Domingo, 23 de Julho de 2006
Nelas 0 - Boavista 2

Movimentações da equipa durante a primeira parte:

Equipa na segunda parte:

Num jogo típico de início de pré-época, sem grandes brilhantismos, o Boavista bateu o Nelas por 2-0. De facto, nota-se que, numa fase ainda muito precoce, o prof. Jesualdo Ferreira ainda tem bastante trabalho pela frente para a equipa assimilar o seu modelo de jogo e funcionar de forma coordenada e harmoniosa em termos de movimentações no 4-3-3 delineado. No entanto, houve alguns jogadores que, ontem, deixaram muito boas indicações, apesar de o encontro ter sido, globalmente, fraco (e, em boa verdade, outra coisa não seria de esperar).

Embora o Nelas milite na 2.ª Divisão Nacional, apresentou-se em campo muito organizada em termos tácticos e na ocupação dos espaços, o que dificultou a tarefa do tridente do meio-campo (sector que será fulcral para o bom funcionamento do futebol deste novo Boavista), principalmente dos dois médios-interiores, mais adiantados do que Tiago e que tinham a responsabilidade de fazer a ligação com o ataque: Kazu (ontem, ao invés de jogar na sua posição habitual - vértice mais recuado do meio-campo, surgiu como médio-interior esquerdo) e Essame (descaído para a direita, era o elemento da linha intermediária com maior vocação ofensiva). Por isso, o Nelas até começou a partida com "sinal mais", fruto de uma entrada em jogo cheia de vontade e com grande garra, o que acabou por impedir a ligação entre os diversos sectores "axadrezados", face à falta de espaços para o meio-campo (em que, na primeira parte, se notou a ausência de um verdadeiro "playmaker", lacuna que foi, em certa medida, suprida por Ricardo Sousa na segunda parte) e ao bloqueio das subidas dos dois laterais, Marquinho e Fernando Dinis, que, principalmente na fase inicial do encontro, denotaram algumas dificuldades em termos de posicionamento, compensadas pelas dobras efectuadas por Cissé, na direita, e por Tiago, que actuou como tradicional "trinco" vocacionado para as compensações defensivas. Todavia, com o avançar do primeiro tempo, os "axadrezados" foram subido, gradualmente de produção, em muito devido à acutilância demostrada por Grzelak (um dos melhores em campo) e à melhoria de Kazu, que, depois de um período em que se mostrou pouco objectivo e esclarecido, começou a efectuar algumas aberturas a 30, 40 metros para o seu compatriota no flanco esquerdo. O golo, quase a fechar o primeiro tempo, apontado por Cissé, de cabeça, na sequência de um canto, acabou por traduzir essa ligeira subida de rendimento.

Na segunda parte (Jesualdo Ferreira fez 9 alterações ao intervalo), o Boavista evidenciou maior espontaneidade e mostrou ser uma equipa mais "solta" de movimentos. Ricardo Sousa, embora ainda não esteja, nem de longe nem de perto, na sua melhor forma, trouxe maior criatividade e dinâmica, em termos de construção de jogo ofensivo, ao meio-campo, conseguindo abrir mais espaços. Bessa foi um lateral mais seguro a defender e, também, mais ofensivo (foi, aliás, do seu pé direito que saiu o cruzamento para o segundo golo, apontado por Fary), Marcos António, que surgiu descaído para a esquerda, mas que aparecia sempre como segundo ponta-de-lança para responder a centros efectuados da direita, mostrou velocidade e bom controlo do bola (combinando bem com Fernando Dinis e, depois, com Nuno Pinto), criando imensas dificuldades ao lateral-direito do Nelas, e Hugo Monteiro revelou maior capacidade no drible e maior rapidez, conseguindo, por isso, romper com maior facilidade, do que Zé Manel. O golo de Fary acabou por ser um prémio justo para a exibição uns "furos" acima na segunda parte, sendo que o BFC esteve perto do terceiro golo por duas ocasiões: num remate de Fary e, minutos depois, num cabeceamento de Marcos António. Nos minutos finais do jogo, porém, o ritmo baixou imenso, com as duas equipas a aguardarem pelo apito final.

Análise individual:

Peter Jehle - não teve uma tarde feliz na meia-hora que esteve em campo. Começou mal o jogo, com uma saída "em falso" na sequência de um canto do Nelas. Acabou por melhorar ligeiramente nos minutos seguintes, mostrando maior segurança, mas acabou a partida com dois lances que causaram alguns "calafrios": primeiro, uma finta arriscada que, por pouco, não permitia a recuperação de bola por parte do avançado do Nelas; segundo, num cruzamento na sequência de um livre perto da grande área, em que socou a bola de forma algo deficiente.

