Domingo, 30 de Abril de 2006
Nacional 1 - Boavista 0: UEFA MUITO MAIS COMPLICADA...
Nacional - Hilário; Patacas, Ávalos, Fernando Cardozo e Miguelito (Ricardo Pateira, aos 74min); Cléber Oliveira; Bruno e Chainho (Alonso, aos 56min); Alexandre Goulart (Emerson, aos 82min), André Pinto e Spadacio

Treinador - Prof. Manuel Machado

Boavista - William; Rui Duarte, Ricardo Silva, Cissé e Areias; Paulo Sousa e Tiago; Manuel José (Zé Manel, aos 54min), João Pinto (Fary, aos 68min) e Paulo Jorge (Hugo Monteiro, aos 78min); Tomas Oravec

Treinador - Carlos Brito

O Boavista sofreu, ontem ao final da tarde, uma derrota comprometedora no seu objectivo europeu, diante, precisamente, do seu opositor directo, o Nacional. Desta forma, os "axadrezados" desceram para o 6.º  lugar, por troca com o Nacional, o que significa que na última jornada, para o BFC se apurar para Taça UEFA, terá, obrigatoriamente, de vencer ao FC Porto no Estádio do Bessa Século XXI e "esperar" por uma derrota (qualquer outro resultado não interessa) do Nacional em Setúbal. O Boavista está, portanto, em muito "maus lençóis".

De facto, foi incompreensível como é que uma equipa que podia, ganhando ontem, garantir, de imediato, o acesso às competições europeias jogou de forma tão desgarrada, concedendo o domínio da partida ao adversário e deixando que este ganhasse confiança e "crescesse" no jogo. Acabou por ganhar a única equipa que mostrou coerência e organização nos seus processos de jogo e, acima de tudo, alguma ambição.

Carlos Brito regressou ao 4-2-3-1, um esquema que apenas funciona da melhor maneira se o BFC jogar claramente projectado para o ataque, com as linhas média e ofensiva adiantadas. Ora, o Boavista fez, exactamente, o contrário: jogou demasiado recuado, denotado excessivo receio face ao adversário. As consequências foram as que seriam de prever: o Boavista perdeu, completamente, a "batalha" a meio-campo, concedeu muitos espaços à manobra ofensiva do Nacional (aliás, no lance do golo, apesar de se tratar de um momento de inspiração individual de Juliano Spadacio, a verdade é que o esquerdino da formação madeirense teve demasiado tempo e espaço para preparar o remate) e foi, até cerca dos 70 minutos, totalmente inofensiva nas poucas ocasiões em que tinha o esférico em sua posse no meio-campo defensivo adversário. Aliás, a propósito do sector ofensivo do Boavista, João Pinto, tal como aconteceu em muitos encontros da primeira volta (Setúbal e Guimarães, em casa, Rio Ave, Benfica e FC Porto, fora), foi obrigado, fruto da inoperância e do pouco "peso" do meio-campo, a recuar, praticamente, para médio-interior esquerdo, sendo-lhe, assim, coarctada liberdade para fazer uso de toda a sua criatividade, de todo o seu talento. Manuel José, por sua vez, estava completamente perdido (mostrando, uma vez mais, que rende menos quando colocado a extremo-direito), não conseguindo travar as iniciativas do lateral-esquerdo Miguelito nem dando a profundidade que se lhe pedia ao flanco direito. Paulo Jorge, no flanco oposto, era o único que conseguia criar um ou outro desequilíbrio (foi, aliás, do seu pé direito que surgiu a primeira oportunidade de golo da partida), mas nunca foi devidamente auxiliado por Areias (muito preso a tarefas defensivas) e raramente lhe foi endossada a bola nas melhores condições (devido à incapacidade do meio-campo, que JVP, só em algumas situações, conseguiu disfarçar). Quanto a Oravec, o eslovaco foi, quase sempre, um elemento solitário no meio dos centrais nacionalistas.
Ganhou, por conseguinte, Manuel Machado no duelo táctico, não só porque soube montar uma estrutura que permitiu ao Nacional controlar as operações no sector intermediário e, também, pelo recuo de Miguelito para lateral-esquerdo (Alonso ficou no "banco", só entrando na segunda parte), concedendo a Juliano Spadacio liberdade de movimentos (fazendo, frequentemente, diagonais de apoio ao ponta-de-lança André Pinto), o que trouxe grande dinâmica ao sector ofensivo do Nacional. No entanto, convém dizer, em abono da verdade, que o Nacional, não obstante ter merecido, inteiramente, a vitória, nunca mostrou ser, mesmo perante a completa desorganização "axadrezada", uma equipa suficientemente forte para suscitar tantos receios no Boavista. Uma "Pantera" personalizada, compacta e bem estruturada tacticamente (reforçando o meio-campo e apostando num JVP mais "solto" para tarefas ofensivas ou, em alternativa, jogando em 4-2-3-1, com uma postura ofensiva e pressionante) seria, provavelmente, o suficiente para conseguir trazer do Funchal um bom resultado, inclusivamente, uma vitória, que asseguraria o regresso às Eurotaças.

