Domingo, 11 de Janeiro de 2009
Boavista FC 2 - 0 Estoril

 

    Dois golos de João Tomás.

 

Regressado agora do Bessa, só digo isto: assim sim! Gostei, sinceramente, da atitude da equipa e da garra desde o primeiro minuto. Melhor a segunda parte, também, porque o Rui Bento corrigiu um erro já cometido frente ao Gondomar: apostar em diagonais do Sidnei para o centro, fazendo descair demasiado o João Tomás para a esquerda. Corrigiu isso na segunda parte, jogando o Sidnei, finalmente, com um verdadeiro extremo, e mais espaços começaram a surgir. Bem o Gilberto, também, apesar de lateral-esquerdo, na minha opinião, não ser a posição em que rende mais... uma exibição plena de vontade, com um apoio importante ao ataque (sobretudo quando estava 0-0) e que por pouco, no final da primeira parte, não era premiada com um golo, após boa iniciativa individual. Obviamente, o Joâo Tomás foi o melhor em campo, mas não foi só pelos 2 golos que apontou: trabalhou imenso (sofreu algumas faltas que não foram assinaladas - sempre marcado em cima por um dos centrais do Estoril, o Dorival, penso eu) e, recebendo a bola, conseguiu quase sempre fazê-la rodar pelos colegas, o que permitiu, com isto, que a equipa fosse subindo no terreno. Gostei também dos dois centrais, Renato e François, sem inventar e resolvendo, com menor ou mais dificuldade, todos os problemas. Diferente para melhor, isto em relação aos últimos jogos, esteve o Pedro Moreira, sobretudo na construção de jogo e na forma como se incorporava no ataque.
Para terminar, pergunto: por que razão o Diogo Fernandes não é titular? O lance do 2.º golo diz tudo... é um jogador com qualidade.

Já agora, mais uma boa assistência, como tem sido hábito, no Bessa. Não foi das maiores da época, mas, ainda para mais dado vir a equipa de 3 derrotas seguidas, uma assistência de fazer inveja a muitos clubes da 1.ª.



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Domingo, 7 de Dezembro de 2008
Santa Clara 3 - Boavista 1

O Boavista perdeu, novamente a jogar de manhã, nos Açores frente ao Santa Clara. Um jogo com duas partes bem distintas, em que, pode dizer-se, os axadrezados, mais por culpa própria do que por mérito da formação da casa, deram, verdadeiramente, dois golos e 45 minutos de avanço ao adversário.

Para o duelo diante do 2.º classificado da Liga Vitalis, Rui Bento apostou num sistema de 4-4-2 (semelhante ao que havia iniciado o encontro frente ao Leiria), com João Tomás como referência ofensiva e Sidnei na esquerda, um meio-campo com François como vértice mais recuado (subiu de central para trinco, dado o regresso de Renato Santos ao “onze”, após lesão), Pedro Moreira mais na direita, Bruno Monteiro mais adiantado do que tem sido costume e Rui Lima ligeiramente descaído para o flanco canhoto.

A primeira parte teve, até ao primeiro golo, uma toada morna, essencialmente disputada a meio-campo, com o Boavista a procurar, sobretudo, a ala esquerda, na tentativa de explorar a velocidade de Sidnei. No entanto, os cruzamentos não saíam com a precisão necessária e, assim, o BFC não conseguia criar grande lances de perigo. O Santa Clara, por sua vez, apostava, apesar do reforçado (na teoria) sector intermediário axadrezado, essencialmente nas transições rápidas pelo corredor central.

Foi então que, sensivelmente a meio do primeiro tempo, quando nenhuma das equipas justificava mais que o nulo, o Santa Clara fez o primeiro tento, num lance em que o Boavista errou em termos defensivos. Após uma alívio muito deficiente de Renato Santos, o esférico sobra para um atacante do Santa Clara, que, com todo o espaço, cruza da esquerda para Rincon, livre de marcação, inaugurar o marcador.

O Boavista tentou reagir e esteve perto do empate em duas ocasiões, com dois cabeceamentos perigosos de João Tomás. No entanto, a fase final da primeira parte foi terrível para os axadrezados, dado que, aproveitando o excessivo espaço concedido, na zona central, quer pelo meio-campo, quer pelos centrais, o Santa Clara, com passes para as costas da defesa, ameaçou primeiro por Vouho, à passagem dos 40 minutos, que surgiu isolado perante Sérgio Leite (só uma boa intervenção do guardião boavisteiro evitou o golo), e acabou por concretizar mesmo no “cair do pano”, com, outra vez, um jogador da casa a surgir isolado, desta vez batendo Sérgio Leite. O intervalo chegava com um 2-0 que castigava a ingenuidade defensiva do Boavista, uma vez que, no futebol jogado, o Santa Clara não foi, contrariamente àquilo que o resultado poderia indiciar, uma equipa dominadora.

À entrada para o segundo tempo, Rui Bento, apercebendo-se de alguma confusão da equipa em termos tácticos (apesar de jogar, no papel, com quatro médios, o sector intermediário não conseguia fechar os espaços e as linhas de passe nem acertar nas marcações), lançou Adriano para o lugar de François, abrindo, assim, a frente de ataque. O Boavista regressava, desta forma, ao 4-3-3, com Bruno Monteiro a recuar para a posição mais recuada do meio-campo e Pedro Moreira a jogar em zonas mais interiores.

E a verdade é que o Boavista entrou melhor na segunda parte, com Rui Lima, logo aos 48 minutos, com um remate de primeira à entrada da área, a chutar ligeiramente por cima da barra. Estava dado o mote para uma etapa complementar na qual o BFC surgiu mais dinâmico e esclarecido. Ao fim do primeiro quarto-de-hora, nova substituição, entrando Márcio Tarrafa a render Gilberto. Rui Bento procurava, com esta alteração, dar maior criatividade e capacidade de segurar a bola ao meio-campo e, simultaneamente, um apoio mais efectivo, pela esquerda, ao extremo Sidnei. E esses intentos foram conseguidos. Aos 68 minutos, após um cruzamento da esquerda interceptado pela defesa açoreana, Márcio Tarrafa, sem deixar cair a bola, aproveita a segunda bola e faz um golo espectacular (mais um… depois do segundo golo de João Tomás frente ao Leiria), sem quaisquer hipóteses para Alemão, guarda-redes do Santa Clara. Um tento justo para o maior domínio boavisteiro no segundo tempo. Motivado pelo facto de bastar, agora, um único golo para repor a igualdade, o Boavista subiu as suas linhas ofensiva e média, surgindo, minuto após minuto, cada vez mais pressionante, impedindo, assim, o Santa Clara de conseguir sair a jogar. Os axadrezados estavam melhores e adivinhava-se o golo do empate. Aos 81 minutos, João Tomás teve, no seu pé direito, uma soberana ocasião para fazer o 2-2, ao surgir isolado perante Alemão, não conseguindo, todavia, melhor que rematar por cima. Um lance decisivo, que poderia ter mudado, por completo, o rumo do encontro. Só que, na jogada seguinte, novo erro defensivo da equipa do Boavista e o Santa Clara, sem ter feito nada que o justificasse, fazia o 3-1 e resolvia, desta forma, a partida. Mais um golo muito consentido pela equipa boavisteira e, obviamente, a cometer erros assim não qualquer hipótese de conseguir um bom resultado (fazendo lembrar, por exemplo, o que aconteceu nas derrotas na Póvoa de Varzim e em Santa Maria da Feira). Daí até final, o Boavista, mais com o “coração” que com a “cabeça”, tentou colocar rapidamente, com lançamentos longos, a bola na área, mas faltava o discernimento necessário para esboçar uma reacção efectiva.

Mais uma derrota do Boavista fora de casa, a 3.ª consecutiva, num jogo que dá muito que pensar. Perante uma das formações mais fortes da Liga Vitalis, o Boavista conseguiu ser superior durante grande parte da segunda parte, mostrando que tinha qualidade para trazer um bom resultado dos Açores. No entanto, quando se “oferece” três golos ao opositor, é muito, mais muito difícil fazer melhor… O próximo compromisso oficial do Boavista é apenas no domingo dia 21, com a recepção ao Gondomar, num jogo em que, mais uma vez, pedimos aos boavisteiros compareçam em bom número e apoiem, como tem sido hábito, a equipa, de modo a ajudar os axadrezados a conseguir os importantíssimos três pontos. Antes disso, porém, no dia 17 (4.ª feira), pelas 15 horas, o Boavista, também em casa, defronta o Paços de Ferreira, em partida a contar para a 1.ª jornada do campeonato de Primavera da Liga Intercalar.

