Sexta-feira, 7 de Julho de 2006
Portugal 0 - França 1: SONHO PORTUGUÊS VOLTA A TERMINAR AOS PÉS DOS GAULESES... DE FORMA INJUSTA

Substituições:

PORTUGAL - Miguel por Paulo Ferreira, aos 61min; Pauleta por Simão, aos 69min; Costinha por Hélder Postiga, aos 77min

FRANÇA - Malouda por Wiltord, aos 71min; Ribery por Govou, aos 74min; Henry por Saha, aos 88min

A França, pela terceira vez, derrotou Portugal nas meias-finais de uma grande competição internacional, desta feita no Campeonato do Mundo. Uma grande penalidade convertida por Zidane (e que Ricardo esteve perto de travar com sucesso), tal como em 2000, deu aos gauleses, que até realizaram uma exibição pobre e "cinzenta" (ao contrário do que aconteceu, por exemplo, frente à Espanha), a presença na final de Berlim. Foi devido a um pormenor, a um único erro (cometido por Ricardo Carvalho, que, após falhar um alívio, acabou por tocar, com o pé esquerdo, em Henry, dentro da grande área, se bem que o avançado do Arsenal tenha, de certa forma, provocado o contacto, ao arrastar a perna direita de encontro ao pé do central do Chelsea) durante todo o encontro que Portugal foi derrotado. De facto, a turma das Quinas foi, embora não o tenha sido de forma avassaladora (foi, novamente, como se esperava, um jogo bastante táctico), superior em quase todos os capítulos do encontro: teve mais e melhores oportunidades de golo (de realçar o cabeceamento de Figo, no último quarto-de-hora, após defesa incompleta de Barthez a livre de Cristiano Ronaldo, que passou ligeiramente por cima da barra), mais posse de bola, maior domínio territorial (a maior parte do tempo da partida foi disputada no meio-campo defensivo francês) e os extremos Ronaldo e Figo causaram mais desequilíbrios que Malouda (tal como prevíramos, não deu grande profundidade ofensiva ao flanco esquerdo gaulês, funcionando, inclusive, mais como um médio-interior do que, propriamente, como um médio-ala/extremo) e Ribery (uma decepção, sendo completamente anulado por Nuno Valente).

No entanto, convém salientar que o 0-1 final não foi, apenas, consequência do erro que deu origem ao "penalty", havendo outros factores que ajudam a explicar por que razão Portugal não foi capaz de superar o opositor "tricolor". Um deles poderá passar pela actuação do árbitro Jorge Larrionda. A dualidade de critérios na marcação de faltas foi gritante e o juiz uruguaio foi demasiado complacente com a dureza excessiva de jogadores como Vieira (uma entrada sobre Deco, a meio da primeira parte, quando este se encontrava em boa posição para lançar o contra-ataque, justificava a exibição do cartão amarelo) e Malouda. Além disso, poucos minutos depois do castigo máximo a favor da França, Cristiano Ronaldo caiu na grande área gaulesa, ficando a ideia de que a carga de Sagnol sobre o jovem extremo poderia ser penalizada com a marcação de uma grande penalidade. Se fosse na área contrária... fica a dúvida sobre se Larrionda tomaria a mesma decisão.

Outro factor prende-se com o sub-rendimento de duas unidades que seriam fundamentais para dar maior profundidade ofensiva - o ponta-de-lança Pauleta e o organizador de jogo Deco - daí  que Portugal não tivesse sido suficientemente incisivo e objectivo no último reduto adversário. O primeiro passou completamente "ao lado" do jogo, mostrando-se desenquadrado com o futebol desenvolvido pelo resto da equipa - errou alguns passes que poderiam, caso fossem bem concretizados, dar origem a triangulações que permitiram a companheiros, vindos de trás, aparecer em posição para bater Barthez, e não conseguiu libertar-se da marcação impiedosa exercida por Gallas e Thuram. Já a actuação de Deco foi uma surpresa (pela negativa). O "mágico" não entrou bem no jogo (falhou alguns passes e viu Makelélé e Vieira desarmarem-no, em algumas ocasiões, quando se preparava para tentar "romper" recorrendo ao drible e à finta), o que, provavelmente, lhe retirou e fez com que protagonizasse uma exibição apagada, triste, quando Portugal necessitava (como se notou no encontro frente à Inglaterra) de uma unidade criativa e imaginativa no meio-campo que permitisse emprestar espontaneidade ao seu jogo. Todavia, até porque Maniche tentou suprir a noite menos feliz de Deco e visto que Figo e Ronaldo conseguiram criar imensas dificuldades a Abidal e Sagnol, a exibição portuguesa no relvado do Allianz Arena de Munique acabou por justificar outro resultado.