Marquinho - como já foi referido, mostrou-se algo perdido na fase inicial da partida, mas, rapidamente, conseguiu descobrir os espaços que deveria ocupar, o que lhe valeu uma actuação sem grandes "sobressaltos", mas que não foi "abrilhantada" com subidas pelo seu flanco.

Cissé - a grande capacidade no jogo aéreo e a segurança nas dobras e na marcação são predicados que já são conhecidos da época passada. Com a bola nos pés, optou por nunca inventar, o que lhe garantiu uma exibição à sua imagem: consistente. O golo marcado, na sequência de um excelente golpe de cabeça, "coroou" uma actuação muito positiva. Parece muito bem lançado para garantir a titularidade.

Tambussi - foi o último a integrar o estágio e parece, claramente, pesado, pelo que tem muito para trabalhar, principalmente no aspecto físico, no mês que falta para o início da liga. No entanto, mostrou bom posicionamento e autoridade no desarme. Deixou, por isso, boas indicações.

Fernando Dinis - é um lateral com uma boa compleição física, como, no futebol da actualidade, se impõe, e mostrou, também, apetência ofensiva, sobretudo na segunda parte, em que, mais solto, conseguiu penetrar na grande área do Nelas e, se tivesse feito o passe atrasado algumas facções de segundo mais cedo, colocaria Fary em boa situação para marcar. Todavia, tem de ser mais rápido a recuperar, após as subidas pelo seu flanco, e de ganhar maior disciplina táctica (no que concerne ao posicionamento no terreno), de modo a conceder menos espaços pela ala esquerda.

Tiago - nas funções em que, claramente, se sente mais à vontade e rende mais (elemento mais recuado do meio-campo), conseguiu cumprir as missões de que foi incumbido: fechar as zonas de penetração pelo corredor central e fazer as compensações aos dois laterais. No passe, apesar de não ter arriscado, nunca comprometeu.

Essame - lutou imenso e recuperou muitas bolas, mas, sendo utilizado com principal unidade ofensiva do meio-campo, não conseguiu fazer aberturas dignas de realce para o ataque.

Kazmierczak (Kazu) - actuando, desta vez, com funções de transportar jogo e fazer a ligação com o ataque, Kazu evidenciou alguma desorientação sempre que tinha a bola nos pés, na fase incial da partida. Todavia, a partir dos 25/30 minutos, começou a evidenciar maior objectividade, efectuando algumas aberturas de qualidade para Grzelak. Além disso, nos 45 minutos em que jogou, mostrou ser um jogador fortíssimo no jogo aéreo, o que será, certamente, importante na batalha a meio-campo, e, na sequência de um canto, esteve próximo do golo através de um golpe de cabeça.

Zé Manel - francamente mal. Revelou pouca acutilância e nunca teve a velocidade suficente para "furar" pelo flanco direito. Além disso, não deu o auxílio de que Marquinho, na fase inicial do encontro, necessitava. Fruto da pouca rapidez demonstrada, teve sempre a tendência para flectir para zonas mais interiores, algo que o prof. Jesualdo Ferreira procurou, insistemente, corrigir.

Rafal Grzelak - provavelmente, a melhor unidade da equipa durante a primeira parte. Mostrou velocidade, capacidade no drible e inteligência para fugir da marcação de dois/três adversários. Deixou, portanto, excelentes apontamentos, que o tornam um dos principais candidatos a um lugar nas faixas do ataque. Além disso, cobrou o canto que originou o golo de Cissé e, quando passou para o flanco direito, por troca com Zé Manel, deu uma importante ajuda a Marquinho, o que contribuiu para a subida de rendimento deste último.

Roland Linz - é, claramente, o típico ponta-de-lança que gosta de actuar entre os defesas-centrais adversários. Tentou movimentar-se de modo a encontrar mais espaços para ser solicitado por colegas de equipa, mas a verdade é que apenas Grzelak conseguiu ser um elemento dinâmico no apoio a Linz. O avançado Linz, por causa desse pouco apoio por parte da equipa, acabou por rubricar uma exibição muito apagada.

