Domingo, 6 de Agosto de 2006
Boavista 1 - Celta 1

Equipa na primeira parte:

Equipa na segunda parte (até aos 70 min):

Equipa na segunda parte (após 70 min):

Substituições: Leo Tambussi por Hélder Rosário (ao intervalo), Tiago por Essame (ao intervalo), Lucas por Hugo Monteiro (ao intervalo), Rafal Grzelak por Zé Manel (ao intervalo), Peter Jehle por William (aos 61 minutos), Ricardo Silva por Cissé (aos 64 min), Marquinho por Bessa (aos 67 min), Mário Silva por Fernando Dinis (aos 67 min), Kazmierczak por Paulo Sousa (aos 70 min), Ricardo Sousa por Marcos António (aos 70 min) e Roland Linz por Fary (aos 70 min)

O Boavista empatou, ontem ao final da tarde, a uma bola, frente ao Celta de Vigo, no encontro que marcou a apresentação do novo plantel "axadrezado" aos associados. Apesar de ainda haver algumas "arestas" por "limar" (nomeadamente ao nível da comunicação e entrosamento entre alguns jogadores - houve perdas de bola, na primeira parte, devido a falhas de comunicação), o Boavista exibiu num nível bastante bom diante de uma equipa que é uma das mais fortes no futebol espanhol. O 1-1 acaba por ser um resultado algo penalizador para o Boavista, dado o maior número de oportunidades flagrantes de golo, o maior domínio no cômputo global da partida e o maior tempo de posse de bola. Aliás, o tento do Celta, que inagurou o marcador no "cair do pano" da primeira metade do desafio, surgiu, contra a corrente do jogo, na sequência de uma falha que envolveu quase todo o sector defensivo: Marquinho deixou antecipar-se pelo extremo-esquerdo do Celta, Ricardo Silva deixou-se fintar, não efectuando o corte e Tambussi não interceptou o passe para Canobbio, que, assim, completamente isolado, não deu quaisquer hipóteses a Jehle. O golo de Roland Linz, aos 60 min, desmarcado por um excelente passe de Hugo Monteiro, efectuado a partir da ala direita, acabou por repor alguma justiça no resultado.

Para a primeira parte, Jesualdo Ferreira armou a equipa no habitual 4-3-3, mas com algumas "nuances", algumas das quais constituíram alguma surpresa: um meio-campo essencialmente voltado para a luta pela recuperação da bola, com os dois médios-interiores (Lucas e Kazmierczak) a terem a missão de fazerem uma rápida mas segura transposição do jogo para o ataque, e Ricardo Sousa a jogar como extremo-direito, flectindo para o meio-campo, de modo a colocar a bola em boas condições para o seu pé esquerdo, sendo as suas diagonais compensadas pelos movimentos de Lucas. No entanto, esta experiência efectuada pelo técnico do BFC acabou por não ter grande sucesso, já que Ricardo Sousa não mostrou ter a velocidade suficiente para receber a bola no flanco direito e ultrapassar os seus adversários, a fim de criar desequilíbrios. Por isso, até porque Marquinho raramente subia pela sua ala, os ataques do Boavista, durante o primeiro tempo, foram quase sempre conduzidos pelo flanco esquerdo, onde Mário Silva, mostrando segurança a defender, se mostrava bastante colaborativo nas acções ofensivas (como ele tanto gosta) e Grzelak, indiscutivelmente um dos melhores em campo, lutava imenso (o que lhe valeu algumas recuperações de bola no último reduto contrário) e conseguia sair de espaços muito apertados, quer recorrendo ao drible e à velocidade, quer com tabelinhas com Kazmierczak (com quem evidenciou um entendimento quase perfeito) ou com Mário Silva (embora, com este último, tenha havido algumas - naturais - falhas de comunicação). Não obstante esta pouca variação na faixa pela qual o BFC atacava, a verdade é que a actuação do Boavista agradava aos adeptos presentes no estádio. Com um meio-campo muito consistente e pressionante (com os seus três elementos a revezarem-se no "pressing"), capaz de fazer uma transição rápida para o ataque, um Grzelak endiabrado e um ponta-de-lança, Roland Linz, que nunca teve receio de ir ao choque, ganhou muitas bolas de cabeça e procurou sempre espaços para receber a bola em condições de alvejar a baliza adversária (além de tentar, por vezes, tabelar com Ricardo Sousa), os "axadrezados" dominavam completamente o encontro e, apenas a espaços, o Celta, principalmente recorrendo à velocidade e qualidade técnica de jogadores como Canobbio e Guayre, conseguia contra-atacar, mas sem criar grande perigo a Peter Jehle. As melhores ocasiões pertenciam, por conseguinte, ao BFC, tendo todas em comum o facto de Roland Linz ter conseguido a desmarcação. Na prieira, Kazmierczak, ganhando de cabeça uma segunda bola (aliás, o grande poderio de Kaz no jogo aéreo constitui um aspecto muito importante para o meio-campo do BFC), colocou o esférico em Linz, que, depois de dominar com o peito, acabou por rematar por cima. Na segunda grande oportunidade, outra vez Kazmierczak: o polaco recuperou uma bola aparentemente perdida na ala esquerda e "picou" o esférico para o endossar a Linz; a bola acabou por ser desviada pela cabeça de um defesa viguense, mas Linz, na insistência, por pouco não conseguiu aproveitar o desentendimento entre o guarda-redes Esteban e os dois centrais para inaugurar o marcador. Foi, no entanto, o Celta que, num contra-ataque bem desenhado mas em que Marquinho, Ricardo Silva e Tambussi pecaram por não terem, logo que tiveram oportunidade, efectuado o desarme e o alívio, fez o 0-1. O intervalo chegava, pois, com a vantagem forasteira no marcador, mas com a sensação de que o Boavista tinha sido largamente superior.