ANÁLISE TÁCTICA

Os dois seleccionadores/treinadores não surpreenderam quanto aos "onzes" e sistemas tácticos que utilizaram. Luiz Felipe Scolari, face aos regressos de Costinha e Deco, voltou ao 4-3-3, com Costinha como vértice mais recuado do meio-campo, sendo encarregue de marcar Zidane (algo que conseguiu fazer com sucesso) e de fechar linhas de passe, Maniche, que actuou como médio-interior esquerdo (posição em que rende mais), auxiliando Deco na organização/distribuição de jogo, e Deco, ligeiramente mais adiantado e descaído para a direita. Depois da substituição forçada de Miguel por Paulo Ferreira, Scolari decidiu, tal como fez frente à Inglaterra, trocar o desinspirado Pauleta por Simão, passando o benfiquista para extremo-esquerdo e Cristiano Ronaldo para as funções de ponta-de-lança, na tentativa de fornecer maior mobilidade e capacidade para "fugir" aos dois centrais. Minutos depois, Scolari arriscou, ao prescindir da unidade defensiva do meio-campo, apostando em Hélder Postiga, passando a equipa a actuar em 4-2-4, com Ronaldo a jogar como segundo ponta-de-lança, nas "costas" de Postiga, este último em posição mais fixa. Esta última alteração permitiu a Portugal subir as suas linhas (com o risco de se expor mais aos contra-ataques gauleses, que, porém, raramente surgiram) e pressionar, em zonas mais avançadas do terreno, o adversário. Mesmo assim, Portugal não conseguiu o golo do empate...

Quanto à França, Raymond Domenech montou a equipa da forma que o Notícias do Bessa previu, na última segunda-feira (http://boavistafc.blogs.sapo.pt/120710.html). No entanto, face ao maior domínio português, Malouda raramente explorou a ala esquerda, actuando como médio-interior, de modo a reequilibrar o sector intermediário e a conceder maior liberdade a Zidane para descair para a esquerda, que, todavia, face à marcação de Costinha, nunca conseguiu "brilhar". Aliás, pelo flanco esquerdo, os únicos problemas criados à defensiva portuguesa tiveram origem em Thierry Henry (um dos poucos elementos franceses, do meio-campo para a frente, que se exibiu num nível acima do mediano-fraco), sempre que descaía para esse flanco, já que Abidal poucas subidas efectuou pela sua faixa, dado o trabalho que Figo lhe deu. Pela direita, os desequilíbrios eram criados não por Ribery, mas, sim, por Sagnol, que, por um lado, teve imensos problemas para travar Ronaldo, mas, por outro lado, mostrou grande qualidade em termos ofensivos, conseguindo tirar alguns cruzamentos e "ganhar" alguns cantos. As substituições efectuadas por Domenech acabaram por não ter consequências práticas, já que a França, na fase final da partida, praticamente abdicou de sair para o ataque, procurando, sempre que tinha a bola em sua posse, "congelá-la".

Não obstante o "sinal mais" de Portugal, pode afirmar-se que as duas equipas encaixaram uma na outra, principalmente no centro do terreno, uma vez que os dois médios criativos, Deco e Zidane, foram "neutralizados". Além disso, Vieira, que gostava de realizar movimentos de aproximação à área adversária, a fim de aproveitar as segundas bolas, não conseguiu ser mais que um médio-defensivo, apostado em fechar os espaços aos sectores mais adiantados da formação lusa.

