Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006
Varzim 0 - Boavista 1

Equipa na primeira parte:

Equipa na segunda parte:

Substituições: Bessa por Ricardo Silva (ao intervalo), Paulo Sousa por Essame (ao intervalo), Marcos António por Fary (ao intervalo), Cissé por Leo Tambussi (aos 74 minutos)

Um golo de Ricardo Sousa, logo aos 10 minutos, através da marcação perfeita de um livre nas imediações da área do Varzim, em posição frontal, foi suficiente para garantir a 4.ª vitória, em cinco encontros disputados, do Boavista nesta pré-época.
 
Perante um adversário extremamente competitivo em cada disputa de bola, o particular de hoje à tarde permitiu a Jesualdo Ferreira verificar como é que a equipa é capaz de resolver, rapidamente, situações de jogo em espaços reduzidos. Sem elementos como Kazu, Grzelak, Roland Linz e Mário Silva (que, provavelmente, ficaram a treinar no relvado secundário do Estádio do Bessa Século XXI), o Boavista, mesmo não fazendo uma exibição entusiasmante nem tendo criado muitas oportunidades de golo, acabou por deixar alguns apontamentos positivos, principalmente no último quarto-de-hora da primeira parte. Nesse período do encontro, os “axadrezados” conseguiram momentos de circulação de bola em progressão, perto da área contrária, bastante interessantes. Além disso, o que foi um constante durante todo o encontro, mesmo quando o Varzim tinha maior tempo de posse de bola, o Boavista mostrou excelente organização e disciplina táctica no processo defensivo, nomeadamente na ocupação dos espaços a meio-campo e no bloqueio do corredor central, por parte dos dois centrais (primeiro Cissé e Hélder Rosário, depois, durante a maior parte do segundo tempo, Cissé e Ricardo Silva e, na fase final da partida, Tambussi e Ricardo Silva). Aliás, o único aspecto negativo da exibição dos “axadrezados” na vertente defensiva prendeu-se com as segundas bolas, na primeira parte, na sequência de cantos e livres a favor do Varzim, o que poderia ter resultado em problemas para Khadim, não fosse a péssima pontaria dos avançados da formação anfitriã.
 
Na etapa complementar do encontro, não obstante a subida acentuada de rendimento dos dois extremos (Zé Manel e Hugo Monteiro) e a entrada de Essame para a posição mais recuada do meio-campo (o que trouxe, em comparação com o que Paulo Sousa produziu, maior capacidade e rigor nas compensações defensivas), a qualidade do encontro baixou bastante, muito provavelmente devido ao facto de Ricardo Sousa, após o intervalo, e o próprio Lucas se terem mostrado menos empreendedores. No entanto, na fase final da partida, o Boavista deu sinais de querer animar, de alguma forma, o jogo, tendo chegado, inclusive, a introduzir o esférico na baliza varzinista (por intermédio de Essame, numa boa entrada a responder a um passe de Zé Manel), mas o golo foi anulado por fora-de-jogo.
 
Em jeito de conclusão, fazendo um paralelismo com o último encontro que o Notícias do Bessa acompanhou in loco (em Nelas), o Boavista apresentou-se muito mais organizado no 4-3-3 (que, em algumas situações ofensivas, se desdobrava num 3-2-4-1, com Fernando Dinis a subir pela esquerda e Zé Manel a flectir para zonas interiores; o lateral-direito – primeiro Bessa e depois Hélder Rosário – “encostava” ao defesa-central do seu lado e o “vértice” mais recuado do meio-campo compensava a subida de Fernando Dinis) eleito pelo professor Jesualdo e mostrou maior entrosamento, o que permitiu algumas jogadas de envolvimento. Falta ainda, todavia, uma maior objectividade e capacidade para “romper” no último terço do terreno. Zé Manel e Hugo Monteiro conseguiram, sobretudo a partir da meia-hora de encontro, abrir zonas de penetração pelas faixas, mas os cruzamentos e os remates que efectuaram acabaram por não causar grandes situações de perigo para a baliza poveira. De qualquer forma, a evolução da equipa, quando ainda faltam mais de três semanas para o primeiro encontro oficial (em Alvalade), é, inegavelmente, assinalável.
 
Segue-se a análise individual aos quinze futebolistas do BFC que pisaram o relvado de um Estádio do Varzim Sport Club que registou uma afluência muito razoável de boavisteiros:
 
Khadim – apesar da grande vontade evidenciada pelos jogadores do Varzim, a verdade é que a equipa da casa não deu grande trabalho a Khadim. Blocou, sempre, com enorme segurança, os remates que alvejavam a baliza do Boavista. Nos cantos (o seu principal problema), hesitou, algumas vezes, entre sair e permanecer entre os postes e, nas ocasiões em que optava por sair ao cruzamento, nem sempre socou a bola de forma eficiente. No entanto, estes pormenores acabaram por não resultar em ocasiões de golo, visto que, na maior parte das situações, o quarteto defensivo aliviava eficazmente o esférico ou os jogadores do Varzim não conseguiam rematar nas melhores condições.
 