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GD Santa Clara 3 x Boavista 1

(Rincon, aos 25 e 44 min, Ruben Rodrigues, aos 82 min; Márcio Tarrafa, aos 68 min)

 

79 Sérgio Leite

13 Zâmbia

3 Renato Santos

4 Bruno Pinheiro

7 Gilberto

15 François

8 Pedro Moreira

27 Bruno Monteiro

23 Rui Lima

9 João Tomás

19 Sidnei

 

 

 

 

Substituições

François por Adriano, ao intervalo

Gilberto por Márcio Tarrafa, aos 60 min 



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Domingo, 30 de Novembro de 2008
Boavista FC 2 - 0 U. Leiria

 

 

João Tomás - em grande!O Boavista regressou às vitórias com um belo triunfo sobre a União de Leiria. João Tomás foi a figura do jogo, ao apontar os dois golos. Importantes estes três pontos para recolocar a equipa na luta pelos lugares cimeiros e, também, para devolver o entusiasmo a uma massa associativa que desde o início da época tem estado com a equipa.
 
Rui Bento alterou não só alguns jogadores que compuseram o onze inicial, bem como o sistema táctico. Os axadrezados jogaram de início num 4-4-2, com dois homens rápidos na frente, Adriano e Sidnei, apoiados por um meio-campo com Ivan Santos na direita, Rui Lima na esquerda e Pedro Moreira no centro, com Bruno Monteiro ligeiramente mais recuado. Na defesa, destaque para o regresso de Zâmbia, ocupando o lado direito, e para a estreia de François (rendendo o lesionado Renato Santos), que fez dupla com Bruno Pinheiro no eixo.
 
Num encontro entre dois clubes que, na temporada transacta, disputaram o campeonato principal do futebol português (e que acabaram ambas por descer de divisão, não obstante tenham protagonizado carreiras bastante diferentes – o Leiria desceu porque fez uma má época, enquanto que o Boavista foi atirado para o segundo escalão fora das quatro linhas), os jogadores do BFC entraram com vontade de ganhar o mais rápido possível a bola e começarem a dominar o jogo. No entanto, talvez porque a formação do Lis tinha um meio-campo reforçado, contra dois homens do Boavista no miolo, a transição pelas zonas interiores não saía, pelo que era pelas alas, onde Ivan e Rui Lima contavam com o apoio dos laterais, bastante ofensivos, que o Boavista saía a jogar para o ataque. Faltava, todavia, maior acerto nos cruzamentos. Outra via para os axadrezados chegarem, mais rápido, ao ataque consistia em, explorando a velocidade dos dois avançados, apostar em lançamentos mais longos. A defesa do Leiria, muito experiente, acabava por conseguir anular essa forma de transição, embora, algumas vezes, recorrendo a faltas não assinaladas pelo árbitro Pedro Proença (um lance em que Luiz Carlos salta apoiado em Adriano, o que resultaria num livre muito perigoso em posição frontal, é o exemplo mais gritante disso mesmo).
 
Desta forma, apesar de ser a equipa mais forte, o Boavista não conseguia criar grandes ocasiões de golo. Quanto ao Leiria, a despeito de se ter mostrando uma equipa muito competitiva, não incomodava o guarda-redes Sérgio Leite. O nulo no marcador ao intervalo podia considerar-se um resultado justo, face à ausência de lances de grande perigo, embora o sinal mais fosse axadrezado.
 
Na segunda parte, tudo foi diferente para melhor. Para muito melhor.
 
O Boavista entrou mais pressionante, jogando com as suas linhas média e atacante mais adiantadas no terreno. O adversário sentiu, assim, mais dificuldades para iniciar a sua manobra ofensiva, acabando, amiúde, por afastar o esférico de qualquer maneira. Sidnei, com uma diagonal nas costas da defesa, esteve perto de, perante o guarda-redes Fernando, inaugurar o marcador. E eis que, aos 54 minutos, Rui Bento faz a primeira substituição, uma mudança que viria a revelar-se decisiva. Saía Ivan Santos (que esteve muito esforçado e, no primeiro tempo, sobretudo na fase inicial, tentou emprestar alguma criatividade e espontaneidade ao sector ofensivo) e entrava João Tomás, que, por não se encontrar a 100% fisicamente, começou o encontro no banco. Voltou, desta forma, o Boavista ao habitual 4-3-3, colocando, assim, mais gente na frente, empurrando ainda mais o Leiria para o seu último reduto. Rui Lima passava do flanco esquerdo para uma zona ligeiramente mais interior, fazendo parelha com Pedro Moreira no apoio ao tridente da frente e subindo de produção. Quem subiu de produção, também, foram os Sidnei e Adriano, agora a jogar mais junto da linha lateral, combinando com os laterais Gilberto e Zâmbia, respectivamente. Além disso, com a entrada do internacional português, o Boavista ganhou maior capacidade física e no jogo aéreo, podendo, assim, em caso de necessidade, apostar num futebol mais directo, obtendo mais frutos disso.
 
Minuto após minuto, notava-se que o golo estava cada vez mais perto e que, muito provavelmente, seria na baliza junto ao Topo Norte, isto é, para onde o Boavista atacava. E a verdade é que, aos 65 minutos, quebrava-se, finalmente, a resistência leiriense. Após mais uma diagonal, Sidnei recebe, na meia-lua da área, uma bola endossada por Pedro Moreira e desmarca Adriano, que, descaído para a esquerda, centra de pé direito para João Tomás. O número 9 axadrezado, quando parece ter tudo para desviar o esférico para dentro da baliza, é autenticamente atropelado por Patrick. Grande penalidade clara, em que o mesmo João Tomás, com um remate colocado para a esquerda do guardião leiriense, não deu quaisquer hipóteses. O Boavista ganhava, justamente, vantagem e passava a ser da União de Leiria a responsabilidade de pegar no jogo e fazer mais para justificar outro resultado.
 
Apesar de ter subido no terreno e começado a jogar de forma pressionante, a verdade é que os forasteiros pouco ou nada fizeram, daí em diante, para chegar ao empate. Apenas um lance aos 77 minutos, na sequência de um canto. È certo que a bola acaba por ir ao poste, mas também não convém esquecer que essa jogada é marcada por uma carga evidente sobre Sérgio Leite na pequena área, sendo o guarda-redes do BFC impedido de se reerguer pelos jogadores adversários. Incrível como não foi assinalada falta. Mas, fora essa situação, era o Boavista quem, em contra-ataque, criava mais perigo. Sidnei, novamente numa diagonal, acabou por surgir uma vez mais perante Fernando, no entanto, o reduzido ângulo, bem como o facto de ter de rematar com o pior pé, o direito, impediram o extremo-esquerdo brasileiro de fazer o 2-0 e resolver o jogo.
 
O encontro acabou por ficar resolvido cerca de 10 minutos depois, em cima dos 90. Pouco depois de Márcio Tarrafa ter rendido Sidnei, João Tomás, depois de recuperar o esférico na grande área contrária, protagoniza o melhor momento não só da partida, como também do campeonato, ao apontar aquele que foi, até agora, sem dúvida, o golo mais bonito desta Liga. Um chapéu perfeito a Fernando, com um único toque a “picar” a bola, levou o Bessa ao rubro pela certeza dos três pontos e, principalmente, por ter acabado de assistir a um instante de verdadeira genialidade. Logo de seguida, Fuska entrava para o lugar do esforçadíssimo Adriano, ainda a tempo de disputar os dois últimos minutos de um encontro que terminava sob o som da ovação dos adeptos axadrezados.
 
Uma vitória importantíssima, perante um adversário difícil. Pela excelente segunda parte, cheia de garra, competitividade e querer, a equipa mostrou aos boavisteiros estar completamente recuperada dos recentes desaires, devolvendo a esperança e a motivação a toda a família axadrezada. O Boavista soma, agora, 14 pontos, ao fim da 10.ª jornada, colando-se ao Feirense no 7.º lugar, a 5 pontos do líder Olhanense e a 4 do 2.º classificado, o Santa Clara, adversário no próximo encontro, nos Açores.
 