À entrada para a etapa complementar do encontro, o prof. Jesualdo optou por manter o 4-3-3, introduzindo, porém, variantes tácticas diferentes. Hugo Monteiro entrou para jogar no flanco direito do ataque, saindo Lucas, o que fez com que Ricardo Sousa passasse para médio-interior direito. Essame rendeu Tiago, jogando como vértice mais recuado do meio-campo, Zé Manel ssubstituiu Grzelak, perdendo o flanco esquerdo velocidade e acutilância, mas passou a contar com um elemento capaz de fazer diagonais de apoio ao ponta-de-lança (embora essas diagonais, face à falta de rapidez de Zé Manel tenham sido inconsequentes), e Hélder Rosário entrou para o lugar de Tambussi. As alterações operadas pelo treinador do BFC, embora, como já foi tido, tenham tirado garra e "explosividade" ao flanco esquerdo, tiveram o condão de emprestar maior criatividade ao meio-campo. O 4-3-3 (com o médio-interior direito - Ricardo Sousa - agora mais subido no terreno) desdobrava-se, quando o Boavista atacava, num 4-2-3-1 (subindo Ricardo Sousa para jogar nas "costas" do ponta-de-lança e juntando-se Essame a Kazmierczak). Assim, Ricardo Sousa passou a render muito mais, dispondo de mais tempo e espaço para gizar algumas aberturas de grande qualidade, e a troca de Tiago por Essame trouxe maior segurança no passe e simplicidade de processos, o que contribuiu para uma circulação de bola mais rápida e fluida. Além disso, Kazmierczak subiu de produção, destacando-se pelos passes longos, a 40/50 metros, feitos com grande precisão para o flanco esquerdo (solicitando Zé Manel), e Hugo Monteiro trouxe outra dinâmica à faixa direita do ataque (além de ter sido um importante auxílio a Marquinho e, depois, a Bessa, impedindo, desta forma, que o Celta continuasse a explorar esse flanco para conduzir os seus contra-ataques). Portanto, apesar da maior susceptibilidade da equipa a eventuais ataques rápidos do Celta, a qualidade do futebol praticado pelo Boavista aumentou. Aos 49 minutos, Ricardo Sousa, num livre em zona frontal mas ligeiramente descaído para a esquerda, levou a bola a "beijar" a barra. Pouco depois, o mesmo Ricardo Sousa, num passe espectacular, isolou Zé Manel na grande área, mas este, com pouco ângulo para rematar, não conseguiu mais do que ganhar um canto. Aos 60 minutos, aconteceu o melhor momento da tarde: Hugo Monteiro, na direita, vê a desmarcação de Linz e endossa-lhe o esférico num excelente passe (que contornou o lateral-esquerdo do Celta). O ponta-de-lança austríaco, mostrando grande frieza perante o guardião dos galegos, remata com direcção ao lado contrário daquele em que se encontrava o guarda-redes, estreando-se a marcar no Estádio do Bessa Século XXI. Nos minutos seguintes, o BFC fez quatro alterações (o que permitiu a Jesualdo Ferreira testar a terceira dupla de centrais do jogo, Cissé-Hélder Rosário, depois de Tambussi-Ricardo Silva e Hélder Rosário-Ricardo Silva), consumando, desse modo, a mudança completa do sector defensivo. Fernando Dinis, no