ÚLTIMAS NOTAS

Começando pelos destaques individuais da equipa portuguesa, Maniche foi, sem dúvida, um dos melhores elementos em campo, uma vez que, apesar dos poucos espaços a meio-campo, conseguiu efectuar boas aberturas para as alas e viragens de flanco, solicitando as subidas, sobretudo, do lateral-direito Miguel. Além disso, o ainda jogador do Dinamo de Moscovo esteve bem em termos tácticos, ao ajudar Costinha a fechar, sempre que a França tinha a bola em sua posse, os espaços, as zonas de penetração e as linhas de passe, realizando algumas recuperações importantes. Costinha, como já foi referido, anulou Zidane e equilibrou a equipa em termos tácticos, impedindo as penetrações de jogadores como Vieira, o número 10 francês e Henry (que, por isso, teve de descair muitas vezes para a esquerda) pelo corredor central e efectuando algumas intercepções importantes. Nuno Valente também esteve em bom plano, pois, apesar de ter subido pouco pela sua ala, conseguiu cumprir a sua "missão" principal: impedir o irrequieto Ribery de "romper". Os dois extremos, Cristiano Ronaldo e Luís Figo, conseguiram criar alguns desequilíbrios. O primeiro visto que arriscou, por diversas ocasiões, a finta, quando parecia que teria pouco espaço para o fazer, e conseguindo penetrar pela esquerda, além de ter jogando sempre para e com a equipa (ao contrário do que aconteceu, por exemplo, frente a Angola e frente ao Irão - Ronaldo, nos jogos decisivos de "mata-mata" subiu de rendimento em relação ao encontros da fase de grupos) e o segundo porque mostrou, uma vez mais, classe, encontrando, perante a marcação a Abidal, espaços para fazer passes e tirar cruzamentos.

Há, também, um destaque pela negativa: Raymond Domenech. Durante todo o encontro, o seleccionador francês teve atitudes pouco correctas e perfeitamente desadequadas dado o prestigiado cargo que desempenha, fazendo recordar o que sucedeu em Novembro de 2003, aquando do jogo da segunda "mão" do "playoff" de apuramento para o Europeu de Sub-21 do ano seguinte. As tentativas de pressão de Domenech sobre a equipa de arbitragem, insinuando que os jogadores portugueses simulavam faltas, foram uma constante e as, no mínimo, deselegantes palavras proferidas no final da partida (segundo afirmou Luiz Felipe Scolari, o que foi confirmado pelo jornal O JOGO - http://www.ojogo.pt/22-135/artigo564559.htm) constituem uma conduta que deveria envergonhar os responsáveis da Federação Francesa de Futebol.

Para terminar, resta parabenizar a nossa selecção e a equipa técnica liderada por Luiz Felipe Scolari pela fantástica carreira (independentemente do resultado do jogo frente à Alemanha) neste Mundial e, também, pelo empenho e pela actuação positiva frente à França.

Amanhã, em Estugarda, frente à formação anfitriã, uma vitória dará um lugar no "pódio" neste Mundial à formação das Quinas, o que abrilhantaria ainda mais a prestação portuguesa em terras germânicas.

VIVA PORTUGAL!!!

Foi por muito pouco que Ricardo não voltou a ser o "herói"...

Figo, muito activo, ensaia mais um remate... com o seu pior pé, o esquerdo

Pauleta, num dos seus poucos apontamentos positivos, remata à meia-volta, após bom trabalho realizado perante Thuram

Luís Figo desperdiça uma das melhores oportunidades do desafio, ao cabecear por cima após defesa incompleta de Barthez

O desespero de Ronaldo - uma imagem semelhante à da final do Euro 2004

Apesar de estar em menor número, o público português foi, uma vez mais, incansável no apoio à equipa

 

 



publicado por pjmcs às 20:47
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