 

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Onze Inicial 
79 Sérgio Leite
13 Zâmbia
15 François
4 Bruno Pinheiro
7 Gilberto
10 Ivan Santos
8 Pedro Moreira
27 Bruno Monteiro
23 Rui Lima
80 Adriano
19 Sidnei
 
Suplentes
1 Pedro Trigueira
2 Diogo Leite
9 João Tomás
14 Benvindo
18 Rodrigo Fuska
35 Márcio Tarrafa
77 Diogo Fernandes
 
Disciplina – cartões amarelos
François, aos 52 min
Sérgio Leite, aos 78 min
 
 
Substituições
Ivan Santos por João Tomás, aos 54 min
Sidnei por Márcio Tarrafa, aos 89 min
Adriano por Fuska, aos 90+1 min

 



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Domingo, 23 de Novembro de 2008
SC Freamunde 2 - 0 Boavista FC

O Boavista somou a terceira derrota consecutiva na Liga Vitalis, ao ser derrotado por duas bolas a zero em Freamunde, num jogo de futebol globalmente fraco, em que o nulo seria, provavelmente, o castigo mais justo para o pouco que as duas equipas produziram. Mereciam, claramente, mais e melhor os adeptos boavisteiros, que, uma vez mais, compareceram em muito bom número em mais uma deslocação fora de casa. A eficácia, aliada ao aproveitamento de erros defensivos, acabou por fazer a diferença no resultado final.

 
Para este encontro, Rui Bento operou duas alterações no onze, entrando Fuska e Sidnei (regressado após lesão) para os lugares do lesionado Pedro Moreira e de Márcio Tarrafa, respectivamente. O esquema táctico, esse, manteve-se, com um 4-3-3 em que Rui Lima e Fuska eram os homens mais adiantados no meio-campo, jogando atrás de um trio com instruções para ir trocando de posição durante a partida.
 
O Boavista até começou melhor, com uma oportunidade flagrante para abrir o marcador. Com um passe de cerca de 30 metros, Rui Lima desmarca Sidnei, que, após passar pelo guarda-redes, acaba por rematar fraco (permitindo a intercepção para canto), dado ter ficado com um ângulo reduzido para alvejar a baliza. Parecia que o BFC ia impor o seu futebol e dominar o jogo, mas… puro engano. Rapidamente o encontro mergulhou numa toada morna, demasiado morna, com muita bola pelo ar, pouca imaginação a meio-campo e escassíssimos lances junto das duas áreas. Tacticamente, o Boavista era uma equipa confusa. Os dois extremos (Sidnei e Adriano) muitas vezes apareciam no mesmo flanco ou permaneciam em zonas mais interiores, o que dificultava não só o desdobramento para o ataque (os dois laterais, amiúde, subiam sem ter linhas de passe à sua frente), como também as transições defensivas (dado que não havia quem acompanhasse as subidas dos laterais adversários, criando uma situação de inferioridade numérica nas alas). O meio-campo também mostrava desorganização: Rui Lima, frequentemente, era obrigado a descair para a esquerda e Bruno Monteiro era forçado a desempenhar um duplo papel – distribuir jogo e tentar recuperar bolas, dado que era o único elemento no sector com capacidade para cumprir tarefas mais defensivas. O resultado era evidente: equipa demasiado previsível a sair a jogar e falta de cobertura na zona central em frente aos centrais, o que, juntamente com o pouco apoio dado aos laterais (como já referido), expunha o sector defensivo ao ataque adversário. E, com isto, o Boavista acabou por sofrer um golo perfeitamente escusado…
 
Os axadrezados, até ao intervalo, ainda tentaram esboçar uma reacção, mas a boa vontade de João Tomás (muito trabalhador e forte no jogo aéreo) e de Sidnei não era suficiente para “remar contra a maré”.
 
A segunda parte começou com um Boavista mais pressionante, embora nem sempre com grande lucidez, mas, fazendo lembrar o que aconteceu na deslocação ao terreno do Varzim, foi o adversário quem marcou, mais uma vez aproveitando um erro defensivo. 2-0 no marcador e um rude golpe para uma equipa que tentava reagir à desvantagem. Foi, então, que o Rui Bento mexeu na equipa. Primeiro aos 60 minutos, ao fazer sair Adriano (que esteve numa manhã muito infeliz, tendo, inclusive, desperdiçado uma soberana ocasião para marcar, logo a seguir ao 2-0), para entrar Márcio Tarrafa. Pouco depois, nova substituição, com Ivan Santos a render Diogo Fernandes. O Boavista, mantendo o 4-3-3, passou a jogar com Gilberto no lado direito da defesa e Rui Lima no lado esquerdo, Ivan Santos como extremo-direito e Márcio Tarrafa a fazer dupla com Rodrigo Fuska no meio-campo, ligeiramente à frente de Bruno Monteiro. E a verdade é que, apesar do natural desânimo com o resultado e que o passar do tempo acentuava, o Boavista arrancou, nos vinte minutos finais, para o seu melhor período no encontro, graças à nova dinâmica trazida por Ivan e Márcio. A equipa passou a jogar de forma mais organizada também (tendo os dois extremos mais fixos no seu flanco) e, canalizando o jogo por ambos os flancos, conseguiu, finalmente, construir jogadas coerentes e situações de penetração na área, faltando, no entanto, maior discernimento na hora do último passe e do cruzamento. Acabou, todavia, por ser demasiado tardia a reacção da equipa, fazendo, quando o tempo escasseava, aquilo que deveria ter começado a produzir desde o início. O anti-jogo por parte dos jogadores do Freamunde, com perdas de tempo excessivas, para as quais os três minutos de compensação dados pelo árbitro Paulo Costa foram, claramente, muito curtos, também acabou por dificultar, ainda mais, uma tarefa que já era quase impossível. O jogo terminava com o 2-0 no marcador, que, ainda assim, não demoveu os muitos boavisteiros presentes em Freamunde (sempre inexcedíveis no seu apoio) de, novamente, aplaudirem a equipa, mostrando, apesar de tudo, que estão com ela até ao fim da época. E que, naturalmente, acreditam que este momento negativo pode acabar já no próximo jogo, em casa contra a União de Leiria (próximo domingo às 15 horas). Um jogo no qual pedimos aos boavisteiros que compareçam em grande número, como tendo acontecido, dando mais uma prova inequívoca de que este clube é grande não só no seu palmarés, como também na gente que o segue.
 
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SC Freamunde 2 - Boavista FC 0
(Nelson, aos 19 min; Bock, aos 57 min)
 
 
Onze Inicial 
79 Sérgio Leite
77 Diogo Fernandes
3 Renato Santos
4 Bruno Pinheiro
7 Gilberto
18 Rodrigo Fuska
27 Bruno Monteiro
23 Rui Lima
80 Adriano
9 João Tomás
19 Sidnei
 
Suplentes
1 Pedro Trigueira
10 Ivan Santos
13 Zâmbia
14 Benvindo
15 François
26 Djibril Djaló
35 Márcio Tarrafa
 
Disciplina – cartões amarelos
Bruno Monteiro, aos 22 min
Bruno Pinheiro, aos 30 min
Diogo Fernandes, aos 44 min
João Tomás, aos 78 min
 
Substituições
Adriano por Márcio Tarrafa, aos 60 min
Diogo Fernandes por Ivan Santos, aos 70 min
 

 



publicado por pjmcs às 16:31
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Domingo, 16 de Novembro de 2008
Boavista FC 1 – 2 SC Beira-Mar

 

O Boavista sofreu a primeira derrota em casa esta época para o campeonato, ao perder 1-2 com o Beira-Mar, num jogo em que tudo parecia correr de feição após a primeira parte, quando os axadrezados venciam por 1-0 e pareciam ter o encontro controlado. Uma segunda parte com muita infelicidade à mistura acabou por ditar o decepcionante resultado naquela que foi, provavelmente, a melhor assistência da temporada no Estádio do Bessa Século XXI.