flanco esquerdo, mantinha a mesma capacidade ofensiva de Mário Silva, mas mostrou-se menos seguro a defender (daí que o Celta tenha passado a atacar pelo seu flanco direito), enquanto que Bessa, relativamente a Marquinho, mostrou melhor posicionamento no lado direito na defesa e trouxe, embora ligeiramente, uma maior capacidade ofensiva. O Boavista continuou, apesar das substituições, a dominar o jogo até aos 70 minutos, altura em que o novo técnico da "Pantera" decidiu experimentar um novo sistema táctico. Saíram Ricardo Sousa, Kazmierczak e Roland Linz e entraram Paulo Sousa, Fary e Marcos António, o que colocou o Boavista a jogar num 4-4-2 "clássico", com dois médios de cobertura (Essame e Paulo Sousa), dois extremos (Hugo Monteiro e Zé Manel) e dois avançados (Fary, mais fixo, e Marcos António, mais "solto" no apoio ao senegalês). No entanto, esta experiência, pelo menos até aos 5 minutos finais, acabou por não ser muito bem sucedida, face a diversos factores: a equipa perdia criatividade a meio-campo (Essame e Paulo Sousa não têm a mesma visão de jogo de Ricardo Sousa e Kaz) e unidades neste sector (dois médios acabou por ser pouca gente para estancar a circulação de bola do Celta), Paulo Sousa entrou mal, perdendo bolas em posição comprometedora e errando demasiado no capítulo dos passes mais curtos, nas faixas, se Hugo Monteiro abria o jogo pelo flanco direito (assumindo-se, inclusive, como a principal unidade criativa da equipa na última vintena de minutos do encontro), o mesmo não se pode dizer de Zé Manel (que, mostrando pouca velocidade nos duelos individuais, se refugiou muitas vezes em zonas mais interiores, além de praticamente não ter auxiliado Fernando Dinis nas tarefas defensivas), e, no ataque, Fary foi pouco participativo (é certo que não lhe foi enderaçada muitas vezes a bola) e Marcos António, não obstante ter denotado muita vontade e raça, foi pouco clarividente sempre que teve o esférico nos pés. Assim, o Celta pôde, finalmente, "crescer" em campo e trocar a bola no meio-campo defensivo do Boavista, aproveitando a inexperiência de Fernando Dinis e o pouco apoio dado por Zé Manel para explorar o seu flanco direito. No entanto, o Celta não conseguiu criar perigo, embora dominasse a partida, muito por culpa de mais uma boa exibição de Essame, que mostrou, novamente, disciplina táctica e capacidade de efectuar, com eficácia, as compensações e de fechar as linhas de passe ao meio-campo adversário. Além disso, conseguiu sair algumas vezes a jogar, sendo, juntamente com Hugo Monteiro, o elemento da equipa que conseguia "reanimar" o encontro. Contudo, nos minutos finais da partida, o Boavista, agora adaptado ao novo esquema táctico, voltou a assumir o controlo. Aproveitou o inconformado Hugo Monteiro para "romper" pelo seu flanco e efectuar alguns cruzamentos, um dos quais bem direccionado para a cabeça e Marcos António, que, no entanto, não realizou o gesto técnico que se impunha e acabou por rematar por cima.