O Boavista apenas entrou, verdadeiramente, no jogo após o golo do Nacional, mas nunca esboçou uma reacção realmente forte e intensa. Num encontro de crucial importância, a falta de garra e de dinâmica da equipa na situação de desvantagem no marcador é incompreensível. É certo que, também, as substituições operadas por Carlos Brito não transmitiram, para dentro de campo, a dose de risco suficiente para lançar o Boavista num "pressing" final que permitisse "empurrar" o Nacional para o seu último reduto. Depois de ter trocado Manuel José por Zé Manel (ainda antes do golo), Carlos Brito, apesar de ter lançado dois homens de características ofensivas, Fary (que esteve em destaque através de um cabeceamento que Hilário acabou por defender sem dificuldade) e Hugo Monteiro (entrou muito bem no jogo e podia ter feito o empate ao "cair do pano" na sequência de um canto - caso para perguntar: por que razão teve tão poucas oportunidades ao longo da época), mas retirou João Pinto (que, mesmo estando a jogar num lugar que não é, claramente, o seu preferido, era o único elemento, a par de Paulo Jorge, que trazia alguma qualidade técnica ao sector ofensivo e podia surgir nas "costas" dos homens mais adiantados, aproveitando, por exemplo, as segundas bolas) e Paulo Jorge (estava exausto, é certo, até porque auxiliou Areias, por diversas ocasiões, a travar Alexandre Goulart, mas seria, com toda a certeza, um homem capaz de causar desequilíbrios e ajudar a inverter o rumo dos acontecimentos), mantendo, por exemplo, quando o tempo para chegar ao empate escasseava, o quarteto defensivo (poderia, muito bem, ter retirado um dos laterais, arriscando e jogando com apenas três defesas) e a dupla de médios-defensivos, que nem era capaz de ser eficiente no fecho de espaços e de linhas de passe e na recuperação da bola nem conseguia fazer a transição defesa-ataque em boas condições.
Contudo, o Boavista, nos minutos finais, apostando num futebol directo (com as bolas a serem bombeadas para a cabeça de Oravec, na tentativa de que este conseguisse desmarcar Fary, Zé Manel ou Hugo Monteiro), conseguiu, finalmente, assumir as depesas do encontro, mas sem grande clarividência.  Além disso, os cruzamentos (maior parte por banda dos dois laterais) eram feitos demasiado longe da linha final (Hugo Monteiro, num par de vezes, foi o único que conseguiu ir à linha para centrar), o que denuncia falta de profundidade ofensiva e de alguém que, com visão de jogo, conseguisse encontrar linhas de passe para as faixas laterais. O encontro terminou com a vitória do Nacional, justa, naquele que foi um jogo de futebol que não parecia, pela qualidade do (mau) futebol praticado, ser disputados entre dois candidatos às competições europeias. De positivo, fica a actuação do trio de arbitragem (que passou quase sempre despercebido, o que é bom) e as exibições dos dois centrais do Boavista (a dupla Cissé - Ricardo Silva evidenciou, novamente, que é a mais adequada para o centro da defensiva "axadrezada"), de William (muito seguro, sem culpas no golo sofrido e irrepreensível no um-para-um), Paulo Jorge, João Pinto (porque fez o que pôde, num jogo de grande sacrifício) e Hugo Monteiro.

Em suma, o Boavista complicou imenso as "contas" para o acesso à Taça UEFA, arriscando-se a ficar, pelo quarto ano consecutivo, de fora do panorama europeu. No entanto, porque ainda é pontualmente possível, resta-nos acreditar numa vitória frente ao FC Porto (desde já, o Notícias do Bessa aproveitar para pedir o máximo apoio à equipa no próximo domingo, no Estádio do Bessa Século XXI) e numa derrota do Nacional no terreno do tranquilo Vitória de Setúbal. Porém, para o volteface acontecer e o BFC, na última jornada, recuperar o 5.º lugar, exige-se outra atitude à equipa, outra organização e coerência técnico-táctico e, acima de tudo, mais ambição quer aos jogadores, quer à equipa técnica.
Mas... nós (ainda) acreditamos.



publicado por pjmcs às 20:36
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2 comentários:
De Migael a 1 de Maio de 2006 às 13:31
Lá se foi a Uefa... não me parece que aconteça uma vitoria no Bessa. E mesmo que isso aconteça não estou a ver o Nacional a perder frente ao Setubal...

Enfim.


De xadrez ate a morte a 1 de Maio de 2006 às 20:49
vergonhoso... englobo tudo , equipa, direccçao e treinador. o carlos brito enganou-nos a todos. deve pensar k ainda ta no rio ave a lutar pelo pontinho.
revoluçao necessaria


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