Sábado, 16 de Dezembro de 2006
Boavista 3 – Beira-Mar 0: SINAIS DE RETOMA NUMA VITÓRIA TRANQUILA

Boavista Khadim; Lucas, Hélder Rosário, Cissé e Mário Silva (Léo Tambussi, aos 72min); Essame; Zé Manel (Zairi, aos 67min), Ricardo Sousa, Kazmierczak e Grzelak; Roland Linz (Fary, aos 79min)

Treinador: Jaime Pacheco

Beira-Mar  – Alê; Ricardo, Buba (Jorge Vidigal, ao intervalo), Alcaraz e Tininho; Ribeiro (Luciano Ratinho, aos 57min), André Leão (Torrão, aos 84min), Emerson e Vasco Matos; Rui Lima e Diogo Macedo 

Treinador: Carlos Carvalhal

O Boavista bateu, de forma clara e concludente, o Beira-Mar por três bolas a zero, num encontro em que a vitória era absolutamente fundamental no sentido de estabilizar os "axadrezados"  na tabela classificativa da Liga. O BFC acabou por confirmar as boas indicações que havia deixado, apesar da derrota, no Estádio do Dragão, mas, desta feita, não cometeu erros no seu último reduto (embora seja certo que o Beira-Mar nunca tenho criado grande perigo, exceptuando um remate de André Leão, na sequência de um canto, que apenas foi travado por Kazmierczak em cima da linha de golo... mas o resultado já se cifrava num 3-0) e conseguiu ser mais eficaz no último passe, o que lhe valeu um número bastante interessante de oportunidades de golo (para além dos três tentos apontados). Aliás, convém dizer que, sobretudo nos 20 minutos finais da primeira parte (em que o BFC insistiu imenso na procura do 2-0), o Boavista poderia ter colocado o resultado em números ainda mais esclarecedores. Uma perdida incrível de Ricardo Sousa (que, após assistência de Linz, frente-a-frente com o guarda-redes Alê e a escassímos metros da baliza, acabou por rematar fraco) e uma excelente intervenção de Alê, negando o tento a um cabeceamento de Linz quando já se gritava golo no Estádio do Bessa Século XXI, são os dois exemplos mais gritantes.

Com um meio-campo bastante dinâmico, tendo em Essame algo mais que um simples médio-defensivo, pois, além das importantes compensações que o camaronês foi efectuando no sector mais recuado, Essame conseguiu emprestar rapidez à circulação de bola no início da construção ofensiva e, também, mostrando visão de jogo, gizou algumas aberturas de qualidade para a ala esquerda, ocupada pelo intratável Grzelak. A acção de Essame permitiu, igualmente, libertar Kazmierczak (não tão preciso no passe como frente ao FC Porto, mas, mesmo assim, um elemento útil na equipa e importantíssimo no jogo aéreo - como ficou bem patente no lance do segundo golo) e Ricardo Sousa (apesar de ter errado um ou outro passe, foi um elemento fulcral na organização do jogo ofensivo boavisteiro). Desta forma, o Boavista conseguiu, desde fase bastante precoce na partida, dominar por completo as operações do jogo e "empurrar" o Beira-Mar para o último terço do terreno, impedindo, inclusive, que os aveirenses esboçassem algum contra-ataque.

Além disso, o facto de Zé Manel ter dado, ao contrário do que aconteceu frente ao FC Porto, profundidade à faixa direita do ataque (não apresentando receio de tentar "furar" para explorar a zona junto à linha de fundo para cruzar), aliado a uma excelente exibição de Grzelak (que, tal como nos tem habituado, voltou a evidenciar uma qualidade técnica e uma capacidade para sair com a bola controlada de espaços muito curtos acima da média - atributos que, desta vez, foram complementados com a marcação de dois golos), que foi, sem qualquer dúvida, o melhor elemento em campo, permitiu fornecer maior objectividade ao ataque do Boavista. Ainda no sector ofensivo, merece destaque a capacidade de Roland Linz para segurar o esférico e abrir espaços perante os centrais aveirenses. O avançado austríaco regressou aos golos, numa oportuna entrada de cabeça após um belo cruzamento de Lucas. Por falar em Lucas, não seria justo deixar de realçar a excelente actuação da recente adaptação promovida por Jaime Pacheco. Se, na primeira parte, o ex-academista foi, essencialmente, eficaz, ao mostrar grande segurança no desarme, no segundo tempo, principalmente após o lance do 3-0, a confiança de Lucas foi crescendo e isso reflectiu-se nas constantes iniciativas do número 22 pelo lado direito do ataque. Em suma, uma exibição muito positiva e animadora para as hostes "axadrezadas", podendo ser esta a solução para uma das lacunas do plantel.