A partida terminou pouco depois, com uma igualdade que não reflecte a superioridade do Boavista durante a maior parte do encontro, diante de uma equipa forte e competitiva. Competitiva foi, precisamente, um dos adjectivos que caracterizou a formação "axadrezada", que parece ser, esta época, uma equipa mais pressionante e capaz nos duelos físicos, além de mostrar consistência a meio-campo e capacidade de trocar a bola com segurança. Apesar de nem sempre a entreajuda e o entrosamento terem sido perfeitos (o que é natural num plantel que sofreu muitas alterações, reforçando-se com jogadores de várias nacionalidades... e ainda faltam ainda três semanas para começar a Liga...), este Boavista deixa boas expectativas nos sócios que ontem se deslocaram ao Estádio do Bessa Século XXI e que brindaram com um aplauso a exibição da equipa. Além disso, os reforços mais sonantes (Linz, Grzelak, Kazmierczak e Ricardo Sousa) mostraram, de facto, que podem acrescentar muita qualidade. Hugo Monteiro e Essame, por sua vez, eles que foram pouco utilizados na época passada, parecem ser peças importantes no Boavista de Jesualdo.

Ficam, porém, duas "dores de cabeça" para o professor Jesualdo Ferreira resolver. Por um lado, Ricardo Sousa mostrou que não pode encaixar no 4-3-3 jogando a extremo-direito, mas, quando passa para o meio-campo, revela-se como uma mais-valia, emprestando criatividade a esse sector e assumindo-se como "playmaker" e um importante apoio para o ponta-de-lança Roland Linz. Por outro lado, se Sousa for titular, um dos dois médios-interiores de contenção que ontem inciaram o jogo terá de sair (Lucas, que até esteve em bom nível, é o mais provável "sacrificado", já que Kazmierczak parece ser imprescindível; outra solução seria passar Kaz para médio mais recuado e manter Lucas a médio-interior direito, mas Essame e Tiago, que, nesse cenário, não seriam titulares, estão a mostrar ser, nesta pré-época, dois concorrentes fortes para o vértice mais recuado do meio-campo), o que poderá trazer a desvantagem de retirar alguma consistência e capacidade de "pressing" ao meio-campo. Outra questão que Jesualdo terá de solucionar prende-se com a dupla de centrais. Se Cissé tem, jogo após jogo, mostrado que tem grandes hipóteses de "agarrar" o lugar, já o posto ao lado do franco-maliano suscita grandes dúvidas ao nosso treinador. Ricardo Silva foi, na segunda volta da época passada, o "patrão" da defesa, rubricando exibições de grande nível, e, ontem, apesar de não ficar isento de culpas no golo, evidenciou autoridade e segurança no centro da defesa, mas Tambussi, pelo seu rigor posicional e capacidade de sair a jogar, parece ser um reforço a ter em conta. Já Hélder Rosário, não obstante ter a lacuna de não ser muito forte no jogo aéreo, parece ter a confiança do professor e, juntamente com Cissé e Mário Silva, tem sido o elemento mais regular do sector defensivo.

De qualquer forma, este Boavista parece estar no bom caminho.

Análise individual:

Peter Jehle - ao contrário de jogos anteriores, o internacional do Liechtenstein mostrou segurança, quer a blocar a bola quando os jogadores do Celta rematavam, quer nos poucos cruzamentos que a turma visitante efectuou. Apesar de não ter tido muito trabalho, Jelhe cumpriu sempre que foi chamado a intervir. Sem quaisquer culpas no golo sofrido.