 
Para a partida com a formação aveirense, Rui Bento manteve o 4-3-3, com apenas uma alteração no onze que começou o último jogo, com o Guimarães: saiu o lesionado Sidnei e entrou Márcio Tarrafa. Esta mudança acrescentou uma nuance à manobra ofensiva da equipa, dado que Tarrafa, não sendo um extremo de raiz como Sidnei, procurava, com a bola controlada, flectir para o centro, abrindo espaço na esquerda para aparecer Rui Lima, na tentativa de aproveitar o seu bom pé esquerdo para cruzar.
 
O encontro começou com numa toada relativamente morna, essencialmente disputado a meio-campo e com alguns passes falhados de parte a parte. O Beira-Mar, mais vocacionado para o jogo directo, procurava surpreender a defensiva da casa com passes longos para as costas da defesa, enquanto que o Boavista, com dificuldades para impôr o seu futebol (feito de circulação de bola, com o esférico sempre junto ao relvado), não conseguia fazer a transição para o ataque a partir do corredor central (os forasteiros colocavam imensa gente de cariz defensivo no sector intermediário), apostando, assim, nas subidas dos laterais e nos passes do central Renato Santos para sair para o ataque. Foram, pois, 15/20 minutos em que as duas equipas se “estudaram” mutuamente, sem grandes riscos.
 
Pouco a pouco, porém, o Boavista começou a tomar conta do jogo e, com isso, a fazer descer as três linhas do Beira-Mar, ganhando, dessa forma, mais tempo e espaço para pensar e construir o jogo desde trás. Falhava, no entanto, o último passe, aquele que permitiria colocar o esférico em boas condições de ser cruzado para a área. Por isso, o domínio que o BFC começou a conquistar não se reflectia, até aos 10 minutos finais, em oportunidades claras de golo.
 
Foi, precisamente, à entrada para esse período que Rui Lima, após boa combinação na esquerda com Márcio Tarrafa, consegue penetrar na grande área, pela esquerda, mas acaba por rematar à figura do guarda-redes Palatsi. Estava, mesmo assim, dado o mote para o Boavista crescer e pressionar e foi isso que aconteceu até ao intervalo. Com os dois laterais a funcionar praticamente como segundos extremos, o Boavista conseguia dar largura ao seu futebol e, com isso, circular a bola no último terço do terreno. Em cima dos 45 minutos, concretizava-se, finalmente, o domínio: Diogo Fernandes, desmarcado na direita por Adriano, centra com “conta, peso e medida” para a cabeça de João Tomás, que, contudo, é desviado do caminho da bola por Artur. Grande penalidade justíssima (fica a dúvida sobre se o defesa aveirense não deveria ter visto o cartão vermelho, dado que João Tomás estava em posição extremamente favorável para marcar), que o próprio João Tomás converteu em golo, com um remate colocado para o lado esquerdo de Palatsi, que, apesar de ter adivinhado o lado, não conseguiu chegar à bola. O Intervalo chegava pouco depois, mas com um reparo a fazer ao árbitro Duarte Gomes: o jogo não deveria ter sido interrompido quando o Boavista estava, já na metade contrária do terreno, a sair para um contra-ataque que poderia ter sido muito perigoso. Ficava a sensação, no tempo de descanso, de que o Boavista estava melhor e que tinha tudo para gerir a vantagem e arrecadar os três pontos.
 
A verdade é que a segunda parte começou com um Boavista mais forte e mais próximo do golo que o Beira-Mar. Uma excelente incursão de Márcio Tarrafa pela esquerda, que entrou na área, mas acabou por ver o lance não ter a sequência correcta, parecia indiciar que o 2-0 seria uma questão de tempo. Dois erros de cálculo de Palatsi, primeiro perante João Tomás, depois diante de Adriano, que saiu de forma hesitante da área para tentar aliviar a bola, acabaram por não ser aproveitados, desperdício que acabou por custar caro ao Boavista. Com o passar dos minutos, o Beira-Mar, não tanto por praticar um futebol de qualidade (porque isso nunca aconteceu), mas sim pela presença física que colocou no último terço do terreno, foi crescendo e empurrando os axadrezados para terrenos mais recuados, sem nunca, no entanto, ameaçar a baliza à guarda de Sérgio Leite. Aos 68 minutos, Rui Bento mexeu pela primeira vez na equipa, tentando refrescar o ataque. Saía Márcio Tarrafa e estreava-se Djibril Djaló, sem isso implicar uma mudança em termos tácticos, já que Djibril ia ocupar o flanco esquerdo do ataque. No entanto, esta substituição acabava por implicar a presença, a tempo inteiro, de Rui Lima no meio-campo, dado que Djibril não tem a tendência que tinha Márcio Tarrafa para flectir para o centro.
 
O Beira-Mar, todavia, empatava praticamente de seguida, num lance de grande felicidade para os aveirenses e que começou de uma forma bastante duvidosa: o árbitro Duarte Gomes assinalou primeiro pontapé-de-baliza, mas, depois, alterou a decisão e decidiu marcar pontapé-de-canto. Na sequência dessa bola parada, o defesa Kanu acabou por se superiorizar no jogo aéreo e bater Sérgio Leite, que ainda tocou na bola. A formação axadrezada acusou o rude golpe e passou por uma fase de grande desorientação, que o Beira-Mar aproveitou. Aos 77 minutos, Fary apareceu sozinho na grande área e acabou por materializar a reviravolta no marcador, perante um Sérgio Leite sem qualquer hipótese de travar o remate. Ainda assim, no meio de tanta infelicidade boavisteira, é destacar a excelente atitude do avançado senegalês, que, após ser aplaudido quando entrou em campo, pediu desculpa à massa adepta boavisteira pelo golo marcado. E o jogo acabou praticamente aí, já que faltou discernimento ao Boavista para lutar por, pelo menos, um ponto. Rui Bento ainda lançou Ivan Santos para o lugar de Gilberto (substituição que já estava preparada antes do segundo tento aveirense), passando Rui Lima para lateral-esquerdo e Ivan Santos a jogar atrás de João Tomás, mas pouca coisa de relevante aconteceu nos minutos que faltavam. De referir, também, que a actuação do trio de arbitragem contribuiu para a inexistência de motivos de interesse nos últimos minutos da partida, ao assinalarem faltas completamente inexistentes alegadamente cometidas por jogadores do Boavista, quebrando, assim, o ritmo de jogo. Apesar da desilusão evidente nas hostes axadrezadas, o muito público que compareceu no Estádio do Bessa Século XXI brindou, como tem sido hábito, a sua equipa com uma forte ovação, prova de que o campeonato ainda é longo e os boavisteiros acreditam nesta equipa. Mostremos, assim, que esta derrota não nos abalou com uma grande presença de boavisteiros no próximo jogo, em Freamunde, domingo às 11h 15 min da manhã.
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Boavista FC 1 – SC Beira-Mar 2
(João Tomás, aos 45+1 min; Kanu, aos 70 min; Fary, aos 77 min)
 
 Onze Inicial 
79 Sérgio Leite
77 Diogo Fernandes
3 Renato Santos
4 Bruno Pinheiro
7 Gilberto
8 Pedro Moreira
27 Bruno Monteiro
23 Rui Lima
80 Adriano
9 João Tomás
35 Márcio Tarrafa
 
Suplentes
1 Pedro Trigueira
2 Diogo Leite
10 Ivan Santos
14 Benvindo
15 François
18 Rodrigo Fuska
26 Djibril Djaló
 
Substituições
Márcio Tarrafa por Djibril Djaló, aos 68 min
Gilberto por Ivan Santos, aos 79 min

 



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Domingo, 9 de Novembro de 2008
BOAVISTA FC 0 - 2 GUIMARÃES

O Boavista perdeu no Bessa com o Guimarães por duas bolas a zero, encerrando, assim, a participação na Taça de Portugal desta época. Trata-se de um resultado extremamente injusto, penalizando a equipa que teve mais oportunidades de golo e que durante mais tempo dominou o jogo. Destaque, além da boa exibição dos axadrezados, para o apoio incessante dos adeptos boavisteiros, do primeiro ao último minuto, mostrando, uma vez mais, que a grandeza deste clube está não só no seu palmarés rico, como também em quem o segue.


