultado já em 2-2) em que o Boavista mostrava maior fluidez no seu futebol que o Braga e estava, claramente, mais perto de fazer o 2-3, Grzelak, até então um dos melhores em campo (principalmente após o 2-2, criando, sistematicamente, imensas dificuldades ao lateral-direito Luís Filipe, impedindo-o de apoiar o ataque e conseguindo abrir "rasgar" pelo flanco esquerdo), viu o segundo cartão amarelo por ter continuado com a bola nos pés quando a partida se encontrava interrompida. Uma expulsão completamente desnecessária e que "quebrou" o ritmo do Boavista, permitindo ao Braga, não obstante o segundo cartão amarelo a João Pinto quatro minutos depois, ter uns 10 minutos finais com "sinal mais" na partida, apesar de apresentar pouca criatividade no seu futebol.

ANÁLISE TÁCTICA

Quando foi anunciada a constituição das equipas, parecia que não havia quaisquer surpresas no "onze" e no dispositivo táctico (4-3-3) da equipa do Boavista, que apresentou a equipa titular prevista, neste blog, na antevisão. Contudo, Jaime Pacheco fez uma alteração importante: Kazmierczak recuou no terreno, passando a assumir as funções de médio mais recuado (tendo sido encarregue da marcação individual a João Pinto), Paulo Sousa actuou como médio-interior esquerdo e Essame subiu para médio-interior direito. Aliás, a acção de Essame, em comparação com o encontro frente ao Beira-Mar, teve algumas características diferente, aparecendo, inclusive, em algumas situações na primeira parte, como médio direito, face aos frequentes deslocamentos de Zé Manel para zonas mais interiores do terreno. Após a expulsão de Grzelak, Pacheco, na tentativa de fechar todos os espaços no seu sector mais recuado, trocou Roland Linz por Marquinho, enquanto que Kazmierczak recuou para terceiro central (de modo a evitar que os lançamentos longos do Braga para os dois avançados Marcel e Zé Carlos trouxessem algum perigo), passando o BFC a actuar num 5-3-1, com Marquinho a juntar-se a Essame e a Paulo Sousa no sector inermediário e Zé Manel como único elemento de características ofensivas. A alteração de Zé Manel por Hugo Monteiro não trouxe grandes modificações a nível táctico.

Quanto ao Braga, Rogério Gonçalves apostou no habitual 4-2-3-1, que apenas sofreu alterações com a expulsão de João Pinto e a entrada de Marcel: nos minutos finais, os bracarenses actuaram num 4-3-2.

DESTAQUES INDIVIDUAIS E COMENTÁRIO FINAL

Kazmierczak foi, sem qualquer dúvida, o melhor elemento em campo, pela diversidade de tarefas que conseguiu executar, sendo bem-sucedido em todas elas. Conseguiu encurtar os espaços ao principal "motor" do jogo ofensivo minhoto (João Pinto), "obrigando-o" a procurar as faixas laterais, e assumiu-se, quase sempre, com o primeiro jogador na construção ofensiva do Boavista, conseguindo algumas aberturas e combinações com o compatriota Grzelak. Além disso, foi praticamente imbatível no jogo aéreo, sendo, portanto, importante na forma como permitiu que o meio-campo do Boavista fosse quase sempre superior ao do Braga nesta vertente do jogo e, nos minutos finais, ao recuar como terceiro central (o facto de os lançamentos longos do Braga na fase final da partida terem sido inconsequentes em muito se deveu ao irrepreensível jogo aéreo a Kaz). Isto sem esquecer que, no lance do segundo golo, foi Kazmierczak quem cabeceou para a defesa incompleta de Paulo Santos (que Linz aproveitou para concretizar em golo). O outro polaco do BFC, Grzelak, acabou por estragar a sua actuação com uma expulsão, pode afirmar-se, infantil. Até então, "Rafa" estava a criar imensas dificuldades a Luís Filipe, conseguindo abrir zonas de penetração (como aconteceu no lance do primeiro golo, em que desmarcou Linz após um grande trabalho sobre Paulo Jorge) e "ganhar" algumas faltas perigosas (como aquela que resultou no segundo tento "axadrezado"). Grzelak poderia, também, ter feito o 2-3, quando, vindo de trás, respondeu com um remate de primeira, que acabou por sair ligeiramente ao lado, a um cruzamento atrasado de Paulo Sousa.