Marquinho - tarde muito infeliz para o lateral brasileiro oriundo do Criciúma. Foi pelo seu lado que o Celta construiu a jogada que culminou no golo e conduziu a esmagadora maioria dos contra-ataques durante a primeira parte. Pode "queixar-se" de o extremo do seu lado no primeiro tempo (Ricardo Sousa) nunca ter recuado para o auxiliar a fechar o flanco, mas a verdade é que revelou quase sempre mau posicionamento e dificuldades na rotação, além de raramente ter subido pelo seu flanco. O que de positivo se pode extrair da sua actuação resume-se a alguns (esporádicos) desarmes e à segurança que parece ter no jogo aéreo.

Ricardo Silva - não fosse o lance do golo do Celta e a sua actuação teria sido irrepreensível, ao nível do que fez na época passada. Intransponível no jogo aéreo e quase sempre eficaz no desarme, Ricardo Silva mostrou a autoridade e a capacidade de liderança que lhe são reconhecidas e, em algumas ocasiões, sobretudo na segunda parte, procurou levar a equipa para a frente, saindo a jogar. Apesar do erro cometido, ganhou "terreno" na luta pela titularidade.

Leo Tambussi - partilhou com Marquinho e Ricardo Silva as responsabilidades no lance do golo sofrido, mas, tal como este último, também ganhou "pontos" na "corrida" por um lugar no centro da defesa. Jogando sempre de forma limpa, Tambussi revelou, à semelhança do que acontecera em Nelas, um excelente posicionamento e eficácia no desarme. Mostrou, também, alguma qualidade técnica, que lhe permitiu resolver situações difíceis, tendo pouco espaço, em fracções de segundo.

Mário Silva - "capitão" da equipa até ao momento em que foi substituído, Mário Silva teve uma actuação impecável, mostrando segurança a fechar o seu flanco (bem auxiliado por Grzelak) e capacidade para apoiar o ataque em várias situações. Ensaiou o remate num par de situações e parece cumprir, nos seus movimentos, a disciplina táctica que Jesualdo valoriza: flecte para dentro da grande área sempre que são feitos cruzamentos do flanco oposto e, quando, nas suas frequentes subidas, entrega a bola a Grzelak, que abre na esquerda, faz a diagonal para zonas interiores, de modo a abrir linhas de passe ao extremo da sua ala.

Tiago - indiscutivelmente, é um jogador vocacionado para jogar imediatamente à frente dos dois centrais, mostrando grande rigor táctico nas compensações e no momento de subir no terreno para efectuar o "pressing". Conseguiu, igualmente, duas antecipações importantes em lances ofensivos, permitindo ao Boavista uma segunda "vaga" atacante. Pela negativa, ficam as suas hesitações quanto lhe cabe distribuir o esférico no momento em que o BFC inicia a construção das suas jogadas ofensivas, o que retira velocidade e fluidez à circulação de bola.

Lucas - foi, como é seu tímbre, incansável na "batalha" no sector intermediário com vista à conquista da posse de bola. Quando recuperava o esférico, mostrava boa leitura de jogo e grande lucidez, conseguindo lançar, em boas condições, o ataque, com passes bem medidos. Em termos tácticos, esteve bem ao compensar as movimentações de Ricardo Sousa, ajudando a fechar o flanco direito.

Kazmierczak - uma exibição em crescendo. Começou o encontro de forma algo confusa, não mostrando recursos técnicos para sair de espaços muito apertados, mas cedo estabilizou a sua actuação, acabando por se assumir como uma peça-chave do meio-campo, sector que se ressentiu a partir do momento em que foi substituído. É fortíssimo no jogo aéreo (aliás, foi de cabeça, numa segunda bola, que assistiu Linz numa das melhores oportunidades de golo da partida) e nos duelos corpo-a-corpo, o que lhe valeu algumas recuperações de bola importantes. É, tal como Lucas, incansável na luta pela posse de bola e, na segunda parte, abrilhantou a sua exibição com uma série de aberturas precisas para o flanco esquerdo, a que Zé Manel, porém, não conseguiu dar a devida conclusão. Kaz (diminutivo que aparece na sua camisola) será, com toda a certeza, um dos esteios do meio-campo "axadrezado".