Para o encontro inaugural da IV eliminatória da Taça, Rui Bento manteve o tradicional 4-3-3, com algumas alterações relativamente à deslocação a Santa Maria da Feira, a começar na baliza, onde Pedro Trigueira (à semelhança do que havia acontecido no anterior duelo para a Taça, com o Lousada) assumiu a titularidade. Na defesa, Bruno Pinheiro e Diogo Fernandes renderam Jorge Silva (lesionado) e Michel, respectivamente, no centro e no lado direito da defesa. De resto, tudo igual aos últimos encontros, mas com uma pequena nuance: os dois extremos trocaram um com o outro, jogando Adriano quase sempre na esquerda e Sidnei quase sempre na direita.


O encontro entre o 9.º e o 3.º classificado no principal campeonato da temporada transacta começou com um Boavista forte, desinibido e pressionante, surpreendo um Guimarães que pouco mais podia fazer que tentar fechar-se no seu último terço e aliviar de qualquer forma o esférico. Com transições rápidas para o ataque, quer através de passes dos dois centrais, quer através de iniciativas pelas alas (e, nesse aspecto, Gilberto e Diogo Fernandes foram preciosos apoios aos extremos), contando, também, com o dinamismo dos dois médios mais ofensivos, Rui Lima e Pedro Moreira, o Boavista crescia minuto atrás de minuto, chegando, inclusive, a empolgar os seus adeptos com o bom futebol produzido e, obviamente, com as ocasiões de golo construídas. O Guimarães procurava responder com lançamentos longos para o ataque, apostando no poderio físico da sua linha avançada, mas, fora uma situação de cruzamento, pouco conseguiu fazer. O Boavista, por seu lado, mostrava classe, logo desde o sector defensivo (em que os seus jogadores procuravam sair a jogar com consistência desde zonas recuadas, ao invés de despacharem a bola de qualquer maneira), e, nos 20 minutos finais do primeiro tempo, pode até dizer-se que massacrou a formação minhota. A sorte, contudo, nada queria com o Boavista, dado que criou as oportunidades de golo que, em princípio, deveriam ser suficientes para construir uma vantagem, por que não dizê-lo, confortável. João Tomás, com um espectacular golpe de cabeça após livre na direita de Diogo Fernandes, Adriano, que por pouco não conseguiu o desvio quando se isolou perante Nilson (após assistência de cabeça de João Tomás), e Sidnei, que, fazendo uso da sua velocidade, penetrou na área e rematou ligeiramente ao lado, tiveram pertíssimo de abrir o marcador e levar o Bessa ao delírio. O intervalo chegava com um tremendo sabor a injustiça, dado o avassalador caudal ofensivo dos axadrezados.


A segunda metade da partida começou com muito maior equilíbrio, com alguns passes falhados de parte a parte e, talvez em consequência disso, uma maior aposta, por parte do Boavista, em saídas rápidas para o ataque com lançamentos mais longos, de forma a apostar na velocidade dos extremos. O treinador dos minhotos, sensivelmente decorridos 10 minutos desde o reatamento, decidiu efectuar alterações na equipa, aproveitando a primeira substituição do desafio, passando a jogar com dois homens na frente. Esta mudança coincidiu com o período (único) em que o Guimarães esteve mais forte no jogo, pressionando mais o Boavista e ganhando mais bolas em zonas avançadas do terreno. Esse período culminou no primeiro tento do encontro, na sequência de um canto, com Gregory, com muita felicidade à mistura (e fica a dúvida sobre se Pedro Trigueira não sofreu uma carga faltosa do defesa vimaranense), a cabecear para o fundo das redes. Apesar de ser a melhor fase dos visitantes no encontro, a verdade é que o golo surgiu no primeiro remate perigoso que os minhotos fizeram.


A equipa do Boavista, no entanto, reagiu muito bem ao golo sofrido e voltou a pegar no jogo. E a verdade é que, quase de seguida, na sequência de um livre na esquerda cobrado por Rui Lima, Renato Santos cabeceou à barra. A prova, se tal fosse preciso, que o Boavista criava o maior número de oportunidades, mas era o Guimarães quem acabava por concretizar.


Aproveitando o recuo do Guimarães, novamente a jogar em contra-ataque, Diogo Fernandes surgia, na direita, praticamente com um segundo extremo-direito, permitindo a Sidnei aparecer em diagonais no apoio directo a João Tomás.


Contudo, aos 77 minutos, o Boavista sofreu o 0-2, por intermédio de Fajardo, num lance em que a equipa forasteira acabou por, de uma forma quase cínica, por praticamente resolver uma eliminatória que não mereceu, de todo, passar.


Rui Bento, ainda assim, procurou mostrar à equipa que discutir o jogo ainda era possível, ao lançar, de uma só vez, dois jogadores, logo a seguir ao segundo tento minhoto. Entraram Fuska e Márcio Tarrafa para os lugares dos esgotados Rui Lima e Pedro Moreira, numa tentativa clara de, nos derradeiros fôlegos da partida, refrescar o meio-campo e, com isso, conseguir um caudal ofensivo que ainda permitisse alentar esperanças no prolongamento. E a verdade é que Márcio Tarrafa, numa das primeiras ocasiões em que teve a bola nos pés, protagonizou um dos mais bonitos lances do encontro, ao fintar três opositores, rematando para defesa difícil de Nilson, após penetrar na grande área.


Sem mais lances de grande destaque até final, apesar de o Boavista nunca ter baixado os braços e deixado de lugar, o encontro terminou com o 0-2 no marcador, ganhando a equipa que menos justificou e mais sofreu. Sublinhando a bravura e a irreverência da equipa, que jogou completamente descomplexada, os adeptos boavisteiros brindaram os seus jogadores com uma fantástica ovação, ao som de um arrepiante “Boavista! Boavista!”. Porque o azar não castiga sempre aqueles que merecem o sucesso, esta actuação da equipa faz-nos todos acreditar que o futuro, no campeonato, poderá ser risonho. Muito risonho.


O próximo jogo é, novamente, no Estádio do Bessa Século XXI, diante do Beira-Mar, pelas 15 horas. Contamos com o excelente apoio que a massa associativa tem dado a esta equipa, de modo a que o público seja o 12.º jogador em mais uma batalha rumo à Primeira Liga.



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Domingo, 2 de Novembro de 2008
Feirense 2 - 0 Boavista FC

O Boavista perdeu por duas bolas a zero no terreno do Feirense, um resultado que, apesar de não ter sido um grande jogo de futebol, foi claramente injusto para a turma axadrezada. Esta deslocação dos comandados de Rui Bento a Santa Maria da Feira fica marcada, pela positiva, por mais uma fantástica presença de boavisteiros (cerca de 1500), que estavam, claramente, em maior número que os adeptos do clube local, e, pela negativa, pela desastrosa actuação da equipa de arbitragem chefiada por Bruno Paixão. O lance do segundo golo, no qual existe uma falta clara de um jogador do Feirense sobre Diogo Fernandes, é o exemplo mais gritante disso mesmo.

Rui Bento não efectuou quaisquer alterações no onze inicial, mantendo, desta forma, o 4-3-3, em oposição ao 4-4-2 utilizado pela formação adversária.

Os primeiros 10/15 minutos da partida não tiveram momentos de grande destaque: bola essencialmente disputada na zona do meio-campo, as defesas a anularem com tranquilidade as iniciativas ofensivas contrárias, em suma, as duas equipas a acertarem as marcações e a procurar “conhecer-se”, de modo a detectar eventuais pontos fracos do opositor. Desde cedo, o Feirense mostrou que ia apostar num futebol directo, explorando, sobretudo, a ala esquerda (o flanco direito do Boavista apresentava-se menos reforçado no aspecto defensivo que o esquerdo, dado que quer Pedro Moreira, quer Adriano têm mais tendência para procurar zonas mais interiores do campo, em comparação com Sidnei e Rui Lima). O Boavista, por seu lado, procurava circular o esférico e ensaiar variações de flanco (a fim de criar desequilíbrios e espaços), mas o último passe acabava por não sair nas melhores condições. As constantes faltas cometidas pelos defensores feirenses (sobretudo sobre João Tomás) que não eram assinaladas eram uma dificuldade adicional que impedia o Boavista de chegar com perigo à área adversária. No entanto, à passagem dos 17 minutos, um bom cruzamento de Gilberto, na esquerda, a visar a cabeça de João Tomás e que apenas foi travado pela cabeça de um defesa da equipa da casa, acabou por ser o sinal que os axadrezados precisavam para começar a crescer e a tomar conta do jogo. E foi isso mesmo que aconteceu. A equipa passou a pressionar mais à frente, o Feirense já não conseguia sair para o contra-ataque e, aos 25 minutos, o BFC criou uma soberana ocasião para marcar: Gilberto, com um excelente passe a rasgar, desmarca Adriano, que, perante o guardião contrário, “pica” a bola e por muito pouco não consegue inaugurar o marcador – o esférico passou a centímetros do poste. Estava, todavia, dado o mote e, até final do primeiro tempo, o Boavista foi sempre, ou quase sempre, superior a uma equipa que apenas ameaçava em lances de bola parada. Ao intervalo, ficava a convicção de que os axadrezados tinham um bom resultado (porque não dizê-lo? a vitória) ao seu alcance. Apesar de o Feirense estar a jogar em casa, o Boavista mostrava ter mais argumentos no futebol jogado.

