Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006
Trofense 2 - Boavista 1

Equipa na primeira parte:

Equipa na segunda parte (até aos 70 minutos):

Equipa na segunda parte (após os 70 minutos):

O Boavista foi ontem derrotado pelo Trofense por um justo 2-1. Numa partida de qualidade paupérrima, por vezes entediante (sobretudo durante a segunda parte), os "axadrezados" foram a completa antítese daquilo que haviam mostrado frente ao Celta. No decorrer dos 90 minutos (mesmo tendo actuado com duas equipas diferentes, uma em cada parte do encontro), faltaram ideias, espontaneidade, velocidade e agressividade, pelo que o Trofense, evidenciando muito mais mobilidade e garra, aproveitou para, durante o primeiro tempo, dominar o jogo, criar as melhores oportunidades e chegar, depois do tento inaugural que até foi do Boavista (um auto-golo na sequência de um livre bem apontado por Grzelak, com o esférico a ser endossado para o "coração" da grande área), a uma vantagem merecida. No segundo tempo, o Trofense baixou, claramente, de ritmo, limitando-se a gerir o resultado e a ocupar os espaços, e, mesmo assim, o BFC não foi capaz de mandar no jogo, circular a bola com rapidez e progressão e construir lances de perigo. Em suma, foi um Boavista apático, sem chama nem criatividade, com a agravante de, nos primeiros 45 minutos, os dois centrais, Cissé e Tambussi, principalmente (e surpreendentemente) o primeiro, terem cometido alguns erros imperdoáveis e que permitiram ao Trofense marcar dois golos. No primeiro, que começou com um lançamento longo da defesa da casa, Tambussi foi batido em velocidade, não conseguindo interceptar o esférico, e Cissé, mais atrás, fez aquilo que era mais que evidente que não deveria fazer: decidiu, com um adversário (o irrequieto Reguila) a aproximar-se perigosamente, efectuar um atraso, de cabeça, para William. Ora, como o atraso acabou por sair demasiado curto e deficiente, Reguila recuperou a bola e não deu quaisquer hipóteses ao guarda-redes camaronês do BFC. No segundo tento trofense, na sequência de um canto, é incompreensível como o avançado contrário (outra vez Reguila) pôde cabecear completamente livre de marcação, dando, também, a sensação de que William não foi bem batido. Cantos, aliás, foram um problema para a defensiva do Boavista durante a primeira parte.

Apenas nos últimos 15 minutos da primeira parte o Boavista conseguiu mostrar algum futebol, carrilando o seu jogo pelos flancos: o direito, onde "morava" Lucas (já que Zé Manel, denotando alguma lentidão, se "refugiou" diversas vezes em zonas mais centrais, junto ao ponta-de-lança Linz), e o esquerdo, em que Grzelak, embora menos exuberante do que com o Celta, protagonizou uma das poucas actuações positivas da equipa, apoiado, não obstante em escassas ocasiões, por um Mário Silva que teve mais trabalho em termos defensivos do que no último sábado. Ao "cair do pano" da primeira parte, Marquinho cruzou para a grande área, solicitando Linz, que, em boa posição, acabou por cabecear de forma deficiente. Foi essa a única oportunidade flagrante de golo (tirando o lance que deu o 0-1) do Boavista em toda a primeira parte.

Na etapa complementar, esperava-se uma "Pantera" mais afoita, uma vez que a entrada do criativo Ricardo Sousa fazia antever um Boavista com mais ideias, maior qualidade de passe e criatividade. Puro engano. O esquerdino emprestado pelo Hannover 96 até protagonizou o melhor momento da segunda parte (um remate forte, de meia-distância, que passou muito perto do alvo), mas rapidamente entrou na abulia em que "mergulhou" o encontro, mostrando-se, também ele, demasiado lento e pouco capaz de rasgos individuais ou de passes espectaculares que animassem o jogo.

O Boavista deixou, portanto, uma imagem completamente diferente daquela que deu no último sábado, realizando uma péssima exibição perante um Trofense que, apesar de muito lutador e competitivo, não é, obviamente, um opositor suficientemente forte para jogar numa BwinLiga. Esperemos, por isso, que a mediocre actuação de ontem se tenha devido apenas ao cansaço físico associado ao forte calor que se fez sentir, à sucessão de encontros que este Boavista tem realizado e às intensas cargas de trabalho que o prof. Jesualdo Ferreira tem imposto nos treinos.

Análise individual:

William - acabou por ser vítima dos erros dos dois centrais, mas a verdade é que não parece estar isento de culpas no lance do segundo golo. Todavia, compensou essa falha com um par de boas defesas que evitaram males maiores.

Marquinho - apesar de continuar a revelar dificuldades ao nível do posicionamento e da rotação, o lateral brasileiro exibiu-se, ontem à tarde, a um nível ligeiramente superior ao que mostrou frente ao Celta. Efectuou alguns desarmes importantes e tentou auxiliar Lucas nas tarefas ofensivas, conseguindo tirar alguns cruzamentos (embora executados relativamente longe da linha de fundo). Porém, falhou alguns passes e, tal como aconteceu com a generalidade da equipa, faltaram-lhe ideias para dar maior criatividade ao futebol boavisteiro, pelo que recorreu, em algumas ocasiões, a lançamentos longos (a maioria dos quais inconsequentes).