Bessa – esteve intransponível a defender, auxiliando, também, Hélder Rosário em situações mais complicadas. Não foi tão ofensivo e afoito como é seu timbre (daí que, por vezes, Hugo Monteiro estivesse algo desacompanhado – apenas tinha o apoio de Lucas – e sem linhas de passe), mas esse facto não é suficiente para que os 45 minutos em que esteve em campo deixem de ser considerados positivos.
 
Hélder Rosário – cumpriu. É a palavra que melhor define a exibição de Hélder Rosário. Jogou como defesa-central na primeira parte e como defesa-direito na segunda e, em ambas as posições, evidenciou sempre rigor posicional e mostrou-se mais forte que os seus adversários nos duelos de um-para-um. A única “pecha” na sua actuação foi, tal como aconteceu com Bessa, não ter incorporado as iniciativas ofensivas com subidas pelo seu flanco.
 
Cissé – um verdadeiro “relógio suíço”. Kalifa Cissé assume-se, cada vez mais, como um dos esteios deste Boavista versão 2005/2006. Não falhou quaisquer passes e intercepções e esteve, como sempre, irrepreensível no jogo aéreo. Flectindo para a esquerda quando tinha a bola em sua posse procurou encontrar linhas de passe que permitissem lançar, com qualidade, as iniciativas atacantes do Xadrez.
 
Fernando Dinis – uma exibição muito positiva do lateral-esquerdo oriundo do Olivais e Moscavide. Relativamente ao encontro de Nelas, Fernando Dinis esteve muito melhor ao nível posicional, ocupando bem o seu espaço na estrutura defensiva da equipa do Boavista. Apesar de alguns cruzamentos efectuados pelo Varzim terem sido a partir do seu flanco, a verdade é que foram sempre executados longe da linha final. No aspecto ofensivo, mostrou-se sempre mais arrojado que Bessa e Hélder Rosário, conseguindo abrir espaços com as suas subidas pelo flanco esquerdo, graças ao seu bom controlo de bola.
 
Paulo Sousa – começou mal a partida, denotando demasiadas hesitações e falhando alguns passes. Contudo, com o avançar do encontro, acabou por subir de rendimento, destacando-se, sobretudo, nas boas viariações de flanco que conseguiu efectuar. Aliás, a construção do jogo ofensivo do BFC iniciava-se, durante a primeira parte, na maior parte das ocasiões, no seu pé direito. Pela negativa, de referir que ainda tem que melhorar no aspecto táctico para poder actuar como “vértice” mais recuado do meio-campo. Com efeito, raramente “tapou” os caminhos para baliza de Khadim nas segundas bolas.
 
Lucas – ainda não está na sua melhor forma, mas, tendo actuado durante a totalidade do encontro, deixou alguns apontamentos positivos. Neste novo Boavista, Lucas joga mais adiantado no terreno (com menores responsabilidades defensivas e maior liberdade para se incorporar nas acções ofensivas) e descaído para a direita, tendo sido um importante apoio (principalmente na primeira metade do desafio) para Hugo Monteiro e fechando o flanco direito sempre que o Varzim recuperava a bola e partia para o contra-ataque. Participou em algumas das jogadas de envolvimento efectuadas na primeira parte. Baixou de rendimento na segunda parte (o que se reflectiu numa menor capacidade da equipa em conduzir o jogo para o ataque) e, como principal aspecto negativo, há a referir o facto de ainda ser apresentar algo lento.
 
Ricardo Sousa – apontou, num livre perfeito em que enviou a bola para o canto superior direito da baliza varzinista (sem quaisquer hipóteses para o guarda-redes), o único tento do encontro, mostrando que continua a ser um jogador com índices elevadíssimos de eficácia nas bolas paradas. Com Jesualdo como treinador, Ricardo Sousa está, de facto, um jogador diferente, participando mais no jogo e lutando pela recuperação de bola. Aliás, a meio da primeira parte, efectuou um corte muito importante ao extremo-direito do Varzim, impedindo que este pudesse cruzar com perigo. Na segunda parte, porém, acabou por se “apagar”, “desaparecendo” do jogo, fruto, talvez, de uma alguma fadiga.
 