Na segunda parte, o Boavista entrou ainda mais forte do que no final da primeira. Isto porque um dos aspectos mais importantes no jogo ofensivo da equipa começava a ser conseguido: criar desequilíbrios pelas faixas (sobretudo pela esquerda, onde Sidnei surgiu verdadeiramente endiabrado após o reatamento). Duas boas oportunidades de golo, no quarto-de-hora inicial da etapa complementar do desafio, pareciam fazer crer que a vantagem no marcador seria, somente, uma questão de tempo. No primeiro lance, Pedro Moreira, após boa desmarcação pela direita, ganha a linha de fundo, já na grande área, e passa para trás a solicitar Adriano, que, no entanto, remata para defesa segura do guarda-redes contrário. Na segunda situação, Sidnei, após uma boa variação de flanco feita por Adriano, finta o lateral-direito contrário e cruza ao segundo poste, onde surgiu João Tomás, que, todavia, já cabeceia em desequilíbrio. Logo a seguir a essa jogada, Rui Bento opera a primeira substituição da equipa, entrando Ivan Santos para o lugar de Adriano, numa tentativa de maior frescura e alguma irreverência à ala direita do ataque.

Só que, quando nada o fazia prever, é o Feirense quem, completamente contra a corrente do jogo, se adianta no marcador. Livre na esquerda com a bola a ser colocada imediatamente na área e, aproveitando a confusão, Luciano introduz o esférico na baliza à guarda de Sérgio Leite. Rude golpe para a formação boavisteira, que, mesmo assim, não acusou o toque e tentou prosseguir com a toada pressionante, não obstante muitos lances continuarem a ser mal ajuizados pela equipa de arbitragem, com claro prejuízo para a formação da cidade Invicta. Aos 56 minutos, Rui Bento decidiu trocar de lateral-direito, com Diogo Fernandes a render Michel (que já tinha um cartão amarelo, pelo que o treinador do BFC não quis, e bem, correr riscos). Meia-dúzia de minutos depois, porém, mais uma grande contrariedade para o Boavista: Sidnei, um dos principais dinamizadores do ataque, saía lesionado, entrando para o seu lugar Márcio Tarrafa. Sidnei esse que, momentos antes, teria uma possibilidade soberana oportunidade para marcar, ao surgir isolado diante do guarda-redes, não fosse o lance ter sido (mal) anulado pelo árbitro-assistente, que sanciou um alegado fora-de-jogo. Tarrafa entrava para médio-interior esquerdo (mas com liberdade para aparecer perto do tridente ofensivo e para pegar no jogo) e Rui Lima regressava à posição onde jogou grande parte da sua carreira: extremo-esquerdo.

Contudo, aos 73 minutos, novamente sem ter feito nada que o justificasse, o Feirense amplia a vantagem no marcador e, praticamente, encerra o encontro. Após uma falta clara, como já referido, sobre Diogo Fernandes, a bola sobra para Serginho, que, com um pontapé feliz, remata sem hipóteses para Sérgio Leite. Perante tantas adversidades, a equipa do Boavista, naturalmente, não mais conseguiu reagir de uma forma consistente, jogando, a partir daí, como é costume dizer-se, “mais com o coração do que com a cabeça”. O jogo acabou por chegar ao fim sem mais lances de grande destaque, com um resultado que não espelha, de forma alguma, aquilo que se passou sobre o relvado do Estádio Marcolino de Castro. Mais uma vez, à semelhança do que aconteceu na Póvoa de Varzim e na reacção ao Desportivo das Aves, o resultado menos favorável não impediu a ovação que a imensa assistência boavisteira, incansável no apoio à equipa durante os 90 minutos, dispensou aos seus atletas, como que a sublinhar a garra dos jogadores e a injustiça do resultado. Uma demonstração, afinal, de que todos acreditamos no sucesso desta época.

O próximo compromisso oficial do Boavista tem lugar no próximo sábado, pelas 20 h 30 min, com a recepção ao Guimarães, em duelo a contar para os 16 avos-de-final da Taça de Portugal. Um jogo no qual, estamos certos, a massa associativa boavisteira vai voltar a estar de “mãos dadas” com a equipa.



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Domingo, 26 de Outubro de 2008
Boavista FC 1 - 0 Oliveirense

O Boavista regressou às vitórias na II Liga (repetindo o resultado do último fim-de-semana, na Taça), ao bater a Oliveireinse por uma bola a zero. Num Estádio do Bessa, uma vez mais, muito bem composto de público, Sidnei, aos 4 minutos, fixou o resultado final.

Para o duelo frente à turma de Oliveira de Azeméis, Rui Bento apenas efectuou uma alteração relativamente ao triunfo frente ao Lousada, trocando o guarda-redes (entrou Sérgio Leite para o lugar de Trigueira). De resto, o 4-3-3 habitual, com Rui Lima e Pedro Moreira, os médios-interiores, a terem a função de gizar os lances de ataque do Boavista.

Começou bem o Boavista, fortemente apoiado pelos seus adeptos, e numa jogada muito bem construída, pela esquerda: Rui Lima, como é seu timbre, é oportuno a ocupar o espaço vazio neste flanco, coloca em Pedro Moreira, que, com um excelente passe a rasgar, desmarca Sidnei que, cara-a-cara com o guardião Jorge Silva, não perdoa e faz o primeiro e único tento do encontro. Aliás, foi, essencialmente, pela ala esquerda que o BFC continua a colocar o adversário “em sentido”, com um Gilberto extremamente ofensivo e um Sidnei irrequieto, apoiados por Rui Lima. A Oliveirense, por seu turno, apostando numa transição rápida para o ataque (baseada em lançamentos longos), apenas chegava à área axadrezada através de lances de bola parada que resultavam em cruzamentos. No entanto, a defesa do Boavista e o guarda-redes Sérgio Leite conseguiam, com maior ou menor dificuldade, evitar que a Oliveirense criasse perigo.

Após uns 15/20 minutos em que o Boavista surgiu mais pressionante e a praticar um futebol rápido e com boa circulação de bola (explorando bem, como já dito, a faixa canhota), o jogo entrou numa fase de alguma indefinição, com muitos passes falhados e alguma precipitação nas saídas para o ataque. Ainda assim, era à Oliveirense quem, obviamente, competia tentar mudar o rumo do encontro.

No entanto, nos minutos finais, o Boavista (re)surgiu mais forte, tendo, inclusive, uma soberana ocasião para ampliar o marcador. João Tomás (muito castigado por faltas, muitas das quais sem terem sido, sequer, assinaladas) pressiona o lateral-direito contrário e recupera o esférico, coloca em Sidnei, que, após uma excelente combinação com Rui Lima, consegue ganhar a linha de fundo para tirar um cruzamento para o “coração” da área, onde João Tomás, já em desequilíbrio, cabeceia para as mãos de Jorge Silva. A primeira parte terminava pouco depois, com uma vantagem justa no marcador e a sensação de que o BFC tinha o jogo completamente controlado.

A etapa complementar do desafio, porém, acabou por ficar marcada, de certa forma, pela actuação infeliz da equipa de arbitragem. Muitas faltas, quer no meio-campo oliveirense, quer no axadrezado, que ficaram por marcar a favorecer o Boavista e algum excesso de zelo sempre que os jogadores do BFC disputavam de forma mais viril os lances. A Oliveirense, ao colocar dois homens fortes fisicamente na área boavisteira, apostava nos lançamentos longos logo desde o sector defensivo para tentar colocar alguma pressão no último reduto do Boavista e, através de um ressalto ou uma segunda bola, procurar surpreender no ensejo de alcançar o empate. No entanto, a única oportunidade de golo aconteceu no final do primeiro quarto-de-hora do segundo tempo, quando um atacante forasteiro surgiu isolado perante Sérgio Leite, que, todavia, conseguiu travar o remate.