Cissé - realizou, ontem à tarde, aquela que terá sido, muito provavelmente, a sua pior actuação desde que é jogador do Boavista. Durante esta pré-temporada (tal como aconteceu na época passada, sempre que foi chamado à equipa), Cissé tem-se revelado um central muito seguro, que joga sempre limpo e sem comprometer. Frente ao Trofense, o franco-maliano mostrou exactamente o contrário, deixando-se antecipar em diversas ocasiões e sendo batido (tal como Tambussi) várias vezes em velocidade.

Leo Tambussi - embora não tenha estado tão "desastrado" como o seu companheiro no centro da defesa, visto que conseguiu alguns desarmes e esteve bastante melhor no capítulo do alívio e do passe, o central argentino também não realizou uma exibição positiva, muito por culpa da falta de velocidade para travar os rápidos contra-ataques do Trofense.

Mário Silva - foi, talvez, o menos mau do sector defensivo na primeira parte, uma vez que conseguiu manter quase sempre rigor posicional e sobriedade a ocupar o lado esquerdo da defesa. Tentou integrar, em algumas ocasiões, a acção ofensiva da equipa (tendo, inclusive, participado na melhor jogada do Boavista em todo o encontro: a única jogada de envolvimento ofensivo que os "axadrezados" conseguiram construir), mas não foi tão ofensivo e afoito como é costume, face ao desacerto dos dois centrais e ao muito trabalho que o extremo-direito do Trofense lhe deu. 

Tiago - foi dos melhores elementos da equipa (talvez por jogar em casa). Cumpriu aquilo que se pede a um jogador que actua como vértice mais recuado do meio-campo: ocupar bem os espaços pelo corredor central e, quando tem a bola nos pés, soltá-la rapidamente (aspecto em que melhorou relativamente aos últimos jogos) e sem a perder para o adversário. Tentou iniciar alguns ataques, mas a pouca mobilidadade e versatilidade da equipa acabou por lhe fechar as linhas de passe.

Lucas - fez um jogo de sacrífico, pois teve de se desdobrar entre a posição de médio-interior direito (participando, por isso, na luta pela posse de bola a meio-campo) e o flanco direito do ataque, já que Zé Manel flectiu demasiadas vezes para o meio. Apesar de algumas perdas de bola e de dois remates de primeira completamente disparados, a exibição não pode, mesmo assim, ser considerada negativa, porque lutou imenso e procurou, não sendo um extremo de raiz, dar alguma profundidade ao flanco direito.

Kazmierczak - esteve a um nível muito inferior daquele que foi patenteado frente ao Celta. Mostrando-se claramente perdido em campo (não sabia se deveria ser um médio-interior esquerdo com preocupações defensivas e na recuperação de bola ou se se deveria assumir com unidade mais ofensiva do meio-campo, uma vez que o elemento que, inicialmente, teria essa função - Lucas - se deslocava amiúde para as faixas), o que lhe retirou lucidez e tempo para efectuar passes longos para a ala esquerda (um dos capítulos do jogo em que é mais forte). Além disso, fruto da sua indefinição em termos posicionais, não foi aquele jogador poderoso nas segundas bolas de que o Boavista precisa.

Zé Manel - mais uma exibição fraca do experiente extremo. Continua a mostrar demasiada lentidão, o que o impede de ultrapassar adversários pelas faixas e, assim, criar desequilíbrios. Tentou colmatar essa lacuna com a deslocação para posições mais interiores, mas, nessas funções, não conseguiu dar o apoio necessário a Roland Linz.

Rafal Grzelak - um dos poucos que se manteve igual a si próprio. Apesar de não ter efectuado aquelas recuperações de bola, no último reduto adversário, que fizeram vibrar o público do Estádio do Bessa Século XXI no jogo de apresentação, foi o único que, durante a primeira parte, tentou emprestar alguma criatividade à equipa, procurando fazer uso da sua facilidade no drible para criar alguns espaços. Além disso, mostrou que tem um bom pé esquerdo, útil nos lances de bola parada que resultem em cruzamentos para a grande área, como aquele que culminou no único golo "axadrezado".

Roland Linz - esteve algo apagado, é certo, e, com um mau gesto técnico, desperdiçou, de cabeça, a principal ocasião do Boavista para fazer o 2-2, mas a verdade é que não podia exigir mais a Roland Linz. Pouco solicitado por uma equipa que não conseguia delinear acções ofensivas coerentes, o ponta-de-lança austríaco lutou muito e procurou movimentar-se para os espaços vazios (de modo a poder receber a bola em boas condições para finalizar), no entanto, a inoperância "axadrezada" acabou por fazer com que Linz raramente tivesse sido servido convenientemente.