Hugo Monteiro – esteve algo confuso nas suas acções durante a primeira parte, deixando, quando tinha a bola em sua posse, rodear-se por vários jogadores do Varzim junto da linha lateral. No entanto, principalmente após o intervalo, começou a exibir-se ao seu nível habitual, conseguindo, recorrendo à sua velocidade e poder de finta, boas diagonais que culminavam em remates direccionados à baliza adversária. Foi, aliás, o principal rematador durante o segundo tempo. Só não conseguiu criar mais problemas ao Varzim, porque foi muito “castigado” por faltas (algumas das quais não sancionadas pelo árbitro da partida). Um candidato sério a um lugar na equipa titular.
 
Zé Manel – começou bastante mal a partida, fazendo lembrar o jogo de Nelas: muita lentidão e incapacidade para ganhar os duelos individuais no seu flanco. Todavia, com o decorrer da partida, acabou por subir de produção, aproximando-se do Zé Manel de há duas temporadas com algumas iniciativas pela faixa esquerda, tirando cruzamentos para a grande área. No segundo tempo, foi um jogador, essencialmente, preocupado em fazer diagonais de apoio ao ponta-de-lança Fary, tendo, inclusive, saído do seu pé direito o passe para Essame, que marcou um golo que, contudo, foi anulado.
 
Marcos António – jogando entre os centrais do Varzim (apesar de, em algumas ocasiões, descair para a esquerda de modo a permitir a penetração de colegas vindos de trás, como Ricardo Sousa e Zé Manel), Marcos António lutou muito, mas acabou por não mostrar a clarividência necessária a um ponta-de-lança. É certo que, por vezes, o caudal ofensivo do Boavista foi demasiado escasso para o municiar, mas não deixa de ser verdade que foi “presa” fácil para os dois defesas-centrais da turma da casa.
 
Ricardo Silva – depois de ter, em certa medida, revelado uma insegurança invulgar no jogo em Nelas, Ricardo Silva evidenciou a capacidade de liderança e a autoridade que o caracterizam no centro da defesa. Não teve muito trabalho, mas, sempre que foi chamado a intervir, fê-lo com classe, mostrando-se intransponível no jogo aéreo e certeiro no passe.
 
Essame – a par de Hugo Monteiro, o melhor em campo na segunda metade do encontro. Pela sua segunda vez desde que representa o Boavista, foi colocado a jogar como médio mais recuado e, tal como na primeira ocasião em actuou com essas funções (em Alvalade), mostrou qualidade. Recuperou imensas bolas no corredor central, distribuiu jogo, recorrendo a passes curtos, com simplicidade e sem hesitações, e esteve perfeito tacticamente, ao fazer as compensações defensivas (sobretudo a Fernando Dinis) com grande eficácia. Saiu a jogar em algumas ocasiões e também nesse aspecto revelou segurança. Mostrou que, possivelmente, a posição em que rende mais é no “vértice” recuado do meio-campo.
 
Fary – o reduzido caudal ofensivo da equipa na segunda metade do encontro acabou por fazer com que Fary tivesse uma tarde muito apagada. Apesar disso, fica como aspecto positivo o facto de não ter errado passes, conseguindo, a meio da segunda parte, uma boa abertura para a ala esquerda, a solicitar Fernando Dinis. No entanto, esse foi o único momento de destaque do senegalês nos 45 minutos que disputou.
 
Leo Tambussi – esteve pouco tempo em campo e raramente teve oportunidade para mostrar serviço, já que, tendo jogado descaído para a esquerda, o Varzim, na fase final da partida, atacou, sobretudo, pelo flanco direito do Boavista. Porém, deu para observar que está menos pesado e, consequência disso, menos “preso” de movimentos. Além disso, continua a evidenciar grande acerto em termos posicionais e nos poucos desarmes que teve para fazer.
 
 
O próximo compromisso do Boavista é já no sábado, no Estádio do Bessa Século XXI, frente ao Celta de Vigo, no jogo de apresentação dos “axadrezados” aos associados do BFC. O encontro tem início marcado para as 18 horas, no entanto, antes de este começar, haverá, provavelmente, uma curta cerimónia de apresentação, um a um, dos jogadores que representação o nosso clube em 2006/2007. O Notícias do Bessa aproveita para apelar a uma boa presença de boavisteiros no primeiro encontro em casa de um novo Boavista voltado para o regresso aos grandes palcos europeus.


publicado por pjmcs às 22:54
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1 comentário:
De The REvolution a 3 de Agosto de 2006 às 14:19
Tenho a certeza que o jogo de Sabado vai ser totalmente diferente deste jogo com o Varzim.

É para ir ao Bessa... Força Boavista


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