Aos 66 minutos, Rui Bento operou a primeira alteração na equipa, mudando o lateral-direito: saiu Michel para entrar Diogo Fernandes. Logo a seguir, mais duas substituições, lançando François e Fuska, que renderam Sidnei e João Tomás. Com estas trocas, o treinador do Boavista pretendeu dar maior solidez e coesão à equipa, de modo a fechar as linhas de passe ao adversário e, sobretudo, dar maior capacidade na “luta” pelas segundas bolas. E a verdade é que foi bem sucedido nesses objectivos. Adriano passou a ser a referência ofensiva da equipa, jogando numa posição mais central, Rui Lima passou para extremo-esquerdo e Fuska jogava como “falso” extremo-direito, auxiliando Diogo Fernandes a fechar esse flanco. François entrou para médio mais recuado (apostando Rui Bento na sua elevada estatura para impedir que os avançados e médios oliveirenses recebessem as bolas enviadas pelo ar a partir da defesa), subindo Bruno Monteiro para médio-interior esquerdo (poupando-se, assim, do risco de um eventual segundo cartão amarelo) e soltando Pedro Moreira para funções mais ofensivas e de “pressing” aos defesas contrários. E o que é certo é que a Oliveirense, a partir daí, pouco ameaçou a baliza à guarda de Sérgio Leite, pelo que o jogo, nesses 20/25 minutos finais, teve poucas situações de grande destaque. Nos minutos finais, o público boavisteiro, apercebendo-se da importância que poderia ter o seu apoio na fase decisiva do encontro, não se cansou de incentivar a equipa e, assim, impulsionou-a para um último esforço, na tentativa de segurar a vitória. O apito final acabou por chegar e os três pontos, efectivamente, acabaram por ficar no Estádio do Bessa Século XXI. Com este triunfo, o terceiro no campeonato e o quinto em jogos oficiais, o Boavista igualou o Santa Clara e o Sporting da Covilhã no topo da tabela classificativa, com 11 pontos. Na próxima jornada (domingo, às 11h 15min da manhã), a formação às ordens de Rui Bento desloca-se a Santa Maria da Feira, para defrontar o Feirense, que somou até ao momento 8 pontos. Tal como aconteceu, por exemplo, na deslocação ao terreno do Varzim, apelamos à família boavisteira que compareça em muito bom número no Estádio Marcolino de Castro, para apoiar esta equipa rumo à Primeira Liga.



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Domingo, 19 de Outubro de 2008
BOAVISTA FC 1 - 0 LOUSADA

O Boavista apurou-se para a IV eliminatória da Taça de Portugal ao derrotar em casa o Lousada com um golo sem resposta. Rui Lima, aos 35 minutos, protagonizou o momento alto da partida, com um excelente remate de meia-distância que bateu o guarda-redes lousadense.


Para o duelo desta III eliminatória da Taça, Rui Bento manteve o 4-3-3, mas efectuou duas alterações na equipa, isto tendo como ponto de comparação o último encontro da Liga, em Olhão. Pedro Trigueira e Michel, depois das boas actuações frente ao FC Porto, a meio da semana, entraram para a baliza e para o lado direito da defesa, respectivamente.


Os axadrezados entraram muito bem no jogo, mostrando cedo que o objectivo era marcar o mais rápido possível, dominando completamente as operações do encontro. Com um futebol jogado junto ao relvado, procurando circular a bola e abrir espaços pelas alas, o Boavista tentou diversificar o seu jogo, de modo a poder penetrar no último reduto de um adversário que se fechava no derradeiro terço do terreno e que só chegava à área boavisteira em lances de bola parada. Aos 8 minutos, um remate forte de Rui Lima, que levava “selo” de golo, é travado pela cabeça de um defensor da equipa do Lousada e, pouco depois, Sidnei, mais ou menos do mesmo sítio, obriga o guarda-redes contrário a uma defesa difícil para canto. Começava a justificar a vantagem o Boavista, jogando, como já se disse, um futebol muito agradável, com o tridente de meio-campo (que, na primeira parte, se apresentou muito forte na gestão e na circulação da bola) a municiar as faixas (sendo que Rui Lima tinha mais liberdade para subir e para descair, por vezes, para a esquerda), a esquerda com Sidnei apoiado por Gilberto e a direita, essencialmente, com o ofensivo Michel, já que Adriano flectia para o centro nas “costas” de João Tomás.


Aos 19 minutos, Sidnei, desta vez na direita, aproveita uma distracção da defesa do Lousada, na sequência de um lançamento, e, após entrar na área, remata ligeiramente ao lado, levando alguns adeptos a gritar golo.


E foi aos 35 minutos, pouco depois de uma entrada duríssima sem bola de Hélder Cavino sobre Sidnei, que merecia mais que o cartão amarelo que foi exibido, que Rui Lima faz o primeiro e único tento da partida, num remate de fora da área, após passe de Gilberto. Um golo que colocava justiça no marcador, a premiar a única equipa que tinha, até então, procurado alterar o resultado. O Boavista, até ao final do primeiro tempo, continuava a pressionar, mantendo a mesma toada de futebol rendilhado e pelo chão, mas acabava por não ser eficaz no último passe, pelo que o intervalo chegou com o 1-0 no marcador.


A segunda parte começou numa toada mais morna, que acabou por se manter até aos 10 minutos finais. Dois livres em posição frontal, logo a abrir, a penalizar faltas que… não existiram, ajudaram o Lousada a crescer um pouco, obrigando o Boavista a jogar de forma mais cautelosa. Os cartões amarelos a Jorge Silva e Michel, que não se justificavam (atendendo, ainda para mais, a que lances semelhantes no primeiro tempo, protagonizados por defesas do Lousada, não tiveram a mesma acção disciplinar), também contribuíram para isso. Ainda assim, o Boavista mostrou organização a defender, ocupando bem os espaços e fechando as linhas de passe ao adversário. A diferença, relativamente à primeira parte, esteve nos momentos em que a equipa tinha o esférico em sua posse, acabando por arriscar pouco nos passes feitos pela zona central. Michel, dado que Adriano funcionava como um segundo ponta-de-lança, esteve menos ofensivo, dado que o Lousada colocava dois homens no seu flanco (não quis arriscar e… fez bem), fazendo, assim, com que a equipa tivesse menos profundidade e tivesse que canalizar o seu jogo ofensivo pela ala esquerda. Mesmo assim, apesar de praticar um futebol muito menos vistoso, pode dizer-se que a equipa foi inteligente na forma como geria o jogo, dado que a vantagem no marcador era sua e era ao adversário quem competia arriscar. Aos 68 minutos, Rui Bento mexia pela primeira vez, ao substituir João Tomás por Márcio Tarrafa. Abdicava, desta forma, de um elemento mais fixo entre os centrais, para ganhar mais mobilidade e capacidade de jogar com o meio-campo na zona central (onde Adriano se fixava em definitivo), entrando Márcio Tarrafa para o lado direito do ataque. E a verdade é que a equipa conseguia, com estas mudanças, ganhar maior capacidade para confundir as marcações do adversário, o que resultava em mais espaços, não obstante deixar de ter, a “tempo inteiro”, uma referência constante entre os centrais adversários. Pouco depois, o Boavista construía a jogada de maior perigo, até à altura, no segundo tempo, com Sidnei, quando o lance parecia perdido, a ganhar em velocidade ao lateral-direito do Lousada e a penetrar na área, endossando a bola a Adriano, que chega ligeiramente mais cedo que a bola, não conseguindo efectuar o remate nas melhores condições. Ainda assim, o Boavista mostrava que estava melhor e que queria chegar ao segundo golo.