Khadim - jogou, tal como Jehle e William, durante meia-hora. Nesse período, o Nelas pouco ou nada de relevante, em termos ofensivos, conseguiu fazer, pelo que teve uma actuação tranquila.

Bessa - ganhou alguns "pontos" na corrida pela titularidade no lado direito da defesa. Mostrou maior confiança do que Marquinho, o que lhe valeu uma maior capacidade ofensiva. Tirou alguns bons cruzamentos, um dos quais serviu Fary para o segundo golo da partida. O único pormenor negativo da sua exibição foi um péssimo passe, efectuado para uma zona proibida (a zona central da defesa), que poderia ter resultado em perigo, não fosse o corte de Hélder Rosário. No entanto, esse erro não é suficiente para "manchar" uma actuação muito positiva.

Ricardo Silva - surpreendentemente, acabou por ser, dos quatro centrais, aquele que se exibiu em pior nível. Não mostrando a consistência e a autoridade (que lhe permitiram ser, na segunda volta da época passada, o "patrão" da defesa do BFC) que lhe são características, Ricardo Silva falhou algumas intercepções, quer de cabeça quer pelo chão, que resultaram em lances que poderiam ter sido comprometedores. O facto de se ter lesionado na última quarta-feira e a fase muito precoce da pré-época serão, certamente, justificações para não ter protagonizado uma actuação com a qualidade a que tem habituado os boavisteiros.

Hélder Rosário - seguro no jogo aéreo (uma das suas principais lacunas), Hélder Rosário esteve muito bem no auxílio a Fernando Dinis (por isso, a produção deste último subiu na segunda parte) e, depois, a Nuno Pinto. Compensou, também, a tarde relativamente infeliz de Ricardo Silva.

Paulo Sousa - ao contrário do que aconteceu na época passada, Paulo Sousa foi encarregue de desempenhar o papel de Tiago na primeira parte: fechar os espaços pelo corredor central e fazer as compensações. Esteve bem nessa tarefa, apesar de não ter a mesma disciplina táctica de Tiago e de ter falhado alguns passes. Foi mais ofensivo que o seu "concorrente" para o lugar.

Lucas - nota-se que ainda está longe da sua melhor forma: não foi o "guerreiro" e o box-to-box habituais, muito por culpa do facto de se apresentar algo pesado. No entanto, foi subindo de rendimento com o passar dos minutos e, através das basculações para o flanco direito, soube compensar as subidas de Bessa.

Ricardo Sousa - entrou com vontade de ganhar um lugar no "onze" e emprestou maior dinâmica ao meio-campo, permitindo fazer uma melhor ligação entre sector e o ataque, em comparação com o que aconteceu na primeira parte. Em relação a 2003/2004, está mais forte em termos físicos, o que lhe permite jogar ligeiramente mais recuado no terreno e com maiores preocupações defensivas, encaixando, assim, no 4-3-3 de Jesualdo. Esteve perto do golo por duas ocasiões: a primeira num livre junto à esquina esquerda da grande área e a segunda na sequência de um erro defensivo que lhe valeu uma recuperação de bola em zona privilegiada. Em ambas as ocasiões, o esférico passou muito perto do canto superior esquerdo da baliza do Nelas.

Hugo Monteiro - irreverente e acutilante: a equipa ganhou maior capacidade de conduzir o ataque pelo flanco direito. A velocidade e o poder de finta são atributos que podem tornar Hugo Monteiro numa das revelações desta Liga, depois de uma época transacta em que merecia mais oportunidades. Mostrou um bom entendimento com Bessa, na direita, e, quando passou para a ala oposta, também combinou bem com Nuno Pinto.

Marcos António - uma das boas surpresas da partida de ontem. Apesar de ser avançado, jogou ligeiramente descaído para a esquerda, flectindo para o "coração" da grande área sempre que eram feitos cruzamentos da direita e aparecendo sempre que o esférico era endossado para a área. Rápido e com bom controlo de bola, Marcos António causou imensos problemas ao lateral-direito e aos centrais do Nelas. Quando passou para a direita, manteve a mesma toada e quase viu a sua actuação premiada com um tento, ao cabecear ligeiramente ao lado. Um jogador a observar nos próximos jogos..

Fary - mais um jogo, mais um golo. Entendeu-se bem com Marcos António, recuando, face às diagonais deste último para o interior da área, por algumas ocasiões, para vir buscar jogo. Marcou um golo e podia ter bisado, mas, depois de ter recebido bem o esférico, rematou por cima. Continua, contudo, a evidenciar fragilidade nos confrontos físicos com os centrais adversários.