Peter Jehle - entrou para jogar os segundos 45 minutos e, ao contrário do que aconteceu com William, o ataque do Trofense pouco trabalho lhe deu. No entanto, sempre que foi chamado a intervir (em alguns remates), cumpriu, blocando sempre a bola com segurança.

Bessa - parece ser um lateral mais seguro que Marquinho a fechar o lado direito da defesa, conseguindo estancar todas as iniciativas do Trofense pela faixa direita. Todavia, teve como "pecha" o facto de raramente se ter "aventurado" a subir pelo seu flanco, pelo que não ajudou a dar profundidade ofensiva à ala direita.

Ricardo Silva - ganhou mais alguns "pontos" na luta por um lugar no centro da defesa, já que, nos antípodas de Tambussi e de Cissé, ganhou a maioria dos lances em que participou. Voltou a mostrar autoridade e eficácia no jogo aéreo e no desarme, pelo que, cada vez mais, se aproxima do nível exibicional da segunda volta da época transacta.

Hélder Rosário - tal como Ricardo Silva, deixou apontamentos positivos que lhe permitem ambicionar um lugar no "onze". Formou uma boa dupla com Ricardo Silva, complementando o bom jogo aéreo deste com a sua velocidade, que lhe possibilita fazer as compensações nas "costas" do seu companheiro no eixo defensivo.

Fernando Dinis - entrou bem no jogo, tentando animar o ataque com constantes subidas pela sua faixa. Nota-se que é um lateral rápido e evoluído tecnicamente, o que lhe garante grande capacidade ofensiva. A defender, esteve mais seguro do que é costume, mas também é certo que o Trofense, na segunda parte, se apresentou uma equipa muito mais retraída.

Essame - sendo o vértice mais recuado do meio-campo quando a equipa não tinha a posse de bola e tendo a missão de descair para a esquerda sempre que o BFC recuperava o esférico (de modo a que o Boavista pudesse desdobrar-se num 4-2-3-1, com Ricardo Sousa mais "solto" para tentar organizar jogo), Essame voltou a realizar uma exibição muito positiva, mostrando atributos que lhe permitirão ser um sério concorrente de Tiago por um lugar no "onze": rapidez na antecipação, na recuperação da bola e na distribuição desta e disciplina táctica para fazer a transição defensiva, ocupando os espaços concedidos pelos colegas que se incorporam na acção ofensiva.

Paulo Sousa - jogou cerca de 25 minutos e pouco mostrou. Participou na luta a meio-campo pela posse de bola, mas acabou por revelar sempre pouca arte e engenho quando tinha o esférico nos pés, não permitindo à equipa uma transição eficaz para o ataque.

Ricardo Sousa - um remate forte, a uma distância consideravel da baliza, que passou perto do alvo parecia ser o tónico ideal para uma boa exibição do criativo do BFC. Mas não. Ricardo Sousa tentou assumir o comando do jogo do Boavista, no entanto, não conseguiu fazer mais do que algumas aberturas para o flanco direito, a solicitar Hugo Monteiro. Tentou, em algumas ocasiões, abrir, em iniciativas individuais, zonas de penetração, mas a sua pouca velocidade tornou-o uma "presa" fácil para o sector defensivo do Trofense.

Hugo Monteiro - tentou animar o jogo, recorrendo à sua rapidez e poder de finta, mas acabou por se agarrar demasiado à bola, jogando pouco com a equipa. Optou algumas vezes pelo remate quando deveria cruzar; deve soltar mais a bola para se poder assumir como uma peça-chave da equipa no flanco direito do ataque. Nos 20 minutos finais, o recuo para jogar perto da linha do meio-campo acabou por lhe retirar espaço para criar desequilíbrios.

Marcos António - é um jogador extremamente raçudo e veloz, o que lhe permitiu criar alguns desequilíbrios no último reduto trofense. Contudo, a pouca mobilidade do resto da equipa acabou por fazer com que não tivesse linhas de passe, pelo que as suas iniciativas acabaram por ser quase sempre inconsequentes.

Fary - jogou como unidade mais adiantada da equipa no segundo tempo, recuando e descaindo para a direita, de modo a permitir a entrada de Marcos António. No entanto, não conseguiu trazer nada de novo à equipa, uma vez que perdeu sempre no choque e nos duelos físicos com os defesas adversários.

Nuno Pinto - entrou para jogar os últimos 20 minutos no flanco esquerdo do meio-campo. Teve um bom pé esquerdo e visão de jogo, tentando fazer algumas aberturas para o ataque, mas, tal como Fary, peca por não ter a evergadura física suficiente para ganhar e proteger a bola dos defesas e médios adversários.

O Notícias do Bessa esteve presente em mais um jogo de preparação do nosso Boavista. Eis algumas imagens do encontro:

Marcos António tenta penetrar, em velocidade, no último reduto trofense

Fernando Dinis

Hélder Rosário (no "aquecimento" para a segunda parte)



publicado por pjmcs às 11:26
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1 comentário:
De himura a 10 de Agosto de 2006 às 15:11
obrigado


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