Ricardo Sousa - durante cerca de meia-hora, esteve bastante infeliz, ao actuar junto à linha lateral direita. Nessas funções, não mostrou a velocidade e acutilância de um verdadeiro extremo, pelo que acabou sempre por permitir o desarme aos adversários. Melhorou ligeiramente nos minutos finais da primeira parte, em que lhe foi concedida maior liberdade para flectir para o meio e tentar combinar com Roland Linz. No entanto, o ponto de viragem na sua exibição foi mesmo o intervalo, uma vez que, a partir do início da segunda metade do encontro, pôde jogar em zonas mais interiores, passando a assumir um papel importante na construção dos lances ofensivos da equipa (efectuou alguns passes de grande qualidade). E, nas bolas paradas, continua a demonstrar uma precisão notável: esteve muitíssimo perto de marcar quando, aos 49 minutos, enviou a bola à trave.

Rafal Grzelak - mostrou, uma vez mais, que será, muito provavelmente, um reforço de grande omportância para o BFC. Parece ser um extremo completo, já que mostra bons apontamentos em todos os aspectos do jogo. Muito aguerrido e pressionante, recuperou algumas bolas ao lateral-direito do Celta (o que fez com que ouvisse, frequentemente, palmas por parte dos sócios do Boavista), conseguiu sair de situações muito difíceis, através do drible ou de tabelinhas bem sucedidas com Kaz e Mário Silva, e esteve irrepreensível no capítulo táctico, ao auxiliar Mário Silva a fechar o flanco esquerdo e ao efectuar alguns desarmes. Foi um dos melhores em campo e parece ter a titularidade praticamente assegurada.

Roland Linz - é um dos futebolistas sobre os quais recaem mais esperanças da massa associativa boavisteira e, nem de perto nem de longe, desiludiu, sendo justo atribuir-lhe o "prémio" de MVP no jogo de ontem. É um ponta-de-lança poderoso, forte no choque e no jogo aéreo, e lutou imenso, nunca dando por perdida nenhuma bola (à semelhança de Grzelak). Mostrou-se inteligente na procura de espaços para se desmarcar (foi por isso que as melhores ocasiões do Boavista o tiveram como finalizador) e muito razoável tecnicamente, uma vez que tentou, em algumas ocasiões, tabelar com Ricardo Sousa. O golo foi apenas a "cereja no topo do bolo" que "coroou" uma exibição em que Linz mostrou muita classe e que poderá ser o ponta-de-lança de que o Boavista há anos necessita.

Hélder Rosário - os avançados do Celta não lhe colocaram muitos problemas, pelo que teve uma tarde relativamente tranquila, mas cumpriu sempre que solicitado. Além disso, quando passou a jogar descaído para a direita (a partir do momento em que Cissé rendeu Ricardo Silva), esteve muito bem nas dobras a Bessa.

Essame - apesar de ter feito parte do plantel na época passada, a verdade é que, face à sua escassa utilizado por Carlos Brito, Essame poderá ser um importante "reforço" neste novo Boavista, mostrando, nesta pré-temporada, por que razão Jesualdo Ferreira solicitou à direcção que accionasse a sua cláusula de opção. Tal como aconteceu na Póvoa de Varzim, Essame, ontem, foi colocado na posição em que rende mais: "vértice" mais recuado do meio-campo. Irrepreensível tacticamente (quer nas "dobras" aos laterais, principalmente a Fernando Dinis, quer na ocupação dos espaços pelo corredor central) e no desarme (feito sempre com eficácia e sem falta), Essame foi um importante ponto de equilíbrio de um meio-campo mais balanceado para as acções ofensivas durante a segunda parte. Além disso (aspecto em que foi superior se for feita uma comparação com Tiago), mostrou segurança no passe e simplicidade na distribuição de jogo. É, igualmente, um jogador pleno de garra, tendo lutado imenso. Quando o Boavista passou a jogar em 4-4-2, tentou compensar a infelicidade do seu companheiro do meio-campo (Paulo Sousa), procurando sair a jogar em algumas ocasiões.