Nuno Pinto - mais uma boa surpresa. Apesar de ser extremo-esquerdo, foi utilizado como lateral e a verdade é que cumpriu. Se é certo que Hélder Rosário deu um auxílio importante, Nuno Pinto mostrou bastante segurança na ocupação dos espaços no flanco esquerdo, não concedendo grandes veleidades aos adversários que descaíam para a sua faixa, e foi um lateral muito ofensivo. Outro jogador que merece ser observado nos próximos encontros particulares.

William - tal como Khadim, teve uma actuação tranquila, mas acabou por ter mais trabalho. No entanto, sempre que foi chamado a intervir, fê-lo com grande segurança.

O Notícias do Bessa esteve, uma vez mais, a acompanhar o Boavista. Ficam algumas fotos do jogo de ontem:

Kazmierczak (Kazu)

A concentração de Peter Jehle, ainda durante o aquecimento

Marquinho

Rafal Grzelak

Roland Linz

Leo Tambussi

Kazu após um cabeceamento perigoso para a baliza do Nelas

Marcos António

Bessa a efectuar um lançamento lateral

William: mais uma época ao serviço do BFC...

Canto cobrado por Ricardo Sousa, na segunda parte, mas que acabou por não resultar em perigo

As correcções a fazer são muitas numa fase tão inicial da pré-época...

O próximo jogo do Boavista terá lugar na próxima quarta-feira, em Londres, frente ao Crystal Palace, e, no sábado, os "axadrezados" jogam em Coventry, diante da equipa local.



publicado por pjmcs às 12:01
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10 comentários:
De Portland a 23 de Julho de 2006 às 19:32
Muitos parabéns pelo post sobre o jogo do Boavista em Nelas!!

Já agora, alguém sabe o que se passa com o fórum PN??

Cumprimentos!!


De pjmcs a 23 de Julho de 2006 às 20:01
Obrigado, Portland!
Quanto ao fórum dos PN, sinceramente, não sei o que se passa... Há alguns dias, eu disse que talvez se tratasse de uma reestruturação, mas a verdade é que já se está a prolongar por muito mais tempo do que é costume. Vamos aguardar...

Saudações axadrezadas,

PJMCS


De Paulo Fernandes a 23 de Julho de 2006 às 21:10
Caro PJMCS,
boa noite.

Obrigado pela excelente análise feita ao jogo com o Nelas.
Quanto à nossa equipa, parece-me globalmente mais equilibrada. Tenho ido ver alguns treinos e gosto da forma acutilante como o Jesualdo Ferreira está a trabalhar os diversos sectores da equipa.
Já agora, os meus destaques daquilo que tenho visto (Melgaço e Bessa-Treinos):
- Kazu (vai ser muito importante na cobertura defensiva da equipa e no apoio aos centrais)
- Extremo esquerdo polaco (muito acutilante em termos ofensivos e correcto tacticamente)
- Marcos António (Irreverente, audaz, guerreiro - uma surpresa)

Já agora. Irei tentar estar no jogo da Póvoa - estará dependente da hora, até porque trabalho lá. Se porventura quiser algum acompanhamento sobre o desempenho da equipa estou ao dispôr para o ajudar.
Basta aqui mencionar essa intenção. Obrigado

Cumprimentos Boavisteiros,
PAULO FERNANDES


De pjmcs a 23 de Julho de 2006 às 21:26
Caro Paulo Fernandes,

Tendo por base apenas aquilo que já vi deste novo Boavista (o jogo com o Nelas), concordo com as análises ao Grzelak e ao Marcos António. Também gostei da postura do prof. Jesualdo no "banco". Tive a oportunidade de estar muito perto do "banco" e gostei das constantes correcções feitas pelo nosso treinador e pela autoridade (embora não excessiva) perante os jogadores.

Quanto ao Kazu, tendo, como já referi, visto apenas o encontro de ontem, em que ele actuou como médio-interior esquerdo, parece-me um jogador forte nas variações de flanco a 30,40 ou mesmo 50 metros e intransponível no jogo aéreo, mas, por outro lado, não me parece um futebolista com a mobilidade, a criatividade necessárias para actuar como unidade do meio-campo capaz de se assumir como "armador" de jogo. Por isso, até pelas suas características físicas, considero que poderá ser mais rentável como vértice mais recuado do meio-campo. E, aí, como afirma o Paulo, poderá ser muito importante no apoio aos dois centrais, permitindo, também, a subida dos dois laterais no terreno (ficando a equipa a jogar, momentaneamente, em 3-4-3).