Outro dos elementos em destaque no Boavista foi Linz, que, uma vez mais, lutou imenso entre os centrais adversários e esteve nos dois golos. Fernando Diniz, depois de um início de jogo em que apenas se dedicou às tarefas defensivas, acabou por ganhar confiança ao longo do encontro, tendo o seu melhor período na segunda parte até à expulsão de Grzelak, no qual ajudou a dar profundidade ofensiva ao seu flanco. Lucas, por seu lado, apesar de não estar totalmente isento de culpas no lance do segundo golo "arsenalista", teve mais uma actuação bastante positiva a lateral-direito, não tendo grandes dificuldades para anular Wender e Césinha. Além disso, compensou, na segunda parte, o facto de Zé Manel ter flectido demasiadas vezes para o centro do terreno com subidas frequentes pela sua faixa. Paulo Sousa e Essame erraram alguns passes, mas acabaram por ser importantes na medida em que deram grande consistência ao meio-campo. O segundo, talvez fruto do facto de se ter imposto como titular no "onze" de Pacheco, entrou melhor no encontro, desdobrando-se bem entre as tarefas defensivas e as subidas pelo flanco direito, mas Paulo Sousa acabou por ser um dos melhores da equipa na segunda parte, lutando imenso e contribuindo para que o Boavista fizesse um "pressing" mais alto. Khadim fez o melhor e o pior: defendeu a grande penalidade de Wender, mas foi o principal responsável pelo golo que abriu o marcador no Estádio Municipal de Braga. Quem também se destacou quer pela positiva, quer pela negativa foi Zé Manel, uma vez que revelou grande sentido de oportunidade ao fazer a recarga que deu o primeiro golo do Boavista, porém, sempre que teve a bola nos pés, mostrou pouco sentido prático e complicou demasiado, além de não ter dado grande profundidade ofensiva ao flanco direito.

Resta comentar a actuação do árbitro Duarte Gomes, que errou no lance que originou a grande penalidade do Braga: Wender não foi tocado na grande área do Boavista, acabando por iludir o juiz da partida. Ficam dúvidas num lance, também na área do BFC, em que Duarte Gomes assinalou mão na bola por parte de João Pinto (poderá ter sido Ricardo Silva, e não ex-boavisteiro, quem cometeu a infracção). No entanto, por ser uma situação difícil de descortinar, fica a benefício da dúvida para Duarte Gomes. Houve outra situação, no entanto, em que tal benefício da dúvida não existe: aquando da (justa) expulsão de Grzelak, também Paulo Santos e Luís Filipe deveriam ter sido penalizados com a exibição do cartão amarelo, o que, no caso do guarda-redes bracarense, equivaleria a uma expulsão (já que havia visto o cartão amarelo na primeira parte).

Num encontro de futebol que foi, sem qualquer dúvida, um dos melhores, até agora, da presente edição da Liga, o Boavista, apesar de só ter saído do Estádio Municipal de Braga com um ponto, mostrou classe e qualidade, além de uma grande força mental, que lhe permitiu recuperar de uma situação extremamente penalizadora no resultado. Os "axadrezados" mostraram ambição e foram, durante quase toda a segunda parte, claramente superiores ao adversário. O Boavista fecha 2006 num surpreendente (pela negativa, obviamente) 11.º lugar, a seis pontos de um lugar europeu, mas as recentes exibições frente a Braga, Beira-Mar e, não obstante a derrota, FC Porto permitem concluir que a equipa está, pelo menos por ora, no bom caminho e que a mudança de comando técnico, com o regresso de Pacheco, está a ter efeitos muito positivos, já que se nota uma evolução muito interessante no futebol praticado pela equipa e uma maior organização em termos tácticos. Falta, porém, resolver o grande problema deste Boavista 2006/2007, que tem custado alguns pontos em jogos nos quais o BFC merecia, claramente, melhor resultado: os erros cometidos no sector defensivo, sobretudo por parte do guarda-redes Khadim. Se o Boavista conseguir evitar que as falhas "grosseiras" no seu último reduto continuem a ser cometidas e se mantiver a mesma qualidade de jogo na iniciativa ofensiva, o que falta jogar nesta Liga em 2007 poderá trazer grandes alegrias aos boavisteiros...

      VIVA O BOAVISTA!!!



publicado por pjmcs às 20:50
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