Hugo Monteiro - parece determinado em "agarrar" um lugar na equipa e, ontem, volto a não enjeitar a oportunidade de mostrar serviço. Deu grande acutilância e velocidade ao flanco direito do ataque, conseguindo, graças ao seu poder de finta, abrir zonas de penetração e arrancar algumas faltas. Além disso, foi do seu pé direito que surgiu o passe para o golo de Linz. Nos 20 minutos finais, foi um dos poucos jogadores com ideias na equipa, assumindo-se como principal unidade criativa e mostrando-se sempre inconformado. Além disso, procurou sempre ajudou o lateral do seu flanco nas tarefas defensivas, o que lhe valeu algumas recuperações de bola. Iniciou a última jogada digna de registo no jogo, ao cruzar para cabeça de Marcos António, que, contudo, desperdiçou o centro preciso do número 23 do Boavista.

Zé Manel - depois de uma exibição bastante razoável diante do Varzim, Zé Manel regressou ao patamar exibicional (fraco) do jogo em Nelas. De facto, o flanco esquerdo perdeu agressividade e rapidez com a troca Grzelak - Zé Manel, sendo que o número 7 "axadrezado" flectiu demasiadas vezes para zonas interiores, retirando profundidade ofensiva à equipa pela ala canhota. Tentou, nas suas diagonais, abrir espaços, mas a falta de velocidade fê-lo perder sempre a bola. Podia ter feito mais quando um passe de Ricardo Sousa o isolou na grande área. Além disso, raramente auxiliou o lateral do seu lado, daí que o Celta tenha aproveitado para atacar pela sua faixa.

William - jogou cerca de meia-hora e, tal como Jehle, teve muito pouco trabalho mas cumpriu sempre que solicitado.

Cissé - ontem à tarde, jogou menos tempo do que tem sido habitual nesta pré-época, mas, como é seu hábito, mostrou segurança e inteligência em todos os seus movimentos. Os atacantes do Celta foram sempre "presa" fácil, pelo que o encontro de ontem não foi um teste muito exigente para Cissé. De qualquer forma, mostrou precisão no passe e, algo que é um característica sua, jogou sempre simples.

Bessa - ganhou mais alguns "pontos" a Marquinho na luta pela titularidade no lado direito da defesa. Apesar de ter falhado um ou dois passes, mostrou sempre maior rapidez e confiança que o seu "concorrente", o que garantiu maior eficácia defensiva e uma menor inibição em subir pelo seu flanco.

Fernando Dinis - parece ser um lateral destemido tecnicamente evoluído, uma vez que se aventurou várias vezes no ataque, tirou alguns cruzamentos de qualidade e ultrapassou, recorrendo ao drible, alguns adversários. No entanto, fruto, talvez, da sua relativa inexperiência, abre alguns espaços pelo seu flanco, que o Celta não se coibiu de explorar. Também não deixa de ser verdade que não teve o auxílio necessário por parte de Zé Manel.

Paulo Sousa - francamente mal. É certo que jogou numa situação algo ingrata (num esquema táctico que contava apenas com dois médios) e numa posição mais recuada em relação àquela em que rende mais, mas deixou-se antecipar pelos seus adversários demasiadas vezes, o que poderia ter comprometido, não fosse a capacidade de Essame de efectuar as compensações. Além disso, falhou muitos passes e mostrou poucas ideias para fazer a transição para o ataque.

Marcos António - rápido e movimentado, mostrou muita vontade e lutou imenso, causando alguns problemas à defesa do Celta. No entanto, quando ganhava a bola ou esta lhe era endossada por um companheiro de equipa, não teve a clarividência necessária para lhe dar o melhor destino, atrapalhando-se em diversas ocasiões.

Fary - esteve pouco em jogo, porém, o menor caudal ofensivo da equipa nos 20 minutos em que esteve em campo acabou por o penalizar.

O Notícias do Bessa, como não poderia deixar de acontecer, esteve presente no Estádio do Bessa Século XXI para acompanhar a festa de apresentação do Boavista 2006/2007. Seguem-se algumas fotos:

 

Homenagem à secção de Boxe do BFC, campeã nacional, pela quarta vez consecutiva, em todas as categorias.



publicado por pjmcs às 12:04
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