Também vou tentar estar presente na Póvoa, no dia de 2 de Agosto, num teste em que já é expectável um maior fio de jogo por parte da nossa equipa, uma vez que, ao contrário do que acontece nesta fase, o treino não será tão voltado para a vertente física, abrangendo mais a vertente técnico-táctica.

Saudações axadrezadas,

PJMCS


De Nuno Amaro Andrade a 24 de Julho de 2006 às 09:09
Caro PJMCS,

Excelente e única verdadeira reportagem deste segundo jogo de preparação do nosso Boavista. Importante a sua acção na informação sobre esta pré-época, que tantas prespectivas positivas nos está a pôr sobre os novos reforços e sobre o trabalho do nosso novo treinador.
Gostava de lhe colocar algumas questões e comentários:
-Concorda
Que Kazu e Grezalak são até agora as grandes novidades deste boavista?!!!
Linz e Ricardo Sousa mantêm-se um pouco apagados? não será o reflexo de no caso do primeiro, da normal fase de adaptação e no segundo da captação da filosofia do treinador assim como das cargas fisicas desgastantes nesta fase da época?!!
a luta será titânica entre Bessa e Marquinhos?Assim como para os quatros centrais, que demonstram qualidade acima da média?
E quanto a si, Essame , Hugo Monteiro, Marcos António e até Nuno Pinto serão valias extramamente válidas para a nova época??

Agradendo desde já o seu tabalho em prol do nosso BOAVISTA.

Melhores cumprimentos
Nuno Amaro Andrade


De pjmcs a 24 de Julho de 2006 às 11:56
Antes de mais, muito obrigado, caro Nuno Amaro, pelo comentário.

Quanto às questões que me colocou, concordo que Kazu e Grzelak são duas novidades importantes no plantel. Curiosamente, daquilo que vi em Nelas, o Grzelak, que, à partida, parecia ter menos "cartaz" e prestígio que o Kazu, exibiu-se em melhor nível e mostrou ser um extremo rápido e com grande facilidade no drible, além de ser esquerdino, colmatado, assim, uma lacuna que, na minha opinião, existe há alguns anos no BFC. O Kazu, por sua vez, jogou numa posição em que, provavelmente, renderá menos (interior-esquerdo), por isso começou mal o jogo, mas deu para perceber que é um jogador imbatível no jogo aéreo (importante, pois, no auxílio aos centrais) e eficaz nos passes mais longos para as alas. Gostaria de, no próximo encontro a que vou assistir (na Póvoa), o ver a jogar como elemento mais recuado do meio-campo. Relativamente ao Linz, esteve, de facto muito apagado, e, sem dúvida, um factores que o explicam prende-se com a sua fase de adaptação a um novo futebol e a uma nova realidade, mas, também, a pobre produção do meio-campo, em termos ofensivos, na primeira parte em Nelas prejudicou-o imenso. No entanto, já me pareceu que se trata de um ponta-de-lança inteligente nas movimentações, que gosta de se desmarcar e abrir espaços entre os centrais. Quanto ao Ricardo Sousa, apesar de ainda estar longe da melhor forma, pelo que vi em Nelas, até esteve relativamente bem, mostrando uma mobilidade e uma capacidade para, a partir do centro do terreno, pautar o jogo ofensivo da equipa bastante interessantes, algo que, por exemplo, raramente o vi fazer em 2003/2004 (em que jogava mais adiantado no terreno e passava ao lado do jogo - valia a sua eficácia nos livres e nos remates em jeito de meia-distância). Parece-me que vem da Alemanha com maior capacidade física (capaz de ir ao choque e lutar pela recuperação de bola) e mais disciplinado tacticamente, mas, obviamente, ainda tem muito que "pedalar" para se afirmar como uma das referências da equipa.

