Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006
FC Porto 2 - Boavista 0: O ERRO DE KHADIM FEZ A DIFERENÇA

FC Porto – Hélton; Bosingwa, Pepe, Bruno Alves e Marek Cech; João Paulo (Lisandro, ao intervalo), Ibson e Lucho González; Bruno Moraes (Raul Meireles, aois 66min), Hélder Postiga (Jorginho, aos 77min) e Quaresma

 

Treinador: Jesualdo Ferreira

 

Boavista – Khadim; Lucas, Ricardo Silva, Cissé e Mário Silva; Tiago e Kazmierczak, Zé Manel, Ricardo Sousa e Grzelak; Roland Linz

 

Treinador: Jaime Pacheco

O Boavista perdeu por duas bolas a zero frente ao FC Porto, numa partida em que o resultado dá, para quem não viu o jogo, a ilusão de que terá sido uma vitória tranquila e sem grande oposição do actual líder do campeonato. Puro engano.

Foi um derby relativamente "insosso", uma vez que o equilíbrio foi nota dominante até ao momento do golo verdadeiramente anómalo do FC Porto (exceptando os 10 minutos iniciais, em que o Boavista que ainda não tinha acertado as marcações ao móvel tridente ofensivo portista). As oportunidades de golo, por isso, escassearam. No entanto, visto que a responsabilidade principal era, sem dúvida, do FC Porto (dado a circunstância de o encontro se realizar no Estádio do Dragão), pode dizer-se que a actuação do Boavista cumpria os objectivos: bloqueava as acções ao meio-campo adversário (onde nem Lucho nem, tão-pouco, Ibson conseguiam dar criatividade ao jogo ofensivo portista) e conseguia gizar alguns ataques rápidos, depois dos 10 minutos iniciais, recorrendo à visão de jogo e às excelentes aberturas de Kazmierczak (e, por vezes, de Ricardo Sousa), as quais solicitavam um Grzelak que dava imenso trabalho a Bosingwa, só pecando no capítulo do cruzamento. Aliás, não é, de forma alguma, descabido afirmar que a melhor ocasião de golo no primeiro tempo pertenceu ao Boavista, com um cruzamento, do lado direito, que Linz, por muito pouco, e Grzelak não conseguiram desviar com sucesso.

O FC Porto, por seu lado, tentava criar espaços pelas alas e, de facto, Quaresma era o único homem que conseguia causar desequílibros, quer pela faixa esquerda, quer pela direita, à defensiva "axadrezada". Hélder Postiga também criou alguns problemas a Lucas e a Ricardo Silva, na fase inicial da partida, graças ao seu surpreendente posicionamento pela ala esquerda em algumas situações, mas, depois de os dois centrais do BFC definirem as marcações, não mais (fora, obviamente, no segundo golo - num lance muito duvidoso, por sinal...) Postiga conseguiu, em lances de bola corrida, criar perigo. Lucho, por sua vez, tentou, num par de ocasiões, aproveitar as segundas bolas com remates à entrada da área (a sua grande especialidade), porém, estes erraram, claramente, o alvo. O intervalo chegava com uma igualdade a zero que se justificava plenamente.

Na segunda parte, o FC Porto entrou mais pressionante (fruto, também, da saída do "trinco" João Paulo para a entrada de Lisandro), mas, apesar do maior pendor atacante dado pela presença de mais um elemento de características ofensivas, continuava a dar a clara ideia de que o Boavista, não obstante o ligeiro recuo da linha formada por Tiago e Kazmierczak, tinha as operações controladas, já que a equipa das Antas não se aproximava com grande perigo da baliza de Khadim. Além disso, era facilmente constatável que os dois playmakers "axadrezados" (Kaz e Ricardo Sousa) dispunham de mais espaços (porque o FC Porto não apresentava nenhum elemento no sector intermediário com capacidade de recuperação de bolas) para lançarem os ataques rápidos do BFC e era expectável que, mantendo os dois centrais completamente intransponíveis, o Boavista criasse mais problemas ao último reduto portista.

Todavia, eis que o volteface inesperado acontece. Quaresma, na esquerda do ataque do FC Porto, efectua um remate aparentemente inofensivo, mas, inacreditavelmente, Khadim confia, em demasia, no seu "golpe de vista" e, sem esboçar a mínima reacção, deixa o esférico entrar na baliza pelo reduzido espaço entre ele e o poste. Um erro gravíssimo do guarda-redes senegalês que abalou, por completo, uma estratégia que estava a ser bastante profícua. A partir deste momento, perante um FC Porto extremamente moralizado (e que deixou de assumir as responsabilidades na condução do jogo, podendo jogar na expectativa, algo que as equipas de Jesualdo Ferreira, claramente, preferem), o Boavista, agora, com muito menos espaços para construir jogo apenas conseguiu ganhar alguns cantos e livres à entrada do meio-campo portista. Apesar de não ter, até final, criado situações de perigo, o BFC pode queixar-se de um erro do árbitro Elmano Santos, que, na sequência de um livre apontado por Lucas na direita, não viu (nem o árbitro-assistente) que Ricardo Silva foi impedido de disputar a bola porque foi agarrado por Hélder Postiga. Grande penalidade (mais uma...) por marcar a favor do Boavista.