Aos 82 minutos, Rui Bento rende os esgotados Sidnei e Pedro Moreira, entrando Fuska e François. Rui Lima passou para extremo-esquerdo, Bruno Monteiro adiantou-se para médio-interior do mesmo lado, Fuska surge como médio-interior direito, mas mais adiantado que Bruno e com responsabilidades de pegar no jogo, e François aparece como médio mais recuado. Apesar do susto que apanhou aos 85 minutos (remate ao poste da baliza de Trigueira, na sequência de um livre em cima da área, num lance a castigar mais uma falta inexistente: Jorge Silva jogou apenas e só a bola), o Boavista, com um meio-campo mais fresco, mostrava maior capacidade para mexer no jogo, não conseguindo, no entanto, o segundo golo (que daria uma dimensão mais ajustada ao resultado) porque, simplesmente, a sorte não esteve do seu lado. Aos 89 minutos, Rui Lima cruza da esquerda para o segundo poste, onde aparece Márcio Tarrafa a cabecear à barra. O brasileiro oriundo do Sousa FC consegue chegar ao esférico para a recarga, mas, claramente agarrado por um defensor lousadense (grande penalidade que ficou por marcar), cabeceou para defesa complicada do guarda-redes contrário. Pouco depois, Fuska, na direita, com um excelente remate, obriga o guardião do Lousada à defesa da tarde. Na sequência do canto, novamente centro para o segundo poste e novamente cabeceamento à barra, desta feita por intermédio de François. O jogo acabou cerca de 2 minutos depois, com uma vitória justa do Boavista, num encontro marcado por uma primeira parte de alto nível e por um segundo tempo menos vistoso, exceptuando os minutos finais, nos quais o BFC justificou o 2-0.



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Domingo, 28 de Setembro de 2008
Boavista FC 1 - 1 D. Aves

O Boavista empatou em casa frente ao Desportivo das Aves a uma bola, não conseguindo, assim, ascender ao primeiro lugar da classificação. Numa boa partida de futebol, num Estádio do Bessa Século XXI com uma excelente moldura humana, faltou aos axadrezados a pontinha de sorte necessária para resolver o encontro quando se encontrava em vantagem, além da infelicidade no lance do tento da igualdade, numa altura em que o Boavista dominava e controlava.

Rui Bento voltou a montar a equipa num 4-3-3, com uma única alteração relativamente à vitória em Portimão: entrou João Tomás para o lugar de Ivan Santos, passando Adriano para o lado direito do ataque. Desta forma, o Boavista apresentava-se com Sérgio Leite na baliza; defesa com Renato Santos e Jorge Silva no eixo, Gilberto na esquerda e Bruno Pinheiro na direita; meio-campo com Bruno Monteiro como elemento mais defensivo (com a responsabilidade de “varrer” a zona entre os sectores defensivo e intermediário), Pedro Moreira descaído para a direita e Rui Lima mais sobre a esquerda (embora com mais liberdade para subir por esse flanco e para organizar o jogo ofensivo da equipa); ataque com Adriano e Sidnei com a responsabilidade de servir o ponta-de-lança João Tomás.

O Aves entrou melhor no encontro, aproveitando o facto de o Boavista estar ainda a acertar as marcações. Sami, logo a abrir, aproveitou uma desconcentração defensiva do Boavista para rematar ao poste. Rapidamente, porém, os axadrezados tomaram conta da iniciativa do jogo, com os dois médios-interiores, Rui Lima e Pedro Moreira, a conseguirem boas aberturas para as faixas, principalmente pela esquerda, onde Sidnei (ou Adriano, em algumas situações) e Gilberto, muito ofensivo, criavam imensas dificuldades ao lateral-direito avense (que recorreu muitas vezes à falta, nem sempre assinaladas pelo árbitro). A formação forasteira apenas conseguia responder com contra-ataque lançados através de “balões” para o ataque, sem grandes sobressaltos, todavia, para o guarda-redes Sérgio Leite. O Boavista praticava um futebol positivo, com mais posse do esférico e boa circulação do mesmo, mas pecava no último passe e no capítulo dos cruzamentos. Era, no entanto, uma questão de tempo até surgir o golo dos alvi-negros. Foi aos 38 minutos. Livre na esquerda cobrado por Gilberto, a bola é rechaçada pela defesa avense e sobra para Bruno Monteiro, que encontra num adversário a oposição para o remate. No entanto, Rui Lima consegue recuperar o esférico e, com um tiro colocadíssimo, obtém um golo de belo efeito, levando à explosão de alegria da massa associativa boavisteira.

O tento galvanizou a equipa, que, aos 42 minutos, teve uma soberana ocasião para ampliar a diferença no marcador, e, porque não, praticamente sentenciar o jogo, numa das melhores jogadas da partida. Rui Lima combina com Gilberto na esquerda e consegue ganhar a linha de fundo para centar ao segundo poste, onde surge João Tomás, que, num cabeceamento de cima para baixo, falha o golo por milímetros. O intervalo chegava pouco depois, para azar do Boavista, já que a toada com que terminou a primeira parte revelava-se verdadeiramente asfixiante para o Aves, com o 2-0 mais próximo que o 1-1.

No reatar da partida, o Boavista mantinha o domínio do encontro, agora jogando mais pela direita, onde Adriano criava alguns desequilíbrios. Aliás, foi do pé direito do brasileiro que saiu um cruzamento perigoso, da linha de fundo, que João Tomás por pouco não conseguiu emendar. Destaque, também, para uma obstrução a Adriano, mesmo em cima da grande área, que ficou por marcar e que, com toda a certeza, resultaria num livre perigoso.

Aos 63 minutos, Rui Bento operava as primeiras mudanças na equipa, com uma dupla substituição: saíam os dois extremos, Sidnei e Adriano, rendidos por Rodrigo Fuska e Diogo Fernandes. Neste último caso, a intenção passava por dar maior solidez em termos defensivos à faixa direita, com Diogo Fernandes a auxiliar Bruno Pinheiro a fechar o flanco, onde o Aves era mais perigoso. No entanto, aos 66 minutos, quando nada o fazia prever e completamente contra a corrente do jogo, o Aves chegava ao empate. O número 15 Robert penetra pela esquerda, combina na grande área com o avançado Rui Miguel (número 9) e, perante Sérgio Leite, acaba por fazer o 1-1, num lance em que o guardião axadrezado por pouco não conseguia evitar o golo. Mas o Boavista respondeu logo de seguida, no lance mais polémico da partida: Diogo Fernandes consegue furar pela direita e só é parado em falta no interior da grande área. Para surpresa geral do público nas bancadas, o árbitro, ao invés de assinalar, como se impunha, grande penalidade, acaba por marcar um livre indirecto, quando a falta que foi feita pelo jogador da equipa visitante justificava, claramente, um livre directo, o que dentro da grande área equivale a “penalty”.

Com todas estas peripécias, a equipa do Boavista passou por um período de 10 a 15 minutos de algum nervosismo e precipitação, que o Aves, todavia, abdicou de tentar aproveitar, preferindo defender o empate. Aos 73 minutos, Rui Bento lançou Ivan Santos para o lugar do lesionado Pedro Moreira, passando Diogo Fernandes para médio-interior direito, sendo Ivan e Rodrigo Fuska os dois extremos. Na defesa, Gilberto trocou de flanco com Bruno Pinheiro. Com todas estas mudanças, o Boavista reequilibrou-se e, nos últimos fôlegos do encontro, voltou a pressionar, faltando, contudo, o discernimento e, sobretudo, o espaço para chegar ao tão almejado golo.

A igualdade acabou por não sofrer alterações até final (após apenas três minutos de compensação… claramente escassos para as paragens que houve no jogo). Apesar do empate, a equipa do Boavista saiu do campo ao som de uma (justa) ovação por parte dos seus adeptos, que, além de estarem em muito bom número (quem, vindo de fora, olhasse para as bancadas e para a qualidade do encontro não acreditaria que se tratava de um jogo da 2.ª Liga, mas, sim da 1.ª), apoiaram sempre a equipa. O jogo de hoje soube a alguma frustração devido ao resultado final, mas mostrou, de qualquer forma, que estes jogadores têm capacidade para dar alegrias aos boavsteiros e honrar a camisola deste grande clube, domingo após domingo. Ao fim desta 4.ª jornada, o Boavista, com 7 pontos, faz parte do grupo de quatro equipas que ocupa o 3.º lugar (Varzim, Feirense e Freamunde são as outras formações), a um ponto da dupla que lidera e ocupa os lugares de subida, Santa Clara e Aves.



publicado por pjmcs às 20:17
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