Bessa e Marquinho - conhecendo muito melhor o primeiro, parecem-me dois laterais, embora longe de espectacular e primorosos tecnicamente, regulares, que gostam de subir pela sua ala. O primeiro parece-me mais seguro e mais ofensivo (efectuando, além disso, bons cruzamentos); o segundo menos rigoroso em termos de posicionamento e de marcação, mas mais forte no jogo aéreo. Relativamente aos quatro centrais, penso que até ficámos a ganhar com a saída do Cadú e a entrada do Leo Tambussi, pois, apesar do primeiro ser mais forte no o jogo aéreo, julgo que o segundo tem mais posição no terreno e é mais autoritário quer no desarme, quer na marcação. Cissé, neste momento, é o melhor dos quatro centrais (já no ano passado, a maior parte - senão todos - dos boavisteiros considerava que ele era, claramente, um jogador para o "onze" inicial. Curiosamente, Ricardo Silva, para mim um dos melhores centrais da Liga na segunda volta da época passada, não tem mostrado a segurança habitual, ele que se assumiu como o "patrão" da nossa defesa. Hélder Rosário, o central claramente mais forte nas dobras e a sair a jogar, parece-me mais consistente no jogo aéreo e em termos posicionais. Por isso, a luta por um lugar no eixo defensivo será verdadeiramente titânica, embora eu pense que o Cissé, se mantiver o mesmo nível, será titular com naturalidade, lutando Tambussi, Ricardo Silva e Rosário pelo outro lugar.

Hugo Monteiro, Essame, Marcos António e Nuno Pinto são, de facto, quatro jovens jogadores que podem representar mais-valias significativas para o plantel. O primeiro, nos poucos minutos em que teve a oportunidade de actuar na temporada passada, mostrou ser um extremo rápido e com uma qualidade técnica acima da média (aquele fantástico golo ao Abrantes, em Janeiro, é elucidativo) e estou convencido de que este será o ano da sua definitiva afirmação (julgo que vai ganhar a corrida a um Zé Manel longe de ser aquele jogador explosivo da primeira época ao serviço do BFC). Essame é um médio-defensivo com grande espírito de sacrifício e de luta, bom nos remates em força de longe e tecnicamente relativamente evoluído, mas julgo que ele não será tanto um organizador de jogo (funções que lhe foram atribuídas em Nelas)...

CONTINUA...


De pjmcs a 24 de Julho de 2006 às 12:04
... mas, sim, um médio-interior capaz de ajudar o organizador de jogo (que deverá ser o Ricardo Sousa) na transposição e na ligação com o ataque, ou seja, desempenhando as mesmas funções que o Lucas. Por isso, com o evoluir da pré-época, os dois acabarão a lutar por um lugar a médio-interior direito, embora o Lucas, por ser um jogador mais consistente e mais seguro nos passes a 30,40 metros, tenha vantagem.
O Marcos António e o Nuno Pinto foram, em Nelas, duas excelentes surpresas. O Marcos António alia a velocidade com um bom controlo de bola, o que lhe permite, em diagonais de apoio ao ponta-de-lança, romper e combina bem com o lateral do seu flanco. Além disso, em Nelas, ele apareceu sempre que a bola era endossada para a grande área, ou seja, evidenciou ser um jogador oportuno. Quanto ao Nuno Pinto, pela qualidade técnica e irreverência que tem, renderá, certamente, mais como extremo-esquerdo (poderá ser um concorrente de Grzelak, apesar de este último dever assumir-se como um titular indiscutível), mas, curiosamente, mostrou uma segurança invulgar para um jovem de 20 anos que é adaptado a extremo.

Em suma, pese embora o jogo de Nelas ter sido relativamente fraco (e eu, à partida, não esperava outra coisa), deu para perceber que temos "matéria" neste plantel para construir uma equipa forte. Talvez falte um extremo-direito, capaz de lutar com o Hugo Monteiro por um lugar no "onze", uma vez que o Zé Manel, desde o final da época passada, se tem exibido muito aquém do que, num passado recente, já produzido. Mas espero estar enganado: pode ser que o Zé Manel volte à sua boa forma e faça uma boa temporada.

Saudações axadrezadas,

PJMCS


De tito a 25 de Julho de 2006 às 10:21
Obrigado pela imagems do jogo-treino com o nelas jà que à tv nao mostra nada,ou menos vòs sim.Muito obrigado


De Anónimo a 25 de Julho de 2006 às 11:32
Pois, a TV está preocupada com os "grandes"...parabéns PJMCS por esta cobertura magnífica ao jogo do BFC em Nelas.


De Luís Filipe Ramos a 25 de Julho de 2006 às 11:35
Pois, a TV está mais preocupada com os "grandes"...parabéns ao PJMCS pela excelente cobertura ao jogo do Boavista em Nelas!
Já agora, a minha opinião relativamente aos centrais é que os titulares deveriam ser Cisse e Hélder Rosário...a ver vamos.


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