A substituição operada por Jaime Pacheco (saiu Ricardo Sousa para entrar Hugo Monteiro, passando este para a ala direita e Zé Manel para as "costas" de Linz) também não foi feliz, já que Hugo Monteiro pouco foi capaz de acrescentar à ala direita do ataque do Boavista (que, no jogo de sábado, não apresentou grande profundidade ofensiva, face às frequentes incursões de Zé Manel por zonas mais interiores) e Zé Manel, depois da boa segunda parte frente ao Estrela da Amadora a jogar no meio-campo, não tem a mesma qualidade e precisão de passe de Ricardo Sousa. O Boavista perdeu, assim, capacidade de fazer chegar jogo, com qualidade, aos flancos.

O segundo golo do FC Porto, num lance irregular (já que, se foi Cissé a desviar a bola com a mão, deveria ter sido assinalada grande penalidade e não validado o golo - não há leia da vantagem para a equipa que ataca em lances na grande área - se foi Pepe a cometer a infracção, então, obviamente, seria pontapé-livre a beneficiar o Boavista), no qual o facto de o árbitro-assistente ter levantado a bandeirola parece ter desconcentrado toda a defensiva boavisteira, veio confirmar que os três pontos dificilmente escapariam à formação da casa.

ANÁLISE TÁCTICA

Jaime Pacheco, de certa forma, acabou por surpreender no "onze" inicial que escolheu para mais um derby da cidade Invicta, ao não prescindir do tridente ofensivo e do criativo Ricardo Sousa e, ao mesmo tempo, por ter lançado Kazmierczak (passando Lucas para lateral-direito e relegando Hélder Rosário para o "banco"). Ou seja, Pacheco apostou num "onze" com uma tendência mais ofensiva em comparação, por exemplo, com a equipa inicial com que o BFC recebeu o Estrela. Os "axadrezados" apresentaram-se, assim, num sistema de 4-2-3-1, desdobrável em 4-1-4-1 nas acções ofensivas (com a incorporação de Kazmierczak na construção ofensiva). Após o primeiro golo do FC Porto, Pacheco tentou reagir com a entrada de Hugo Monteiro, rendendo Ricardo Sousa e mantendo-se, assim, o 4-2-3-1 (com Zé Manel no lugar de Ricardo Sousa), mesmo após as substituições Tiago - Essame e Roland Linz - Fary.

DESTAQUES INDIVIDUAIS E ÚLTIMAS NOTAS

Kazmierczak foi, claramente, o jogador que mais se evidenciou pela positiva, uma vez que foi o principal organizador de jogo do BFC no relvado do Estádio do Dragão, gizando passes a 20, 30 metros para a ala esquerda, a solicitar o compatriota Grzelak. Além disso, Kaz iniciou, também, algumas combinações envolvendo Ricardo Sousa e Zé Manel, no período da primeira parte em que o Boavista dominava o encontro e conseguia acercar-se com algum perigo da baliza de Hélton. Grzelak, por sua vez, graças ao seu bom controlo de bola e capacidade no drible, criou alguns problemas a Bosingwa e ao próprio Pepe, só pecando por não aplicar a força suficiente nos centros para Linz. Aliás, Roland Linz, apesar de ter tentado pressionar o seu marcador (Bruno Alves), esteve bastante apagado, talvez por raramente ter sido solicitado nas melhores condições. Outros destaques incontornáveis são os dois centrais, que, com maior ou menor problema, foram anulando as iniciativas ofensivas do FC Porto e conseguiram impedir que Postiga, Bruno Moraes e Lisandro desequilibrassem.

O Boavista, não obstante a derrota (que complica, ainda mais, a situação na tabela classificativa), mostrou, ainda assim, personalidade e uma excelente organização quer na ocupação dos espaços, quer na circulação de bola e na tentativa de explorar as falhas de marcação do sector mais recuado adversário. Além disso, jogadores como Kazmierczak, Grzelak e, apesar de não ter estado tão em destaque como frente ao Estrela, mostraram que têm qualidade suficiente para guindarem a equipa para lugares mais agradáveis e com perspectivas de objectivos mais ambiciosos do que o actual 12.º lugar. No entanto, o Boavista voltou, uma vez mais, desta feita através de um falha grosseira de Khadim, a perder pontos quase e exclusivamente por culpa de erros cometidos no seu último reduto. A rever...



publicado por pjmcs às 20:03
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1 comentário:
De Boavista a 8 de Dezembro de 2006 às 21:29
Obrigado. Isto sim já é um relatório digno do nosso clube. As minhas críticas foram única e exclusivamente feitas porque o blog tem qualidade. Muita.

Por isso, é que adorava ver mais notícias mais comentários. Se tiver tempo um dia destes, visite o plantel numa das sessões de treino , veja como trabalham, vejam como são uma equipa e não só um grupo de jogadores. Veja como trabalha o nosso Jaime.

Amanha, recebemos Beira-mar, é preciso uma vitória mais do que nunca para levantar os ânimos dos nossos jogadores.

Que prazer nos dá esta vida...
Boavista Sempre


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