ANÁLISE TÁCTICA

Jaime Pacheco apostou, em termos de figurino táctico, numa estratégia bastante semelhante à do jogo do Estádio do Dragão, com uma pequena nuance: o 4-2-3-1 passou para um 4-3-3 desdobrável em 4-1-4-1 nas tarefas ofensivas, com Essame a ser o vértice defensivo e Kazmierczak nas funções de segundo médio-ofensivo, auxiliando Ricardo Sousa na construção de jogo. Fruto disso (e, obviamente, do grande caudal ofensivo do Boavista), Sousa aproveitou para aparecer, em algumas situações, no apoio directo a Linz, podendo, tal como foi referido no início desta análise, ter feito o "gosto ao pé". Aliás, pode dizer-se que, em algumas situações ofensivas, o Boavista jogava não em 4-1-4-1, mas, sim, em 4-2-4. Na segunda parte, o esquema manteve-se praticamente inalterado, mesmo após as três substituições.

Quanto ao Beira-Mar, Carlos Carvalhal, com um esquema bastante conservador, procurou, acima de tudo, bloquear as alas do ataque do Boavista, bem como as acções de Ricardo Sousa, através da atribuição a Emerson (muito quezilento) da missão de anular o criativo do BFC. Ribeiro, na ala direita do meio-campo, era, na prática, um segundo lateral-direito, permitindo a Ricardo funcionar como terceiro defesa-central. Aliás, apesar de, em teoria, o sistema táctico aveirense ser um 4-4-2, a verdade é que, na primeira parte, muitas vezes a equipa jogou em 5-3-2, com Rui Lima a ser o único apoio ao homem da frente, Diogo Macedo. Já com resultado em 3-0, a entrada de Luciano Ratinho para o lugar de Ribeiro conferiu ao Beira-Mar alguma dinâmica ofensiva, mas, também, mais espaços para o Boavista (que aligeirou o ritmo após o 3-0) lançar alguns ataques rápidos.

ÚLTIMAS NOTAS

Em jeito de conclusão, repetindo um pouco uma ideia enfatizada durante esta análise, o Boavista deu, frente ao Beira-Mar sinais muito animadores de consistência e, também, de algo fundamental nos jogos em casa, que poucas vezes tinha acontecido nesta temporada: os “axadrezados” entraram em campo a querer “mandar”, desde o início, no jogo, impondo o seu futebol e marcado cedo, o que acabou por limitar imenso a estratégia urdida por Carlos Carvalhal. Além disso, foi também importante a atitude da equipa após o 1-0: ao invés de passar a jogar na expectativa, defendendo a “magra” vantagem, o Boavista continuou a pressionar, principalmente nos últimos 20 minutos da primeira parte, no ensejo de conseguir o 2-0, resultado que dava muito mais tranquilidade e que, praticamente, resolvia a partida.

Uma nota também, para o árbitro da partida, que foi excessivamente complacente para com Emerson (que agrediu Ricardo Sousa com uma bofetada e reincidiu, durante a primeira parte, no comportamento violento, ao ser protagonista de algumas entradas muito duras), que não viu, sequer, o cartão amarelo. Além disso, houve dois lances, um para cada lado, que Bruno Paixão não terá ajuizado bem: a carga de Léo Tambussi, na grande área, sobre Diogo Macedo parece ser à “margem” das leis e, num lance mais nítido, Zairi é claramente rasteirado por Alcaraz – “penalty” por marcar.

Para terminar, resta realçar a importância destes três pontos na “fuga” a uma situação incómoda na tabela classificativa e que podem galvanizar e dar mais confiança à equipa na abordagem ao jogo da próxima segunda-feira, em Braga, onde o Boavista tem uma prova de “fogo” no que concerne ao objectivo traçado no início da época: o apuramento para as competições europeias. A vitória concludente sobre o Beira-Mar foi a confirmação de que, desde que Jaime Pacheco assumiu o comando técnico do BFC, a equipa tem ganho consistência, organização e maior capacidade na construção ofensiva. Que esta tendência tenha continuidade no encontro na cidade dos Arcebispos…

VIVA O BOAVISTA!!!



publicado por pjmcs às 14:29
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2 comentários:
De nf a 16 de Dezembro de 2006 às 20:18
ficamos com razoes para acreditar num bom resultado em braga!


De BFC a 17 de Dezembro de 2006 às 07:09
Óptimo resultado para o Mr.Jaime e para o resto do plantel. Era mesmo isto que já se esperava há algum tempo. Boa exibição de todos os jogadores. Com atenção a Leo , Roland , Rafa e Essame . Óptimo ver que certos hábitos criados pelo Judas. Os cruzamentos ao segundo poste acabaram, o Kaz já remata de longe etc. Óptimo ver que o trabalho do Mr.Pacheco deu resultados imediatos.
Mais do que uma vitória para nós adeptos, é uma vitória para o próprio grupo de trabalho.
Obrigado Mágico Xadrez.


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